A proposta governamental do Orçamento do Estado para 2014 inclui uma
verba de 34,8 milhões de euros para deslocações e estadas dos titulares e do
pessoal dos gabinetes ministeriais, havendo sete ministérios que irão gastar mais
em 2014 do que no corrente ano de 2013. Numa altura em que o país está em grandes
dificuldades, em que há sinais de decadência e de progressivo empobrecimento, com
os salários e as reformas a serem intensamente penalizados, esta lógica despesista
parece não ter explicação. É uma situação incompreensível. É um abuso. Fazem-se
contas e não se percebe quem vai fazer e para que servem tantas viagens.
Provavelmente, os nossos governantes até deveriam viajar mais para melhor
conduzirem as suas actividades em prol do interesse nacional, mas deveriam
dispensar as suas numerosas e dispendiosas comitivas, com demasiados
assessores, ajudantes e convidados, para além dos habituais jornalistas que
outra coisa não fazem que não seja promover a Excelência que os convidou e
transmitir para o país algumas banalidades a respeito do país para onde a
Excelência viajou, pois não vão fazer jornalismo nenhum. E se isto é válido
para o governo, também se aplica às comitivas de Belém, porque são sumptuárias
e desproporcionadas. Este tipo de comportamentos é muito condenável, não tanto
pelo peso que estas despesas têm no Orçamento do Estado, mas sobretudo porque
constituem um mau exemplo e um sinal muito negativo para os sectores da
população que pagam impostos e têm sofrido uma brutal perda de rendimentos.
sábado, 26 de outubro de 2013
As viagens e passeios que nós pagamos
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Espanha: cultura para vencer a depressão
A edição
sevilhana do jornal ABC destaca hoje
na sua primeira página a representação da ópera Aida, de Giuseppe Verdi, informando
que será apresentada nos dias 25, 28 e 31 de Outubro e 3, 6 e 9 de Novembro no
Teatro de la Maestranza de Sevilha. A famosa ópera é uma das mais representadas
e mais espectaculares de entre todas as que se conhecem, tendo sido estreada no
Cairo em 1871 mas, ao contrário do que por vezes se pensa, não foi encomendada
para a inauguração do canal do Suez, que aconteceu em 1869.
Não é vulgar que
os temas culturais ocupem as primeiras páginas dos jornais e, por isso, a escolha
da edição sevilhana do jornal ABC
merece ser destacada, sobretudo porque é uma forma de atenuar a profunda depressão
que atravessa a Andaluzia e as suas cidades. De resto, a mesma edição, salienta
que “o desemprego baixa em Espanha, mas sobe na Andaluzia”.
Na realidade, a Andaluzia
tem uma taxa de desemprego da ordem dos 36% da população activa e algumas das
suas cidades estão “na vanguarda do desastre”, como há tempos se lhes referiu a
revista Time, enquanto no ano passado
também a revista Visão apresentou uma
reportagem sobre “a vida na capital do desemprego na Europa”. Perante este
quadro de crise económica, de desemprego e de desagregação social, a apresentação
da ópera Aida na abertura da temporada lírica em Sevilha, é um exemplo
de como a cultura pode ajudar a superar a depressão, ou de como os andaluzes
podem animar-se, ao assistirem à representação das paixões entre Radamés, um triunfante
general egípcio, e Aida, uma escrava etíope que servia na corte dos faraós.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
O petróleo do orgulho brasileiro
Em poucos anos, o
Brasil tornou-se num dos dez maiores produtores mundiais de petróleo e, na base
dessa realidade, estão a descoberta de abundantes reservas on-shore e off-shore e a
criação da Petrobras, daí resultando que a Constituição tivesse passado a
garantir ao Estado o monopólio da extracção do petróleo brasileiro. Porém, foi
com a crise petrolífera de 1973 e com o reconhecimento de que a exploração off-shore se tornara economicamente
rentável, que o Brasil intensificou a pesquisa de petróleo no mar, a qual veio
a ter grande sucesso em 2007 quando foi descoberto um campo petrolífero de 800
Km de extensão ao longo da costa brasileira, onde estão definidas 17 áreas de concessão,
a maior das quais está situada na bacia de Santos. Entre os seus concessionários
está a Galp Energia que, desde 1999, mantém uma parceria com a Petrobras em
cerca de duas dezenas de projectos, sendo os principais o campo Lula e o campo
Iracema, onde tem participações entre 10 e 20%.
