segunda-feira, 10 de junho de 2019

Rafa Nadal alimenta a euforia espanhola

Rafael Nadal Parera é um tenista profissional espanhol que ocupa actualmente o segundo lugar do ranking mundial masculino da ATP e que ontem, em Paris, venceu o Torneio Roland Garros pela 12ª vez. É um feito desportivo notável que veio enriquecer um palmarés onde constam 18 vitórias individuais nos chamados torneios do Grand Slam (doze no Open de França/Roland Garros, dois no torneio de Wimbledon, três no US Open e um no Open da Austrália).
Rafael Nadal é, por isso, um dos maiores tenistas de todos os tempos, sendo considerado o rei da terra batida. Hoje, todos os grandes jornais espanhóis destacam a sua vitória com uma fotografia em que, após a vitória sobre o austríaco Dominic Thiem, se deixou estender no chão para descarregar toda a tensão nervosa acumulada ao longo de três horas e um minuto de jogo. A euforia espanhola pela vitória foi de tal forma incontrolável que o jornal catalão Sport até destaca que Nadal é “el mejor de la Historia”.
Acontece, porém, que o actual número quatro do ranking mundial masculino da ATP é o suiço Roger Federer que conta com 20 vitórias individuais nos chamados torneios do Grand Slam (um no Open de França/Roland Garros, oito no torneio de Wimbledon, cinco no US Open e seis no Open da Austrália), o que significa que Nadal ainda está a dois títulos do recorde de Roger Federer.
Rafael Nadal e Roger Federer têm mantido uma grande rivalidade ao longo dos últimos anos, mas ambos já entraram na casa dos trinta anos e, provavelmente, já terão poucas hipóteses de voltar a triunfar em torneios do Grand Slam. Porém, parece que nada é impossível para homens como estes.

A alegria do povo está mesmo no futebol

A selecção portuguesa de futebol venceu ontem a primeira edição da Liga das Nações, ao bater a equipa da Holanda por 1-0 na final realizada na cidade do Porto. Num jogo emocionante e muito equilibrado, a vitória resultou de uma superior exibição dos jogadores portugueses, que jogaram bem e dominaram o seu adversário. Depois de ter vencido o Euro 2016, o triunfo na Liga das Nações 2019 inscreve a selecção portuguesa na galeria das melhores selecções mundiais de futebol e, neste tempo em que o futebol parece tudo dominar desde a política à economia, o acontecimento torna-se relevante, tanto interna, como  internacionalmente.
Sem dúvida que, por circunstâncias diversas, Portugal atravessa um período de grande entusiasmo em que a auto-estima dos portugueses é muito alta, pelo que esta vitória foi mais um contributo para a euforia nacional e deu origem a grandes manifestações populares de alegria. Naturalmente, a fotografia dos vencedores da Liga das Nações ilustrou a capa de toda a imprensa portuguesa.
O povo que trabalha, que paga impostos e que, impotente, assiste aos desmandos do novo-riquismo e da trafulhice bancária que por aí se passeia, bem mereceu mais esta alegria resultante dos pontapés do Ronaldo e do Guedes, mas também das defesas do Patrício. A alegria do povo está mesmo no futebol e hoje, que é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a vitória no futebol até parece ter sido encomendada e vai certamente estar presente, pelo menos no subconsciente nacional, nas cerimónias que se realizarão em Portalegre e em Cabo Verde.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Uma nova fase no processo da Catalunha

