quinta-feira, 15 de maio de 2025

Não haverá “rendez-vous” em Istambul

Depois de mais de três anos de guerra, está previsto para hoje em Istambul, um encontro directo entre russos e ucranianos, o que é uma boa notícia para aqueles que defendem uma solução pacífica e negociada para um conflito que muito tem sacrificado o povo ucraniano, a principal vítima da cegueira política de muitos dirigentes daquela região e do mundo. O tema é melindroso – rivalidades históricas, provocações, feridas de guerra, cessar-fogo, paz – mas as duas partes conhecem-se bem e podem ir directamente ao assunto. 
Havia a expectativa de Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky se encontrarem frente-a-frente, mas nas últimas horas foi anunciado que Putin não iria falar com Zelensky e o “rendez-vous d’Istambul”, que hoje era anunciado pelo jornal francês La Dépêche du Midi, não se irá realizar, o que até pode facilitar o arranque do processo.
Tanto Donald Trump como Recep Tayyip Erdogan investiram muito neste encontro e estarão atentos ao que se vai passar, porque “é inútil prolongar a matança”, enquanto os líderes europeus estarão mais uma vez a fazer um papel de actores secundários neste drama. O verdadeiro objectivo de todos estes líderes não é a protecção do povo ucraniano, mas tão só a satisfação dos seus interesses nacionais, ou mesmo pessoais, como se vê com a ultrapassagem que Donald Trump fez aos europeus que, nesta matéria, têm sido incompetentes e pouco inteligentes, como têm mostrado Boris Johnson, Jens Stoltemberg, Ursula von der Leyen, ou essa nova estrela do belicismo que é o luterano Mark Rutte.
No encontro de hoje em Istambul não surgirão quaisquer conclusões, mas é um importante primeiro encontro das duas partes para, passo a passo e cara a cara, caminharem para o entendimento, a pacificação e a reconciliação.
Um dia, libertado da propaganda e na posse da verdade histórica, o sacrificado povo ucraniano saberá quem o empurrou para a tragédia que está a viver.

quarta-feira, 14 de maio de 2025

A turbulência política chegou à Sérvia

A República da Sérvia é um país situado na península dos Balcãs e que integrou a antiga República Socialista Federativa da Jugoslávia, tendo influências culturais dos impérios, romano, bizantino e otomano. 
O seu território tem uma superfície equivalente a Portugal com cerca de sete milhões de habitantes e faz fronteira com oito países - a Albânia, o Montenegro, a Bósnia-Herzegovina, a Bulgária, a Croácia, a Hungria, a Macedónia do Norte e a Roménia. Quatro destes países são membros da União Europeia e a República da Sérvia apresentou a sua candidatura oficial à adesão em 2009.
O jornal catalão El Punt Avui dedicou a sua última edição à situação por que passa a Sérvia, onde acontecem protestos antigovernamentais liderados por estudantes e cresce a onda de indignação e a contestação ao autoritarismo do presidente Aleksandar Vučić e à “corrupção endémica das elites”. 
Há uma explosão de raiva no país e a onda de protesto parece estar em linha com a tendência mais ampla que se verifica nos Balcãs de rejeição do autoritarismo. Surpreendentemente, a União Europeia mantém-se em silêncio perante a situação e não tem condenado a repressão das autoridades sobre os manifestantes que, segundo refere o jornal, saem à rua sem exibir bandeiras da União Europeia.
É caso para dizer que, também na Sérvia, há fortes sinais de instabilidade.

Tensão continua na fronteira da Caxemira

A Índia e o Paquistão, um de maioria hindu e outro de maioria muçulmana, sustentam uma rivalidade histórica e, nos últimos dias, estiveram envolvidos em confrontações fronteiriças que envolveram mísseis, drones e ataques aéreos. Com a mediação americana, a diplomacia funcionou e aqueles dois países que dispõem de armas nucleares acordaram num cessar-fogo, o que muito aliviou o mundo, embora a tensão continue muito elevada. 

