quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Anúncios de mau tempo na Grã-Bretanha

Apesar do possível vendaval que se aproxima das ilhas Britânicas trazido pelo Brexit, a imprensa britânica não tem tratado desse assunto e vem dando um enorme destaque à recente decisão do príncipe Harry e da sua mulher Meghan Markle, que anunciaram pretender deixar de ser membros séniores da Família Real, passar a ter uma vida normal e a dividir o seu tempo entre a América do Norte e o Reino Unido. Segundo parece, esta decisão do jovem casal está relacionada com o excessivo escrutínio a que está sujeito, tal como a generalidade da Família Real, bem como à forma como os media britânicos tratam os seus comportamentos, recorrendo frequentemente ao sensacionalismo e à mentira.
Na tradição inglesa este caso é sério e a Rainha tratou de convocar uma reunião de emergência que foi chamada a "Sandringham summit", na qual participou o príncipe Carlos, que é o herdeiro da Coroa, bem como os seus dois filhos William e Harry. Através de um comunicado, a Rainha afirmou apoiar a vontade de Harry e de Meghan e de ter ficado acordado um período de transição, pois há muita coisa para acertar em termos de direitos e obrigações.
Porém, alguns periódicos britânicos, como hoje faz o The Independent, preferem seguir uma prátical editorial britânica e publicar fotografias do mau tempo, em vez de falar do Boris, do Harry, da Meghan e de outros figurões, até porque não parecem trazer bom tempo às Ilhas Britânicas. 
A fotografia mostra a fúria do mar ontem em Porthcawl, uma localidade situada a sul de Gales, onde o vento atingiu 90 mph, isto é, cerca de 160 km/hora. É um bom exemplo de fotojornalismo.

domingo, 12 de janeiro de 2020

O grave erro humano e a tragédia do Irão

No passado dia 3 de Janeiro foi assassinado em Bagdade o general iraniano Qassem Soleimani vitimado pelo disparo de um drone americano e, na noite de 7 para 8 de Janeiro, os iranianos retaliaram com 22 mísseis contra duas bases militares americanas no Iraque. 
Quase em simultâneo, um Boeing 737 da Ukrainian International Airlines que fazia o voo comercial PS 572 e que levantara do aeroporto de Teerão há poucos minutos despenhou-se e provocou 176 vítimas, sendo 82 iranianos, 57 canadianos, 11 ucranianos e três britânicos. Houve quem suspeitasse da coincidência temporal entre a retaliação iraniana e o colapso do avião ucraniano, mas as autoridades iranianas negaram qualquer ligação entre estes dois acontecimentos.
Porém, começaram a ouvir-se vozes, sobretudo do primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau, afirmando haver indícios de que o avião ucraniano fora derrubado por projécteis iranianos. Durante três dias foi negada a intervenção do Irão nesta tragédia, até que ontem, dia 11 de Janeiro, o presidente Hassan Rouhani anunciou que a investigação interna levada a cabo pelos militares iranianos concluiu que “mísseis disparados devido a erro humano causaram o horroroso desastre do avião ucraniano”. Hoje, no jornal Tehran Times os militares iranianos assumem responsabilidades pela tragédia, acontecida num ambiente de grande tensão criado pelas circunstâncias e pelas ameaças dos últimos dias, em que o avião terá sido confundido com um míssil hostil pelo que foi abatido.
As forças armadas iranianas já prometeram melhorar os seus sistemas para evitar uma repetição do que sucedeu e as autoridades já afirmaram aceitar a entrada de investigadores internacionais, incluindo peritos da Boeing, tendo disponibilizado as caixas negras do avião aos peritos.
No meio desta tragédia, a atitude de abertura e de assunção de responsabilidades por parte do Irão deve ser destacada e até pode servir de trampolim para algum apaziguamento regional. Por outro lado, aqueles que na rua gritaram "morte à América", agora gritam "abaixo os ayatollahs".

