sábado, 25 de fevereiro de 2017

Amadeo, pintor vanguardista português

O Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado tem estado a apresentar uma exposição dedicada a Amadeo de Souza-Cardoso, que evoca a apresentação que o pintor fez das suas obras no Porto e em Lisboa em 1916.
Amadeo vivia em Paris e já era um pintor reconhecido com exposições colectivas em Paris, Berlim, Nova Iorque, Chicago, Boston e Londres, mas no início da 1ª Guerra Mundial regressou a Portugal e, no ano de 1916, realizou exposições em Novembro no Porto e em Dezembro em Lisboa.
A exposição agora organizada intitula-se "Amadeo de Souza-Cardoso/Porto Lisboa/2016-1916” e foi apresentada no passado mês de Dezembro no Museu Soares dos Reis no Porto e, desde o dia 12 de Janeiro, no Museu do Chiado em Lisboa.
Dizem as críticas que as exposições de 1916 provocaram escândalo e debate. Em Lisboa,  a exposição proporcionou o encontro entre Amadeo e Almada Negreiros, que era um entusiástico admirador de Amadeo e que se referiu à exposição como “mais importante do que a descoberta do caminho marítimo para a Índia”. A exposição tem atraido muitos visitantes que esperam em demoradas filas e distribui-se por 7 salas, onde se apresentam 81 obras, das quais 52 pertencem a instituições públicas e 29 a colecções privadas.
Amadeo e a sua obra bem mereciam um espaço mais amplo, para que as pessoas não esperassem tanto tempo e não se acotovelassem nas pequenas salas onde as obras estão expostas.

A amizade dos povos de Angola e Portugal

A verdadeira trapalhada que emergiu em Portugal nos últimos anos e que envolve tantos bancos, tanto dinheiro e tanta gente importante, parece não se confinar apenas ao território nacional, surgindo alegadas ramificações a interesses situados noutros países. Muita gente se envolveu e deslumbrou com os negócios e com o dinheiro, tirando partido patrimonial da situação. Muitos enriqueceram com donativos,  comissões e prémios de muitos milhões. Foi uma pouca vergonha e a Justiça acordou muito tarde para esta situação que se adivinhava estar a acontecer.
Num país que não é perfeito, a Justiça também não é perfeita e os seus agentes têm cometido erros grosseiros, nomeadamente com a sistemática violação do segredo de justiça, que é um atentado à dignidade das pessoas e se traduz num julgamento popular na praça pública. O Ministério Público português tem usado e abusado dos seus poderes e, directamente ou por via da comunicação social, tem promovido alguns inaceitáveis julgamentos populares. A suspeita é sempre a mesma: corrupção, fuga ao fisco, branqueamento de capitais e falsificação de documentos.
Um dos últimos acusados é um alto dirigente angolano e, de imediato, o governo angolano classificou como “inamistosa e despropositada” a forma como o Ministério Público português divulgou essa acusação e alertou que ela ameaça as relações bilaterais, enquanto o  Jornal de Angola destaca que estão ameaçadas as relações com Portugal. É uma posição precipitada e ameaçadora que não tem justificação. Acontece que existe em Portugal o princípio da separação de poderes e, sobre essa matéria, os governos não interferem. Angola sabe que a Justiça portuguesa é independente do poder político. Sabendo-se que é assim, as autoridades governamentais angolanas não devem tomar posições que belisquem a amizade e os interesses dos povos de Angola e de Portugal, que devem estar acima dos comunicados do Ministério Público português, ou seja, os governos não se devem meter nisto.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Evocando a memória de José Afonso

Foi há 30 anos, no dia 23 de Fevereiro de 1987, que aos 57 anos de idade faleceu José Afonso. Hoje os jornais portugueses esqueceram essa data e não evocaram esse homem que é uma referência da cultura portuguesa do século XX e um dos maiores símbolos da luta pela Democracia em Portugal. O jornal i foi a excepção e, por isso, aqui deixo o meu aplauso a esse jornal e à sua equipa editorial.
Quando há poucos meses a Academia sueca distinguiu Bob Dylan com o Prémio Nobel da Literatura e a crítica internacional lembrou nomes de alguns poetas-cantores como Jacques Brel, Leonard Cohen, Chico Buarque ou Patti Smith que suscitaram muitas emoções com as suas palavras cantadas, eu lembrei-me naturalmente de José Afonso. A sua voz, a estética das suas canções e os seus inspirados textos continuam a ser tão emocionantes como nos tempos da Resistência, mas também continuam a ser símbolos de modernidade musical e referências culturais para muitos portugueses. 
Num país que, por vezes, parece não ter memória e que idolatra futebolistas, banqueiros e políticos de segunda categoria, a evocação do talentoso José Afonso é um dever de cidadania.