Tanto o regime de Nova Delhi, como o regime de Islamabad, cultivam um nacionalismo religioso muito exacerbado e sobre o acordo de cessação das hostilidades, trataram de fazer declarações destinadas a satisfazer as suas populações. Assim, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, disse que o Paquistão tinha dado uma lição à Índia, mas o primeiro-ministro indiano Narendra Modi veio declarar exactamente a mesma coisa, isto é, que tinha dado uma lição aos paquistaneses. Apesar do cessar-fogo estar a ser cumprido, há notícias – verdadeiras ou não – de se terem verificado violações do que foi acordado. Narendra Modi parece não confiar no cessar-fogo, visitou algumas bases militares e dirigiu-se ao país pela televisão, afirmando que “a Índia apenas suspendeu a sua acção militar”, ou “it’s a pause”, como escreveu em título The New Indian ExpressEstas escaramuças parecem ter sido as mais graves desde 1999, mas apesar do cessar-fogo, as tensões continuam muito elevadas e as declarações de Modi não são no sentido da moderação...

terça-feira, 13 de maio de 2025

A Índia e o Paquistão pararam a tempo

Depois de mais de duas semanas de tensão, acusações, ameaças e alguns confrontos entre indianos e paquistaneses na fronteira da Caxemira, foi anunciado um cessar-fogo e o mundo respirou de alívio. Antes, a Índia e o Paquistão estiveram em guerra em 1947-48, 1965, 1971 e 1999, mas nesse tempo ainda não eram potências nucleares…
A Caxemira é uma região situada a noroeste da península do Indostão que está repartida entre a Índia e o Paquistão, com uma pequena parte ocupada pela China, mas desde as suas independências em 1947, que aquelas duas antigas parcelas do Império Britânico estão em conflito e aquela é considerada uma das “mais perigosas fronteiras do mundo”. Então, uma resolução das Nações Unidas decidiu que deveria ser feito um plebiscito para que a população decidisse o seu futuro, mas como nunca foi feito, a Índia incorporou a Caxemira, o que contrariou as pretensões do Paquistão e da maioria da população muçulmana. Houve guerra e a Índia ficou com dois terços do território e o Paquistão com um terço, mas o assunto nunca ficou resolvido e a tensão tem-se mantido.
No dia 22 de abril aconteceu um ataque de um grupo terrorista baseado no Paquistão que fez 26 mortos num local turístico da Caxemira indiana, a que se seguiram trocas de tiros ao longo da LoC (Line of Control). As tensões aumentaram na sequência de ataques aéreos indianos contra alvos militares em território paquistanês, que terão morto 31 civis e ferido 57 paquistaneses. Continuaram as retaliações e, pela primeira vez, as duas potências nucleares rivais dispararam mísseis e lançaram drones. O mundo preocupou-se e até o novo Papa Leão XIV pediu a paz. No dia 10 de maio aconteceu o cessar-fogo e o mundo respirou de alívio. A diplomacia ganhou como escreveu o The Wall Street Journal.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Habemus Papam: viva o Papa Leão XIV