Entretanto, a
maior reserva de petróleo brasileira até agora descoberta – o campo Libra – foi
leiloado e foi adquirido por 35 anos por um consórcio que integra a Petrobas
(40%), a Shell (20%), a Total (20%) e as estatais chinesas CNPC e CNOOC (10%
cada), mas este leilão foi muito contestado, gerou greves e obrigou à
mobilização do Exército, porque o petróleo tornou-se um símbolo do orgulho
nacional brasileiro – “o petróleo é nosso”, escreveu o Correio Braziliense, mas
afinal não é apenas brasileiro. O governo de Dilma Rousseff que tanto criticara
os seus adversários políticos “por quererem entregar o petróleo brasileiro às
multinacionais”, fez exactamente isso ao dividir a sua maior reserva com as
multinacionais dominadas por ingleses, franceses, holandeses e chineses, em
nome da necessidade brasileira de financiamento para a educação, para a saúde e
para a criação de empregos.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Sopram ventos perigosos em Moçambique
A situação em Moçambique já
se vinha a deteriorar nas últimas semanas devido a rivalidades políticas e divergências
quanto à legislação eleitoral, com acusações mútuas entre a Frelimo, que é o partido
maioritário e que governa o país, e o principal partido da
oposição que é a Renamo. Estes dois partidos protagonizaram uma violenta guerra civil que
durou desde 1975 a 1992, ano em que foi assinado o Acordo de Roma mas,
aparentemente, a Renamo nunca se desarmou completamente. No entanto, passou a
participar na vida democrática moçambicana e, actualmente, na Assembleia Nacional
de Moçambique dispõe de 51 deputados que se sentam ao lado dos 191 deputados da
Frelimo e dos 8 deputados do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).
Ontem
ocorreram confrontos armados entre os dois maiores partidos e o quartel-general da
Renamo em Santungira, na província de Sofala, a cerca de 600 quilómetros para norte da cidade de Maputo, foi assaltado pelas Forças Armadas de Defesa de
Moçambique. Segundo destaca o jornal O País que se publica em Maputo, não houve
mortos nem feridos, tendo Afonso Dhlakama e os seus homens fugido para a serra da
Gorongoza. A Renamo já anunciou que
esta acção marca o fim da democracia em Moçambique e pode levar o
partido a pegar novamente em armas a nível nacional, enquanto o presidente
Armando Guebuza afirmou que não há espaço no país para dois exércitos. Entretanto,
poucas horas depois, em retaliação e como sinal de resistência, homens armados da Renamo atacaram
um posto da polícia em Maríngué, no centro de Moçambique.
É preciso accionar rapidamente
todos os mecanismos e canais de influência, alguns dos quais passam por
Portugal, para que esta turbulência entre moçambicanos fique por aqui. Falem, dialoguem, entendam-se!
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
The United States of Texas
Há uma crise mundial que está a atravessar o mundo, sobretudo no chamado
mundo ocidental, havendo algumas teorias que procuram explicar o ambiente recessivo
e preocupante que se está a viver na Europa e nos Estados Unidos. Para uns
trata-se de um dos habituais ciclos económicos capitalistas, se bem que mais
prolongado do que noutras épocas, para outros trata-se da mudança dos centros
de poder económico mundial para o oriente e para outros, ainda, trata-se de uma
profunda alteração do nosso paradigma civilizacional. Hoje, em maior ou menos
escala, a generalidade dos países ocidentais tem grandes problemas para
resolver e, nesse número, incluem-se os poderosos Estados Unidos da América,
onde se procuram ultrapassar as dificuldades e onde surgem as mais curiosas respostas.
A revista TIME estudou o que se está a passar no Texas
porque, contra todas as probabilidades, se tem verificado a chegada maciça de
emigrantes de todos os outros Estados e há um acentuado dinamismo económico.