O procés catalão, nome por que foram designadas as várias frentes de luta pela independência da Catalunha acontecidas no Outono de 2017, teve agora um novo desenvolvimento com a tomada de posição da Fiscalia, nome que é utilizado para designar o Ministério Fiscal ou Ministério Público de Espanha. A Fiscalia é um órgão constitucional do poder judicial que intervém na defesa da legalidade, dos direitos dos cidadãos e do interesse público e que, depois de vários meses de apreciação do caso catalão, não só ratificou a acusação de rebelião que foi feita contra os dirigentes independentistas catalães, como também veio considerar que os acontecimentos da Catalunha configuraram uma tentativa de golpe de estado violento, ao visar a suspensão total ou parcial da Constituição de Espanha e a declaração de independência de uma parte do território nacional.
O jornal La Razón apresenta na sua primeira página as fotografias dos principais acusados e, segundo a Fiscalia, el procés foi uma estratégia para fracturar a ordem constitucional espanhola e o que sucedeu foi um golpe de estado. Na extensa declaração da Fiscalia reproduzida pela imprensa espanhola destaca-se a acusação de que os Mossos ou polícia catalã, se limitaram a simular o cumprimento dos seus deveres, mas que facilitaram todo o procés. Relativamente aos responsáveis políticos, a acusação dirige-se sobretudo contra Oriol Junqueras, o presidente da ERC (Esquerda Republicana da Catalunha), que foi considerado o “motor principal” da rebelião e contra Carles Puigdemont, então presidente da Generalitat da Catalunha e membro do PDeCAT (Partido Democrata Europeu Catalão), actualmente “fugido à Justiça” na Bélgica.
Os responsáveis, segundo a Fiscalia, devem ser condenados, não pelas suas ideias independentistas mas pela rebelião que, objectivamente, comandaram. Está aberto, portanto, um novo capítulo na luta pela independência da Catalunha.

Goa é um sítio em grande transformação

Após alguns dias de permanência em Goa já regressei a Lisboa, com a minha arca de emoções bem mais atulhada do que a minha bagagem, que quase só trazia livros.
Goa continua a ser atraente para o visitante e, em especial, para os portugueses, porque por lá encontram múltiplas referências a uma herança cultural que, naturalmente, teve muitos aspectos positivos, mas também alguns negativos. Embora seja um tema ainda polémico por razões políticas diversas, umas mais antigas e outras mais recentes, há sinais que apontam para a recuperação e conservação do rico património arquitectónico civil, religioso e militar goês, sobretudo na área arqueológica da sua antiga capital, hoje conhecida por Velha Goa. Além disso, o estado de Goa continua a ter uma vida cultural intensa, quer de raiz erudita, quer de base popular, nomeadamente em Pangim e Margão, com uma dinâmica actividade editorial e a publicação de muitos livros, a realização de concertos e festivais, bem como a apresentação de muitas exposições e muitos espectáculos do seu apreciado tiatr.
Porém, o território de Goa também está a passar por um processo de transformação nas suas infraestruturas rodoviárias, com novas pontes e vias rápidas que, estando em construção, perturbam naturalmente a vida quotidiana e tendem a alterar a rotina da vida goesa. Por outro lado, a intensidade do tráfego rodoviário acentuou-se e, apesar de uma constante publicitação das boas práticas ambientais, em que predominam as palavras clean e green, os resultados ainda não são satisfatórios.
Impulsionado pelo turismo interno e internacional, há um acentuado dinamismo empresarial em todos os sectores de actividade, nomeadamente na construção e nas actividades turísticas. Portanto, Goa está em transformação e a passar por uma onda de acentuado progresso. Só o futuro dirá se essa transformação conseguirá realizar-se sem afectar o equilíbrio social e a diversidade cultural do território, mas também se será possível manter a herança e a memória cultural portuguesa. Espero voltar para ver.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