Ao segundo dia da votação saiu fumo branco da chaminé da Capela Sistina e estava escolhido o novo Papa. Ontem, pelas 19 horas locais, milhares de pessoas na praça de São Pedro e milhões em directo pela televisão, viram o cardeal norte-americano Robert Francis Prevost, que escolheu o nome de Leão XIV, saudar o mundo com uma mensagem de paz.
O novo Papa tem 69 anos de idade, foi missionário e arcebispo no Peru, onde adquiriu a nacionalidade peruana, cumulativamente com a sua nacionalidade americana, pelo que tem sido conhecido como “o pastor de duas pátrias”, pois também é arcebispo-emérito de Chicago, a cidade onde nasceu.
Segundo foi divulgado, o novo Papa não é simplesmente o cardeal Prevost vestido de branco, pois o nome que escolheu representa a assunção de uma nova identidade e de uma nova personalidade, inspiradas na doutrina social da Igreja e no pontificado de Leão XIII.
Não faltaram as saudações ao novo Papa vindas do mundo inteiro e nas suas edições de hoje, toda a imprensa mundial publica a fotografia de Leão XIV, de quem se espera a continuação da obra do Papa Francisco e um trabalho de apaziguamento mundial num tempo de muitas incertezas.
O Diário de Notícias foi exactamente um dos jornais que dedicou a sua primeira página ao novo Papa Leão XIV, de quem se espera um pontificado na linha do Papa Francisco e uma luta contínua e intransigente pela paz na Ucrânia, na Palestina, na Caxemira e rm todo o mundo.

quinta-feira, 8 de maio de 2025

No Vaticano já houve fumo... negro

Ontem, na Capela Sistina, o Conclave reuniu pela primeira vez para eleger o novo Papa. São 133 cardeais com menos de 80 anos de idade que têm a missão de escolher o sucessor do Papa Francisco, o homem que vai dirigir a Igreja Católica e os seus 1.406 milhões de seguidores espalhados por todos os continentes, principalmente na América e na Europa, mas que também vai governar o Estado do Vaticano e dirigir a diocese de Roma. 
O novo Papa será o 267º Sumo Pontífice da Igreja Católica e, depois de um Papa polaco, de um Papa alemão e de um Papa argentino, há uma curiosidade enorme em saber-se quem será o escolhido. Um Papa de um outro continente? Um Papa reformador como foi o Papa Francisco? Um regresso aos Papas italianos?
Depois de várias horas em que o Conclave esteve reunido e após a primeira votação, a chaminé do Vaticano expeliu fumo negro, indicando que os cardeais ainda não tinham escolhido o novo Papa, conforme hoje noticiou o jornal La Región, que se publica na cidade galega de Ourense.
Cerca de 30 mil pessoas esperaram durante muitas horas na praça de São Pedro na expectativa de poderem ver fumo branco, embora a tradição nos diga que no primeiro dia nunca há fumo branco.
A partir de hoje haverá quatro votações diárias, mas são bem sabidas as grandes dificuldades do colégio de cardeais quanto à decisão a tomar, numa altura de grande incerteza no mundo e em que o Papa pode ter um importante papel na busca da paz, da harmonia universal e do bem comum.

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Apesar de tudo, as touradas resistem...

A península Ibérica é uma região geográfica que integra dois países, várias regiões autónomas sob soberania espanhola e é composta por diferentes realidades culturais, bem visíveis em todos os domínios, incluindo a língua que é habitualmente considerada como o elemento mais importante na definição das identidades.
O território ibérico foi habitado por muitos povos bárbaros como os alanos e os suevos, os francos e os gregos, os romanos e os árabes, todos eles deixando marcas culturais nas regiões por onde passaram ou ocuparam, de que resultou uma enorme diversidade cultural nas diferentes regiões peninsulares. Daí que a Espanha, mas também Portugal, conservem costumes e tradições com fortes raízes históricas, algumas delas com o estatuto de patrimónios imateriais da Humanidade, como acontece em Espanha com a Semana Santa de Sevilha, as Fiestas de San Fermin em Pamplona, a Feria de Abril de Sevilha, as Fallas de Valencia, a Tomatina de Buñol, ou o Flamenco da Andaluzia, ou em Portugal, com as Festas da Senhora da Agonia, a Festa dos Tabuleiros, o Cante Alentejano, ou as Festas Sanjoaninas de Angra do Heroísmo. Porém, em maior ou menor grau, um outro símbolo do interesse cultural ibérico são as touradas, que têm resistido â pressão dos movimentos e dos partidos que defendem os direitos dos animais.
Na sua edição de hoje, a edição de Sevilha do diário ABC destaca a abertura da época taurina em Espanha e a figura do famoso matador e ídolo da afición que é José António Morante Camacho, conhecido nas tertúlias tauromáquicas como Morante de la Puebla, o rei dos toureiros.
Apesar de todos os movimentos contra as touradas e em defesa dos animais, a fiesta brava continua a entusiasmar os espanhóis e a merecer destaque na imprensa, embora a festa brava em Portugal seja cada vez mais marginalizada e já não tenha espaço nos jornais nem na televisão.

