Na passada terça-feira o secretário-geral das Nações Unidas interveio no Conselho de Segurança para pedir um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza por razões humanitárias e para acabar com o “sofrimento épico” do povo palestiniano. António Guterres afirmou que os bombardeamentos israelitas representam “uma punição colectiva do povo palestiniano” e uma violação do Direito Internacional, afirmando também que os ataques do Hamas foram “terríveis”, mas não aconteceram do nada. Segundo Guterres “o povo palestiniano foi submetido a 56 anos de ocupação sufocante”, tendo visto “as suas terras serem continuamente devoradas por colonatos e assoladas pela violência, a sua economia sufocada, as suas casas demolidas e as pessoas a serem deslocadas”. O representante de Israel reagiu e pediu a Guterres que se demitisse imediatamente, acusando-se de patrocinar o terrorismo do Hamas, enquanto o governo israelita parece ter cortado relações com as Nações Unidas. É sabido que, desde sempre, o estado de Israel não cumpre as decisões das Nações Unidas e, no actual conflito, tem resistido aos pedidos internacionais de contenção e tem massacrando diariamente a Faixa de Gaza, o que já está a ser visto como um genocídio. António Guterres foi corajoso e cumpriu os seus deveres de secretário-geral, defendendo os mais fracos e a Carta das Nações Unidas, sem deixar de condenar inequivocamente “os actos de terror horríveis do Hamas”, mas denunciando também os bombardeamentos israelitas. A imprensa internacional não dá qualquer destaque a este “número” feito por Israel e não critica as afirmações de António Guterres que, pelo contrário, tem sido elogiado pela sua coragem e coerência. É um não-assunto. O que é curioso é o facto de haver em Portugal alguns comentadores que “são mais papistas do que o Papa” e que trataram de se aliar aos radicais israelitas, embora aparecendo travestidos de especialistas neutrais.
quinta-feira, 26 de outubro de 2023
Viva o secretário-geral António Guterres!
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domingo, 22 de outubro de 2023
Barcelona exibe obra de Miró e de Picasso
Como aqui
escrevemos há dias, o conflito do Médio Oriente entre Israel e o Hamas é o mais
sério conflito de todos os que estão a acontecer no mundo e “o pior que podemos
fazer é tomar partido”, segundo declarou hoje ao JN o cardeal Américo Aguiar. De facto, tudo o que tem acontecido em
Gaza e em outros locais do Médio Oriente é demasiado mau e desumano. Há que
fazer tudo o que for possível para moderar e apaziguar os radicais de ambos os
lados, bem como parar os comentários a favor da retaliação e da destruição,
porque a maioria dos judeus e dos palestinianos são gente pacífica e não querem
a guerra. De resto, por todo o mundo, vão-se levantando as vozes contra a
guerra e a favor da reconciliação entre israelitas e palestinianos, voltando a
falar-se na criação de um estado judaico e de um estado árabe naqueles
territórios.
Na sua edição de
hoje, o jornal catalão ara, a propósito daquele conflito e com o título “compromisso para a
paz”, escreve na sua primeira página que “no actual contexto de guerra, a força
e a validade da arte são um grito de liberdade” e destaca a palavra “paz”. Por
isso, o jornal dedica essa edição a uma dupla grande exposição que foi
inaugurada em Barcelona na passada sexta-feira, sobre a obra, a amizade e as
convergências que durante mais de cinquenta anos ligaram Pablo Picasso e Joan
Miró, os dois artistas espanhóis que transformaram a arte do século XX. A exposición Miró-Picasso é uma iniciativa
conjunta do Museu Picasso e da Fundação Joan Miró, ambos localizados em
Barcelona, reunindo um conjunto de quase 300 obras, das quais quase metade foi
cedida por colecções públicas e privadas de todo o mundo. A exposição acontece
em simultâneo naquelas duas instituições de Barcelona e estará patente até ao
dia 25 de Fevereiro. Assim, o leitor tem cerca de quatro meses para visitar a
capital da Catalunha e, entre outras coisas, visitar a exposición Miró-Picasso.
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Fluxos migratórios em busca da Europa
São conhecidos os
fluxos migratórios que nos últimos anos se têm dirigido para a Europa para
fugir à fome e à guerra. Milhões de asiáticos e de africanos, mas também
sul-americanos e ucranianos têm procurado uma vida melhor no espaço europeu.