O início da libertação da Europa em 1944

Celebram-se hoje 75 anos sobre o dia 6 de Junho de 1944, que ficou conhecido na História como o Dia D. Na manhã desse dia, as tropas aliadas constituídas sobretudo por forças americanas, inglesas e canadianas, mas também por elementos de outras nacionalidades, concretizaram o seu desembarque nas praias francesas da Normandia e iniciaram a sua caminhada em direcção à Alemanha e ao refúgio de Adolfo Hitler.
O comandante supremo desta acção, que foi a maior operação anfíbia que a História alguma vez conheceu e que foi designada por Operação Overlord, foi o general americano Dwight D. Eisenhower, mas muitos outros militares importantes de ambos os lados do conflito participaram na operação.
Hitler e o nazismo dominavam a Europa e tinha sido ordenada a construção de fortificações ao longo de toda a costa atlântica desde a Espanha à Noruega, para assegurar a proteção alemã de uma invasão aliada, que veio a acontecer. O local escolhido para o desembarque foi uma extensa área de cerca de 80 km que foi dividida em sectores, cujos nomes ficaram famosos – Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword. O desembarque foi feito sob más condições meteorológicas e sob intenso fogo alemão em praias minadas e cheias de obstáculos e, só nesse dia, atravessaram o canal da Mancha cerca de 160 mil homens, transportados em quase 5 mil veículos de desembarque e de assalto e, nesse dia, tiveram dez mil baixas, incluindo 4414 mortos confirmados.
A história deste dia está devidamente registada na obra de referência The Longest Day, um livro editado em 1959 por Cornelius Ryan que o cinema adoptou em 1962, sendo porventura os mais expessivos documentos que relatam o Dia D.
Ontem e hoje foram dias de grandes cerimónias de evocação desse desembarque que iniciou a libertação da Europa e de homenagem aos homens que lhe sobreviveram até aos nossos dias, tendo muitos jornais internacionais evocado essa efeméride, como aconteceu com Le Figaro.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

A grande festa de aniversário da Airbus

Foi no dia 29 de Maio de 1969 que nasceu a Airbus resultante da fusão de algumas empresas aeronáuticas francesas, alemãs, inglesas e espanholas agrupadas no consórcio European Aeronautic Defence and Space Company.
Cinquenta anos depois, a maior aventura industrial da Europa gerou o maior construtor mundial de aviões e a cidade de Toulouse tornou-se a capital mundial da aeronáutica. No seu percurso aconteceram muitas perpécias ditadas pela rivalidade com as construtoras americanas Boeing e Mc Donnell Douglas que dominavam o mercado, mas a Airbus venceu todas as suas dificuldades e detém actualmente uma quota de mercado que até há bem pouco tempo era impensável - metade das vendas e das encomendas de novos aviões comerciais.
A Airbus festejou a passagem do seu 50º aniversário e fez voar sobre a cidade de Toulouse toda a sua família, desde o pioneiro A300B que fora apresentado em 1969 no salão aeronáutico de Bourget, passando pelo bem sucedido projecto do A320 que hoje é fabricado em seis países, até ao A380 que é o maior avião comercial do mundo e ao novíssimo A 350.
Hoje o sucesso e a performance da Airbus traduzem-se no emprego de 130.000 pessoas, numa produção anual da ordem dos 880 aparelhos e, em fins de Abril de 2019, numa carteira de encomendas de 7.287 novos aviões. As suas estimativas apontam para a produção de 37.000 aviões até 2039!
Poucas iniciativas como esta são tão demonstrativas da força que tem a união europeia e a União Europeia. O jornal La Dépêche du Midi, que se publica em Toulouse, destacou com desenvolvida reportagem esta importante efeméride.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

A emoção de um regresso a Goa

Voltar a Goa é um regresso a algumas das melhores memórias da minha vida e é um reencontro com pessoas que estimo desde há muitos anos, mas é também uma leitura renovada sobre um território e uma comunidade que nos seduz pela sua história e pela sua especificidade cultural.
Goa é um dos 29 estados da União Indiana e tem uma personalidade muito própria, por certo derivado da convivência que manteve com os portugueses durante alguns séculos. Porém, o progresso tem alterado quase tudo em Goa, tanto no seu ambiente cultural como na oferta de actividades e serviços, tornando-se um pólo de atracção para as outras regiões da India. Para responder à procura turística e para satisfazer as necessidades crescentes da população, apareceram novas construções, muitas infraestruturas e comércios de todos os géneros, em paralelo com muitas iniciativas empresariais e novas experiências culturais. A vida social dinamizou-se e o turismo tornou-se uma das mais importantes actividades económicas de Goa, gerando rendimentos para muitos sectores da população, uma parte da qual veio de outras regiões da Índia à procura do emprego e da prosperidade que encontram na”Europa da Índia”.
No entanto, perdura em Velha Goa a magia e o encanto da Goa Dourada, a cidade que nos séculos XVI e XVII foi a capital de um império marítimo que se estendeu de Moçambique ao Japão e que, porventura, é um dos episódios mais importantes da História de Portugal. Por isso, é um local tão belo quanto simbólico e, naturalmente,  lá estive hoje em peregrinação emocional e histórica.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

