quarta-feira, 15 de maio de 2024

Viva! Aí está o novo aeroporto de Lisboa!

Ontem foi um dia importante na política portuguesa porque, depois de 55 anos de avanços e de recuos, de estudos e de mais estudos, de pressões e de hesitações, foi finalmente anunciada a decisão sobre o novo aeroporto de Lisboa. Após tantos anos e tantos primeiros-ministros, foi um improvável Luís Montenegro que, com apenas 32 dias de governo, assumiu essa decisão, devendo salientar-se que teve o apoio das forças políticas mais representativas, o que é um bom sinal de cooperação interpartidária face ao interesse nacional, o que raramente tem acontecido em Portugal. O jornal Público, como nenhum outro jornal português, destacou essa importante notícia na sua edição de hoje.
O reconhecimento da necessidade de um novo aeroporto de Lisboa nasceu durante a chamada “primavera marcelista”, através do Decreto-lei 48.902, de 8 de março de 1969, que criou no Ministério das Comunicações, o Gabinete do Novo Aeroporto de Lisboa, com personalidade jurídica e autonomia administrativa, com a missão de “empreender, promover e coordenar toda a actividade relacionada com a construção do novo Aeroporto de Lisboa”. Esse documento foi assinado por Marcello Caetano e foi promulgado pelo presidente Américo Deus Rodrigues Thomaz, mas ninguém esperava que fosse preciso mais de meio século para escolher o local.
Havia inicialmente quatro possíveis localizações, respectivamente na Fonte da Telha, no Montijo, no Porto Alto e em Rio Frio. Depois apareceu a hipótese de Alcochete, em finais da década de setenta surgiu a hipótese Ota e, mais tarde, as soluções Samora Correia e Santarém. Os interesses eram conflituantes e as pressões dos ambientalistas e dos municípios eram enormes, mas a decisão foi sempre adiada. Nem Mário Soares nem Cavaco, nem Guterres ou Barroso, Sócrates, Coelho ou Costa, tomaram uma decisão. O novo aeroporto de Lisboa já entrara no anedotário nacional.
Não faltaram estudos e ponderações e, por isso, saúda-se que, finalmente, tenha havido uma decisão. Parece que é desta que vamos ter o novo Aeroporto de Lisboa e que vai chamar-se Luís de Camões!

segunda-feira, 13 de maio de 2024

O independentismo catalão foi derrotado

A actividade política e as eleições na Catalunha são acontecimentos que nos interessam por razões de proximidade geográfica e de coesão ibérica. Numa altura em que há algumas tensões na velha Europa e em que não se vislumbra quem possa arrumar a casa e liderar a sua caminhada para o futuro com harmonia e progresso, a estabilidade ibérica é um elemento importante. 
Depois de catorze anos em que o independentismo ameaçou a comunidade autónoma da Catalunha e a unidade espanhola, o Partido dos Socialistas da Catalunha de Salvador Illa venceu as eleições de ontem com 27,9% dos votos e passou de 33 para 42 dos 135 deputados, com expressivas vitórias nas províncias de Barcelona e Tarragona, enquanto o conjunto dos partidos independentistas apenas elegeu 59 deputados, embora tivesse sido maioritário nas províncias de Lérida e Girona.
Foi a primeira vez que o Partido dos Socialistas da Catalunha venceu uma eleição, tanto em número de votos como em número de deputados eleitos, o que também reforça o poder de Pedro Sanchéz que é muito próximo de Salvador Illa. O jornal La Razón escolheu como manchete a frase “Derrota do independentismo”, enquanto o jornal El País diz que “el triunfo de Illa entierra el ‘procés’ e o ABC escolheu o título “Cataluña castiga el independentismo”, o que parece mostrar alguma unanimidade quanto à interpretação dos resultados eleitorais. Aparentemente, os catalães cansaram-se da instabilidade social gerada pelas lutas independentistas e perceberam que a União Europeia não apoiava o soberanismo catalão. Porém, a estabilidade política da Catalunha ainda vai depender dos acordos que o partido mais votado consiga fazer para poder governar.