sábado, 11 de janeiro de 2020

Um brilharete do andebol português

O Campeonato da Europa de Andebol ou 2020 European Men's Handball Championship que se disputa em três países (Suécia, Áustria e Noruega) e em seis cidades (Estocolmo, Malmö, Gotemburgo, Viena, Graz e Trondheim), iniciou-se no dia 9 de Janeiro e terá a sua final no dia 26 de Janeiro em Estocolmo. É a 14ª edição desta prova.
A selecção nacional portuguesa participou em cinco das treze edições já realizadas, a última das quais em 2006 e, cerca de catorze anos depois, volta a estar presente numa fase final, o que só por si é um acontecimento relevante no nosso panorama desportivo. Os 24 participantes nesta fase final estão divididos em seis grupos e Portugal ficou colocado no Grupo D, juntamente com a Noruega que joga “em casa” e se classificou em segundo lugar nos dois últimos Mundiais, com a França que venceu esta prova por três vezes, já foi campeã do mundo por seis vezes e ficou em terceiro lugar no último Mundial e, ainda, com a Bosnia Herzegovina. Em termos de lógica desportiva e de peso curricular, os dois apurados deste grupo para passarem à fase seguinte serão a França e a Noruega, dois verdadeiros tubarões do andebol mundial. 
Porém, ontem em Trondheim a equipa portuguesa bateu a selecção francesa por 28-25 e esse resultado vai ficar na história do andebol português, mesmo que os próximos resultados sejam desfavoráveis. O jogo foi transmitido em directo pela televisão e foi realmente um grande espectáculo desportivo, pelo que aqui exprimo o meu aplauso ao andebol português, de que fui um modesto praticante.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Iranianos e americanos vão moderar-se?


Ontem, na sua cidade natal de Kerman, realizaram-se as cerimónias fúnebres do general Qassem Soleimani, nas quais participaram milhares de pessoas vestidas de preto, empunhando cartazes com a fotografia do mártir iraniano e exigindo vingança com os americanos. Porém, devido a um acidente resultante da debandada incontrolada de gente que participava naquelas cerimónias, morreram 56 pessoas e 213 ficaram feridas. Perante esta tragédia o funeral acabou por ser adiado, mas o Irão não perdeu tempo e “satisfez” o desejo de vingança dos iranianos. Poucas horas depois, o Irão atacou com mísseis as bases americanas de Ain Al-Asad e Erbil, no oeste do Iraque, como retaliação pelo assassinato do seu “mártir” Soleimani.
Entretanto a guerra mediática já começou e, enquanto a televisão estatal iraniana avançou que morreram pelo menos 80 “terroristas americanos” no ataque iraniano, o presidente dos Estados Unidos limitou-se a dizer que “até agora, tudo bem”. Entre estas duas peças da guerra mediática, o exército iraquiano que aparentemente é neutral neste conflito, informou que foram disparados 22 mísseis, dos quais 17 para a base de Ain Al-Asad (dos quais dois não deflagraram) e cinco mísseis para a base de Erbil, onde estão instalados militares dos EUA e seus aliados, que atingiram o alvo.
O jornal americano La Opinión que se publica em espanhol na cidade de Los Angeles, destaca na sua primeira página que se iniciaram as hostilidades, mas poderá não ser assim. Todos sabem como uma escalada de conflitualidade naquela região pode ter consequências impensáveis e são demasiados os países neutrais e outros que pedem moderação e contenção às partes. Num eventual conflito naquela área só haverá derrotados e vítimas inocentes. Os americanos eliminaram o seu “inimigo” Soleimani e os iranianos poderão considerar que já se vingaram pois bombardearam duas bases americanas, uma coisa que parece nunca terem feito antes. Pode acontecer que "baixe a temperatura" e que as hostilidades se fiquem por aqui e que um dia destes possamos ver Donald Trump a abraçar Hassan Rohani ou Ali Khamenei, tal como o vimos a abraçar Kim Jong-un, depois de tudo o que dele disse. 

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

A Sagres partiu. Que a viagem seja feliz!