Nessas circunstâncias,
a ilha italiana de Lampedusa que fica situada apenas a cerca de 200 quilómetros
da costa tunisina, tornou-se uma ponte entre a África e a Europa, tendo deixado
de ser um paraíso turístico para se tornar num símbolo de crise humanitária, ou
da grave crise da própria Europa. Desde o início do
corrente ano chegaram à ilha de Lampedusa mais de 120.000 migrantes e,
recentemente, num só dia, chegaram à ilha cerca de seis mil pessoas em 120
embarcações diferentes. Não tem havido resposta a esta crise e os apelos do
Papa e das Nações Unidas não têm sido suficientes para alertar os dirigentes
europeus.
Porém, a ilha de Lampedusa é apenas o símbolo deste grave problema,
que está presente em outras áreas da periferia da União Europeia, por exemplo
nas ilhas Canárias. A ilha de Lanzarote encontra-se a cerca de 140 quilómetros
da costa africana e, por isso, o fluxo migratório que procura a Europa também
tem procurado as ilhas Canárias.
O jornal Canarias7, que se publica
em Las Palmas, destaca hoje que uma canoa motorizada a que localmente chamam cayuco, chegou ontem às Canárias com 320
migrantes, o que constitui um recorde, mas também um desafio às regras mínimas de
segurança. Além disso, o jornal acrescenta que “otros
532 inmigrantes de origen subsaharianos han llegado este sábado en dos cayucos a El Hierro, con 212 y 320
personas, respectivamente, y un grupo de 98 ha sido desembarcados en el puerto
de Los Cristianos, en Tenerife, tras ser socorridos en aguas del Atlántico por
efectivos de Salvamento y la Guardia Civil”. Aqui está um problema maior, que
deveria merecer a atenção da União Europeia.
sábado, 21 de outubro de 2023
Os ventos ciclónicos e as ondas gigantes
A depressão Aline passou por Portugal e durante dois
dias e meio fez alguns estragos, mas não causou vítimas nem desalojados,
limitando-se a chuva intensa, inundações e algumas quedas de árvores, mais uns
tantos voos cancelados. Segundo foi divulgado pelos serviços de protecção civil
registaram-se 3470 ocorrências, o que nos deixa a pensar que cabe tudo no
conceito de ocorrência, isto é, o que ocorre e o que não ocorre. Alguns
responsáveis políticos, com o autarca Moedas à cabeça, aproveitaram a oportunidade
e agarraram-se à Aline para
aparecerem e serem vistos nas televisões.
Entretanto, a Aline deslocou-se para Espanha onde
também causou o mesmo tipo de estragos por todo o país, com a cidade de Madrid
a bater o recorde de chuva num só dia, pois caíram 100,1 litros de água por
metro quadrado.
A agitação marítima
foi muito intensa, sobretudo na orla da baía da Biscaia, como hoje salientou a
edição do jornal El Diario Montañés que se publica em Santander, ao anunciar que
o vento registou uma velocidade de 107 quilómetros por hora e que, no mar, as
ondas atingiram 20 metros de altura. Em contraste com a imprensa que está
envolvida no conflito do Médio Oriente, o jornal decidiu publicar uma pacífica
fotografia alusiva aos efeitos da depressão Aline
no mar da costa da Cantábria, mostrando que o fotojornalismo existe.
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sexta-feira, 20 de outubro de 2023
Será que Joe Biden pode travar a guerra?
A guerra no Médio
Oriente tem forte tendência para se agravar e são mínimos os sinais de
contenção ou de apaziguamento, o que leva a revista Newsweek a perguntar, na
sua mais recente edição, se Joe Biden pode travar a guerra no Médio Oriente. A
questão é muito pertinente mas, provavelmente, a resposta é negativa. O
presidente dos Estados Unidos foi a Israel, não tanto para apoiar Benjamin
Netanyahu que já tinha esse apoio, ou para travar a esperada reacção israelita
ao calamitoso ataque do Hamas, mas sobretudo porque precisava do seu abraço e
daquela fotografia para a campanha eleitoral americana que se aproxima. Os
resultados da sua visita foram desoladores, não só porque os israelitas não
abrandaram os seus ataques a Gaza, mas também porque os países árabes da
vizinhança se recusaram a encontrar-se com ele.