sábado, 11 de maio de 2024

Em defesa do reconhecimento da Palestina

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou ontem uma Resolução não vinculativa que pede o reconhecimento da Palestina como um estado soberano, que garante “novos direitos e privilégios” aos palestinianos e que pede ao Conselho de Segurança que reconsidere o pedido para plena adesão, o que a tornaria no 194º membro da organização. A Resolução foi aprovada por 143 votos a favor, com 25 abstenções e nove votos contra, apresentados pela Argentina, Israel, Estados Unidos, República Checa, Hungria, Micronésia, Nauru, Palau e Papua-Nova Guiné. A notícia não teve a devida repercussão nos mass media internacionais, mas o jornal catalão La Vanguardia destaca na sua edição de hoje que “la Asamblea de la ONU vota que Palestina tiene derecho a ser miembro”. Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, regozijou-se com esta Resolução que abre as portas ao reconhecimento da Palestina pelas Nações Unidas, mas Israel criticou esta decisão que classificou como “um prémio ao Hamas”. A decisão cabe agora ao Conselho de Segurança, embora seja de prever o veto dos Estados Unidos.
Entretanto, a imprensa espanhola anuncia hoje que “España reconocerá a Palestina el 21 de mayo”, havendo notícias que referem que, no mesmo dia, também a Irlanda, a Bélgica, a Eslovénia, Malta e a Noruega, reconhecerão o Estado da Palestina. Afirmando que o reconhecimento da Palestina é do interesse da Europa, a Espanha afirma-se com vontade própria e não alinha com o grupo de países europeus que, com grande hipocrisia, continuam a fornecer armas a Israel e a apoiar o governo extremista de Benjamin Netanyahu na sua política de destruição do povo palestiniano. A Espanha bem merece a nossa saudação.

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Paris 2024: a chama olímpica já chegou

A imprensa francesa é hoje unânime a noticiar a chegada a Marselha da chama olímpica, que saíra da Grécia no dia 16 de abril, publicando a fotografia da chegada do navio-escola Belem, escoltado por centenas de embarcações. A partir de agora, a chama olímpica vai percorrer todo o território francês e mais de cinco centenas de localidades, numa viagem que terminará em Paris na noite de 26 de julho, quando se realizará a cerimónia de abertura oficial dos XXXIII Jogos Olímpicos.
Segundo o jornal Le Figaro, estiveram em Marselha a esperar o navio-escola Belem e a chama olímpica entre 150 e 230 mil pessoas, o que mostra como “à boleia dos Jogos Olímpicos”, se está a trabalhar num projecto promocional da França sob a liderança do pequeno napoleão, que Emmanuel Macron parece querer ser.
Os Jogos Olímpicos são a maior manifestação desportiva mundial, mas cada vez mais se afastam dos ideais olímpicos, enunciados através do lema Citius, Altius, Fortis, que significa “o mais rápido, o mais alto, o mais forte”. Se antigamente se considerava que o importante era competir e não vencer, nas suas últimas edições os Jogos Olímpicos tornaram-se um tabuleiro onde se procura “vencer” a qualquer preço, porque isso se traduz numa operação de prestígio interno e internacional. Por isso, os jogos de Paris 2024 vão ser uma monumental operação de marketing dos franceses para si próprios e para o mundo. O presidente Emmanuel Macron e o chauvinismo francês vão, provavelmente, estar insuportáveis na reversão a seu favor de tudo o que os Jogos Olímpicos lhes poderão dar em prestígio, em auto-estima e em vaidade, esperando que todo o mundo ouça muitas vezes a Marselhesa: 
             Allons, enfants de la Patrie / Le jour de gloire est arrivé 
             Contre nous, de la tyrannie/L'étendard sanglant est levé.
Procuremos, portanto, acompanhar a festa desportiva que vai ser o Paris 2024, mas tenhamos paciência com os exageros de egocentrismo a que vamos assistir.