Os 100 dias que já abalaram o mundo

Donald John Trump, o 47º presidente dos Estados Unidos, completou os primeiros cem dias do seu mandato e, um pouco por todo o mundo, fizeram-se balanços sobre as consequências internas e externas das suas decisões. Estas são de tal forma destabilizadoras da ordem mundial que se diz terem sido ”100 dias que abalaram o mundo”, a lembrar o famoso livro de John Reed sobre a revolução russa de 1917 e o fim dos czares, a que deu o título de “Os dez dias que abalaram o mundo”.
Donald Trump está a criar o caos no mundo, ao questionar alianças militares, ao negar acordos e práticas comerciais consolidadas e ao alimentar confrontos e incertezas. Depois de ter prometido acabar com a guerra da Ucrânia em 24 horas e de ter alinhado com as posições russas e contrariado as posições europeias, tem alternado declarações que no essencial desvalorizam e até humilham os dirigentes europeus. As suas declarações quanto à Gronelândia e ao Canadá são demasiado agressivas e mostram como são enviesadas as suas noções sobre soberania nacional, enquanto as suas deportações em massa demonstram como são erradas as suas ideias sobre direitos humanos.
A aliança euro-atlântica construída desde a primeira Guerra Mundial está em risco e com ela o equilíbrio em que se tem baseado a vida de dois continentes e até do mundo.
Nos Estados Unidos, cuja população se entusiasmou com o Make America Great Again e lhe deu o seu voto, o protesto para travar Donald Trump já começou por todo o país, porque a economia desacelerou, o desemprego e o custo de vida aumentaram e os mercados financeiros caíram. Mesmo os trumpistas não terão imaginado que se pudesse ir tão longe na destabilização da ordem mundial. 
A situação é complexa e ainda não se vê a luz ao fundo do túnel do desanuviamento das relações euro-atlânticas que o Donald John Trump tem incendiado.

quinta-feira, 1 de maio de 2025

O dia do grande apagão ibérico

Aconteceu no dia 28 de Abril pelas 11 horas e 30 minutos. O fornecimento de energia eléctrica foi interrompido e nas nossas casas cessou a iluminação, calou-se a televisão, perdeu-se a internet e os telefones deixaram de funcionar. Os elevadores do prédio em que residimos deixaram de funcionar e porque não estávamos preparados com telefonias alimentadas a pilhas, estivemos sem quaisquer informações quanto à previsibilidade desta anomalia. No exterior paralisou a rede do metropolitano e no aeroporto cessaram todas as operações. Fecharam as escolas e o comércio, apagaram-se os sinais luminosos de regulação do trânsito. Parece que os geradores de emergência não funcionaram porque não tinham combustível... O Governo e a Protecção Civil parece que ficaram imobilizados. Com paciência fomos esperando, enquanto as horas passavam.
Quase doze horas depois o fornecimento de energia eléctrica foi retomado e em poucos minutos a nossa vida voltou à normalidade. O colapso energético, ou o apagão, terminou.
Então, as estações televisivas encheram-se de “especialistas” para explicar o que não sabiam e de alguns políticos que aproveitaram a oportunidade para integrar esta situação no combate eleitoral que aí vem. Embora o assunto seja tecnicamente muito complexo, toda aquela gente parecia dominá-lo sem quaisquer hesitações. Porém, entre muitas explicações especulativas e até fantasiosas, ficamos a saber que o problema afectou toda a península Ibérica, mas também algumas regiões da França, da Itália e de outros países. Houve quem afirmou que até podia ter sido um ciberataque ou insinuasse que podia ser a preparação de uma invasão estrangeira.
Toda a imprensa ibérica do dia 29 de Abril, designadamente o jornal madrileno ABC, destacou este acontecimento sem precedentes e que mostra como somos demasiado vulneráveis nos nossos quotidianos. Certamente que, muitos se lembraram do sofrimento por que passa o povo ucraniano, que é vítima da inoperância de muitos líderes de muitas bandeiras, que demoram a encontrar soluções para o conflito que ali ocorre desde 2014 e, de forma mais intensa, desde 2022.  