No passado domingo, dia 5 de Janeiro, o navio-escola Sagres largou de Lisboa para a sua quarta viagem de circum-navegação que se prevê demorar 371 dias e que está associada às comemorações do 5º Centenário da Viagem de Fernão de Magalhães.
O navio tem uma guarnição permanente de 142 tripulantes, a que se juntarão em diferentes fases da viagem os cadetes do 2º e 3º anos da Escola Naval para cumprirem as suas curriculares viagens de instrução e, durante a longa viagem, o navio visitará 22 portos em 19 países, percorrendo cerca de 41 mil milhas.
A viagem cumpre diversos objectivos, quase numa lógica de economias de escala, pois associa-se às comemorações do feito histórico de Magalhães e Elcano, marca presença em alguns espaços simbólicos da diáspora portuguesa, divulga a imagem de Portugal nos países visitados e assegura a instrução dos cadetes da Escola Naval. Embora seja muito repetida a afirmação de que o navio-escola Sagres é uma grande embaixada de Portugal ou um ex-libris do nosso país, por ser verdadeira e exacta, tem que ser aqui reafirmada. Serão, como sempre, muitos milhares de visitantes que serão recebidos a bordo do navio português e as suas fotografias correrão mundo através das redes sociais e da imprensa. É, por isso, uma grande jornada de promoção de Portugal no mundo.
Como nota dissonante deste importante evento deve ser salientado que nenhum jornal português destacou a notícia da largada do navio-escola Sagres, ao menos com uma fotografia de primeira página, o que mostra a gritante mediocridade da generalidade da nossa imprensa. Se a partida para uma volta ao mundo tão simbólica não é notícia, então também se espera que, quando o Presidente da República visitar o navio, eventualmente no Japão, não convide para a sua comitiva os jornais e os jornalistas que ignoraram a partida do navio-escola Sagres e escolheram o jogo Sporting-Porto ou a falta de pediatras em Torres Vedras como notícias do dia. A viagem vai ser dura, mas vai ser muito gratificante. Que seja uma viagem feliz!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Continua o imbróglio na Venezuela


Para além das preocupações com a escalada da tensão irano-americana, da impressionante calamidade que são os incêndios na Austrália, da continuação da guerra de contestação ao plano das reformas em França e de outros temas que têm ocupado os mass media, a instabilidade na Venezuela parece ter reentrado no noticiário internacional. Depois de muitos meses em que acompanhamos diariamente a imprensa venezuelana e em que parecia que a normalidade tinha regressado ao país, pois não se ouvia falar de Maduro nem de Guaidó, a Venezuela regressou hoje às primeiras páginas dos jornais da América do Sul e pelas razões do costume, isto é, a luta política entre o regime chavista no poder e a oposição venezuelana encabeçada por Guaidó, mas que está muito fragmentada e fragilizada pela corrupção.
Acontece que, de acordo com a lei venezuelana, deveria realizar-se ontem a eleição da junta directiva da Assembleia Nacional para o período anual de sessões ordinárias correspondente ao ano legislativo de 2020-2021. Porém, sucedeu mais uma “inovação política” neste confronto, pois os deputados da oposição ao regime chavista, incluindo Juan Guaidó, foram impedidos de entrar no edifício do Palácio Legislativo pelas forças policiais chavistas. Resultou daí que os deputados afectos a Maduro que se encontravam no interior desse edifício, escolheram o deputado Luís Parra para presidir à Assembleia Nacional através de um simulacro de votação, enquanto os deputados afectos a Juan Guaidó se reuniram nas instalações de um jornal da oposição e lhe reiteraram o seu apoio. A Venezuela ficou, assim, com um Parlamento e dois presidentes, cada qual com os apoios e os aliados do costume mas, provavelmente, sem a legitimidade que o cargo exige, isto é, continua o grande imbróglio na Venezuela. A imprensa venezuelana ficou calada, provavelmente à espera de ver como as coisas vão correr, mas os jornais dos países vizinhos como El Tiempo, que é o maior jornal da Colômbia e que se publica em Bogotá, destacaram essa notícia.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Qasem Soleimani e a alta tensão no Irão


