quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Alta velocidade ferroviária chega à Galiza

A Espanha possui uma importante rede de comboios de alta velocidade de cobertura nacional, pois permite ligar Madrid a algumas das principais cidades espanholas como Barcelona, Sevilha, Valencia, Alicante, León, Granada e outras mais. Na passada segunda-feira, essa rede foi acrescentada com a ligação do comboio de alta velocidade entre Madrid e a Galiza, ou antes, entre as cidades de Madrid e Ourense, que depois tem ligações a Vigo, Santiago e Corunha.
A rede de alta velocidade espanhola é gerida pela Renfe (Red Nacional de los Ferrocarriles Españoles), uma entidade pública empresarial que explora a rede ferroviária, incluindo o AVE (Alta Velocidad Española), que é um dos mais rápidos comboios europeus e que pode atingir a velocidade máxima de 330 quilómetros por hora.
A viagem inaugural entre Madrid e Ourense teve a presença do rei Filipe VI e do primeiro-ministro Pedro Sánchez, além de muitas outras entidades oficiais, tendo o AVE saído às 10.00 horas da estação de Chamartin em Madrid, feito duas paragens e chegado a Ourense às 12.19 horas. Antes, esses 500 quilómetros demoravam 4 horas e 52 minutos, mas esse tempo foi agora reduzido para um pouco menos de metade.
A imprensa galega, nomeadamente o jornal La Voz de Galicia, classificou a chegada do AVE como um dia histórico e, de facto, é um sinal de grande progresso.
Para os portugueses do norte do país que precisem de se deslocar a Madrid e não gostem do avião, o AVE Madrid-Ourense vai obrigar a fazer algumas contas, porque a viagem de 620 quilómetros de automóvel entre o Porto e Madrid tem agora alternativas mais rápidas e mais económicas, até porque Ourense está a 90 quilómetros de Chaves e a 220 do Porto.
Quanto ao nosso TGV, o comboio lusitano de alta velocidade, bem se pode questionar se é um investimento mesmo necessário.

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Os novos ventos que sopram no Chile

O eleitorado chileno elegeu no passado domingo como Presidente da República do Chile o candidato Gabriel Boric, um antigo dirigente estudantil de 35 anos de idade.
Gabriel Boric é natural de Punta Arenas, a cidade mais meridional do Chile, que é a capital da região de Magalhães e Antártica Chilena, uma das dezasseis regiões do país, pelo que o jornal local El Pinguino escolheu o sugestivo título “Magallánico Boric a La Moneda”, isto é, ao Palácio Presidencial.
O presidente eleito é membro da Câmara de Deputados desde 2014 e candidatou-se à Presidência da República como representante de uma alargada coligação de partidos de esquerda. Embora liderasse as sondagens, veio a perder na primeira volta por 150 mil votos a favor do candidato José António Kast, representante da extrema-direita e admirador confesso do antigo ditador Pinochet. Para a segunda volta, Boric seguiu as normas das campanhas eleitorais, moderou-se na linguagem e nas atitudes, cortou o cabelo e escondeu as tatuagens, acabando por conquistar o eleitorado que lhe deu 55,8% dos votos. Vai ser o 66º presidente da República do Chile e também o mais jovem presidente que o país alguma vez teve.
A América Latina e o mundo olham para o Chile com muita curiosidade. Gabriel Boric surge como um herdeiro de Salvador Allende, o primeiro presidente socialista a chegar democraticamente ao poder em toda a América Latina, mas que foi deposto em 1973 por um sangrento golpe de estado liderado pelo general Augusto Pinochet. Agora há a expectativa de saber se as forças conservadoras golpistas chilenas e os seus aliados aceitam a presidência de Boric, mas também a expectativa de saber como vai o Tio Sam conviver com os regimes que nada lhe são subservientes, como sucede com os regimes dirigidos por Nicolas Maduro (Venezuela), Pedro Castillo (Perú), Luis Arco (Bolívia) e Alberto Fernández (Argentina), a que se junta a presidência de Gabriel Boric (Chile) e, lá para Outubro, talvez também a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva. 
O tempo do autoritarismo militar latino-americano do século XX está a dar lugar à democracia e à cidadania, esperando-se que traga mais progresso e menos desigualdade para aquele subcontinente.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Macau depois de 1999, ou 22 anos depois