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Catástrofe climática no Rio Grande do Sul

Desde há cerca de uma semana que violentos temporais e chuvas de grande intensidade estão a afectar o estado brasileiro do Rio Grande do Sul (RS), que faz fronteira com o Uruguai e com a Argentina. Trata-se do estado mais meridional do Brasil, que é três vezes maior que Portugal e tem cerca cde 12 milhões de habitantes. A cidade de Porto Alegre, que é a sua capital, tem as suas rotas de acesso bloqueadas pelas águas e estima-se que 85% da cidade esteja sem água potável, nem energia eléctrica. O aeroporto Salgado Filho está inundado, como mostra a fotografia publicada na edição de ontem da Folha de S.Paulo, tendo sido encerrado por tempo indeterminado. É uma verdadeira catástrofe climática e humanitária, que está a afectar cerca de um milhão e meio de gaúchos, estando já contabilizados 95 mortos e mais de 130 desaparecidos, mas também cerca de quatro centenas de feridos e mais de duzentos mil desalojados. No centro histórico da cidade de Porto Alegre a inundação atingiu 5,25 metros, sem haver quaisquer garantias de que se reduza nos próximos dias porque há dificuldades na drenagem das águas, mas há situações bem mais extremas, como sucedeu no rio Taquari cujas águas subiram 30 metros.
Os meteorologistas afirmam que os temporais que ocorrem no Rio Grande do Sul são reflexo de três fenómenos que ocorrem localmente e que são agravados pelas alterações climáticas, respectivamente, a onda de calor e as correntes intensas de vento frio que sopram do sul, a influência da Amazónia e um bloqueio atmosférico.
A catástrofe representa um prejuizo incalculável e está a gerar uma onda de solidariedade, tanto no Brasil, como no exterior.

segunda-feira, 6 de maio de 2024

A promoção dos vinhos portugueses

A edição de hoje do jornal O Globo, que se publica no Rio de Janeiro, tem a sua primeira página ocupada com um anúncio da marca Vinhos de Portugal e informa que o maior evento de vinhos portugueses no Brasil se realizará no Rio de Janeiro entre os dias 7 e 9 de Junho. 
O evento seguirá depois para a cidade de São Paulo onde será apresentado entre os dias 13 e 15 de Junho no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, uma infraestrutura de grande prestígio, que foi desenhada por Óscar Niemeyer no Parque Ibirapuera.
A marca Vinhos de Portugal/Wines of Portugal tem tido um assinalável sucesso comercial e resulta de uma iniciativa da ViniPortugal, uma organização interprofissional dos vinhos portugueses reconhecida pelo governo português, que foi fundada em 1996. A ViniPortugal faz a gestão daquela marca colectiva e tem como objectivo a promoção da qualidade e da excelência dos vinhos portugueses. A primeira campanha de marketing dos Vinhos de Portugal realizada no Brasil aconteceu em 2010 e a iniciativa agora anunciada já é a 11ª campanha, o que mostra o sucesso que os vinhos portugueses têm tido no Brasil ao longo dos anos. Esta importante parceria entre os produtores portugueses mostra-se muito activa e, nas mais recentes semanas, foram feitas apresentações e degustações de vinhos portugueses na cidade do México, em Toronto, Montreal, S. Francisco, Nova Iorque e Houston, a mostrar um dinamismo que não é habitual na economia portuguesa.  