O Carnaval de Santa Cruz de Tenerife

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Um pouco por toda a parte, aproximam-se os festejos do Carnaval cuja origem remonta à Antiguidade, mas que os povos ibéricos transplantaram para as regiões por onde andaram, como aconteceu no Brasil onde, actualmente, é a mais popular de todas as suas festas. Porém, nas ilhas Canárias, festeja-se o Carnaval de Santa Cruz de Tenerife que é muito apreciado pelos cultores dos carnavais e é considerado o segundo maior do mundo, apenas superado pelo Carnaval do Rio de Janeiro.
O Carnaval de Santa Cruz de Tenerife tem a sua origem no século XVIII e, depois de ter sido hostilizado ou proibido pelo regime franquista, ressuscitou depois de 1976 e, pouco tempo depois, foi declarado como Fiesta de Interesse Turístico Internacional, pelo enorme impacto que passou a ter na indústria turística da ilha. O seu programa é muito vasto e nele se destaca a eleição da Rainha do Carnaval, que acontece na quarta-feira anterior aos dias de Carnaval.
Essa eleição aconteceu ontem durante uma gala que foi transmitida pela televisão, na qual as 16 candidatas desfilaram com exuberantes trajes, alguns dos quais pesariam bem mais de cem quilos, segundo salientou a imprensa. A vencedora chama-se Judit López Garcia e a sua fotografia ocupa a primeira página de todos os jornais de Tenerife, um dos quais anuncia uma edição especial de 23 páginas a cores sobre a gala da eleição da Rainha! Se não é um grande exagero, parece.

Dinamismo e vontade geram investimento

Apesar da imprensa portuguesa andar distraída e não mostrar interesse nos surpreendentes resultados económicos positivos do ano de 2016, sobretudo no que respeita à redução do défice público, à contenção da dívida externa, à redução do desemprego e ao crescimento económico, houve quem tivesse salientado a grande quebra no investimento como aspecto negativo. Porém, todos deveriam saber, incluindo a oposição ao actual governo, que as intenções de investimento dos agentes económicos não dependem da vontade dos governos e que requerem tempo para que os agentes económicos realizem estudos de vária ordem para preparar a tomada de decisões.
Hoje, ao folhearmos o Faro de Vigo, fomos confrontados com a notícia de que irão ser investidos 430 milhões de euros no porto de Leixões para melhorar a sua competitividade e para o converter no porto de referência do noroeste peninsular. Segundo diz o jornal na sua primeira página, "o governo luso lança-se na liderança da região galaico-portuguesa".
Esse investimento decorrerá até 2026, prevê a construção de um novo terminal de contentores para duplicar a actual capacidade disponível e, em termos financeiros, utilizará fundos públicos, contributos comunitários e uma forte participação da iniciativa privada. É realmente um grande investimento que irá dinamizar a região norte do nosso país. Recorde-se que em Julho de 2015 foi inaugurado o novo Terminal de Cruzeiros que, além de ser uma notável obra de arquitectura assinada pelo Arquitecto Luís Pedro Silva, também fez aumentar em cerca de 50% o número de navios de cruzeiro e de turistas que visitaram Leixões. Significa que, nestas coisas do investimento, o papel dos governos é importante mas não é suficiente, como se vê neste caso em que tudo resulta do dinamismo e do entusiasmo da APDL. Viva a APDL!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Há que esclarecer isto, mas com rapidez

