quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Porque razão se arma a Coreia do Norte?

A Coreia do Norte anunciou que tinha detonado a sua primeira bomba de hidrogénio (bomba H) e que esse teste tinha sido um sucesso completo. O mundo reagiu para condenar esta iniciativa coreana, mas mostrou muita surpresa porque a bomba H ou bomba termonuclear se fundamenta num processo de reacção química muito avançado de que resulta uma versão bem mais poderosa da bomba nuclear.
Pensava-se que o regime norte-coreano estava ainda muito longe de possuir a tecnologia necessária para produzir aquela bomba, que também é mais sofisticada do que a bomba nuclear, mas este anúncio veio revelar que a estratégia nuclear adoptada por Kim Jong-un é mais agressiva do que a de seu pai que, nos seus últimos anos de governo, aceitou restrições internacionais aos programas nuclear e de balística a troco de ajudas externas.
Os Estados Unidos, a China, o Japão e a Coreia do Sul reagiram de imediato perante esta ameaça que consideraram “uma provocação inaceitável” e pretendem “uma resposta global firme”, embora ainda subsistam dúvidas quanto ao que realmente se passou e sobre a origem de um sismo artificial de 5,1 pontos na escala de Richter, ocorrido perto de uma conhecida zona de testes nucleares norte-coreanos. A imprensa mundial deu largo destaque a esta notícia. O Correio Brazilense optou por ilustrar a primeira página da sua edição de hoje com uma sugestiva ilustração, apresentando a figura de Kim Jong-un em cuja cabeça rebentou uma bomba H que exibe um enorme cogumelo, mas o jornal pergunta se é verdade ou se é apenas o blefe de um ditador. Porém, a pergunta terá que ser outra: porque se arma o ditador e porque desafia o mundo?

O mercado automóvel português recupera

As estatísticas são essenciais para se perceber a situação económica e a sua evolução, assim como para fazer previsões, sobretudo através dos chamados indicadores percursores que são, por exemplo, o consumo de energia, a venda de cimento ou as vendas de veículos ligeiros e pesados. Nessa matéria, a ACAP – Associação Automóvel de Portugal bem merece o elogio de quem gosta de perceber a realidade económica que o rodeia, pela rapidez com que apresenta, mês a mês, as estatísticas das vendas de automóveis ligeiros e pesados. Assim, nesta data já sabemos que o aumento global das vendas automóveis em Portugal no ano de 2015 foi de 25% em todos os segmentos. Foram vendidos um total de 213.645 veículos ligeiros e pesados, dos quais 178.496 eram veículos ligeiros de passageiros, o que significa que o sector recuperou depois de quatro anos consecutivos de perdas. Da mesma forma, aumentaram as vendas de comerciais ligeiros, de comerciais pesados e de pesados de mercadorias, o que é um sinal positivo para a actividade económica, embora signifique aumento do endividamento. As marcas dominantes do mercado português em 2015 foram a Renault (20.447 veículos), a Volkswagen (16.900 veículos), a Peugeot (16.566 veículos), a Mercedes-Benz (13.525 veículos) e a BMW (12.889 veículos). Seguiram-se a Nissan, a Opel, a Audi, a Citroën e a Ford.
Entretanto, alguns portugueses continuam a revelar o gosto e a ter o dinheiro necessário para adquirir marcas de topo, pois neste ano de 2015 foram vendidos em Portugal veículos das marcas Jaguar (310), Porsche (115), Maserati (30), Ferrari (19), Bentley (8) e Aston Martin (6). Exceptuando a Porsche que surpreendentemente perdeu 70% nas suas vendas ao passar de 395 para 115 unidades vendidas, todos aumentaram as vendas. Sem comentários.