No dia 20 de Dezembro de 1999 ocorreu a transferência da soberania de Macau da República Portuguesa para a República Popular da China e, por isso, completam-se hoje 22 anos sobre essa data em que ficou constituída a Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China (RAEM). 
A data foi hoje assinalada na imprensa macaense de língua portuguesa, designadamente no jornal ponto final.
Os portugueses fixaram-se na pequena península de Macau, na costa do sul da China e junto da foz do rio das Pérolas, na primeira metade do século XVI, provavelmente em 1535, com a finalidade de possuir uma base para negociar na região de Cantão. Foram os primeiros ocidentais a chegar às costas chinesas e, depois dos primeiros mercadores, desembarcaram os aventureiros, os fidalgos e os missionários. O pequeno entreposto que a dinastia Ming autorizara a instalar-se naquela pequena península depressa se alargou, tendo sido criada a Diocese de Macau em 1576 e adquirido o estatuto de cidade em 1585, num tempo de grande prosperidade que as viagens do Japão proporcionavam. Macau tornou-se uma cidade-estado governada pelos seus moradores através de um senado e o rei D. João IV “em fé da lealdade que conheceu nos cidadãos dela”, determinou que a expressão “nenhuma mais leal” lhe servisse de lema.
Durante cerca de 450 anos os portugueses permaneceram em Macau, resistindo aos ataques holandeses, esquivando-se aos apetites ingleses e, sempre, convivendo com os chineses, independentemente das suas dinastias reinantes ou dos seus regimes.
No dia 13 de Abril de 1987 os governos de Portugal e da República Popular da China assinaram uma Declaração Conjunta em que acordaram “numa solução apropriada da questão de Macau legada pelo passado” e em que reconheceram que Macau “faz parte do território chinês e que o governo da República Popular da China voltará a assumir a soberania sobre Macau a partir de 20 de Dezembro de 1999”. Assim aconteceu há 22 anos e, segundo nos garante quem acompanha o quotidiano do território, os macaenses parecem estar satisfeitos.

sábado, 18 de dezembro de 2021

1961: evocando a queda do Estado da Índia

Revista Visão História, Dezembro, 2011
Perfazem-se hoje 60 anos sobre a data em que aconteceu a queda da Índia Portuguesa. É uma história complexa e dolorosa que só foi possível pela teimosia e pela intransigência de quem quis contrariar os “ventos da História” e que em vez de seguir os caminhos da diplomacia e da negociação, decidiu pedir o sacrifício total aos seus homens e afirmar que soldados e marinheiros só seriam reconhecidos se “vitoriosos ou mortos”. 
O governo de Nehru mandou avançar a operação Vijay e as tropas do general Candeth invadiram Goa, Damão e Diu por terra, mar e ar, sem que as tropas do general Vassalo e Silva lhe pudessem resistir. Corria o mês de Dezembro de 1961 e a perda da “jóia da coroa”, fortemente ligada a alguns dos mais importantes episódios da epopeia e da memória histórica lusitana, foi traumática para a sociedade portuguesa, mas também para uma parte da sociedade goesa e damanense que, ao longo de quatro séculos e meio, havia adoptado a língua e a cultura portuguesas.
Passados estes sessenta anos, aqueles territórios constituem o Estado de Goa e os Union Territories de Damão e Diu, mas em Goa, Damão e Diu persistem muitos traços da cultura portuguesa, nos quotidianos e nas práticas culturais, no património e na nostalgia de um modo de viver, de comer e de vestir de raiz portuguesa. 
A evocação que hoje aqui fazemos é uma homenagem aos que pereceram naquele dia e naquelas infelizes circunstâncias, mas é também a expressão de um sentimento de fraternidade para com aqueles que vivendo em Goa, Damão e Diu e possuindo passaporte indiano, são cultural e emocionalmente portugueses.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Brasil vê o Lula a subir e o Jair em queda