sexta-feira, 3 de maio de 2024

O protesto universitário contra Netanyahu

O povo palestiniano está a ser vítima de uma agressão cruel, violenta e desumana por parte das forças extremistas de Benjamin Netanyahu, perante a objectiva cumplicidade dos seus mais poderosos aliados que continuam a fornecer-lhe armamento. Nada, nem ninguém, parece poder travar a ânsia vingativa de Netanyahu.
Porém, nos últimos dias, manifestou-se um movimento de solidariedade para com os palestinianos, cuja expressão mais visível tem acontecido nas universidades americanas, desde Harvard a Los Angeles. Há registo em várias universidades americanas de protestos pró-Palestina e pelo fim da guerra em Gaza, o que já levou o presidente Joe Biden a pedir aos manifestantes moderação e o cumprimento da lei, ao mesmo tempo que se verificava a intervenção policial. Anunciam-se confrontos e mais de duas mil detenções. Os protestos já “atravessaram” o Atlântico e disseminaram-se por várias universidades do Reino Unido, onde os estudantes reclamam o fim da guerra e manifestam a sua solidariedade para com o povo da Palestina. Também em França, conforme documenta a edição de hoje do jornal Le Télégramme, que se publica em Brest, são cada vez mais as universidades que manifestam o seu apoio solidário ao povo palestiniano. A lição a tirar destas manifestações é que há muita gente a querer a paz e que estão cada vez mais isolados os que querem a guerra ou, ainda, que os líderes cedem a interesses sectoriais e não respeitam a vontade dos cidadãos.
Lamentavelmente, há comentadores televisivos entre nós que ainda defendem que a proposta israelita de cessar-fogo “é generosa”, manifestando uma chocante indiferença perante a destruição e a morte que as hostes de Netanyahu têm causado na Faixa de Gaza.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

O novo e moderno porta-aviões chinês

A edição de hoje do jornal China Daily destaca com uma eloquente fotografia, o início dos primeiros testes de mar do novo porta-aviões da Marinha do Exército Popular de Libertação da China, que está a ser construído em Xangai, desde há seis anos. Trata-se do Fujian, o terceiro porta-aviões chinês, que desloca 80 mil toneladas e que se junta ao Shandong de 66 mil toneladas e ao Liaoning de 60 mil toneladas.
Logo que entre ao serviço, só a Marinha americana terá porta-aviões maiores que o Fujian. De acordo com a notícia, o novo porta-aviões chinês dispõe de um sistema de catapulta electromagnética semelhante ao do USS Gerald Ford, o único porta-aviões que até agora dispunha desse sistema, o que lhe permitirá operar aviões maiores e com maior capacidade de transporte. Com este novo navio e com as tecnologias que terá disponíveis, a China melhora enormemente a capacidade da sua Marinha, o que parece ser uma preocupação para os Estados Unidos, pelo seu impacto no que respeita ao domínio do mar da China e, sobretudo, em relação à questão de Taiwan.
Porém, o crescimento da Marinha chinesa não é uma novidade, pois nesta altura já é a maior força naval do mundo com mais de 340 navios de guerra e com uma produção a “um ritmo frenético” de novos navios em estaleiros chineses. Relativamente aos porta-aviões, desde 1985 que a China decidiu estudá-los para que a sua indústria os pudesse projectar e construir, tendo para esse efeito comprado quatro porta-aviões que estavam fora de serviço, sendo um australiano (HMAS Melbourne) e três utilizados pela ex-União Soviética (Minsk, Kiev e Varyag).
E assim vai o mundo no que respeita ao rearmamento...