Já se contam espingardas no golfo Pérsico

As autoridades da Arábia Saudita procederam no passado sábado, dia 2 de Janeiro, à execução de 47 pessoas que tinham sido condenadas por terem adoptado ideologias radicais. O mundo reagiu com repúdio e com dureza à decisão saudita, com declarações condenatórias e protestos, mas foi a morte do líder religioso xiita Nimr al-Nimr que provocou os mais violentos protestos, sobretudo no Irão, onde a embaixada saudita em Teerão foi atacada e parcialmente queimada. O corte de relações entre o Irão (maioritariamente xiita) e a Arábia Saudita (maioritariamente sunita), foi a primeira consequência daquelas brutais execuções, a que se seguiram algumas ameaças. Vários países da região já se solidarizaram com cada uma das partes e, para muitos observadores, a hipótese de uma confrontação directa é elevadíssima, pois que indirectamente já se confrontam na Síria desde há alguns anos. Embora os dois países não tenham fronteiras terrestres comuns, os seus territórios situam-se nas margens do golfo Pérsico, frente a frente e separados apenas por cerca de três centenas de quilómetros. Nessas margens também se situam o Kuwait, o Iraque, o Qatar, o Bahrein e os Emirados e, sobretudo, as maiores reservas petrolíferas do mundo. É mesmo um barril de pólvora e, aparentemente, já todos contam espingardas.
Ontem, o The New York Times analisa detalhadamente a situação e utiliza vários mapas para explicar a questão geopolítica e religiosa que tanto ameaça o mundo, destacando esse tema na sua primeira página. A possibilidade de confrontação directa é muito elevada, até porque ambos estão bem armados, sendo preocupante saber-se que as populações sunitas e xiitas vivem dispersas por vários países da região, numa relação média de cinco sunitas por cada três xiitas. Por isso, cada país tem uma maioria e uma minoria, o que pode (e costuma) funcionar como rastilho neste tipo de escaladas. O que não há dúvida é que em Riade e em Teerão, e não só, já se contam espingardas.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Língua portuguesa motiva a Extremadura

O jornal Hoy, que é o principal diário da Comunidade Autónoma da Extremadura e se publica em Cáceres e Badajoz, apresenta hoje na capa das suas edições um anúncio em que se destaca uma ilustração com a bandeira portuguesa que publicita um curso audiovisual de aprendizagem do português.
Quando se estimulam as jovens populações da Extremadura a aprenderem o português, a principal motivação será de ordem prática e natureza económica, prenunciando possivelmente a expectativa de uma mais intensa relação entre a Extremadura e Portugal nas trocas económicas, no turismo e noutros sectores. Esse estímulo à aprendizagem do português também resulta da semelhança entre o português e a língua castelhana o que facilita a aprendizagem, pois ambas derivam da língua nativa da Lusitânia e da influência causada pela sua longa ocupação pelos Romanos.
Além disso, a província romana da Lusitânia ocupou um espaço territorial que hoje se reparte pelo território português a sul do rio Douro e pela Extremadura, sendo evidente em muitas povoações de ambos os lados da fronteira as afinidades culturais e linguísticas.
Depois de tantos anos de rivalidade e de costas voltadas entre os governos de Lisboa e Madrid, são as realidades regionais que estão a dar sinais de aproximação, como parece demonstrar o anúncio publicado nas edições do Hoy.