terça-feira, 22 de abril de 2025

R. I. P. Papa Francisco

Poucas horas depois de, no Domingo de Páscoa, ter aparecido na varanda da Basílica de São Pedro, no Vaticano, para dar a tradicional benção Urbi et Orbi, o Papa Francisco não resistiu a um AVC e entrou em coma, a que se seguiu um quadro irreversível de insuficiência cardíaca.
O Papa Francisco, nascido em Buenos Aires como Jorge Mario Bergoglio, tinha 88 anos de idade e foi o 266º Papa da Igreja Católica e o primeiro pontífice não europeu em mais de mil anos. Foi eleito Papa no dia 13 de Março de 2013 e escolheu o nome de Francisco, em referência a São Francisco de Assis e à sua “simplicidade e dedicação aos pobres”, tendo sido o primeiro membro da Companhia de Jesus que foi escolhido para dirigir a Igreja Católica e para ser Bispo de Roma.
A morte do Papa Francisco ocupa a primeira página dos jornais internacionais, o que mostra o reconhecimento do mundo pela sua figura e a sua obra, definindo-o como “o Papa de todos”, “o Papa dos pobres”, “o Papa do povo” ou “o Papa da coragem”. 
Durante o seu pontificado (2013-2025) o Papa Francisco realizou 48 viagens apostólicas em todos os continentes, incluindo duas viagens a Portugal em 2017 e 2023, escreveu algumas exortações apostólicas ou encíclicas papais e cartas apostólicas, estabeleceu diálogos intensos com a juventude e com o Islão, tomou posição sobre as problemáticas bioéticas e ambientais, a justiça social, os abusos sexuais na Igreja, a participação das mulheres na Igreja e condenou os excessos do capitalismo – esta economia mata ou o dinheiro deve servir e não governar.
O Papa Francisco foi uma das poucas vozes mundiais que defendeu negociações e lutou pela paz, tanto na Ucrânia como no Médio Oriente, não cedendo à narrativa dominante dos que estimulam a guerra.
Os 1400 milhões de católicos estão de luto, mas todo o mundo reconhece a grandeza e o exemplo do Papa Francisco.

segunda-feira, 21 de abril de 2025

As eleições constituintes de 1975

Há cinquenta anos, no dia 25 de Abril de 1975, o processo democrático português cumpriu uma das suas principais metas, que foi a realização de eleições livres, tal como tinha sido prometido ao país no programa apresentado um ano antes pelo Movimento das Forças Armadas. As eleições para a Assembleia Constituinte realizadas nesse dia destinaram-se a eleger, por sufrágio universal, os 250 deputados que iriam redigir uma nova Constituição da República para substituir a Constituição de 1933.
O recenseamento eleitoral foi uma campanha memorável, porque os anteriores registos incluíam apenas cerca de 1.800.000 eleitores e nos novos cadernos eleitorais foram registados 6.231.372 eleitores.
Apresentaram-se ao escrutínio 12 partidos políticos e duas associações cívicas representativas dos interesses de Macau, houve uma campanha eleitoral muito disputada e debates televisivos a que os portugueses não estavam habituados e em que, entre outros líderes políticos, puderam melhor conhecer Mário Soares, Francisco Sá Carneiro, Álvaro Cunhal e Diogo Freitas do Amaral. Votaram 91,66% dos eleitores inscritos, um resultado que nunca mais foi igualado e que mostrou o entusiasmo dos portugueses pelo processo democrático. Foi, seguramente, uma das maiores vitórias da revolução dos cravos.
No dia 2 de Junho de 1975 a Assembleia Constituinte iniciou o seu mandato para redigir a Constituição, com 116 deputados do PS, 81 do PSD, 30 do PCP, 16 do CDS, 5 do MDP/CDE, um da UDP e um da ADIM - Associação para a Defesa dos Interesses de Macau, enquanto o país continuou a ser governado por governos provisórios.
Com muita oportunidade, o JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias dedicou a sua última edição à história e às memórias das primeiras eleições livres.