Enquanto isto,
era de esperar que a Europa tivesse um papel activo de moderação neste longo
conflito entre árabes e judeus mas, em contramão com a História, os passos que
têm sido dados vão no sentido errado, pois tendem a agravar a situação e a
fazer com a insegurança e o medo alastrem para as cidades europeias. A Ursula é apenas um exemplo da incapacidade europeia para fazer alguma coisa por um mundo melhor.
A manipulação da
informação pelos dois lados atingiu níveis como nunca se vira antes e, a toda a
hora, temos dificuldade em distinguir a verdade da mentira. A recente explosão
no hospital Al-Ahli, em Gaza, é um bom exemplo. Cada uma das partes acusa a
outra e há que esperar uma investigação independente para sabermos a verdade,
se tal for possível. Porém, enquanto Joe Biden é prudente e diz que “parece que
foram os outros”, a generalidade dos nossos inúmeros comentadores e
especialistas que “ocupam” as nossas televisões não tem dúvidas e, apenas com
base nos seus palpites, são peremptórios na acusação do Hamas. Indefeso em
frente das televisões, o público cansa-se de ouvir tanta propaganda e tantos
disparates. Que mau serviço que prestam à verdade!
quarta-feira, 18 de outubro de 2023
Gaza: é difícil, mas “isto tem que parar”
Numa altura em
que A situação no Médio Oriente se agrava e em que a imprensa mundial se
reparte entre os que “defendem o direito de Israel a defender-se” e aqueles que
“defendem os direitos do povo palestiniano”, a manchete escolhida hoje pelo centenário tabloide britânico Daily Mirror vai directa ao assunto:
isto tem que parar.
A história do
conflito é bem conhecida desde 1948, bem como as ocupações ilegais de
território pelos israelitas, a construção de colonatos judeus nesses
territórios, a contínua humilhação dos palestinianos e as Resoluções das Nações
Unidas que aprovaram a criação de um estado judeu e de um estado palestiniano.
Tem sido uma luta constante, sobretudo entre os radicais de ambos os lados, mas
também uma permanente ameaça à paz mundial. A comunidade internacional
distraiu-se e não tratou de encontrar uma “solução justa e duradoura” para este
conflito, embora seja uma missão muito difícil. No dia 7 de Outubro o conflito reacendeu-se com um brutal e cruel
ataque do Hamas que custou muitas vidas civis, a que se seguiu a violenta vingança
israelita. As tomadas de posição e de alinhamento com cada uma das partes têm
acontecido, como se se estivessem a “contar espingardas”. O presidente Joe
Biden foi a correr para Israel, enquanto Antony Blinken tem andado por todo o
Médio Oriente, mas não se sabe exactamente o que querem para além das
declarações de circunstância, quando afirmam que “nunca deixaremos de apoiar
Israel”, que “tem o direito de defender o seu território e o seu povo”.
A frase “This
must end” que hoje faz a manchete do Daily Mail, bem poderia ser a frase
inspiradora para todos os que querem a paz no Médio Oriente e, em especial para
os dirigentes da União Europeia que, como tem acontecido nos últimos tempos,
continuam a dar “tiros nos pés” no que respeita às suas relações
internacionais.
segunda-feira, 16 de outubro de 2023
O novo jornalismo e o valor das palavras
A selecção
francesa de râguebi perdeu ontem por 29-28 com a equipa sul-africana e foi
eliminada na Rugby World Cup. Quando um país inteiro esperava que a sua equipa
pudesse conquistar pela primeira vez o título mundial e sonhava festejá-lo em
directo e ao vivo no dia 28 de Outubro no Stade de France, em Paris, esta
derrota foi demasiado dura para os franceses. Nas suas edições nacionais ou
regionais de hoje, toda a imprensa destaca a derrota dos blues e o jornal Midi Libre que se publica em
Montpellier, destaca essa notícia com o título “si cruel”. Porém, o fim do
sonho francês teve repercussão generalizada em toda a imprensa francesa que hoje utiliza
títulos como “tellement cruel”, “terrible désillusion”, “le rêve brisé”, “point
final”, “à pleurer” ou “une cruelle défaite”, ignorando tudo o que se passa no
mundo, incluindo o noticiário do Médio Oriente, a crise da Ucrânia, os
problemas dos refugiados, as alterações climáticas ou até o desgoverno em que
se move a União Europeia que, pela mão de Ursula von der Leyen, se tornou um peão
irrelevante e sem voz na política internacional.