O principal instituto brasileiro de pesquisas políticas é o Datafolha, que faz parte do mesmo grupo empresarial do jornal Folha de S. Paulo e que tendo feito uma sondagem com 3.666 entrevistas presenciais entre os dias 13 e 16 de Dezembro, obteve resultados muito significativos, com uma margem de erro de apenas dois pontos percentuais.
Segundo essa sondagem, Luiz Inácio Lula da Silva venceria as eleições presidenciais com 47% de votos se as mesmas fossem realizadas hoje, enquanto Jair Bolsonaro não teria mais do que 21% dos votos. A tendência para a polarização está a aumentar no Brasil e as intenções de voto nos candidatos da chamada terceira via mostram que essas candidaturas têm pouca viabilidade e que Sergio Moro (9%), Ciro Gomes (7%) e João Doria (3%), até poderão vir a desistir da corrida presidencial. A sondagem da Datafolha também analisou os resultados de uma eventual segunda volta em que Lula da Silva derrotaria Bolsonaro por 59% a 30%, mas que também venceria folgadamente Moro, Ciro e Doria.
A popularidade e o prestígio de Bolsonaro estão em acentuada queda e 60% dos brasileiros dizem não acreditar em nada do que ele diz, enquanto só 13% acreditam sempre nas palavras do seu presidente. O seu governo também é fortemente reprovado pela opinião pública, pois é rejeitado por 53% da população e só tem o apoio de 22%. Daí resulta que, segundo a sondagem referida, numa segunda volta eleitoral Bolsonaro perderia para qualquer um dos seus quatro adversários. Parece, portanto, que Jair Bolsonaro tem o seu futuro político traçado, até porque o Brasil não esqueceu os 617 mil óbitos causados pelo covid-19 e não perdoa a forma irresponsável como ele sempre se referiu à pandemia. Porém, o que não há dúvidas é que a herança que vai deixar para o seu sucessor é muito pesada.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Há mercenários dos dois lados na Ucrânia

A comunicação social portuguesa pouco difere de uma comunicação de tipo paroquial, pois vive de casos, de sensacionalismos e do trabalho de estagiários, como se vê sempre que se descobre que uma qualquer figura de sucesso mediático subira na vida através da violação das regras que regem a nossa sociedade. Nesses casos da chamada criminalidade de colarinho branco, até acontece que aqueles que mais endeusaram as personagens da banca, do futebol e de outros sítios onde cheirasse a dinheiro, são aqueles que agora mais os afundam e que mais procuram antecipar-se a quem tem o dever de julgar os desvios à lei. Por isso, enquanto consumidores de notícias e de informações ficamos sujeitos a um jornalismo de tipo coscuvilheiro, feito de sensacionalismos, de presunções e de conjecturas, do qual muitas vezes duvidamos.
Por outro lado, o noticiário do que se passa para lá dos limites da paróquia fica entregue a comentadores geralmente bem preparados, mas que nem sequer fingem ser neutrais.
Vem isto a propósito da edição de hoje do jornal ucraniano ВЕСТИ ou Vesti, que se publica em russo na cidade de Kiev e em outras cidades da Ucrânia. A imagem da capa mostra o capacete de um soldado, algumas balas e um maço de notas de dólar, insinuando que há dinheiro a correr para pagar à “tropa de choque mercenária” que se prepara, ou não, para reactivar a guerra civil no Leste da Ucrânia, que desde 2014 mantém a região de Donbasss e as autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk em estado de rebeldia com o apoio russo.
Sabe-se que nesta escalada militar há muitos mercenários de ambos os lados e que o conflito já deixou de ser um caso interno da Ucrânia para se tornar num confronto ou numa guerra por procuração entre a Rússia e a NATO. Sabe-se também que, onde há mercenários, tem que haver dinheiro. Daí que a insinuação contida na capa do ВЕСТИ faça todo o sentido e possa referir-se a qualquer dos lados do conflito, mas para esclarecer isso era preciso conhecer a língua russa, que eu não conheço,  ou que a nossa comunicação social se interessasse por estes assuntos.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Unesco classificou Festas de Campo Maior