O assassinato do general Qasem Soleimani tem dominado o noticiário internacional e gerou uma invulgar onda de preocupações, a par de um generalizado apelo para a contenção das partes. Da leitura da imprensa internacional há duas ideias que se destacam: do lado americano a declaração de Donald Trump de que “we took action to stop a war… not to start a war”, enquanto do outro lado se fazem duras ameaças no sentido de que seja vingado o seu herói assassinado. Ambas as ideias pretendem satisfazer as opiniões públicas internas, num caso para reeleger Donald Trump e fazer esquecer o seu processo de impeachment, enquanto no outro se trata de uma reacção à humilhação que foi o assassinato de Bagdad, para dar coesão ao actual regime.
Durante o dia de hoje puderam ouvir-se os comentários de inúmeros especialistas sobre os acontecimentos ocorridos em Bagdad e as suas opiniões quanto ao que pode acontecer nos próximos tempos, mas não se viu ninguém a ter a ousadia de fazer previsões, até porque as políticas americana e iraniana têm sido demasiado errantes naquela região.
Porém, a imagem de capa da edição de hoje do Iran Daily talvez esclareça alguma coisa, pois não é apenas uma homenagem ao general Qasem Soleimani, a quem se atribui o principal mérito pela derrota do Daesh, mas é também um elemento mediático de mobilização popular em torno da figura do mártir e de apoio à “harsh revenge” prometida pelo ayatollah Ali Khamenei. Para continuar a desafiar a América de Trump, o regime iraniano também precisava de ter o seu mártir e foi o próprio presidente dos Estados Unidos que o criou. 
Nesta incerteza, associo-me aos que estão preocupados quanto ao que possa acontecer e, como dizia o outro, previsões só depois do jogo…

Angola e o episódio da Baixa de Cassanje


O Jornal de Angola assinala hoje o Dia dos Mártires da Repressão Colonial, evocando o massacre da Baixa de Cassanje que “abriu caminho para a liberdade” e “inspirou a luta de libertação nacional”.
Aconteceu há 59 anos, no dia 4 de Janeiro de 1961. Os trabalhadores agrícolas das plantações algodoeiras da companhia luso-belga Cotonang, na Baixa de Cassanje, decidiram fazer um protesto contra as suas condições de trabalho, armaram-se de catanas e canhangulos e desafiaram as autoridades portuguesas, destruindo plantações, casas e pontes, num movimento incentivado pela recente independência do ex-Congo Belga, uma vez que os povos do Congo e daquela região de Angola tinham raízes étnicas comuns e, por isso, se os povos do Congo já eram independentes, os povos de Angola também tinham essa aspiração. Os colonos portugueses foram os primeiros a reprimir o protesto, mas as tropas coloniais foram também chamadas e o terrível massacre aconteceu.
Os relatos destes acontecimentos diferem, pois enquanto o Jornal de Angola refere que “foram brutalmente mortos mais de vinte mil camponeses pelas tropas coloniais”, alguns estudos já produzidos concluem que “teria havido entre duzentas e trezentas mortes entre os revoltosos”. Só o rigor da História poderá esclarecer a dimensão deste trágico acontecimento, mas é evidente que a verdade está bem longe dos números que a propaganda anti-colonial então criou e que a soberana República Popular de Angola repete, certamente para estimular os sentimentos de unidade nacional e para manter acesa “a chama gloriosa da independência nacional”.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