Numa altura em
que o mundo ainda está chocado com a barbaridade do que está a acontecer no
Médio Oriente, não deixa de ser curioso que a palavra cruel que tem servido para classificar as acções do Hamas, também
sirva para classificar uma derrota num simples jogo de râguebi.
As palavras devem
ter um significado preciso, mas o novo jornalismo tende cada vez mais a usá-las de
uma forma desproporcionada, ou até inverdadeira, para satisfazer as emoções dos
seus leitores e não para relatar factos com verdade e objectividade.
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sábado, 14 de outubro de 2023
Israel e Palestina: parar enquanto é tempo
O jornal l’Humanité
foi fundado em 1904 por sindicalistas franceses, ligou-se depois ao Partido
Comunista Francês de que foi órgão oficial até 1994 e, desde então, pertence a
uma sociedade anónima por acções e recebe subvenções do Estado. Hoje reclama-se
dos valores dos seus fundadores que eram “a luta pela paz, a comunhão com o
movimento operário e a independência face aos grupos de interesses presentes na
sociedade”.
Na sua edição
deste fim-de-semana, a propósito da grave situação que se vive na Faixa de
Gaza, o jornal faz um veemente apelo: cessez le feu!
Quando se folheia
a imprensa estrangeira, verifica-se que geralmente ela está alinhada com um dos
lados do conflito, nuns casos para condenar a crueldade dos ataques do Hamas e,
em outros casos, para condenar a dureza da vingança israelita. O facto é que a
violência é enorme e estamos perante uma gigantesca catástrofe de morte e destruição. Nesta
altura, as brutais acções de guerra conduzidas por ambas as partes já estão a ser
classificadas como “crimes de guerra”, designadamente pelas Nações Unidas. É
nesse contexto e por razões humanitárias, que a mensagem do jornal l’Humanité
tem todo o sentido e deve ser apoiada, ao mesmo tempo que devem ser retomadas
todas as iniciativas que conduzam à paz e à coexistência pacífica entre
israelitas e palestinianos. Já passaram demasiados anos sem que o problema fosse resolvido, devido à oposição dos extremistas de ambos os lados e dos seus aliados internacionais.
A Europa deveria assumir o papel de pacificador e
de moderador neste conflito mas, uma vez mais, alguns dos seus dirigentes a
começar pela incansável Ursula, que confunde Hamas com Palestina, apressaram-se
a tomar partido sem cuidar de pensar que estão a prejudicar os interesses dos
europeus.
Muito gosta a Europa de dar tiros nos pés...
sexta-feira, 13 de outubro de 2023
A gravidade da crise israelo-palestiniana
A guerra entre
Israel e o Hamas tomou conta das preocupações mundiais, porque se trata de um
conflito mais sério do que qualquer outro daqueles que estão a acontecer no
nosso planeta. O conflito entre árabes e judeus dura desde 1948 e poucos
dirigentes têm tido a sensibilidade de levar à prática as Resoluções das Nações
Unidas, que aprovaram a criação de um estado judeu e de um estado palestiniano.
Como hoje escreveu um conhecido opinion
maker, “já era tempo de este clube de idiotas que governam o mundo aprenderem
alguma coisa de útil sobre o passado”, mas o facto é que muito pouco tem sido
feito no sentido de garantir, simultaneamente, a autodeterminação e a soberania
do povo da Palestina e a segurança do estado de Israel. Os direitos do povo
palestiniano têm sido ignorados pelo estado de Israel perante a indiferença dos
países mais poderosos, mas nada justifica o fanatismo e a bestialidade com que
o Hamas atacou Israel no dia 7 de Outubro, com níveis de crueldade importados
do Daesh e que são repudiados pelo mundo civilizado. Torna-se necessário que a
anunciada e compreensível ofensiva israelita contra o Hamas seja proporcional e
não siga os padrões do criminoso fanatismo daquela organização, pois há mais de
dois milhões de palestinianos na Faixa Gaza e só uma minoria estará ao lado do
Hamas.
O mundo está cada
vez mais inseguro e aqueles que têm poderes para arbitrar e para moderar,
raramente cedem aos seus interesses estratégicos e comerciais, esquecendo quase
sempre que, nestes conflitos, os maus não estão todos de um lado, nem os bons
estão todos do outro lado, o que exige vontade de conciliação e de negociação.