Submarino emergiu da calote polar ártica

A edição de hoje do jornal The New York Times apresenta com grande destaque uma reportagem do seu jornalista Kenny Holston, que embarcou num submarino de ataque com propulsão nuclear, “para ver como o Pentágono está a treinar para uma potencial guerra abaixo do mar congelado”. 
O jornalista embarcou no USS Hampton (SSN 767), uma unidade da classe Los Angeles, habitualmente estacionada na Base Naval de Point Loma, em San Diego. O navio navegou para a região polar e emergiu no gelo ártico duas vezes, no quadro da sua participação na Operação Ice Camp, uma operação anual de três semanas que testa a capacidade da frota submarina americana operar em ambiente hostil. O jornalista descreveu a navegação sob a calote de gelo polar, tendo verificado como é complexa, acontecendo por vezes que o submarino navega entre duas ameaças: a camada de gelo por cima e o fundo do mar por baixo. Segundo o comandante do navio “operamos o navio a 6 metros do fundo, com 12, 18 metros de gelo acima de nós, assim conseguindo evitar os picos de gelo, virados para baixo”.
Como acontece em qualquer submarino, o espaço é sempre muito escasso e a reportagem aborda esse problema, muito importante quando o submarino está submerso, bem como a comida limitada e a ausência de qualquer comunicação externa durante várias semanas.
O embarque do jornalista Kenny Holston no USS Hampton, insere-se numa campanha de divulgação das actividades da Marinha americana, pois esta missão do submarino está relatada em diferentes jornais.

terça-feira, 30 de abril de 2024

Narendra Modi vigia a diáspora indiana

O assassinato de adversários políticos sempre foi uma prática habitual no processo histórico mundial e, nos anos mais recentes, podem-se recordar-se os assassínios de destacados políticos como John Kennedy, Indira Gandhi ou Yitzhak Rabin. Esses casos foram resolvidos internamente mas, por vezes, a obsessão perseguidora aos adversários políticos estende-se para além das suas fronteiras, assim tendo acontecido com o regime de Staline que mandou matar Leon Trotsky quando estava exilado no México, ou com o regime de Salazar que deu ordens para eliminar o general Humberto Delgado que estava em Espanha.
Na sua edição de hoje o jornal The Washington Post divulga um relatório que revela ligações estreitas entre o governo de Narendra Modi e uma tentativa frustrada de assassinato de Gurpatwant Singh Pannun, um líder separatista sikh que vive nos Estados Unidos. Não sabemos se o relatório é falso ou verdadeiro, mas o jornal refere “o longo braço da repressão”.
Pannum defende a independência do Punjab, um estado do noroeste da Índia com 25 milhóes de habitantes de maioria sikh e que já está baptizado como Khalistan.  A tentativa de eliminação de Pannum terá ocorrido em 2023 e teria sido organizada pelos serviços de espionagem de Nova Delhi, num quadro de perseguição à diáspora indiana na Ásia, Europa e América do Norte. Através do jornal The New India Express, o governo de Narendra Modi classificou hoje as notícias do diário americano como “injustificadas e infundadas”.
A India já é o mais populoso país do mundo e é uma federação de 29 estados e sete Union Territories, sendo um caleidocópio de línguas, de religiões e de culturas. As notícias hoje veiculadas pelo The Washington Post mostram que os tempos não parecem ser nada fáceis para a Índia de Narendra Modi.

segunda-feira, 29 de abril de 2024

A arte espanhola a deslumbrar a China

Na sua edição do último sábado o jornal Shanghai Daily destacou como manchete a exposição que está acontecer no Museum of Art Pudong da cidade de Shanghai, desde o dia 23 de abril e que se vai estender até ao dia 1 de setembro. Trata-se da maior exposição realizada na China pelo Museo Nacional del Prado e que tem por título Idades de Esplendor: Uma História da Espanha no Museu do Prado, na qual estão expostas setenta pinturas originais seleccionadas da coleção do Museu do Prado, metade das quais nunca foram vistas na Ásia, dezasseis que saem da Espanha pela primeira vez e nove que sairão do Museu do Prado pela primeira vez. O jornal escolheu como ilustração da sua capa a fotografia de “La Inmaculada Conceptión de Aranjuez”, um óleo de Bartolomé Esteban Murillo, de circa de 1675.
Na exposição estão representados cerca de cinquenta pintores de primeiro plano da arte europeia, que o público chinês vai poder apreciar, entre os quais Ticiano, Veronese, El Greco, Rubens, Velásquez, Goya, Murillo, Zurbarán, Ribera e outros, pelo que o jornal escreve em primeira página que a exposição da colecção vinda de Madrid é “uma festa para os olhos”.
A cxposição enquadra-se, naturalmente, numa aproximação cultural entre a Espanha e a China, sendo uma lição a aprender pela nossa diplomacia económica e cultural, se porventura estiver activa. Durante muitos anos falou-se de Macau como “porta giratória” para potenciar os interesses portugueses na China, mas são os espanhóis que marcam pontos sem precisarem de portas...