A perigosa escalada americana no Irão


Os jornais americanos anunciaram esta manhã que um ataque aéreo americano desencadeado ontem à noite nos arredores da cidade iraquiana de Bagdad, provocou a morte do general iraniano Qasem Soleimani. Esta acção foi de imediato interpretada como uma retaliação pelo recente ataque à Embaixada dos Estados Unidos em Bagdad, levada a cabo por manifestantes e milicianos iraquianos, mas também foi classificada como um assassinato de Estado.
Qasem Soleimani era uma importante figura do regime iraniano e era o comandante da Força Quds, uma unidade especial do Exército dos Guardas da Revolução Islâmica que tem a missão de equipar e treinar movimentos revolucionários islâmicos em países estrangeiros, dependendo directamente do líder supremo, o ayatollah Ali Khamenei. Segundo informa hoje o The Washington Post o general Soleimani estava em Bagdad para desenvolver planos destinados a atacar diplomatas e militares americanos, tanto no Iraque como nas regiões vizinhas, pelo que esta acção teve o objectivo de impedir o desenvolvimento dos eventuais planos de ataque iranianos que Soleimani pudesse estar a preparar. O Irão já confirmou a morte do seu general, atribuindo-a a um “acto de terrorismo internacional” e prometeu vingança contra os Estados Unidos pelo “seu aventureirismo”.
O Iraque parece ser o local da disputa ou do confronto entre o Irão e os Estados Unidos e alguns comentadores internacionais têm afirmado que esta escalada americana e esta iniciativa de Donald Trump são perigosas e podem ser o início de uma guerra de consequências imprevisíveis, pelo que a União Europeia, a Rússia e a China já pediram contenção às duas partes. Actualmente haverá cerca de 5.000 soldados americanos no Iraque com o objectivo de combater o que resta do Daesh e para apoiar as forças de segurança iraquianas, além de algumas centenas de funcionários diplomáticos. Naturalmente, o que se espera desta grave situação é que os ânimos se acalmem.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Os incêndios catastróficos na Austrália

As notícias e as imagens que nos vão chegando da Austrália são muito alarmantes, pois há enormes áreas do continente australiano que estão a arder. É uma grande catástrofe sob todos os pontos de vista. As previsões para os próximos dias são preocupantes pois esperam-se ventos fortes, altas temperaturas e baixa humidade, o que já levou a primeira-ministra da Nova Gales do Sul a declarar que tudo será feito para prevenir o que pode ser "um sábado horrível"
Os incêndios florestais que desde Novembro têm fustigado o país, sobretudo no referido estado de Nova Gales do Sul, onde já foi declarado o estado de emergência, atingiram proporções nunca antes observadas e são, sem dúvida, mais uma expressão das alterações climáticas e do aquecimento global com que se confronta o nosso planeta. É uma catástrofe com uma dimensão por agora inimaginável porque alguns milhões de hectares já arderam, o que representa uma área maior do que a área de países como a Dinamarca ou a Holanda. Segundo revelam as notícias, cerca de 1300 casas já foram reduzidas a cinzas, havendo milhares de pessoas desalojadas e cerca de 50 mil casas estão sem electricidade, além de já terem acontecido quase duas dezenas de mortes. As consequências ambientais também estão a ser uma calamidade em relação ao mundo animal, enquanto os fumos e as cinzas tornaram irrespirável o ambiente das cidades australianas e já chegaram à Nova Zelândia.
Hoje, vários jornais ingleses, nomeadamente The Times, The Guardian, The Daily Telegraph e o Financial Times, publicaram a mesma fotografia da catástrofe australiana, em que se pode ver um canguru a fugir de um cenário de fogo absolutamente apocalíptico.
Essa expressiva fotografia “vale mais do que mil palavras”!

Airbus e Boeing: Europa vence a América

Num período em que a França tem estado sob grande tensão social, quer pela acção dos coletes amarelos, quer pelas greves patrocinadas pelos sindicatos que contestam o plano para unificar o sistema de pensões, os franceses tiveram agora uma notícia que lhe alimenta a auto-estima e o orgulho nacional: a Airbus entregou 863 aviões em 2019 e tornou-se o principal fabricante de aeronaves do mundo, muito à frente da sua rival Boeing, que está a sofrer os efeitos da crise desencadeada pelo Boeing 737MAX, que está proibido de voar e tem a sua produção interrompida. A dimensão do resultado obtido pela Airbus assume maior expressão quando comparada com a Boeing que, de Janeiro a Novembro de 2019, entregou “apenas” 345 aviões.
A produtividade da Airbus aumentou 7,9% em relação a 2018 mas, apesar do esforço feito, a construtora europeia não conseguiu atingir o seu ambicioso objectivo de fazer entre 880 e 890 entregas em 2019. Entretanto, na sua carteira de encomendas estão registados cerca de seis mil pedidos de unidades para satisfazer, o que é um recorde sem precedentes na história da indústria aeronáutica.
Porém, este sucesso da Airbus não resulta apenas da crise por que passa o seu rival mas é, também, uma consequência da sua acertada gestão que descentralizou a produção de Toulouse para Mobile nos Estados Unidos, passando por Tianjin na China e por Hamburgo na Alemanha.
O jornal La Dépêche que se publica em Toulouse, a cidade onde estão os cérebros europeus que enfrentaram (e parece terem vencido) a indústria aeronáutica americana, dedica hoje a sua primeira página a este nº1 mundial. No domínio da tecnologia aeronáutica, a Europa vence a América e, para o Donald, esta notícia deve ser aterradora, até porque é mais uma realidade que mostra que o seu slogan make America great again não está a resultar.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