O facto é que
árabes e judeus, ou Israel e a Palestina, estão a passar por tempos muito
perigosos para a paz mundial e, embora seja justa a punição daqueles que usaram
de crueldade e mataram civis inocentes, há que evitar “lançar gasolina para a
fogueira”, como fazem certos dirigentes e muitos mass media mundiais.
Na sua edição de
ontem, o jornal argelino Le Jeune Indépendant ignora a
crueldade do Hamas, destaca “os cinco dias de bombardeamentos selvagens” e
anuncia que “les ghazaouis seuls face a l’atrocité sioniste”, o que mostra como
há leituras e interpretações bem diversas sobre o que está a acontecer no Médio
Oriente.
terça-feira, 10 de outubro de 2023
As guerras e as lições de Clausewitz
A guerra está
instalada nas fronteiras da Europa e as lições de Clausewitz tornam-se muito
actuais, apesar de terem sido escritas há quase duzentos anos. Foi em 1832 que,
postumamente, foi publicado um livro sobre guerra e estratégia militar
intitulado “Da Guerra”, que desde logo se tornou uma referência nas doutrinas
militares, tal como o seu autor Karl von Clausewitz, um general prussiano que,
entre muitos outros princípios, escreveu que “a guerra é uma simples
continuação da política por outros meios”. Quando nos nossos dias, depois de
muitos anos de paz, de progresso e de prosperidade dos povos europeus, vemos a
violência, a brutalidade e a desumanidade da guerra, as lições de Clausewitz
são lembradas por muita gente. As situações de guerra entre a Rússia e a
Ucrânia, tal como entre Israel e a Palestina, são “a simples continuação da
política por outros meios”. Em ambos os casos, não terão sido acauteladas as
realidades históricas e as aspirações dos povos, tendo imperado a
intransigência negocial e uma lógica belicista. Os políticos das grandes
potências não só deviam cuidar do bem-estar e da segurança das suas populações,
mas também deveriam assumir a responsabilidade pela promoção da cooperação
internacional, pelo apaziguamento das tensões, pela arbitragem de contenciosos
e pela preservação da paz no mundo, mas não foram capazes de encontrar
entendimentos e soluções negociadas para as históricas conflitualidades que
afectam as regiões actualmente em guerra. Objectivamente, os políticos das
grandes potências, sobretudo os que têm assento permanente no Conselho de
Segurança das Nações Unidas, não só contribuíram como, em alguns casos,
estimularam a guerra, para satisfação das suas ganâncias económicas ou
estratégicas.
Hoje o Daily
News, um dos principais jornais de Nova Iorque, anuncia o contra-ataque
israelita e a imagem utilizada mostra a enorme violência da guerra na Faixa de
Gaza.
segunda-feira, 9 de outubro de 2023
Um conflito que muito inquieta o mundo
No passado
sábado, o grupo fundamentalista islâmico Hamas lançou um violento ataque contra
Israel a partir da Faixa de Gaza, de que resultaram centenas de mortos e um
número ainda indeterminado de reféns. De acordo com todos os relatos a acção do
Hamas foi de grande brutalidade e desumanidade e, de imediato, o estado de
Israel anunciou que estava em guerra, reagindo com o bombardeamento de várias
instalações do Hamas na Faixa de Gaza e com o cerco total desse território,
cortando o abastecimento de água, electricidade, combustíveis e víveres. Sucederam-se as
condenações internacionais ao ataque do Hamas e as declarações de apoio a
Israel e ao seu direito a defender-se, mas também foram expressas algumas
posições a defender um cessar-fogo e negociações que procurem (uma vez mais) implementar
as Resoluções das Nações Unidas – a criação e a coexistência pacífica entre um
estado judeu e um estado árabe.
O secretário-geral das Nações Unidas criticou o
ataque do Hamas, mostrou-se preocupado pela possibilidade deste conflito
alastrar e pela situação humanitária na Faixa de Gaza, tendo apelado às
autoridades israelitas e palestinianas para permitirem a entrada de ajuda
humanitária na Faixa de Gaza, mas também a libertação dos reféns em poder do
Hamas. Nas suas declarações, António Guterres “reconheceu as reivindicações e
os apelos do povo palestiniano, mas que nada pode justificar este tipo de actos
de terror, assassinato e rapto de civis”, mas também “lembrou a Israel que as
operações militares devem ser conduzidas em estrita conformidade com o direito
humanitário internacional", isto é, com respeito pelos civis.