A abstenção ganhou as eleições europeias

Apesar de estar bem longe da ocidental praia lusitana, tratei de acompanhar as eleições europeias e, em especial, as que se realizaram em Portugal. O nível de abstenção (69%) é demasiado alto e muito preocupante numa democracia que se quer participativa e os nossos políticos devem tirar daí as respectivas conclusões, pela sua lastimável falta de pedagogia democrática e absoluto desconhecimento do que são os seus deveres para com o povo.
A abstenção resulta de muitos factores, mas a pouca vergonha que foi a campanha eleitoral feita por alguns candidatos, já indicava que muitos eleitores não iriam participar nessa farsa mentirosa e nada esclarecedora.
Ao tratar as eleições europeias como uma prova de confiança no seu governo, o primeiro-ministro António Costa foi o grande vencedor, conseguiu o seu objectivo e obteve uma grande vitória, isto é, apostou no que mais lhe interessava internamente, mas esqueceu-se da Europa. Pelo contrário, o seu adversário directo Rangel, que também se esqueceu da Europa, teve uma campanha indigna com base em difamações e insultos, fazendo com que o seu partido tivesse a maior derrota de sempre. Pagou por isso. O partido da Cristas, que também se esqueceu da Europa, adoptou uma linguagem insultuosa para António Costa e viu-se relegado para o 5º lugar do ranking partidário, apenas ligeiramente à frente do partido dos animais e da natureza. Pagou por isso.
Era bom que esta gente aprendesse a fazer campanhas eleitorais sérias, esclarecedoras, com propostas fundamentadas e que não se deixasse instrumentalizar pela mediocridade, porque desta forma e com este tipo de candidatos, a nossa democracia enfraquece porque o povo não lhes perdoa.

sábado, 25 de maio de 2019

A demissão de May foi demasiado tardia

Theresa May anunciou ontem que vai abandonar a liderança do Partido Conservador e a chefia do governo do Reino Unido, mas essa decisão era esperada e desejada desde há muito tempo, até porque já ela acumulara três pesadas derrotas no Parlamento a propósito do seu acordo do Brexit com a União Europeia. A persistência com que May defendeu o seu acordo, para o qual revelou uma teimosia política e uma enorme falta de habilidade para consensos, ditaram este esperado final que toda a imprensa britânica noticia, nuns casos com alívio, noutros com preocupação.  Tudo acabou em lágrimas como escreveu The Times. A sua decisão terá efeitos a partir de 7 de Junho, sendo então formalizada a corrida à sua sucessão, mas Theresa May continuará a desempenhar o seu cargo até que o processo de sucessão fique concluído.
Com esta decisão, o Reino Unido deu mais um passo para a sua describilização internacional e ficou evidente que não teve em Theresa May um primeiro-ministro à altura das circunstâncias, como noutros tempos e noutras crises tivera Winston Churchill ou Margaret Thatcher.
O processo do Brexit vai continuar na agenda da política britânica mas terá que ser resolvido até ao dia 31 de Outubro, ficando agora em aberto a hipótese de uma saída sem qualquer acordo ou a realização de um segundo referendo.
Não é difícil prever que, por maior que seja a habilidade política do sucessor de Theresa May, o processo vai continuar encalhado porque os deputados que a contrariaram são exactamente os mesmos que agora vão reapreciar o assunto. Sem eleições antecipadas e a constituição de um novo Parlamento, que afirme claramente o sim ou o não em relação ao Brexit, o espectáculo degradante da política britânica vai continuar.
Entretanto, os britânicos já votaram para o Parlamento Europeu, o que sendo uma situação normal, até parece um paradoxo. 