O ano de 2019 em revista


O ano de 2019 termina hoje e o JTM - Jornal Tribuna de Macau tratou de o passar em revista, destacando na sua primeira página alguns acontecimentos importantes da vida da Região Administrativa Especial de Macau.
A circunstância de se tratar de um dos jornais macaenses que utiliza a língua portuguesa já é relevante, mas essa relevância é acrescida com a publicação das fotografias que, no domínio do património, simbolizam uma importante parcela da herança cultural portuguesa em Macau, isto é,  as fachadas da igreja jesuíta de São Paulo e da Santa Casa da Misericórdia. A revista do ano trata ainda de outros temas e, fotograficamente, destaca a recente visita do presidente Xi Jinping por ocasião das comemorações do 20º aniversário da transferência de Macau da soberania portuguesa para a soberania chinesa, assim como a visita de 21 horas que Marcelo Rebelo de Sousa fez a Macau do dia 30 de Abril para o dia 1 de Maio.
A fotografia do Presidente da República de Portugal é expressiva do seu incontrolado populismo, que é bem maior que a sua alta popularidade. Lá estão as selfies e os abraços a que, por motivos óbvios, faltam as declarações que faz por tudo e por nada, que se tornaram na sua imagem de marca cada vez mais insuportável.
Às suas reconhecidas qualidades pessoais de inteligência, cosmopolitismo e cultura, o Presidente da República tem acrescentado um incontrolado apetite pela popularidade, traduzida num gosto por aparecer e por ser visto, ou de falar para os microfones dos estagiários, que estão a tornar este seu primeiro mandato presidencial numa canseira para quem vê televisão. Era bom que corrigisse esta sua enorme ânsia populista porque nem ele, nem os portugueses, precisam dela. 
O ano de 2019 termina hoje e daqui se deseja um ano de 2020 com paz, progresso e estabilidade para a comunidade, mas também com muita saúde para quem visita a ruadosnavegantes.

domingo, 29 de dezembro de 2019

O futebol e os treinadores portugueses

O diário francês L’Équipe anuncia hoje o despedimento do treinador da equipa de futebol da Association Sportive de Monaco Football Club, conhecida simplesmente como Mónaco. Esse treinador era o português Leonardo Jardim. 
Jardim tem um palmarés futebolístico notável pois já foi campeão na Grécia e em França, mas a escassez de vitórias no clube monegasco ditaram o seu despedimento. No turbulento mundo do futebol os diversos interesses em presença, incluindo os adeptos, os patrocinadores, os investidores e muitos outros agentes que se movem nesse circo, exigem vitórias às suas equipas e quando elas não acontecem os treinadores são despedidos, embora quase sempre com chorudas indemnizações. Curiosamente, embora de sinal contrário, também um jornal brasileiro anuncia hoje a contratação do treinador português Jesualdo Ferreira, o que mostra que a vida dos treinadores de futebol é um corrupio de instabilidade entre contratações e despedimentos, ou entre entradas e saídas.
Porém, estes dois casos recordam-nos que os treinadores de futebol portugueses estão na moda e são contratados um pouco por todo o mundo. Tanto quanto julgo saber há treinadores portugueses em França, na Inglaterra, na Itália, na Grécia, na Eslováquia, na Lituânia e na Ucrânia, mas também no Brasil, no México e  na Colômbia. Depois, também encontramos treinadores de futebol portugueses na China e na Coreia do Sul, na Arábia Saudita e no Qatar e, ainda, em Moçambique, Cabo Verde, Camarões e Argélia. Portanto, há pelo menos 18 países onde trabalham treinadores de futebol portugueses de primeiro plano. 
É claro que Portugal goza hoje de uma mais notoriedade e melhor imagem nos países onde estes treinadores trabalham e, naturalmente, também se espera que a economia portuguesa tire algum proveito da eventual importação de capitais, como contrapartida desta exportação de talentos.