O Estado
do Texas é o segundo maior dos Estados Unidos, com uma área que é maior do que
a Alemanha e a Polónia juntas e tem cerca de 25 milhões de habitantes. Aparentemente
é um Estado pouco atraente por ter um clima muito severo, grandes desigualdades
sociais, poucos serviços sociais, alguns milhões de pessoas sem seguro de saúde
e alta criminalidade. Então,
pergunta a revista TIME, por que razão os americanos se deslocam mais para
o Texas do que para qualquer outro Estado? O Texas é o Estado que mais cresce e
três das cinco principais cidades americanas que mais crescem estão no Texas:
Austin, Dallas e Houston. Enquanto no resto do país está a desaparecer a classe
média e a aumentar o custo de vida, no Texas parece estar criada uma maneira
radicalmente simples e barata para se viver e para fazer negócios. Para muitos
americanos, o Texas parece ser o futuro. Haverá alguma coisa que possamos
aprender com eles?
sábado, 19 de outubro de 2013
O Pico e o seu poder de atracção
Mais uma vez
andei pela ilha do Pico, que é a segunda
maior ilha dos Açores e sobre a qual vale sempre a pena repetir o que sobre ela
disse Raúl Brandão em As ilhas
desconhecidas:
“O Pico é a mais
bela, a mais extraordinária ilha dos Açores, duma beleza que só a ele lhe
pertence, duma cor admirável e com um estranho poder de atracção. É mais do que
uma ilha - é uma estátua erguida até ao céu e amolgada pelo fogo - é outro Adamastor como o do cabo das Tormentas".
Podia
considerar-se estar tudo dito com estas palavras ou considerar-se que Raúl
Brandão apenas utilizou uma retórica desproporcionada, mas na realidade esta
ilha tem um estranho poder de atracção sobre os forasteiros, pela imponência da
montanha e pelas cores dos seus mares, das suas encostas e dos seus “mistérios”.
Porém, o mesmo não se poderá dizer em relação aos picoenses que, sem
actividades económicas relevantes para além da pecuária, vão procurando outros
locais alternativos para viver e para trabalhar. Assim, a ilha envelhece, desertifica-se e vai acumulando histórias
e memórias de um passado de isolamento e de fainas baleeiras de grande
temeridade e dureza, mas também das boas lembranças que chegavam da longínqua América,
para onde muitos açorianos tinham emigrado desde meados do século XIX.
Tem havido muito progresso na ilha, mas até agora, nem o sistema político,
nem a autonomia regional, nem a economia global conseguiram ainda dar passos consequentes para
resolver a equação económica e social destas comunidades e para um melhor aproveitamento
destes 447 Km2 de superfície, cuja paisagem natural tem sido tão bem preservada. Porém, há que confiar que melhores dias virão porque
esta exemplar riqueza cultural e esta emocionante paisagem são singulares e vão
perdurar no tempo. Eu deixo a ilha hoje para regressar ao rectângulo, mas voltarei sempre.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Angola, o estado da Nação e a parceria
Durante seu o discurso sobre o estado da Nação pronunciado
no dia 15 de Outubro na Assembleia Nacional de Angola, o Presidente José
Eduardo dos Santos anunciou o fim da intenção de estabelecer uma parceria estratégica
com Portugal, semelhante às que Angola tem com os Estados Unidos, a China e o
Brasil. Depois de ter salientado que
Angola tem relações estáveis com quase todos os países do mundo, afirmou que "só
com Portugal as coisas não estão bem” e acrescentou que têm surgido
incompreensões ao nível da cúpula e, por isso, o clima político actual não aconselha à
construção da parceria estratégica antes anunciada.