A modernização da cidade de Lisboa

A Segunda Circular (2ª Circular) é uma via rápida urbana que liga a parte oriental à parte ocidental da cidade de Lisboa, mais concretamente o Prior Velho (fim da A1) e a Buraca (início do IC19), numa extensão aproximada de dez quilómetros, constituindo um eixo rodoviário que agrega três avenidas em sequência: Avenida Marechal Craveiro Lopes, Avenida General Norton de Matos e Avenida Eusébio da Silva Ferreira. É considerada uma das nossas estradas com mais tráfego e com um alto índice de sinistralidade, que funciona como via de atravessamento urbano e que é utilizada por milhares de pessoas para chegar ou partir do Norte, para aceder ao aeroporto ou para se dirigir para os maiores estádios de futebol da cidade.
A gestão da 2ª Circular está a cargo da Câmara Municipal de Lisboa que decidiu intervir no sentido de resolver alguns dos seus problemas e os vários “pontos negros” no seu percurso. A sua proposta, que é hoje revelada pelo Diário de Notícias, está em discussão pública até ao próximo dia 15 de Janeiro, inclui a repavimentação em toda  a sua extensão o que permitirá diminuir o ruído automóvel em 50%, a reabilitação do sistema de drenagem, a renovação da sinalização para se tornar mais compreensível e a instalação de um novo sistema de iluminação que permitirá poupar até 60% no consumo de energia. Porém, o mais interessante do projecto, cujas obras se estimam durar 11 meses, é a instalação de um separador arborizado com 3,5 metros de largura em toda a extensão da via. Essa ideia parece-me genial e muito valorizadora da paisagem urbana.
A intervenção visa aumentar a segurança, a fluidez e a qualidade ambiental da via, mas também transformar as suas actuais características de auto-estrada numa via de carácter urbano, mas não convence alguns, nomeadamente o Automóvel Clube de Portugal. Eu, que não sou especialista, estou convencido e até entusiasmado.

domingo, 3 de janeiro de 2016

O ritual do primeiro banho de Ano Novo

Em muitos locais das mais diversas latitudes existe a tradição de começar o Ano Novo com um banho de mar. No caso do Hemisfério Norte esse exercício é de uma grande exigência física porque a temperatura da água do mar é baixa e, em algumas regiões, aproxima-se mesmo dos zero graus, mas ainda assim atrai sempre muitos entusiastas. Nesse aspecto, a costa portuguesa é menos agressiva pois nesta época do ano as temperaturas da água do mar variam entre os 16 e os 18 graus. Por disso, há muitas pessoas corajosas que participam no ritual do primeiro banho do ano e que resistem ao frio, ao vento e à agitação marítima. O mais famoso destes encontros realiza-se na praia de Carcavelos, mas há outros locais onde esse ritual já se instalou, como Vila do Conde, Matosinhos, Ilhavo, Ferragudo e, certamente outras praias, que atraem muitos banhistas que aspiram por desafios incomuns, ou que neles participam por superstição ou, ainda, porque esse banho lhes renova as energias e lhes purifica o corpo.
Porém, nas regiões do Hemisfério Sul a ida à praia é uma rotina própria da época do ano e, em princípio, não se inscreve em qualquer ritual. É, simplesmente, o tempo do calor e da praia, que atrai muitos milhares de pessoas e proporciona verdadeiras enchentes que ocupam e congestionam os areais. A edição de hoje do Sunday Times de Joanesburgo exibe uma impressionante fotografia da praia de Durban no primeiro dia do ano de 2016, com uma multidão a ocupar o areal e a banhar-se numa água com uns apetecíveis 25 graus de temperatura. A fotografia mostra que, provavelmente, não há lugar para mais ninguém naquele areal.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Bye, bye Cavaco! Viva a nova esperança!

Faltam apenas 22 dias para iniciarmos o processo de escolha do novo Presidente da República Portuguesa. O leque de candidatos é diversificado quanto ao seu pensamento e quanto à sua experiência política, pelo que os eleitores têm diferentes alternativas de voto, embora haja uma evidência: o eleito nunca será pior do que o seu antecessor. Esta eleição representa o fim de um sonho mau que durou dez anos e um alívio para a nossa comunidade! Por isso, é preciso deixar que os portugueses exerçam a sua cidadania e escolham o seu Presidente, não sendo admissível que alguns jornalistas e comentadores encartados pelo anterior governo, insistam nessa vigarice de criar vencedores antecipados. Não é tolerável que aqueles que têm o dever de informar com independência, rigor e isenção, estejam ao serviço de uma qualquer candidatura e que usem as suas canetas, a sua voz ou o seu rosto para manipular o eleitorado.
Com o futuro Presidente virá uma nova esperança para os portugueses. Terminarão dez longos anos de uma presidência divisionista, desagregadora e sectária, que os portugueses já condenaram através dos mais baixos índices de popularidade que alguma vez um dirigente político teve em Portugal. Ontem tivemos mais uma prova disso com a última comunicação ao país de Cavaco Silva que, naquela voz robótica a que nem o teleponto dá alma, falou de si e das suas viagens, dos seus discursos e dos seus roteiros. Foi mais uma das suas ladainhas sem sentido que não deixam saudades nenhumas. Felizmente, faltam apenas 22 dias para o início de um novo tempo.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Um grande incêndio na passagem do ano