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Índia: ganha Modi, aumenta preocupação

Depois de um processo que se estendeu por 43 dias, com votações nos 29 estados e nos sete union territories indianos, o apuramento dos resultados das eleições para os 542 assentos do Lok Sabha, ou Parlamento indiano, ficou concluído ontem. Narendra Modi, o actual primeiro-ministro indiano, assegurou um novo mandato de cinco anos e continuará no seu posto.
A vitória de Modi e do Bharatiya Janata Party (BJP), ou Partido do Povo Indiano, foi muito expressiva pois conseguiu 303 assentos e, contando com os seus aliados, contará com o apoio de 352 deputados (65%), como destaca hoje o Hindustan Times. É uma vitória esmagadora, mas que é preocupante para alguns sectores da sociedade indiana porque o BJP é, sobretudo, um partido nacionalista hindu e conservador, que defende uma Índia orientada pelo hinduísmo e que, nalgumas regiões do país, tende a perseguir muçulmanos e católicos, embora também se venha declarando como defensor do secularismo, na linha preconizada pelo Mahatma Gandhi.
Os grandes derrotados das eleições indianas foram Rahul Gandhi e o Indian National Congress, que apenas conquistou 52 assentos. Rahul falhou e nem o seu carisma familiar o salvou: bisneto de Nehru, neto de Indira e filho de Rajiv – todos primeiros-ministros da Índia – o facto é que Rahul nem sequer conseguiu eleger-se deputado pelo Uttar Pradesh, o estado que é o feudo tradicional da sua família. 
A Índia atravessa uma fase de grande progresso tecnológico e já é a potência regional que domina o oceano Índico, mas é uma sociedade complexa nas suas estruturas sociais, na existência de uma economia dualista e na persistência de uma enorme pobreza. Porém, o que certamente vai preocupar os indianos nos tempos que aí vêm será o extremismo hindu que o BJP apoia, através de milícias ultraconservadoras como são o RSS - Rashtrya Swayamsevak Sangh (União Nacional de Voluntários) ou a Hindu Yuva Vahini (Força Jovem Hindu). Muçulmanos e católicos, sobretudo no norte da Índia, têm muitas razões de preocupação, a não ser que a vitória e a poder reforçado de Narendra Modi, bem como a pressão internacional, o empurrem para a moderação e para o secularismo religioso.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Votemos todos pela 'Nossa Pátria Europa'

As eleições para o Parlamento Europeu iniciaram-se hoje com os britânicos e os holandeses a irem às urnas. Amanhã votarão os irlandeses e, no sábado, irão votar os cidadãos da Letónia, da República Checa e da Eslováquia. Finalmente, no domingo votarão os eleitores dos restantes 22 países da União Europeia. Assim, serão escolhidos os 751 deputados que representarão os mais de 510 milhões de cidadãos da União Europeia, aos quais cabe um importante papel na defesa e no reforço do projecto europeu que, apesar de todos os desvios e atropelos que vão acontecendo, continua a ser um ideal de paz, de progresso e de solidariedade.
O ritual das eleições é cansativo e doentio, mas faz parte do processo democrático com as suas inenarráveis campanhas eleitorais que, em vez de mobilizarem os cidadãos para o voto, provocam um efeito contrário. Por isso, é grande o desinteresse dos 400 milhões de eleitores e a abstenção que se adivinha é preocupante. Há mesmo um paradoxo nesta questão, como se tem visto em Portugal, com uma campanha que vai muito para além da normal e desejável confrontação de ideias, para se situar num deplorável conjunto de acusações e de insultos, de agressividade e de suspeitas gratuitas, conduzidos sobretudo por esse agitador reacionário e desbocado que é o deputado Rangel, embora haja outros que parecem copiá-lo. Uma tristeza, a lembrar outros tiranetes que puseram a Europa a arder!
Hoje a revista italiana Espresso fala da Nossa Pátria Europa. É uma frase simbólica mas que é muito expressiva quanto a um ideal que tem que ser aprofundado, contra Farages, Salvinis, Orbáns e Rangéis. Eu já utilizei o meu voto antecipado. Deseja-se agora que os portugueses, mas também os outros cidadãos europeus, votem no próximo domingo para dar força à ideia de Europa!