Porém, o Presidente
angolano não anunciou qualquer corte de relações com Portugal, nem sequer o fim
da prevista parceria estratégica, pois apenas se referiu à “cúpula” e ao “clima
político actual”, o que é um recado bem direccionado à incompetência e alguma
leviandade com que tem sido tratada a relação Portugal-Angola, que é bem mais
forte do que as circunstâncias políticas conjunturais. No entanto, os
interesses angolanos e portugueses estão em causa e, por isso, a forma de fazer
política deve ser repensada para proteger as centenas de empresas portuguesas
que têm negócios com Angola e os 150 mil portugueses que por lá trabalham, mas também
os legítimos interesses angolanos que se instalaram em Portugal. Perante as
dificuldades que atravessamos, Angola tem sido um importante ponto de apoio
para Portugal, mas Portugal também tem sido um paraíso para as elites
angolanas. É um jogo de interesses e de vantagens comuns, mas nesse jogo que
agora foi posto em causa, há que alterar comportamentos. Comecemos por corrigir
os comportamentos dos nossos políticos, dos nossos empresários e dos nossos
jornalistas para que “não vendam a alma ao diabo”, nem pactuem com
comportamentos económicos de menor transparência que, como sabemos, acontecem e
estão à vista em Portugal. Não sejamos como o Machete, nem como os muitos
machetes que andam cá e lá. Nos negócios, como na vida, não vale tudo. Foi essa
nossa fraqueza e, em muitos casos, subserviência, que deu força ao discurso do estado da Nação de José Eduardo dos
Santos.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Despesismo do governo é mau exemplo
O Orçamento do Estado para 2014 é muito
duro para os contribuintes, para os funcionários públicos e para os reformados
e pensionistas, mas não tem o mesmo grau de exigência para aqueles que deviam
dar o exemplo da contenção e da parcimónia, isto é, os governantes. Assim, sem bons exemplos, eles nunca conseguirão comandar esta nau e far-nos-ão andar à deriva como tem acontecido. No próximo ano os ministros
e os respectivos gabinetes vão gastar mais do nosso dinheiro, pois verifica-se um
aumento de cerca de 8,13% na sua despesa, quando comparado com a estimativa de despesa
incluida no segundo orçamento rectificativo para o ano corrente. O governo
engordou por via das várias remodelações decididas ao longo dos últimos meses
com mais ministros, mais secretários de Estado, mais assessores e mais equipas
de apoio, pelo que hoje já tem mais gente (56) do que o maior dos governos de Sócrates
(55) que o primeiro ministro e o seu amigo catroga apontavam como exemplo de
gorduras do Estado. Alguns gabinetes irão reforçar de forma significativa os
respectivos orçamentos para 2014, como acontece por exemplo com a Presidência
do Conselho de Ministros. É um mau exemplo por gastar mais, mas é uma falta de
pudor por retirar esse dinheiro aos reformados. O Correio da Manha dá-nos
hoje a exacta medida deste desregramento e deste despudor ao anunciar que a equipa
do primeiro ministro é constituída por 60 pessoas, onde se incluem dez
secretárias que ganham 1882 euros cada uma, onze motoristas que recebem 1848 euros
cada qual e nove assessores que auferem uma média de
3653,81 euros. O jornal fez as contas e concluiu que esse gabinete custa 134 900 euros por mês, de acordo com a lista de nomeações
publicada pelo Governo, com um salário médio de 2248 euros. Porém, todos
sabemos que não é assim. Nesses gabinetes gasta-se à tripa forra e, por isso, a despesa da Presidência do Conselho de Ministros ainda será
acrescentada com as viagens, as ajudas de custo, as despesas de representação, as
horas extraordinárias, as viaturas, as refeições, os telemóveis e eu sei lá que
mais, fazendo com que este
despesismo seja um mau exemplo que passa para a sociedade.
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Um Orçamento que ainda nos afunda mais
O governo
anunciou a sua proposta do Orçamento do Estado para 2014 e, embora o vice-portas
tivesse recentemente informado que não haveria mais austeridade, o facto é que a
proposta governamental inclui novos e brutais cortes nos salários e nas pensões,
assim como mais impostos e taxas. No
seu conjunto o Orçamento significa um severo corte nos gastos públicos de cerca
de 3,9 mil milhões de euros, ou seja, cerca de 2,3% do PIB. Trata-se de
mais
um brutal pacote de austeridade e, mesmo os partidos do governo, reconhecem que
a proposta tem medidas gravosas. Este Orçamento é o terceiro preparado pelo
actual governo e é a melhor prova da má governação que nos tem orientado. Antes
de se instalarem no poder, prometeram que nunca haveria aumento de impostos nem
cortes nas pensões e essas promessas foram uma descarada mentira. Nunca
reconheceram a sua impreparação, nem a sua postura adolescente e de
xicos-espertos. Têm-nos mentido repetidamente.