A passagem de ano desperta muitos entusiasmos quase sempre desproporcionados, como mostram as imagens televisivas que sossegadamente vejo em casa. Gosto do fogo de artifício e da alegria popular, mas não me agradam as festanças nos hotéis. Ao longo do ano disponho de tantas oportunidades para celebrar acontecimentos pessoais, dos meus amigos ou da minha comunidade, cuja carga emocional ultrapassa largamente aquele simbólico momento em que o calendário muda de ano e em que as pessoas saltam, gritam, cantam, bebem, dançam e se divertem em cenários tão artificialmente encenados. Por outro lado, quando sabemos que muitos portugueses vivem com dificuldades, que têm empregos precários ou não têm emprego, que os seus rendimentos têm sido engolidos por um sistema bancário ganancioso e criminoso e que uma boa parte da população vive no limiar da pobreza, confrange-me observar o quanto se gasta sem qualquer sentido nesta noite. É certo que todos estes exageros são um escape natural às agruras e aos contratempos acumulados durante um ano e que são, também, um apelo ou um desejo para que o futuro traga melhores dias, mas nada disso me retira o sossego de uma noite caseira.  
Ontem, porém, para além das suas repetitivas e desinteressantes reportagens em Lisboa, Porto, Funchal, Coimbra e Albufeira e das mesmas imagens de sempre da passagem do ano em Sydney, as televisões mostraram em directo o incêndio que consumiu o hotel Downtown Adress, no Dubai.
Foi um caso impressionante ou um inferno, a lembrar o que aconteceu em Nova York em 2001. O edifício tem 300 metros de altura, 63 andares e é o 36º edifício mais alto do mundo, situando-se junto da torre Burj Khalifa, que é o arranha-céus mais alto do mundo com quase 830 metros de altura e 160 pisos. As gigantescas línguas de fogo, que o londrino The Daily Telegraph apresenta na capa da sua edição de hoje, faziam prever o pior dos cenários, mas foi possível evacuar o edifício sem quaisquer mortes a lamentar. O incêndio terá começado num espaço exterior do 20º piso, mas o sistema corta-fogo funcionou e impediu a propagação imediata das chamas para o interior do hotel. Podia ter sido uma grande tragédia, mas não foi...
Pouco depois, chegou o ano de 2016.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