Cresce a contestação à violência israelita

A situação que se vive no Médio Oriente desde o dia 7 de outubro de 2023, de forma especial na Faixa de Gaza, continua a ser muito preocupante, porque não se enquadra no legítimo direito de defesa dos israelitas como resposta ao ataque que lhes foi feito pelo Hamas, mas configura-se como uma tentativa de genocídio do povo palestiniano.
Apesar do apelo internacional para contenção, os israelitas preparam-se para atacar Rafah e para destruir o que resta de Gaza, enquanto Benjamin Netanyahu se comporta cada vez mais como um tirano cruel que faz o que quer e que não escuta o seu próprio povo, nem a comunidade internacional, nem os seus aliados que, com grande hipocrisia, lhe continuam a fornecer armamento. Um pouco por todo o mundo tem havido grandes manifestações de repúdio pelos excessos israelitas e de solidariedade para com o povo palestiniano, que é uma entidade diferente do Hamas.
A condenação da violência israelita contra os palestinianos também chegou aos Estados Unidos e a vastos sectores da sociedade americana, incluindo os meios universitários. Assim aconteceu na Universidade de Harvard, localizada no estado de Massachusetts e próximo de Boston, que é a mais antiga universidade americana e uma das mais prestigiadas universidades do mundo. No passado sábado, alguns grupos de estudantes dirigiram-se para o átrio onde está a estátua de John Harvard, o fundador da universidade, tendo hasteado a bandeira palestiniana no local onde habitualmente está içada a bandeira americana. 
Na sua edição de hoje o jornal New York Post relata este incidente e informa que os serviços da universidade retiraram a bandeira da Palestina, mas destaca que “cenas semelhantes ocorreram em campus universitários em todos os Estados Unidos, incluindo a Universidade de Columbia em Nova Iorque e outras universidades”.

sábado, 27 de abril de 2024

25 de Abril: património comum do PALOP

As comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, numa feliz iniciativa do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, trouxeram a Lisboa os presidentes das Repúblicas de Angola, de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, de Moçambique, de S. Tomé e Príncipe e de Timor Leste, apenas faltando o presidente Lula da Silva que se fez representar pelo seu Ministro dos Negócios Estrangeiros.
A par das grandes manifestações populares realizadas por todo o país e das habituais cerimónias promovidas na Assembleia da República, a sessão realizada no Centro Cultural de Belém em que participaram aqueles sete presidentes de países de língua oficial portuguesa, foi um marco relevante nas comemorações, mas tammbém no futuro da CPLP. Foram sete discursos de grande importância histórica e política, que condenaram o colonialismo salazarista e a guerra colonial, que elogiaram a liberdade reconquistada pelo 25 de Abril e a abertura de negociações para a paz, mas que reforçaram os sentimentos de amizade e de cooperação entre os países de língua oficial portuguesa. Como refere o Jornal de Angola e foi salientado por João Lourenço, o presidente da República Popular de Angola, “a nossa causa era a mesma que a do povo português”. O 25 de Abril foi, portanto, um movimento que libertou o povo português de uma ditadura cruel e retrógrada, mas também se pode afirmar que resgatou os povos colonizados e muitos dos excessos do colonialismo português.
Não é frequente que os presidentes dos países que têm a língua portuguesa como língua oficial se encontrem pessoalmente e, por isso, este encontro proporcionado pelas comemorações do 25 de Abril foi um ponto alto, que demonstra como aquele movimento libertador é um património comum que foi incorporado na história das antigas colónias portuguesas.

sexta-feira, 26 de abril de 2024

25 de Abril sempre!