Como hoje destaca
em manchete o jornal La Voix du Nord, que se publica na
cidade francesa de Lille, é um conflito que inquieta o mundo.
O brilho português na Rugby World Cup
A equipa portuguesa
despediu-se ontem da Rugby World Cup com uma vitória por 24-23 sobre as Ilhas
Fiji, o que constituiu um feito desportivo extraordinário. Com participações
nos Mundiais de 2007 e 2023, esta foi a primeira vitória portuguesa num mundial
da modalidade, num jogo fantástico sob os pontos de vista desportivo e
emocional, que a RTP2 transmitiu em directo a partir de Toulouse. Na sua edição
de hoje o jornal A Bola esqueceu as suas habituais manchetes futebolísticas e,
com toda a justiça, prestou homenagem ao admirável feito conseguido pelos Lobos.
Este resultado
entusiasma muito, mas também surpreende. A surpresa resulta do facto do râguebi
português ter poucos praticantes e não ter estatuto internacional, mas soube tirar partido dos lusodescendentes que jogam regularmente em França e que constituem metade
da equipa portuguesa.
Com a vitória
sobre as Ilhas Fiji, o empate com a Geórgia e as derrotas com a Austrália e
Gales, a equipa portuguesa classificou-se em 14º lugar nesta prova, entre as vinte
selecções que integram a elite do râguebi mundial. Agora que terminou a
primeira fase e que Portugal, tal como a Austrália, a Escócia e a Itália, ficou
pelo caminho, há oito selecções que continuam em prova: Gales e Argentina,
Irlanda e Nova Zelândia, Inglaterra e Ilhas Fiji, França e África do Sul.
Porém, os
desportistas portugueses não vão esquecer tão depressa a emocionante e merecida vitória sobre Fiji por 24-23, no dia 8 de Outubro de 2023, em Toulouse.
domingo, 8 de outubro de 2023
E de repente, aí está mais uma guerra
O mundo foi
surpreendido ontem com um poderoso ataque do Hamas contra o estado de Israel,
lançado a partir da Faixa de Gaza, em que foram dirigidos milhares de rockets sobre o território israelita, ao
mesmo tempo que um número indefinido dos seus militantes se infiltrava em
território israelita, matando e sequestrando militares e civis. Israel foi
apanhado de surpresa mas já reagiu, tendo o primeiro-ministro Benjamin
Netanyahu avisado a população de que o país está em guerra, como se pode ler
hoje na manchete do jornal Corriere della Sera.
A Faixa de Gaza é
um pequeno território na orla mediterrânica com 365 km2 de superfície,
cujo maior comprimento são 41 km, que é governado desde 2007 pelo Hamas que
venceu as eleições legislativas de 2006.
O Hamas é um
grupo fundamentalista islâmico de origem palestiniana que foi fundado em 1987,
cujo lema é “Alá é o nosso princípio, o Profeta o nosso modelo, o Corão a nossa
Constituição e a jhiad o nosso
caminho”, pelo que os seus objectivos de luta são a autodeterminação da Palestina,
a recuperação dos territórios palestinianos ocupados e,
naturalmente, a destruição do estado de Israel.
A violência do
ataque do Hamas surpreendeu o mundo, mas todos esperam uma resposta proporcional de
Israel, a quem os Estados Unidos ofereceram imediato apoio.
Numa altura em
que tantos discutem uma saída para a guerra na Ucrânia que tanta tragédia está
a causar, a iniciativa do Hamas veio “lançar gasolina sobre a fogueira” da
instabilidade mundial. A Humanidade passa por tempos difíceis e, perante estas graves
situações de conflito, a generalidade dos países prefere anunciar os seus
alinhamentos, em vez de apelar à sua resolução pacífica e negociada. Aqui,
temos a particularidade de ser o Supremo Magistrado da Nação a querer aparecer, a ir a todas e a
atropelar o governo, que é a entidade responsável pela condução da nossa
política externa. Ele sabe disso, mas não resiste e insiste…
sábado, 7 de outubro de 2023
A guerra na Ucrânia e a luta de Zelensky
A guerra na
Ucrânia está a revelar-se cada vez mais uma grande tragédia e a necessidade de
um cessar-fogo é cada vez mais evidente. Apesar de haver horas seguidas de
noticiários televisivos e dezenas de comentadores, não sabemos o que realmente
se passa no terreno, nem nas chancelarias. Há narrativas para todos os gostos,
Putin e Zelensky foram longe de mais no radicalismo dos seus discursos e nunca
haverá vencedores nesta guerra, pois todos sairão derrotados. Qualquer que seja
o seu desenvolvimento, as marcas desta guerra irão perdurar por muitos anos em
todo o mundo. Porém, nas últimas semanas houve algumas novidades, com Volodymyr
Zelensky a andar numa roda-viva a procurar apoios e a ouvir promessas de “apoio
duradouro”, mas também alguns conselhos para se sentar à mesa de negociações.