"Le Petit Prince" comemora 70 anos

La Voix du Nord, um jornal da cidade de Lille, evocou a passagem do 70º aniversário da 1ª edição francesa do Le Petit Prince de Antoine de Saint-Exupéry, traduzido em Portugal como O Principezinho. Hoje é o livro mais lido no mundo depois da Biblia, estando traduzido em 270 línguas ou dialectos e publicadas 1300 edições e 145 milhões de exemplares vendidos !
Em França, todos os anos são publicados entre 150 e 200 mil exemplares do livro e, desde a sua 1ª edição publicada 1946, já terão sido publicadas 12 milhões de cópias.
Porém, Le Petit Prince foi publicado pela primeira vez nos Estados Unidos, na sequência de um pedido que os editores americanos Reynal & Hitchcock fizeram a Saint-Exupéry : um conto para o Natal de 1942. A encomenda atrasou-se e o livro que se tornou tão famoso só veio a ser publicado em 1943.
Antoine de Saint-Exupéry nasceu em Lyon em 1900, estudou em França e na Suiça e em 1922 obteve o brevet de piloto civil em Rabat, onde prestava serviço militar. Em 1926 tornou-se piloto de linha aérea, voando entre Toulouse, Casablanca e Dacar.  Viveu depois na Argentina e, em 1940, após a ocupação alemã da França, dirigiu-se a Lisboa e seguiu para os Estrados Unidos mas 27 meses depois regressou à Europa para se juntar às Forças Francesas Livres do general De Gaulle e integrar um esquadrão aéreo no Mediterrâneo. Tinha 43 anos de idade e pilotava um P-38 Lightning. No dia 31 de Julho de 1944 largou de uma base aérea da Córsega para uma missão de reconhecimento no vale do Ródano, mas não regressou por ter sido abatido no mar, perto de Marselha.  O seu livro e  o seu apego à causa da liberdade são um exemplo que todo o mundo gosta de evocar através do narrador da obra que é “um piloto com um avião avariado no deserto do Sahara que tenta, desesperadamente, reparar os danos causados no seu aparelho. Um belo dia os seus esforços são interrompidos devido à aparição de um pequeno príncipe, que lhe pede que desenhe uma ovelha...”.

Nazaré: ondas gigantes e ondas de prata

O promontório da Nazaré, sobre o qual se ergue o forte de São Miguel Arcanjo cuja origem remonta a finais do século XVI, é um dos mais interessantes miradouros naturais da costa portuguesa. Ele separa duas áreas oceanográficas bem distintas: a Praia do Norte e a praia da Nazaré.
Para norte, na Praia do Norte, há as ondas gigantes formadas no Canhão da Nazaré, um desfiladeiro submarino profundo que contrasta com a plataforma continental adjacente, que nos últimos anos se tornaram um ponto de encontro obrigatório para os surfistas das ondas gigantes de todo o mundo. Essas ondas tornaram-se a imagem de marca da Nazaré.
Para sul, na Praia da Nazaré, há uma extensa baía ao longo da qual se estende a vila da Nazaré, orlada por um areal onde as ondas se desfazem com um ímpeto bem diferente do que se passa do outro lado do promontório. Visto do alto do Sítio da Nazaré, o mar azul rebenta sobre o areal e oferece um espectáculo de cor argêntea, a justificar o nome de “costa de prata” que certos locais da costa adoptam para fins promocionais.
Se as ondas gigantes são a nova imagem de marca da Nazaré, nem por isso as bem mais suaves ondas de prata da Praia da Nazaré perderam o seu fascínio, como a fotografia documenta.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Os maus efeitos das mudanças climáticas

Nos últimos dias o mundo tem sido confrontado com algumas catástrofes de origem meteorológica, que no continente norte-americano se têm traduzido por violentas tempestades, gigantescas inundações e destruidores tornados, sobretudo no Texas, mas também por cheias devastadoras na América do Sul. As imagens televisivas que nos têm chegado são esclarecedoras da destruição provocada por este tipo de fenómenos, mostrando os efeitos catastróficos por eles provocados.
Mais perto de nós, também se têm verificado inundações “sem precedentes” no norte da Inglaterra, sobretudo nas regiões de Leeds, Manchester e York. Centenas de pessoas tiveram que ser evacuadas das suas casas, as ruas das cidades foram invadidas pelas águas, submergindo viaturas e inundando casas, enquanto o abastecimento de electricidade foi afectado em muitas regiões. Hoje, todos os jornais ingleses destacam este assunto com elucidativas imagens, mas o jornal i salienta-se pelo seu título: as cheias transformaram as ruas urbanas em canais.
Estes fenómenos resultam das mudanças climáticas que vêm ocorrendo e que constituem a maior ameaça do século XXI para toda a Humanidade, com graves consequências para a vida humana, mas também para os recursos e as actividades em que se tem baseado o progresso.