domingo, 20 de abril de 2025

Donald Trump e a sua deriva autoritária

A acção governativa de Donald Trump está a perturbar o mundo e a despertar a incerteza quanto ao futuro, pela sua arrogância pessoal, pelas medidas repressivas que vem adoptando e pela guerra comercial que desencadeou, para além de muitas outras escolhas, como o apoio à crueldade israelita em Gaza, ou a aproximação a Vladimir Putin. Hoje, o jornal El País acusa Donald Trump de “deriva autoritária” e revela algumas das medidas que têm provocado mais contestação nos Estados Unidos, designadamente a aplicação da lei dos inimigos estrangeiros de 1798, na base da qual têm sido realizadas alguns milhares de deportações. A perseguição a alguns grupos sociais está a tornar-se obsessiva e “ser venezolano ya es un delito”. O medo está a tomar conta de muitos americanos e há quem tema pelo caminho que a “deriva autoritária” de Trump está a seguir.
Porém os americanos começam a despertar e muitos milhares vieram para as ruas de Nova Iorque, Washington, Chicago e dezenas de outras cidades em todo o país para protestar contra a Administração Trump e os seus aliados da oligarquia americana e, em especial, contra as deportações, os despedimentos na função pública e o apoio a Israel.
Uns temem a recessão económica e o desemprego, outros duvidam que a política de Trump possa cumprir o “make America great again” e outros, ainda, temem pelo futuro da democracia americana. As medidas repressivas anunciadas contra as universidades tiveram em Harvard, a mais poderosa universidade americana, a “primera línea de resistencia”, tal como Yale e o MIT. A Associated Press, que é a mais importante agência noticiosa americana, foi ameaçada e penalizada por continuar a chamar golfo do México ao golfo que Donald Trump quer baptizar como golfo da América.
Trump ataca em todas as frentes mas há uma onda de protesto a crescer e que está a ser dirigida pelo movimento 50501, que representa 50 protestos, 50 estados, 1 dia. O futuro dirá se a contestação poderá travar o autoritarismo de Trump.

sábado, 19 de abril de 2025

O grande desafio é entre os EUA e a China

São cada vez mais frequentes as revistas internacionais que ilustram as suas capas com as imagens de Donald Trump e Xi Jinping, isto é, com os presidentes dos Estados Unidos da América e da República Popular da China, assim acontecendo com a última edição do L’Express. Segundo esta revista francesa, trata-se de “um duelo que faz abalar o mundo”, tanto do ponto de vista comercial, como do ponto de vista militar.
Muitos analistas vêm considerando que a aproximação de Donald Trump a Vladimir Putin não é mais do que uma tentativa de desfazer a aliança entre a Rússia e a China, com o objectivo de enfraquecer os chineses e travar as suas ambições quanto a Taiwan e o regresso daquela ilha à soberania de Pequim.
Nesta perspectiva, as tensões da administração Trump com a Europa, o ostracismo aos dirigentes da União Europeia, a guerra das tarifas, as negociações relativamente ao futuro da Ucrânia e a vontade de anexar a Gronelândia, não passam de faits divers, porque o verdadeiro leitmotiv da política de Donald Trump é mesmo afrontar a China.
Donald Trump está no poder há apenas três meses e já ameaçou meio mundo, embora venham aumentando as vozes que internamente contestam as suas políticas e o seu apoio aos oligarcas americanos, num movimento em que se destaca Bernie Sanders, o senador independente pelo estado de Vermont que já foi candidato presidencial.
Como era de esperar, há muitos americanos, mas também muitos europeus, que rejeitam a arrogante política externa de Donald Trump mas, lamentavelmente, os líderes europeus e muitos comentadores televisivos não pensaram nisso.