No dia 18 de Setembro foi a Nova Iorque para falar na Assembleia Geral e no
Conselho de Segurança das Nações Unidas, encontrou-se com Lula da Silva,
discutiu com Joe Biden e ficou a saber que o apoio americano já não é o que
foi. No dia 22 seguiu para o Canadá onde, depois dos encontros muito tensos que
tivera nos Estados Unidos, foi recebido com grande entusiasmo. De regresso à
Ucrânia, esteve na reunião do passado dia 2 de Outubro, que juntou em Kiev os
ministros dos Negócios Estrangeiros de 24 dos 27 estados-membros da União
Europeia, o que aconteceu pela primeira vez fora das suas fronteiras. No dia 4
de Outubro, Zelensky reuniu em Granada com a chamada Comunidade Política
Europeia que junta os líderes de cerca de cinquenta países e, no dia 5,
assistiu como convidado à reunião do Conselho Europeu.
Volodymyr
Zelensky esteve em todas estas reuniões e em todas voltou a ter um apoio mais
ou menos unânime, tendo pedido “um escudo de defesa para o inverno”, não só
para enfrentar a agressão russa, mas também pela necessidade de “salvar a
unidade da Europa”. Porém, fala-se cada vez mais em fadiga e as opiniões
públicas americanas e europeias parecem cansadas. Zelensky nunca estivera tanto
tempo fora do país, mas sentiu necessidade de bater a todas as portas, pois já percebeu que a promessa de “apoio enquanto for necessário” ou de “apoio
duradouro”, se está a tornar hesitante ou menos firme. Como escreveu o La
Vanguardia, o principal jornal da Catalunha, “Zelensky implora a Europa
que no desfallezca en su ayuda a Ucrania”.
quinta-feira, 5 de outubro de 2023
McCarthy e a agitação política americana
O deputado
republicano Kevin McCarthy, que era o speaker
da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, foi destituído do seu
cargo na sequência de uma votação em que oito deputados da direita radical do
seu partido se aliaram com a minoria democrata e o afastaram por 216 votos
contra 210. Toda a imprensa americana destacou esta notícia. Uma situação
destas nunca tinha acontecido na história americana e, de acordo com a
imprensa, tanto o partido Republicano como a Câmara dos Representantes “estão
no caos”, numa altura crítica para o país devido à necessidade de um acordo
sobre o orçamento do próximo ano, mas também em relação ao apoio à Ucrânia, ao
inquérito de impeachment a Joe Biden
e à campanha presidencial que se aproxima. As explicações que a imprensa
internacional dá para esta situação são pouco convincentes, pois não pode ser
apenas uma questão de rivalidades pessoais entre os deputados Kevin Mc Carthy e
Matt Gaetz, ou de combate político entre os dois blocos partidários americanos.
Estão decorridos
quase três anos sobre a vitória eleitoral de Joe Biden e a invasão do
Capitólio, mas “seis em cada dez republicanos ainda não acreditam que Joe Biden
ganhou legitimamente em 2020”. Desde então, os republicanos e o ex-presidente
Donald Trump, têm alimentado um intenso combate político a que os americanos
não estavam habituados, não só como elemento da normal luta pelo poder nas
sociedades democráticas, mas também porque parece serem crescentes as dúvidas quanto
ao apoio futuro à Ucrânia que está a ser demasiado caro. Provavelmente, a
destituição de Kevin McCarthy está relacionada com as crescentes dúvidas sobre
esse problema e o facto é que, de repente, em Kiev e em Granada, os europeus
têm procurado alternativas à assistência americana à Ucrânia.
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