Luso-descendentes asiáticos organizam-se

O jornal hojemacau destaca hoje como principal notícia de capa que os luso-descendentes asiáticos criticam a CPLP e que se sentem “humilhados e esquecidos”, pelo que estão a organizar-se em bloco, como resposta ao que consideram ser o esquecimento daquela organização dos países de língua portuguesa, que apenas se interessa pelas “nações ricas”. Essa resposta nascerá de um encontro a ter lugar em Malaca, onde reside uma das maiores comunidades de descendentes de portugueses, por altura da festa do São Pedro, que se realiza entre 23 e 29 de Junho do próximo ano. Segundo revelaram os seus organizadores, esse encontro terá representantes da Malásia (Malaca), Índia (Goa, Damão e Diu), Sri Lanka, Singapura, China (Macau), Tailândia (Banguecoque), Austrália (Perth), Indonésia (Jacarta, Ambon e Flores), Timor-Leste e Myanmar, embora haja muitos outros lugares onde existem comunidades luso-descendentes. Muitas destas comunidades sobreviveram a séculos de isolamento, mas têm sido “redescobertas” nos tempos mais recentes devido ao interesse de académicos e de alguns (poucos) diplomatas, à facilidade de viajar e de comunicar, ao turismo e à internet.
A organização do encontro que é dinamizada por Joseph Sta Maria, um cidadão de Malaca, reconheceu que as comunidades euro-asiáticas são minorias sem força política, mas são grupos que “mantém a cultura portuguesa há cinco séculos” e que,. em muitos casos, ainda comunicam em português, utilizando um crioulo malaio-português.
Não sei o que poderá fazer a CPLP para ajudar esta organização, mas certamente que o governo português poderá dinamizar este evento por diferentes formas quer simbólicas quer concretas,, através da Secretaria de Estado das Comunidades. A aspiração daquelas comunidades é muito legítima e a remuneração anual de um só gestor do Banif dava para fazer muito...

sábado, 26 de dezembro de 2015

A acalmia na fronteira indo-paquistanesa

Ontem, o avião em que viajava o primeiro-ministro indiano Narendra Modi fez uma escala técnica no aeroporto paquistanês de Lahore, aparentemente porque Modi manifestara o desejo de se encontrar com Nawaz Sharif, o seu homólogo paquistanês. Talvez fossem velhos amigos que se tivessem conhecido em Londres como estudantes... E este, de facto, esperava-o no aeroporto. Depois, durante duas horas ambos conviveram cordialmente na residência de Sarif que nesse dia festejava o seu aniversário. Terão falado de paz e de cooperação. Não terão falado de mísseis, nem de armamento nuclear. Depois de mais de dez anos de relações cortadas e por vezes de muita tensão, os dois países reencontraram-se desta forma quase inesperada ou, pelo menos, realizada à margem da diplomacia tradicional.
Esses países nasceram em 1947 e resultaram da independência e partição da Índia Britânica. Sob a direcção de Jawaharlal Nehru e do seu Partido do Congresso, a Índia tornou-se um país secular com uma população maioritariamente hindu, enquanto o Paquistão dirigido por Mohammed Jinnah e a sua Liga Muçulmana estabeleceram uma república islâmica de população maioritariamenre muçulmana. As relações entre ambos têm sido sempre muito conflituosas e já deram origem a três guerras, uma guerra não declarada e muitos conflitos fronteiriços, resultantes da disputa pela Caxemira. Aquela que é considerada a mais perigosa fronteira do mundo perde, por agora, esse título pouco honroso.
É uma boa notícia, porque não nos dá nenhuma segurança saber que estes dois países, que dispõem de armamento nuclear, mantenham tão elevados níveis de hostilidade e de desconfiança. Por isso, a edição de hoje do International New York Times destaca esse encontro com fotografia na sua capa e, realmente, não é caso para menos.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A pouca-vergonha que teremos de pagar