O jornal Público divulgou ontem que o Fisco deixou sair cerca de 10 mil milhões de euros para offshores, também conhecidos por paraísos fiscais, exactamente no período de 2011 a 2014, quando o aperto das nossas contas públicas foi maior e quando o mesmo Fisco, pomposamente assumido como Autoridade Tributária, perseguia os contribuintes, oferecia carros de luxo a alguns deles e penhorava a casa a muitas famílias.
O que se passou é muito grave, porque é muito dinheiro. De quem era esse dinheiro? É mais do que pagamos em juros da dívida num ano e refere-se apenas a duas dezenas de transferências. Tanto dinheiro a fugir de Portugal! O Núncio, que fazia parte da equipa de Portas e de Cristas, era o responsável pelo Fisco e não viu ou não quis ver. Deixou que durante o seu mandato não fosse publicada a informação estatística sobre as transferências transfronteiras que os bancos forneciam ao Fisco e, dessa forma, avalizou essas traficâncias. Não tratou de investigar o que se passava. Afinal o seu estilo arrogante era só isso. Não tinha a ver com competência, nem com seriedade, nem com ética no desempenho de funções públicas. Foi negligente e incompetente. A quem serviu ele? Será que agiu como se trabalhasse para um qualquer escritório de advogados e que não soube distinguir interesses? Agora é preciso esclarecer rapidamente o que se passou, até porque os amigos do Núncio já se julgam branqueados e até parece quererem voltar ao poder.
Num segundo plano de responsabilidades está o todo poderoso Fisco que, afinal é forte com os fracos e fraco com os fortes. Quem beneficiou com tudo isto? Que tudo possa ser esclarecido rapidamente.
E anda aquela meia dúzia de deputados da primeira fila, demagogos e irresponsáveis, a berrar sob a batuta do Montenegro por causa dos SMS do Domingues e do Centeno...

Portugal e Cabo Verde: relações fortes

Na passada segunda-feira na cidade da Praia realizou-se a IV Cimeira entre Portugal e Cabo Verde, na qual foram discutidos assuntos de interesse comum. As questões financeiras dominaram a Cimeira e estão bem presentes no Programa Estratégico de Cooperação (PEC), que vinha sendo negociado e que foi rubricado entre António Costa e Ulisses Correia da Silva. O jornal Expresso das Ilhas chamou-lhe “A Cimeira dos afectos” porque se multiplicaram as declarações de amizade produzidas por ambas as partes e dedicou a sua primeira página ao acontecimento.
À margem da Cimeira, o Primeiro-Ministro português foi recebido pelo Presidente da República Jorge Carlos Fonseca, inaugurou a Escola Portuguesa na cidade da Praia e contactou com a comunidade portuguesa.
Embora esta Cimeira pareça ser mais uma acção de rotina da diplomacia portuguesa, o facto é que serviu para lembrar às duas partes que "a relação entre Portugal e Cabo Verde é única, se funda na afectividade e na concretização de objectivos comuns", como declarou o primeiro-ministro português. Na realidade, se no campo da Lusofonia existem evidentes elos de afectividade que a História e a Língua criaram entre os vários países, esses elos são porventura mais fortes entre os portugueses e os caboverdianos, até porque não haverá português que não aprecie as mornas e a cachupa, nem caboverdiano que não seja do Benfica ou do Sporting. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Recomeçou uma dura luta por Mossul

Depois de uma pausa de algumas semanas, por certo devida ao inverno e à tomada de posse do novo presidente dos Estados Unidos, as forças iraquianas apoiadas por milícias iraquianas, por forças curdas e, ainda, por militares americanos, ingleses e turcos, retomaram a ofensiva sobre Mossul, que fora iniciada há quatro meses. “A reconquista de Mossul começou”, escreveu o jornal inglês The Independent, mas também vários jornais americanos.
A parte oriental da cidade já foi recuperada no mês passado, mas a batalha pela sua parte ocidental afigura-se mais difícil porque, tal como aconteceu em Allepo, também em Mossul predominam as ruas estreitas por onde não podem entrar os carros de combate e onde viverão cerca de 650 mil civis. Assim, as acções aéreas dos russos e sírios sobre Allepo que tanto foram criticadas, podem agora repetir-se em Mossul por parte da aviação aliada. A História mostra que a reconquista de uma cidade pode demorar muitos meses e a reconquista de Mossul pode demorar muito tempo, mas o facto é que Donald Trump prometeu vitórias sobre o Daesh e quer resultados rápidos.
Entretanto, a cidade síria de Deir Ezzor, que fica situada a cerca de 340 milhas para oeste de Mossul e é defendida pelo regime sírio, está cercada desde há muito tempo pelo Daesh, sendo os seus 90 mil habitantes abastecidos por helicópteros. Nessas condições, uma derrota do Daesh em Mossul poderá fazer com que as suas forças se desloquem para Deir Ezzor para reforçar o cerco àquela cidade.
Significa, portanto, que a derrota do Daesh em Mossul pode representar o seu reforço em Deir Ezzor e que, como sucede em quase todas as guerras, a solução deste complexo e trágico conflito passa por entendimentos entre aqueles que têm forças no terreno e, em especial, entre americanos e russos.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Um prémio como pretexto de luta política