Hoje,
o Diário de Notícias diz que é uma
austeridade desigual, pois 82% resulta dos cortes na função pública, nos
reformados, nos pensionistas e nos sectores da Educação e da Saúde, enquanto
apenas 4% dessa austeridade vem das taxas para a banca, das petrolíferas e das redes de energia.
Alguns
destes cortes são imorais, injustos e inconstitucionais e vão afectar, uma vez
mais, a procura interna, o produto e o emprego, além de contribuírem para o
aumento da pobreza. Os grandes interesses empresariais quase ficam intocados e
os seus encargos fiscais serão aliviados para estimular o investimento, mas o
que vai acontecer é uma maior fuga de capitais.
Este
Orçamento do Estado é uma verdadeira humilhação para os portugueses e uma vergonha para
quem o patrocinou. Afunda-nos e empobrece-nos, mas eu não acredito que sejam capazes de o cumprir.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Moçambique e a importância do cajú
O semanário
moçambicano Domingo que se publica na cidade do Maputo e que é um dos periódicos
publicados pela Sociedade do Notícias, SA , na sua última edição, dedica uma extensa reportagem ao cajú e à sua economia específica, dizendo que está em alta. E parece que sim.
Moçambique já foi
um dos maiores produtores e exportadores mundiais de castanha de cajú até
finais da década de 1970. Naquela altura, produzia cerca de 200 mil toneladas
por ano, mas após a independência verificou-se uma redução da produção para as
15 mil toneladas anuais. Os tempos mudaram e, actualmente, o Instituto de
Fomento do Cajú pretende recuperar o lugar que perdeu: na campanha de 2010-2011
foram exportadas cerca de 112 mil toneladas de castanha, mas na campanha
seguinte as condições agro-climáticas trouxeram a produção para cerca de 80 mil
toneladas. Na presente campanha de 2012-2013, a estimativa aponta para uma
produção de 110 mil toneladas e esse resultado está a mostrar a importância
económica e social do cajú para os moçambicanos. Actualmente, mais de 40 por cento dos agricultores moçambicanos,
ou cerca de um milhão de agregados familiares produzem castanha de cajú, uma
das poucas culturas fiáveis que os agricultores conseguem produzir no país. Na
província de Nampula, a castanha de cajú, representa cerca de um quinto dos
rendimentos totais dos agregados familiares e aproximadamente dois terços do total
dos rendimentos em dinheiro. Perante este quadro, há um plano para aumentar o plantio
de cajueiros e para expandir as áreas de produção de castanha de cajú, mas também
para instalar novas fábricas de processamento que levem a um maior valor
acrescentado do cajú moçambicano. Moçambique é actualmente um médio produtor
mundial e quer recuperar quota de mercado a nível mundial, porque isso
contribui para acabar com a pobreza de grande parte da sua população rural e
para equilibrar a balança comercial do país.
Autumn beauty
Há dias
destacamos aqui a primeira página do The
Daily Telegraph por ter publicado a fotografia de
uma onda gigante a rebentar sobre o farol de Seaham Harbour, no distrito
de County Durham, no noroeste da Inglaterra.
Hoje é o jornal The
Times que, na sua primeira página, destaca uma fotografia de Batcombe
Vale, na região do Somerset, no sudoeste da Inglaterra, com a legenda “Autumn
beauty”, na qual se pode observar a espessa neblina que cobre uma vasta área e que
apenas deixa a copa das árvores à vista.