As Festas do Povo da vila alentejana de Campo Maior foram hoje classificadas como Património Cultural Imaterial da Humanidade durante a 16ª reunião do Comité do Património Mundial da Unesco realizada em Paris. Campo Maior está de parabéns por este reconhecimento cultural e se já recebia muitos milhares de visitantes para ver tão original e deslumbrante decoração urbana, vai certamente passar a receber muitos mais.
As Festas de Campo Maior são uma tradição secular e são organizadas pela Associação das Festas do Povo de Campo Maior, sendo feitas apenas quando o povo quer. As últimas foram realizadas em 2015. 
As ruas da vila são ornamentadas, sobretudo no seu centro histórico, com milhares de flores de papel de muitas cores que são feitas pela população de forma voluntária durante vários meses e muitas noitadas. As ruas “competem” entre si em criatividade e originalidade e cada rua adopta um tema no qual centra a sua decoração, cabendo a coordenação de todo o trabalho a um “cabeça de rua” que é eleito pelos moradores e que assume a direcção do projecto floral de cada rua. O resultado é sempre absolutamente espectacular e um deslumbramento!
Este tipo de festa não é exclusivo da vila de Campo Maior pois realiza-se em outras localidades alentejanas, nomeadamente na vila do Redondo, mas também em Tomar, Moura e em outras povoações. 
Depois de terem sido classificados como Património Cultural Imaterial da Humanidade o Fado (2011), a Dieta Mediterrânica e a Louça preta de Bisalhães (2013), o Cante Alentejano (2014), o Fabrico de Chocalhos (2015), a Falcoaria (2016), o Figurado de barro de Estremoz (2017) e o Carnaval de Podence (2019), chegou a vez das Festas do Povo de Campo Maior ou festa das ruas floridas.
Parabéns ao povo de Campo Maior!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Competição e desportivismo na Formula 1

Desde o ano de 1950 que a FIA realiza o Campeonato Mundial de Formula 1 e, por isso, este ano de 2021 que se aproxima do fim, constituiu a 72ª temporada deste evento que é considerado como a categoria mais importante do automobilismo mundial. 
Antigamente, as transmissões televisivas das provas – os Grandes Prémios – eram feitas em sinal aberto e, por isso, as corridas da Formula 1 tinham muitos entusiastas e seguidores que, por vezes, quase se assemelhavam aos tiffosi do futebol. Os nomes de Juan Manuel Fangio, Jackie Stewart, Niki Lauda, Alain Prost, Ayrton Senna ou Michael Schumacher eram bem conhecidos e atraiam legiões de adeptos. Depois, o circo da Formula 1 evoluiu e passaram a realizar-se provas nas cidades que para isso pagavam e as transmissões televisivas em sinal aberto acabaram, surgindo mais provas, muito mais dinheiro e muito menos interesse popular do que havia antigamente.
No ano de 2021 o Mundial de Formula 1 teve 22 provas disputadas em vários continentes, mas à partida da sua última prova realizada ontem – Grande Prémio de Abu Dhabi - nos primeiros lugares da linha de largada estavam o inglês Lewis Hamilton que procurava o seu oitavo título mundial e o jovem holandês Max Verstappen, que lutava pelo seu primeiro título. Partiam com o mesmo número de pontos, o que não acontecia no Campeonato de Formula 1 desde 1974, o que tornava esta corrida um acontecimento especial para os tiffosi e para o público em geral. Seria uma versão do "rei morto, rei posto"? Seria a continuidade ou a renovação? Seria a tecnologia alemã da Mercedes ou a japonesa da Honda?
Durante muitas voltas Lewis Hamilton seguiu na frente, mas na última volta Max Verstappen ultrapassou-o e, pela primeira vez, venceu o Campeonato Mundial de Pilotos. A generalidade da imprensa mundial publicou esta notícia, mas o diário desportivo argentino Olé foi mais longe e dedicou a capa da sua edição de hoje a Max Verstappen no pódio com Lewis Hamilton, que aplaude a vitória do seu adversário. Um caso de desportivismo pouco vulgar, sobretudo nestes “desportos” onde corre muito dinheiro.