O Prémio Camões é considerado a mais importante distinção que premeia um autor de língua portuguesa. Foi criado em 1988 por acordo entre os governos de Portugal e do Brasil, sendo anualmente atribuído a autores que, pelo conjunto da sua obra, tenham contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa.
Entre os escritores galardoados figuram os nomes de Miguel Torga, João Cabral de Melo Neto, José Craveirinha, Vergílio Ferreira, Rachel Queiroz, Jorge Amado, José Saramago, Sophia de Melo Breyner, Pepetela e Mia Couto.
Em 2016 o júri do prémio escolheu o escritor brasileiro de origem libanesa Raduan Nassar. Ontem no Museu Lasar Segall em S. Paulo, realizou-se a cerimónia da entrega do Prémio Camões, na presença do Ministro da Cultura brasileiro Roberto Freire e do Embaixador de Portugal, um acontecimento cultural que a edição de hoje da Folha de S. Paulo destaca na sua primeira página com uma fotografia a quatro colunas.
Aconteceu que durante a cerimónia Raduan Nassar não fez o habitual discurso de agradecimento próprio destas circunstâncias, mas aproveitou para fazer um contundente ataque ao governo de Michel Temer que acusou de golpista e repressor, ao mesmo tempo que fez o elogio de Dilma Rousseff pela sua integridade.
O Ministro Roberto Freire reagiu com dureza e disse que Raduan deveria renunciar ao prémio de 100 mil euros, mas durante a sua intervenção foi intensamente vaiado pela assistência, o que revela alguma insatisfação pelos rumos da política brasileira. Porém, o que aqui nos interessa sublinhar é que um evento que deveria ser de natureza cultural se transformou num acontecimento de luta política.

Espanha: uma inédita condenação real

 
Depois de vários meses de julgamento, o Tribunal Provincial de Palma de Maiorca anunciou ontem a sentença do caso Nóos, no qual estavam acusados a Infanta Cristina, irmã mais nova do Rei Filipe VI de Espanha, e o seu marido Inaki Urdangarín, por alegado desvio de fundos públicos, fraude e tráfico de influências.
O Tribunal concluiu que Inaki Urdangarín tinha uma posição institucional privilegiada que o levou a conseguir contratos de forma irregular nas Baleares e condenou-o a uma pena de prisão de seis anos e três meses pelos crimes de prevaricação, peculato, fraude, tráfico de influência e dois crimes contra as Finanças Públicas, enquanto a sua mulher foi absolvida dos crimes de natureza fiscal de que estava também acusada.
Numa primeira reacção à notícia, a Casa Real salientou apenas o seu profundo respeito pelo princípio da independência do poder judicial.
Absuelta y condenado é o título mais comum da imprensa espanhola e todos os jornais destacam hoje a notícia, enquanto nos seus editoriais o tema serve para tudo. Enquanto os jornais mais afectos à Monarquia salientam que a Infanta Cristina foi absolvida e que a honra dos Bourbons ficou salvaguardada, os jornais menos afectos à Monarquia destacam que a condenação de um cunhado do Rei, é um facto que nunca acontecera nas monarquias europeias e é um sinal da decadência do sistema monárquico.
O que não há dúvida é que, lá como cá, mas também um pouco por toda a parte, a ganância tomou conta de muitos espíritos que não olham a meios para enriquecer e que, para isso, utilizam todas as armas de influência e todas as práticas ilícitas para atingir os seus fins. Lá como cá, parece valer tudo. Porém, parece que agora a justiça começa  a ser igual para todos.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Goa recebeu António Costa em apoteose