quarta-feira, 22 de maio de 2019

A justa consagração de Chico Buarque

Chico Buarque de Hollanda foi o vencedor do Prémio Camões 2019. Fico contente!
O Prémio Camões constitui o mais prestigioso prémio da literatura de língua portuguesa e foi tão grande a justiça da escolha que as felicitações ao premiado surgiram por toda a parte, reconhecendo o seu talento e o seu contributo para a difusão da língua portuguesa, como músico, poeta, romancista e autor teatral. O jornal Público destacou essa boa notícia em primeira página.
Chico Buarque é um dos brasileiros de maior notoriedade artística e uma referência da cultura brasileira em Portugal. Nascido no Rio de Janeiro e com 74 anos de idade, ele é um dos mais inspirados autores da música popular brasileira e na sua obra literária e musical contam-se centenas de canções, dezenas de discos, algumas peças teatrais e vários romances. Não é fácil escolher exemplos do seu talento e da sua criatividade artística, mas talvez se possam distinguir os romances Budapeste e Leite Derramado, que venceram o Prémio Jabuti como livro do ano, ou a inspirada Ópera do Malandro ou, ainda, a peça Morte e vida severina, que musicou. Porém, serão os textos das suas canções, desde a Construção e a Minha história, que o tornaram mais conhecido no Brasil e em Portugal. Crítico da ditadura militar brasileira chegou a auto-exilar-se em Itália. 
A sua homenagem ao 25 de Abril e à revolução dos cravos com a canção Fado Tropical e, em especial, com a canção Tanto Mar, perduram em Portugal como algumas das suas mais inspiradas criações que celebraram a reconquista da Liberdade e da Democracia em Portugal.

Sei que estás em festa, pá. Fico contente!
E enquanto estou ausente, guarda um cravo para mim.

Eu queria estar na festa, pá. Com a tua gente.
E colher pessoalmente, uma flor no teu jardim.
 

domingo, 19 de maio de 2019

As eleições para o Parlamento Europeu

Aproveitando as novas regras do voto antecipado, já hoje fui votar para o Parlamento Europeu e sou, portanto, um dos cerca de vinte mil eleitores que o requereram porque prevejo estar ausente do país no próximo dia 26 de Maio. As mesas de voto estavam instaladas no Edifício dos Paços do Concelho, na Praça do Município em Lisboa, tendo o processo sido eficiente e rápido. O meu dever cívico ficou cumprido, mas só o cumprimento desse dever democrático e a minha vontade de fortalecer a Europa e o seu projecto de prosperidade e paz, me fez votar. Se queremos Europa, então todos os votos são necessários.
Por aquilo que disseram ou não disseram em campanha eleitoral, conclui facilmente que a generalidade dos candidatos ao Parlamento Europeu não merecia o meu voto, nem tão pouco merece beneficiar do seu especial estatuto, nem das mordomias da condição de deputado europeu. Alguns nem sequer dão a cara e outros comportam-se como autênticos arruaceiros, não são capazes de mostrar uma ideia ou estruturar um discurso europeísta e tratam de fazer a caça ao voto de uma forma primária e mentirosa. Os casos mais evidentes são, provavelmente, os convencidos eurodeputados Melo e Rangel, que são repetentes nestas andanças, mas que não falam do seu trabalho em Bruxelas nem do que se propõem fazer por lá, preferindo abusar de um discurso insultuoso que não se dirige sequer aos seus adversários políticos, mas sobretudo contra o primeiro-ministro Costa.
Eles certamente conhecem a teoria do sociólogo Paul Lazersfeld, segundo a qual a maioria dos eleitores vota de acordo com a sua predisposição política inicial, ou seja, não altera o seu sentido de voto com as campanhas eleitorais. Assim, estas campanhas tornam-se num completo vazio de ideias, com o seu desfile de banalidades, de grosserias e de insultos, com os candidatos a recorrer ao fait divers do quotidiano, à intrigalhada e à maledicência, evidenciando por vezes grande ignorância e má fé naquilo que vão repetindo por arruadas, mercados e jantaradas. Acontece que, depois das eleições, deixamos de ouvir falar deles, excepto daqueles que têm um pé em Bruxelas mas que não desistem de aparecer por cá como comentadores encartados, para se promoverem e para aumentarem a sua conta bancária, porque muitos deles estão mais interessados nela do que no bem-estar dos portugueses. Não sei se o futuro da Europa pode ser feito com gente desta...

sábado, 18 de maio de 2019

O Rio de Janeiro está caindo aos pedaços?