Concursos de beleza e igualdade de género

Na cidade israelita de Éilat, nas margens do mar Vermelho, uma jovem indiana chamada Harnaaz Sandhu foi ontem coroada Miss Universo 2021. Segundo as crónicas, a vencedora bateu 79 outras beldades provenientes de vários países e territórios, incluindo a paraguaia Nadia Ferreira que ficou em segundo lugar, a sul-africana Lalela Mswane que obteve o terceiro lugar e as concorrentes das Filipinas e da Colômbia. Como sempre nestes concursos, a vencedora afirmou defender os direitos das mulheres, amar a sua família e gostar de cozinhar, de dançar e de ler, além de possuir várias outras virtudes. Oriunda de Chandigarh, no norte da Índia, a jovem terá provocado uma onda de orgulho nacional porque, 21 anos depois da última vitória indiana, ela trouxe aquele título de volta à Índia.
Embora alguns países europeus ainda participem neste tipo de festivais, já ninguém lhes dá importância e são feitas muitas críticas a estes concursos de beleza, que têm mais de humilhantes do que prestigiantes e que acontecem num tempo em que os direitos das mulheres e a igualdade de género ocupam as agendas políticas e culturais em quase todo o mundo. Porém, não é isso que se passa por exemplo na América do Sul, onde este tipo de concursos colhe muito apreço da imprensa e da opinião pública. Assim, na sua edição de domingo, o jornal colombiano El Universal publicava com grande destaque uma fotografia da sua candidata à “elección de la mujer más bella del universo”.
O jornal informava os seus leitores que Valeria Ayos ”deslumbró el viernes en la gala preliminar del certamen” e afirmava que “Colombia vuela alto en Miss Universo”.
Que alegria para toda a Colômbia, mas que grande injustiça o que fizeram à Valeria ao darem-lhe apenas o quinto lugar no concurso.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

O novo rosto político da Alemanha

Os deputados que têm assento no Parlamento alemão aprovaram ontem por 395 votos a favor, 303 votos contra e 6 abstenções, o novo governo chefiado pelo social-democrata Olaf Scholz, que até agora era o vice-chanceler e ministro das Finanças no governo de coligação chefiado pela conservadora Angela Merkel.
Dois meses depois da sua vitória nas eleições legislativas, o Partido Social Democrata (SPD) e o seu líder Olaf Scholz concretizaram um acordo de coligação com os liberais do FDP e os Verdes. Depois de 16 anos de poder da CDU e da chanceler Angela Merkel, o centro-esquerda político alemão regressou ao poder e esse facto é relevante na cena política europeia, pois terá influência na vida dos europeus e em muitos dos problemas que estão actualmente em agenda e que a todos preocupam. Um novo chanceler na Alemanha é um assunto importante não só para os alemães, mas também para os europeus e até para o mundo, porque é lá que se fazem os Mercedes, os Audi, os BMW, os Porsche e os Volkswagen. É lá que estão os comandos da Siemens, da Bosch e da Bayer e de muitas outras grandes empresas.
Entretanto, o Presidente da República decidiu condecorar Angela Merkel com uma apropriada condecoração pelo seu contributo para o fortalecimento da União Europeia e pelo seu apoio a causas humanitárias, ao diálogo e à paz.
A imprensa mundial publicou a fotografia de Angela Merkel e de Olaf Scholz, como homenagem a quem sai e como incentivo a quem entra, mas essa fotografia também mostra o valor do diálogo político e das coligações partidárias para governar, o que parece ser um exemplo para ser imitado em Portugal, um país onde se adoptam outras regras para gerir o poder.