sexta-feira, 18 de abril de 2025

A escolha de 2025 da World Press Photo

O prémio de Fotografia do Ano da 68ª edição do concurso World Press Photo foi ontem atribuído em Amesterdão à imagem de um menino palestiniano de nove anos de idade que perdeu os dois braços durante um ataque aéreo israelita na Faixa de Gaza. O menino chama-se Mahmoud Ajjour e a imagem foi captada pela fotógrafa palestiniana Samar Abu Elouf e foi publicada pelo jornal The New York Times.
O concurso reconhece e celebra anualmente o melhor fotojornalismo do ano anterior, através da apreciação de um júri independente, depois das avaliações feitas em Janeiro e Fevereiro pelos júris regionais. Este ano o júri final escolheu 42 vencedores em várias categorias entre as 59.320 candidaturas de 3.778 fotojornalistas de 141 países.
No actual cenário político e mediático, a imagem escolhida como a Fotografia do Ano convida aqueles que a observam a pensar para além da rotina do ciclo noticioso, cada vez mais influenciado pela desinformação, pela manipulação e pelo poder dos grandes interesses. Por isso, a escolha feita pela World Press Photo é também um grito de alerta para o que se está a passar na Palestina, perante o silêncio e até a cumplicidade de muitos países, designadamente da União Europeia, mas também de muitos mass media.
Numa busca feita por algumas centenas de jornais mundiais, só encontramos a Fotografia do Ano distinguida na primeira página do jornal irlandês Irish Examiner e do jornal dinamarquês Politiken, a demonstrar como a causa palestiniana tem sido subalternizada pelo mundo, o que tem permitido as atrocidades que os israelitas continuam a fazer.

quinta-feira, 17 de abril de 2025

A Semana Santa mobiliza toda a Espanha

O Cristianismo está a celebrar as festividades da Semana Santa, uma tradição religiosa que recorda a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, as quais decorrem entre o Domingo de Ramos (13 de Abril) e o Domingo de Páscoa (20 de Abril).
O Domingo de Ramos celebra a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, a que se seguiram várias acções, incluindo a Última Ceia e, depois, a sua prisão, julgamento, condenação e morte na Sexta-Feira Santa. As celebrações da Semana Santa terminam no Domingo de Páscoa que é o dia da ressurreição de Jesus Cristo e que é um dia em que as famílias se reúnem para celebrar. 
Cada dia da Semana Santa tem um significado próprio e dá origem a cerimónias muito participadas, incluindo missas e procissões, em que os crentes assumem a sua fé, devoção e respeito, por vezes através de antigos rituais em que se sacrificam tal como Jesus Cristo se sacrificou.
A Espanha destaca-se de entre os países onde a tradição pascal é celebrada com mais intensidade, sobretudo nas cidades da Andaluzia e a imprensa espanhola tem dedicado algumas das primeiras páginas das suas edições à Semana Santa, assim acontecendo com a edição de Sevilha do diário ABC.
Porém, as festividades da Semana Santa ultrapassam o seu carácter religioso e têm sido transformadas em cartazes turísticos, por forma a atrair visitantes, pelo que nas multidões que participam nas diferentes cerimónias não há apenas crentes devotos, mas também muitos turistas.