A edição de hoje do jornal O Dia que se publica no Rio de Janeiro é muito sugestiva e apresenta um original grafismo, em que é associado o título e o conteúdo da notícia de primeira página ao próprio logotipo do jornal. Assim, a informação de que o “Rio caindo aos pedaços” fica reforçada perante o leitor, pois o título do jornal até parece que também cai aos pedaços.
A reportagem revela alguma indignação e apreensão por uma série de desastres que têm ocorrido no Rio de Janeiro, a cidade símbolo do Brasil, que denunciam problemas críticos em algumas infraestruturas urbanas e casos reveladores de maior descuido ou de falta manutenção.
Segundo revela a notícia, em menos de um ano, a série de tragédias que têm afectado a cidade impressiona e, entre elas, destaca-se o incêndio do Museu Nacional que foi uma catástrofe para o património cultural brasileiro, o incêndio no Centro de Treino do Flamengo que matou dez jogadores de futebol juvenis, as chuvas torrenciais de Abril que provocaram dez mortes, o desabamento de dois prédios na comunidade da Muzema que ruíram e provocaram a morte de 20 pessoas, o desabamento frequente de ciclovias e, ontem, o desabamento de parte do tecto do Túnel Acústico Rafael Mascarenhas, na Gávea, que tem quinhentos metros de extensão e interrompeu o trânsito num dos acessos de ligação entre a zona sul e a zona oeste da cidade.
Como salienta O Dia, o Rio de Janeiro, que é o cartão postal do Brasil, está caindo aos pedaços. Será, sobretudo, um título sensacionalista, mas também é um aviso dirigido às autoridades porque as infraestruturas urbanas não são eternas e exigem atenção e manutenção.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

É preciso desanuviar o clima de ameaça

Os Estados Unidos e a Rússia, que continuam a ser as superpotências militares do nosso planeta, também continuam a defrontar-se nos diferentes conflitos regionais que vão acontecendo pelo mundo, numa lógica que vem desde Fevereiro de 1945 quando se realizou a conferência de Yalta, onde Franklin Roosevelt e Josef Stalin, com a presença de Churchill. Foi então que decidiram a repartição das zonas de influência respectivas depois do fim da 2ª Guerra Mundial.
Nos últimos tempos, a imprevisibilidade de Donald Trump tem causado alguma perturbação na política internacional e, por isso, o encontro que esta semana tiveram em Sochi o secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo e o seu homólogo russo Sergei Lavrov e, depois, o presidente Vladimir Putin, tornou-se um acontecimento importante.
Numa altura em que se verifica um aumento da tensão entre os Estados Unidos e o Irão, centrado no estreito de Ormuz, estes encontros servem para esclarecer as duas superpotências sobre os seus pontos de vista e para definir linhas vermelhas, mas também para fazer com que o mundo se sinta mais seguro. As palavras desanuviamento e contenção tornam-se cada vez mais necessárias, em vez das palavras ameaça e confronto. O encontro de Sochi terá servido para restabelecer as boas relações entre os dois países, mas também para discutir os tratados nucleares, nomeadamente a extensão do tratado START III relativo à redução de armas nucleares que expira em 2021, assim como a situação no Irão, na Ucrânia, na Venezuela e na Síria.
Os jornais russos, nomeadamente o Коммерсант ou Kommersant, publicaram a fotografia do encontro entre Putin e Pompeo, o que parece corresponder a um grande interesse russo neste encontro. O facto é que, como acontece desde 1945, as instabilidades regionais e as ameaças à paz mundial, são sobretudo uma consequência da geografia do petróleo e das matérias-primas, em paralelo com o negócio do armamento. É assim, também, na Venezuela e na Síria, no Irão e na Ucrânia.  Portanto, há que haver alguma contenção e desanuviar.