O caso do Banif ainda vai fazer correr muita tinta, mas é mais uma evidente prova de que as coisas não têm corrido bem em Portugal e que não tivemos uma “saída limpa” como tantas vezes foi anunciado, antes tivemos uma saída bem suja como demonstra este caso do Banif e, também, o que aconteceu no Hospital de S. José por se ter querido poupar nos médicos.
Recentemente, o Tribunal de Contas fez um levantamento dos apoios estatais concedidos ao sector financeiro e concluiu que "entre 2008 e 2014 foram concedidos apoios públicos ao sector financeiro cujos fluxos líquidos atingiram no final do período 11.822 milhões de euros negativos". É demais!
Agora foi o Banif. Não se aprendeu a lição. Antes foi o BPN, o BPP e o BES, verdadeiros rostos de um sistema bancário incompetente, especulador, fraudulento e desonesto. Por diferentes razões, nuns casos criminosas, noutros de incompetência danosa. Muitos dos responsáveis destas calamidades passam incólumes entre os pingos da chuva. Alguns são mesmo reaproveitados para outras situações e pavoneiam-se na praça dos interesses partidários ou económicos. É gente que continua a considerar-se iluminada e que é tratado como grandes gestores que são pagos a preço de ouro, apesar da sua falta de escrúpulos e de ética empresarial. Muitos outros vieram encartados pela política partidária para servirem, promiscuamente, interesses estranhos à actividade para que foram contratados. Todos se especializaram em capitalistas de passivos.
É triste e degradante o comportamento miserável desta gente que tomou conta da nossa superestrutura e dos interesses de Portugal, um país em que 20% da população é pobre ou está em risco de pobreza severa, o desemprego atinge valores muito elevados, o salário mínimo é baixíssimo, a emigração continua, a território se desertifica, as grandes empresas públicas são vendidas. O povo português não merece isto!

A escolha das Misses é um assunto sério

O assunto não tem relevância nenhuma mas, sem dúvida, que tem piada, mesmo muita piada, pelo que o trazemos até à nossa Rua dos Navegantes. No passado fim de semana, na gala de eleição da Miss Universo realizada em Los Angeles, aconteceu o insólito. Nesse concurso de beleza, que é um dos mais importantes que se realizam no mundo, tinham-se apresentado inicialmente oitenta candidatas, mas no final do concurso ficaram apuradas três finalistas, que representavam a Colômbia, os Estados Unidos e as Filipinas. O suspense era total quando o apresentador Steve Harvey anunciou o resultado final e leu o nome da mulher que durante um ano será a representante da beleza mundial. Era a Miss Colômbia! A beldade recebeu a coroa, ramos de flores, muitos abraços e beijos sem fim, durante cerca de três minutos. Ela era a mulher mais bonita do Universo e era o orgulho da Colômbia. Porém, o apresentador interrompeu a cerimónia e, perante a entusiasmada assistência, disse que tinha que pedir desculpas porque se tinha enganado, informando que “em segundo lugar ficou a Miss Colômbia” e que afinal a vencedora era a Miss Filipinas. Foi uma grande bronca. O erro deu origem a uma grande controvérsia e a Colômbia pareceu ficar ferida no seu orgulho nacional. Até o seu presidente Juan Manuel Santos veio afirmar que Ariadna Gutiérrez “será sempre a nossa Miss Universo" e que está "muito orgulhoso". Ao mesmo tempo Pía Alonzo Wurtzbach, a Miss Filipinas, começou a ser acusada de manter uma relação amorosa com Benigno Aquino, o presidente filipino, o que não acrescenta nem retira nada ao que aconteceu. Quem diria que esta coisa das misses tinha tanta importância nacional…
O facto é que El Universal, o diario de Cartagena, lhe dedicou muito espaço e explicou tudo para estimular o orgulho nacional colombiano perante esta enorme injustiça..