A questão da Ucrânia está num impasse

Na passada terça-feira os presidentes Joe Biden e Vladimir Putin encontraram-se numa cimeira virtual, o que é um facto político a salientar, porque apesar da ascensão da China no plano mundial, os Estados Unidos e a Federação Russa ainda são, de forma directa ou indirecta, as potências militares dominantes. Durante mais de duas horas os dois líderes conversaram e, segundo os sucintos relatos que foram divulgados, a questão da Ucrânia foi o assunto principal que foi discutido.
A Ucrânia foi uma das antigas repúblicas da União Soviética que se tornou independente em 1991. É um grande país com mais de 600 mil quilómetros quadrados de superfície e 44 milhões de habitantes, mas uma parte da sua população é de etnia russa. Entre ucranianos e russos sempre houve muita tensão e, em 2014, a Rússia ocupou a península da Crimeia e a sua cidade de Sebastopol “a pedido da população e das autoridades locais” de etnia maioritariamente russa. Depois, a Rússia e a Crimeia assinaram um tratado de adesão, mas aquela ocupação nunca foi reconhecida pela comunidade internacional. Porém, nas regiões leste e sul do país, sobretudo nas áreas de Donetsk e Lugansk, começou uma grande agitação da população pró-russa contra os ucranianos pró-ocidentais, formaram-se milícias populares e houve combates intensos. Essa “guerra” tem estado num impasse e, segundo, as fontes ocidentais, a Rússia prepara-se para intervir nessa região oriental da Ucrânia pois tem havido forte concentração de tropas na fronteira. Aquilo que deveria ser discutido entre Kiev e Donetsk, passou a ser discutido entre Washington e Moscovo, com Bruxelas e outras capitais europeias a interferir. As acusações são recíprocas: os Estados Unidos e os seus aliados ameaçam com fortes sanções económicas se a Rússia invadir o território ucraniano, enquanto a Rússia, que atribui o aumento da tensão aos falcões da NATO e à sua tentativa de se instalarem próximo da fronteira russa com os seus mísseis, ameaça com os seus fornecimentos de gás e exige que o regime de Kiev tenha negociações directas com os separatistas da autoproclamada República Popular de Donetsk, sem qualquer interferência da NATO. Estão num impasse. Porém, a cimeira virtual da passada terça-feira foi um passo num bom sentido e da resolução pacífica do problema.
O que é curioso é que a imprensa internacional não deu grande destaque a este encontro e foi o jornal canadiano National Post que o trouxe para a sua primeira página.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

A fúria do mar proporciona belas imagens

As ilhas Britânicas foram afectadas nos últimos dias pela depressão Barra, uma tempestade que trouxe ventos fortes, chuvas muito intensas e neve, sobretudo na República da Irlanda, na Irlanda do Norte e na Escócia. Foram registadas rajadas de vento superiores a cem quilómetros por hora, alguns aeroportos foram encerrados, as condições das estradas tornaram-se difíceis e perigosas, houve quedas de árvores, muitas inundações e cortes de energia. Muitas destas regiões, nomeadamente a Escócia, acordaram cobertas de neve. A depressão Barra também atingiu Portugal embora com muito menor intensidade, quer no arquipélago dos Açores, quer nos distritos do norte do Continente onde, segundo revelaram algumas notícias, se verificaram 15 quedas de árvores e 15 inundações.
No caso da Irlanda do Norte, o jornal Belfast Telegraph noticiou os efeitos da tempestade Barra e da destruição que provocou, tendo escolhido para a sua capa uma excelente fotografia do mar a rebentar sobre uma avenida marginal da cidade de Belfast, a demonstrar que o mar, quando está furioso proporciona belas imagens. Além disso, esta imagem é um bom exemplo do que é o fotojornalismo, uma coisa que por cá raramente se pratica.

domingo, 5 de dezembro de 2021

Arábia Saudita: tantos aviões e corvetas

Quase em simultâneo com o anúncio da assinatura do contrato para o fornecimento de oitenta aviões Rafale à Arábia Saudita, a empresa espanhola Navantia lançou à água a quinta e última das corvetas que está a construir para a Marinha Real da Arábia Saudita nos seus estaleiros da baía de Cádis. É a construção 550 dos estaleiros de San Fernando, chama-se Unayzah, tem 104,20 metros de comprimento e 14,40 metros de boca.
Segundo anuncia hoje o jornal La Voz de Cádiz, a cerimónia foi um motivo de orgulho para o governo de Espanha e reflecte as capacidades tecnológicas do país, mas também mostra como foi possível superar diversas contrariedades devidas à crise pandémica, pois muitos trabalharam “contra ventos e marés” para que os prazos fossem cumpridos.
A notícia salienta que alguns dos principais sistemas de navegação e de combate do navio, bem como de gestão de helicópteros utilizam tecnologia espanhola.
A construção da primeira unidade arrancou oficialmente no dia 15 de Janeiro de 2019 e o contrato tem o valor de 1.813 milhões de euros, ou seja, é nove vezes menor do que aquele que foi assinado com a Dassault Aviation para o fornecimento de 80 aviões Rafale, o que significa que, segundo as minhas contas,  "cada corveta vale cerca de dois Rafale".
As cinco unidades navais serão entregues escalonadamente entre Janeiro de 2022 e Junho de 2023. Com tantas corvetas e tantos aviões é caso para perguntar à Arábia Saudita por quem se sente ameaçada ou, se pelo contrário, quem será que essa monarquia absoluta árabe está a ameaçar.