O semanário Expresso adquiriu um estatuto de jornal de investigação, de objectividade noticiosa e de não alinhamento partidário, que lhe conferem uma singular posição de prestígio no panorama da imprensa portuguesa. Nascido há mais de 51 anos, o seu grafismo foi sempre muito discreto e nunca apostou em grandes manchetes, nem sequer no sensacionalismo com que muitas vezes se enganam os leitores. Porém, na edição de ontem que dedicou aos 50 anos do 25 de Abril, o semanário parece ter sido seduzido pelo entusiasmo popular e pelos cravos vermelhos que regressaram às ruas portuguesas, utilizando uma ilustração que representa a alegria do povo e um advérbio de tempo que aparece muitas vezes associado ao 25 de Abril: sempre.
Até parece que o Expresso só agora aderiu aos ideiais do 25 de Abril, o que obviamente não é verdade. Numa altura em que há sérias preocupações quanto ao futuro, tanto lá fora como por cá, os portugueses regressaram às grandes manifestações populares e mostraram como estão alinhados com os ideais da Liberdade e da Democracia, podendo afirmar-se com segurança, que ressuscitaram a força mobilizadora, as esperanças e o entusiasmo do 25 de Abril, voltando a cantar as canções de José Afonso. A simbólica manifestação que em Lisboa costuma descer a avenida da Liberdade, juntou muitos milhares de pessoas, um verdadeiro mar de gente como já não se via desde há muitos anos. Como diria Chico Buarque, “foi bonita a festa pá, fiquei contente”.
A imprensa portuguesa, bem como alguma imprensa estrangeira, associaram-se a esta efeméride e destacaram os progressos sociais proporcionados aos portugueses pelas “portas que Abril abriu”, lembrando que a revolução portuguesa também inspirou a democratização em Espanha, na Grécia e em vários países da América Latina, para além de ter permitido o fim da guerra colonial e a independência dos novos países de língua oficial portuguesa.
Tal como o Expresso escreveu na sua edição de ontem, também aqui deixamos a nossa mensagem: 25 de Abril sempre!

terça-feira, 23 de abril de 2024

A cidade de Macau: não há outra mais leal

No século XVI, segundo escreveu Luís de Camões, os portugueses andaram “por mares nunca de antes navegados e passaram ainda além da Taprobana”. Passados cinco séculos de convivência luso-asiática, as marcas dessa passagem ainda são observáveis em vários países e regiões da Ásia do Sul, do Sudoeste Asiático e da Ásia Oriental, tanto nos seus patrimónios materiais, como imateriais.
Macau é, porventura, o maior símbolo dessa realidade. Depois de 442 anos de administração portuguesa, o território regressou à soberania chinesa em 1999 e tornou-se a Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China que, de acordo com a famosa Declaração Conjunta Sino-Portuguesa de 1987, conservará durante 50 anos o seu modo de vida e as suas especificidades culturais, resultantes do longo período em que o território foi administrado por Portugal.
Hoje, a marca portuguesa em Macau não é tão forte como muitos desejariam, mas também não é tão fraca como muitos acusam. Um facto revelador da força da memória portuguesa em Macau aconteceu em 2005, quando a Unesco inscreveu o Centro Histórico de Macau na sua World Heritage List, como “testemunho único do encontro de influências estéticas, culturais, arquitectónicas e tecnológicas do Oriente e do Ocidente”. Nesse território, a que estão emocionalmente ligados muitos milhares de portugueses e onde existem três jornais diários em português, também os 50 anos do 25 de Abril vão ser comemorados, como anuncia na sua edição de hoje o diário hojemacau
Naturalmente, ocorre-nos o título concedido à cidade em 1654 pelo rei D. João IV, como recompensa à lealdade da população portuguesa da cidade durante a ocupação filipina: Cidade do Santo Nome de Deus de Macau, Não Há Outra Mais Leal.