São duas
excelentes fotografias a justificar que “uma imagem vale mais do que mil
palavras”, mas a publicação destas duas fotografias em dois prestigiados
jornais ingleses, separada por poucos dias, revela uma maneira diferente de fazer
jornalismo, que é pouco habitual. Não se trata de optar entre conteúdos
genéricos ou conteúdos especializados, nem de publicar notícias e opiniões
sobre os mais diversos interesses sociais, com maior ou menor sensacionalismo para
atrair leitores. O que estes jornais fazem é a promoção do fotojornalismo, isto é, a difusão da informação através da imagem
com o apoio de um texto, em vez da habitual informação escrita apoiada por uma
fotografia. Assim, o fotojornalismo mostra
que pode ir para além das imagens das guerras, das catástrofes ou das competições desportivas e tratar temas
tão vulgares, mas esteticamente atraentes, como é a chegada do Outono.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Air Costa para bem voar na Índia!
A Índia é uma federação de Estados com muitos
contrastes culturais, muita gente, muitas religiões e mais de quatrocentas línguas
e dialectos, havendo 23 línguas oficiais nos seus 28 Estados. O quarto maior
desses Estados é o Andhra Pradesh, que é três vezes maior que Portugal e tem 84
milhões de habitantes, sendo a sua língua nacional o telugu (a 16ª língua mais falada no mundo). O seu principal jornal é
o Eenadu (ఈనాడు) que se
publica em Hyderabad ,
que tem seis milhões de leitores e que é redigido em telugu que, naturalmente, não domino. Na sua edição de hoje, o que chama
a atenção dos leitores, no meio dos caracteres que não compreendemos, é uma notícia
e um anúncio da Air Costa.
A Air Costa é a primeira companhia aérea regional do Estado de Andhra Pradesh e
iniciou exactamente hoje os seus voos comerciais com dois aviões Embraer E-170 de
fabrico brasileiro. A sua base será na cidade de Vijayawada e, por agora, voará
para Hyderabad, Chennai, Bangalore, Jaipur e Ahmedabad mas, em Novembro, quando
receber dois novos Embraer E-190, também voará para Madurai, Visakhapatnam,
Goa, Thriuvananthapuram e Mysore. Até ao fim de 2014 a Air Costa espera ter
uma frota de dez Embraer E-190. Na Índia é frequente, muito frequente, o aparecimento
de companhias aéreas privadas de carácter regional, nacional e internacional
que, com toda a lógica económica, nascem, crescem e morrem. A Air Costa será provavelmente
mais uma delas, mas o que verdadeiramente surpreende é este nome em Andhra
Pradesh.
domingo, 13 de outubro de 2013
Há novos protagonistas na Catalunha
Celebrou-se ontem
o Dia Nacional da Espanha e, na cidade-capital da Comunidade Autónoma da
Catalunha, que tanto tem defendido a sua independência, esse dia ficou assinalado
por uma manifestação da chamada maioria silenciosa que se opõe ao projecto
independentista. Como sempre sucede em todos os tipos de manifestações, a contabilização do
número de manifestantes que participam é distorcida, mas parece que umas
cem mil pessoas encheram a praça da Catalunha em Barcelona e, esse número,
satisfez a organização.
Os participantes
quiseram afirmar-se como "catalães que se sentem espanhóis" e invocar a
Hispanidade como um valor cultural comum que é partilhado universalmente, tendo
adoptado bandeiras espanholas e catalãs coladas e utilizado como principal
slogan a frase Som Catalunya –Somos
España (Somos Catalunha, Somos Espanha), como noticia o jornal La Vanguardia.
O príncipe Filipe
que, por doença do Rei, presidiu pela primeira vez às cerimónias militares do Dia Nacional da Espanha que
decorreram em Madrid, discursou depois numa cerimónia pública e, tal como os
manifestantes de Barcelona, apelou à unidade e a um futuro comum. Significa que
a reivindicação independentista catalã que até agora se exprimia nas ruas sem
contraditório e com grande força, passou a ter uma força que se lhe opõe também
nas ruas, o que pode aumentar a tensão social e perturbar o processo democrático
catalão. Serão uns e os outros. É preciso cuidado e, por isso, é a altura dos dirigentes nacionais actuarem e com rapidez.