sábado, 4 de dezembro de 2021

A França produz aviões e vende, vende …

Depois do “escândalo” que foi o cancelamento do contrato de fornecimento de doze submarinos nucleares à Austrália, que constituiu um duro golpe para a indústria de defesa francesa e originou muita tensão entre americanos e franceses, surgiu hoje no Le Figaro e em outros jornais franceses, a notícia de ter sido assinado um contrato pela Dassault Aviation para o fornecimento de oitenta caças Rafale F4 e doze helicópteros de transporte militar Caracal para as Forças Aéreas e de Defesa Aérea dos Emirados Árabes Unidos. Não foi um acontecimento de rotina e, por isso, Emmanuel Macron e o sheikh Mohammed Al Nahyane, o príncipe herdeiro do Abu Dhabi, assistiram à assinatura do contrato.
Segundo foi anunciado, trata-se da maior encomenda feita até hoje deste avião, que entrou ao serviço em 2004 e que já equipa o Qatar (36 unidades) e o Egipto (24 unidades), embora este país tenha assinado no início deste ano um contrato para o fornecimento de mais 30 unidades. Depois das Forças Armadas francesas, as Forças Armadas dos Emirados serão as primeiras que irão dispor desta moderna versão do Rafale, que irão substituir os seus Mirage 2000. Este contrato de 17 mil milhões de euros é uma excelente notícia para a França e para a indústria aeronáutica francesa, bem como para o universo de quatro centenas de empresas, grandes e pequenas, que contribuem para a produção do Rafale, o que representa milhares de empregos garantidos para os franceses durante a próxima década.
A Dassault Aviation tem 12.400 colaboradores e, até hoje, fabricou e vendeu mais de dez mil aviões de diversos tipos, incluindo 2.500 Falcon para mais de noventa países. É uma grande empresa e uma grande alavanca para a economia francesa, embora se trate de recursos que bem poderiam ser utilizados para tornar a humanidade mais feliz ou para ajudar a reduzir a pobreza e a fome no mundo. Porém as coisas são o que são e não são aquilo que poderiam ser.

A Ómicron que nos trouxe insegurança

Uma nova variante do coronavírus foi identificada na África do Sul no dia 24 de Novembro e, mesmo antes de se saber a sua causa ou a sua gravidade, deu origem a uma enorme preocupação mundial e a uma generalizada restrição de viagens em todo o mundo. Porém, as apreensões não são apenas de natureza sanitária, pois também são de natureza económica por afectarem alguns sectores como o turismo.
Dois dias depois da sua detecção, a Organização Mundial de Saúde (OMS) identificou essa variante e designou-a como variante B.1.1.529 ou variante Ómicron, como passou a ser formalmente conhecida, mas também informou que pode levar semanas a saber-se a sua natureza e gravidade, mas um alto responsável da OMS já veio declarar que “é mais transmissível, mais virulento e foge das vacinas”.
Aos poucos, alguns países declararam ter detectado a doença, entre os quais o Reino Unido, a Holanda, a Alemanha e Portugal, mas esse número de países onde foi detectada variante tem vindo a aumentar. Anteontem o jornal novaiorquino Newsday informava sobre o aparecimento do primeiro caso de Ómicron nos Estados Unidos, que assim se tornaram no 24º país a confirmar a detecção dessa variante do vírus. Depois, também a Austrália e o Brasil já anunciaram o aparecimento do vírus.
Entretanto, em Portugal já se detectaram 38 casos da variante Ómicron e os internamentos em unidades de cuidados intensivos regista uma “tendência fortemente crescente”, segundo as autoridades de saúde. Tenhamos todos os cuidados e sigamos as regras que já tínhamos usado antes, mas não restam dúvidas que a insegurança sanitária regressou.