sábado, 28 de dezembro de 2019

Exercícios navais do Irão, Rússia e China


A edição de hoje do diário Iran Daily anuncia com grande destaque que modernos navios do Irão, da Rússia e da China saíram do porto iraniano de Chabahar, iniciando quatro dias de exercícios navais no mar de Oman e na área norte do oceano Índico, com o objectivo de “melhorar a segurança do comércio marítimo internacional e combater a pirataria e o terrorismo”. O exercício foi baptizado com o nome de código Marine Security Belt e, segundo foi anunciado, vai incluir diversos exercícios tácticos, como tiro ao alvo, resgate de navios assaltados, combate a incêndios e outros exercícios combinados, mas na realidade trata-se de uma grande operação de comunicação em que a Rússia e a China mostram ao Ocidente e ao mundo que são aliados do Irão e que “o Irão não pode ser isolado”.
Para os Estados Unidos e para a sua política errática na região do Golfo este exercício multinacional conjunto mostra que, de facto, já existe uma coligação militar de apoio ao Irão e que a influência militar americana na região já não é o que era. Por isso, a repetida intenção de Donald Trump de hostilizar a República Islâmica do Irão e as suas frequentes ameaças de desencadear um ataque contra o seu território e as suas eventuais instalações de produção de engenhos nucleares, foram fortemente abaladas com a realização deste exercício e com a formalização desta forte aliança, sendo considerado que a diplomacia americana falhou no seu propósito de isolar internacionalmente o Irão, tal como falhara na tentativa de controlar a guerra na Síria. Porém, o que não deixa de ser preocupante para a paz no mundo é a forma como todos os grandes interesses se posicionam no Médio Oriente e no Golfo.

Jair Bolsonaro e a violência no Brasil


A escolha que os brasileiros fizeram para ocupar o Palácio do Planalto e servir o país como presidente tem-se revelado muito controversa ou errada, porquanto os estudos de popularidade mostram que 38% da população considera que Jair Bolsonaro e o seu governo são maus ou péssimos e que só 29% o consideram bom ou óptimo. Esta queda na popularidade de Jair tem-se acentuado nos últimos meses e a notícia agora divulgada pelo jornal O Globo sobre os registos para posse de armas de fogo vai certamente acelerar essa queda de popularidade.
Esses registos aumentaram 48% durante os primeiros onze meses do governo de Jair Bolsonaro, passando de 47,6 mil registos em 2018 para 70,8 mil registos desde Janeiro até Novembro de 2019, significando o registo médio de cinco armas de fogo em cada hora. Esse número só não é mais elevado porque o elevado preço de uma pistola ou revólver não é comportável com o poder de compra da maioria da população brasileira.
Os brasileiros armam-se e correm o risco de fazer do país um Far West dos tempos modernos em que tudo se resolve a tiro. É um enorme recuo civilizacional. A liberalização da posse e do porte de armas foi uma das promessas da campanha eleitoral de Bolsonaro em 2018, para reduzir a violência no Brasil… um país em que, segundo o Fórum de Segurança Pública, se verificaram 57.341 assassinatos nesse mesmo ano de 2018. Com as medidas tomadas pelo governo de Bolsonaro e a proliferação de armas que agora se verifica também a preocupação da população brasileira cresce em relação ao aumento da violência num país, onde a insegurança e a taxa de homicídios é muito elevada.
O Brasil merecia uma orientação que privilegiasse a harmonia e não o confronto.