Quando há poucos dias visitamos Goa, pudemos apreciar como ainda estavam presentes as emoções de muitos goeses que se referiam à visita do Primeiro-Ministro António Costa como um acontecimento que só gerara sentimentos de entusiasmo semelhantes, quando da visita privada do General Vassalo e Silva em 1980 e da visita oficial do Presidente Mário Soares em 1992. De facto, quando nos dias 11 e 12 de Janeiro visitou oficialmente a terra de origem do seu pai, António Costa foi recebido como um filho da terra e como o primeiro chefe de governo europeu de origem goesa, mas também soube cativar o entusiasmo popular quando afirmou sentir-se orgulhoso das suas origens e revelar que o pai o tratava por Babush, uma palavra que em concanim significa menino.  
Os goeses gostaram de António Costa que soube impor-se pela sua simpatia.
A edição de Fevereiro da revista Goa Today dedicou-lhe a sua primeira página, que inclui cinco artigos distribuídos por nove páginas e publica doze fotografias  do Primeiro-Ministro português. Nunca tinha sido dado tanto espaço editorial a Portugal ou aos portugueses. São textos muito laudatórios e que não são nada habituais na imprensa goesa, pois ainda há alguns receios pela afirmação de sentimentos de portugalidade, em consequência dos traumáticos acontecimentos de 1961. Se as visitas do navio-escola Sagres ainda mobilizaram o protesto de uma dúzia de activistas da Goa, Daman & Diu Freedom Fighters Association, o facto é que António Costa os calou. Contudo, se nada de substantivo for feito imediatamente para incrementar as relações culturais e outras entre Portugal e Goa, esta visita perder-se-á no tempo e a memória portuguesa continuará a declinar em Goa. António Costa deve ter ficado a saber que ou Portugal investe culturalmente em Goa, ou Goa prosseguirá na sua caminhada para a indianização cultural.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Cresce o repúdio contra o pateta Donald

Quando no dia 22 de Janeiro aqui escrevemos que em relação a Donald Trump era preciso esperar para ver, tínhamos em mente que as promessas feitas em todas as campanhas eleitorais raramente são cumpridas. Essa é, quase sempre, a lógica dos vencedores que tudo prometem para ganhar votos. Afinal, com alguma surpresa, verificamos que no caso do novo Presidente dos Estados Unidos nem foi preciso esperar para ver, porque numa simples semana ele se encarregou de cumprir as suas promessas mais reacionárias, mais agressivas e mais ousadas, pondo em risco a estabilidade do seu país e a própria estabilidade do mundo. 
As medidas tomadas contra os refugiados estão a agitar a América e milhões de americanos têm vindo protestar para as ruas. Até Barack Obama, que era suposto não se meter na vida do Donald, já veio criticar algumas das medidas presidenciais que denunciam um homem arrogante e fanfarrão, envolto em dinheiro e ignorância, sem princípios nem valores e sem qualquer respeito pelos Direitos Humanos. É caso para perguntar como foi possível ter sido escolhido um indivíduo destes para a Casa Branca.
Fora dos Estados Unidos também cresce a preocupação quanto ao rumo que este impreparado timoneiro está a dar ao governo de uma tão grande nau e, como dizia ontem o El Periódico de Barcelona, o repúdio é mundial. O mundo não vai bem e até será necessário criar uma nova ordem mundial, mais justa e mais equilibrada, mas não é isso o que o Donald está a fazer, com as suas políticas social e economicamente restritivas que, devido às interdependências que a globalização criou, vão acabar por prejudicar os americanos.
A América merecia melhor e, no actual estado de conflitualidade mundial, não era preciso ninguém para atirar mais gasolina para uma fogueira que arde em várias regiões do planeta.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Capital Ibero-Americana da Cultura 2017