As belas fotografias do Outono
No hemisfério
norte, o Outono começa habitualmente no dia 23 de Setembro, quando o Sol no seu
movimento orbital aparente cruza o plano do Equador Celeste. É o equinócio do
Outono e, depois do dia ter sido maior do que a noite durante seis meses, a
partir dessa data, a noite vinga-se e será maior do que o dia durante seis
meses.
No Outono baixam
as temperaturas e aumenta a pluviosidade, as árvores perdem as suas folhas verdes,
há mais nevoeiro e mais neve, o tempo torna-se sombrio e, no mar, as tempestades são mais frequentes.
O jornal inglês The Daily Telegraph, que qualquer dia é bicentenário e tem uma circulação diária de quase um milhão de cópias, quis evocar o recém chegado Outono e decidiu publicar na sua primeira página uma fotografia de uma onda gigante a atormentar um farol. Como acontece com frequência nos jornais ingleses foi mais uma vez escolhido o espectacular encontro do mar do Norte com o farol de Seaham Harbour, no distrito de County Durham, no noroeste da Inglaterra. É uma imagem que se repete muitas vezes todos os anos e que realmente impressiona. Um grande documento fotográfico!
O jornal inglês The Daily Telegraph, que qualquer dia é bicentenário e tem uma circulação diária de quase um milhão de cópias, quis evocar o recém chegado Outono e decidiu publicar na sua primeira página uma fotografia de uma onda gigante a atormentar um farol. Como acontece com frequência nos jornais ingleses foi mais uma vez escolhido o espectacular encontro do mar do Norte com o farol de Seaham Harbour, no distrito de County Durham, no noroeste da Inglaterra. É uma imagem que se repete muitas vezes todos os anos e que realmente impressiona. Um grande documento fotográfico!
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
As pensões vitalícias são uma aberração
É um dos temas do momento, porque é muito populista e assenta
perfeitamente no nosso actual momento político, certamente para disfarçar o tsunami
orçamental que nos vão apresentar na próxima semana: trata-se da proposta
governamental para cortar em 15% as subvenções vitalícias dos
titulares de cargos políticos.
Essa regalia foi extinta em 2005,
mas continua a ser atribuída aos políticos que nessa data já tinham adquirido esse
direito e, por isso, o seu número não cessa de aumentar, obrigando a sacar
mensalmente quase um milhão de euros por mês dos nossos impostos para lhes
pagar. Esta transferência é uma situação que nos envergonha a todos, incluindo
aqueles que a recebem! Estas quatro centenas de
políticos que recebem uma pensão vitalícia por terem servido ou terem-se
servido do Estado, não estiveram integrados em nenhum regime contributivo e beneficiam de um direito
que eles próprios criaram em seu proveito, o que torna mais aberrante a
situação.
Apesar da relação destes beneficiários ser secreta (vá-se lá saber
porquê), os seus nomes vão aparecendo na blogosfera e verificamos que a maioria
é possuidora de fortuna pessoal ou ocupa altos e bem remunerados cargos: Carlos
Melancia, Eduardo Catroga, Álvaro Barreto, Zita Seabra, António Vitorino, Joaquim
Ferreira do Amaral, Duarte Lima, Dias Loureiro, Santana Lopes, Marques Mendes, Mário
Soares, José Penedos, João Cravinho, Carlos Encarnação, Odete Santos, Isabel de
Castro, Manuel Alegre, Cavaco Silva, Ângelo Correia, Armando Vara, Almeida
Santos, Rui Gomes da Silva, Manuela Ferreira Leite, Alberto João Jardim, Freitas do
Amaral, Jorge Coelho, Carlos Brito, Fernando Rosas, Miguel Relvas, José Lello e
assim por diante.
Enquanto há muitos milhares de reformados que descontaram durante muitos
e muitos anos e agora são sujeitos a cortes nas suas magras pensões, estes
políticos que nada descontaram têm estado até agora intocáveis nesta aberração
que são as suas pensões vitalícias. Como é injusto e cruel tudo isto! Por isso,
em vez de lhes ser aplicado um desconto de 15%, melhor seria acabar com essas transferências e obrigá-los a
devolver tudo o que já receberam e que foi pago com os nossos impostos.
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