Até ao dia 22 de Dezembro, a cidade de Lisboa será a Capital Ibero-Americana da Cultura, com uma programação que inclui mais de 150 actividades, nas quais participarão centenas de artistas e produtores nacionais e ibero-americanos. É a segunda vez que Lisboa foi escolhida pela União das Capitais Ibero-Americanas (UCCI) como Capital Ibero- Americana da Cultura, pois em 1994 já acumulara essa distinção com a sua escolha como Capital Europeia da Cultura.
Passado e Presente — Lisboa, Capital Ibero-Americana de Cultura é uma iniciativa da UCCI e da Câmara Municipal de Lisboa, que conta com a participação, colaboração e apoio de dezenas de outras instituições, associações e equipamentos privados. A programação é extensa e diversificada, nela se incluindo exposições e concertos, peças de teatro, visitas guiadas, residências artísticas, exibição de filmes, colóquios, workshops, um festival de arte urbana, espetáculos de dança, entre outras actividades. Peruanos e argentinos, colombianos e chilenos, brasileiros e mexicanos, para além de portugueses e espanhóis, terão em Lisboa um espaço de afirmação cultural.
É, também, uma excelente oportunidade para que os países ibero-americanos, compreensivelmente mais virados para Madrid e Barcelona, possam colocar Lisboa nos seus roteiros europeus. Da mesma forma, é ainda uma oportunidade para mostrar que num mundo em recomposição de interesses e de áreas de influência, pode haver espaço para a crescente afirmação do potencial estratégico do ibero-americanismo, até porque as línguas ibéricas juntas são,  depois do chinês, as mais faladas do mundo.

Eleições autárquicas, com zangas e amuos

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A edição de hoje do jornal i destaca a situação que se vive no seio dos partidos da direita que governaram o país entre 2011 e 2015, por causa das eleições autárquicas que se aproximam. Parece que tinha havido uma aliança nacional entre os dois partidos no sentido de poderem optimizar os seus resultados eleitorais e, dessa forma, levar o PS a uma derrota autárquica e à eventual queda do governo.
Era normal que assim fosse, porque a luta política é mesmo assim. Porém, as coisas não correram bem e, antes que fosse tarde, a centrista Cristas decidiu candidatar-se e escolheu logo a capital, sem dar cavaco ao Passos que não gostou nada de o terem posto de lado e ficou zangado. Como ninguém conhece Cristas, que anda nisto há pouco tempo, ela queria aparecer na televisão e queria falar, mas nem ela nem o seu pequeno partido têm estatuto político para estas jogadas. A esperteza da Cristas, talvez ainda inspirada no esperto que a antecedeu no seu grupo político, alastrou por muitas outras localidades onde se estavam a preparar eventuais coligações entre o PSD e o CDS, mas ter-se-ão verificado os mesmos tipos de esperteza do CDS que, sem noção das realidades, exigia paridades. O clima azedou e há muitos amuos, mas não é caso para admirar.
Os debates parlamentares que a televisão transmite têm mostrado que os deputados do PSD e do CDS sentados nas primeiras filas sob a orientação do paranóico Montenegro e do imbecil Magalhães têm usado demasiadas vezes uma linguagem despropositada, provocadora, agressiva e injuriosa. Batem no tampo das mesas. Gritam. Gesticulam. Não diferem muito dos comportamentos das claques do futebol. São uma distorção da Democracia. Como é que gente desta se pode entender?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Moçambique moderno e com progresso

O jornal moçambicano O País destaca na primeira página da sua edição de hoje a inauguração na cidade de Maputo da nova sede do BCI – Banco Comercial e de Investimento que, segundo parece, tem uma forte componente portuguesa no seu capital social. Perante a fotografia de um tão moderno edifício, percorre-nos uma grande satisfação, em primeiro lugar pela sua estética que muito valoriza o património arquitectónico da cidade e, depois, pelo seu simbolismo em relação a um instrumento essencial para o financiamento da economia e para o progresso social dos moçambicanos.
Porém, a tradição já não é o que era. Nos últimos anos habituamo-nos a ver que, em questões de banca e de banqueiros, o que parece nem sempre é. A banca serviu demasiadas vezes para acolher práticas abusivas e gananciosas, ilegalidades e favorecimentos e, naturalmente, para acolher indivíduos sem escrúpulos e com avidez pelo dinheiro. Muitos continuam por onde sempre andaram, a fazer o que sempre fizeram. Quando vemos os nomes dos dirigentes do BCI, alguns deles portugueses e com fortes ligações a situações catastróficas ainda por esclarecer, não se pode ficar descansado. Por isso, não pode ser a inauguração de um edifício moderno e que tanto vai valorizar a cidade de Maputo que nos deve deslumbrar, porque em questões de banca andamos todos muito desconfiados.
No entanto, há que confiar que foram aprendidas as lições do passado recente um pouco por toda a parte e que este banco, agora vestido de nova roupa, virá a ser um instrumento de progresso para os moçambicanos. Ponto.