sexta-feira, 11 de junho de 2021

A festa do EURO 2020 começa em Roma

O Campeonato da Europa de Futebol de 2020 ou 2020 UEFA European Football Championship, que foi adiado devido à pandemia, vai começar hoje e irá decorrer até ao dia 11 de Julho. Hoje, muitos jornais europeus assinalam o arranque deste UEFA EURO 2020 (ou 2021), destacando-se o jornal Le Parisien que, em vez de incitar os jogadores a ganhar como faz quase toda a imprensa, trata de dedicar a sua capa à festa. Simplesmente à festa. É isso mesmo, que la fête commence!
Visto nessa perspectiva, por certo que a competição vai ser mais interessante e que nos vai ajudar a recuperar dos traumas culturais que a pandemia nos trouxe.
São 24 equipas nacionais, 31 dias de competição e 51 jogos a disputar em 11 cidades – Amesterdão, Baku, Bucareste, Budapeste, Copenhaga, Glasgow, Munique, São Petersburgo, Sevilha, além de Roma, onde hoje começa o torneio com o jogo Itália-Turquia, e de Londres, onde terminará o campeonato. Em todos os estádios serão permitidos adeptos, embora com as suas lotações mais reduzidas do que o habitual.
Nestas alturas, muitos revelam as suas ambições e a sua confiança num bom resultado. Há os favoritos do costume. E a equipa portuguesa também faz parte desse grupo. Então, que esteja à altura das circunstâncias e que, para alegria de todos os portugueses, possa revalidar o seu título de Campeão da Europa que ganhou numa final em Paris em 2016.
As televisões irão transmitir muitos jogos e espera-se que tenhamos bons espectáculos para nos ajudarem a vencer a situação pandémica que ainda atravessamos e, se possível, com o espírito de festa que interessa nestas coisas.

terça-feira, 8 de junho de 2021

Perder no futebol não é drama nenhum

A selecção nacional de futebol participou no passado domingo na final da UEFA European Under-21 Championship e, se tivesse ganho, esse facto seria certamente aqui salientado. Porém, foi a equipa alemã que ganhou por 1-0, mas o comportamento dos jovens futebolistas portugueses merece ser salientado porque são talentosos, lutaram com entusiasmo e deles se poderá dizer que aquilo é que é jogar futebol.
Na fase preliminar ultrapassaram a Holanda, a Noruega, a Bielorússia, o Chipre e Gibraltar e, na fase final, derrotaram a Croácia, a Suiça e a Inglaterra. Depois veio a Itália e a seguir a Espanha. Portugal ganhou o direito a estar na final e bateu-se muito bem, mas não conseguiu vencer a poderosa Alemanha. Foi a terceira vez que a selecção portuguesa perdeu uma final destas, depois de já ter perdido essa mesma final em 1994 para a Itália e em 2015 para a Suécia. O jornal O Jogo chamou a estas três derrotas a dramática trilogia, mas não é caso para considerar que estas derrotas sejam dramáticas. De forma nenhuma. Até aconteceu que a UEFA escolheu um português como o melhor jogador do campeonato (Fábio Vieira), um golo português - por acaso em pontapé de bicicleta - como o melhor do campeonato (Dany Mota) e colocou cinco portugueses na equipa europeia ideal do torneio (Diogo Costa, Diogo Queirós, Fábio Vieira, Vitinha e Dany Mota). Já lá vai o tempo em que perdíamos sempre e que só tínhamos vitórias morais. Agora é bem diferente e até ganhamos algumas vezes, como aconteceu em Paris em 2016 quando o improvável Éder marcou um golo à França, mas não é drama nenhum quando se perde uma final futebolística. É apenas triste.

segunda-feira, 7 de junho de 2021

As comemorações do D-Day na Normandia

O jornal The Times tal como outros jornais ingleses e americanos, destaca na sua edição de hoje as comemorações do 77º aniversário do desembarque na Normandia, que a História consagrou como o Dia D, relatando os vários eventos realizados em homenagem aos 160 mil soldados americanos, ingleses e canadianos que participaram na Operação Overlord ou no dia mais longo. A operação também envolveu mais de cinco mil navios e onze mil aeronaves que, sob o comando do general Dwight Eisenhower, iniciaram a libertação da França. A operação decorreu ao longo de cerca de oitenta quilómetros da costa fortemente fortificada da Normandia e foi um grande sucesso que marcou o definitivo recuo das tropas nazis.
Os eventos comemorativos são sempre muito diversos e incluem visitas a memoriais e cemitérios, bem como desfiles e reconstituições da batalha, sendo promovidos pelas autarquias da região e por associações de antigos combatentes. Porém, a lei da vida faz com que sejam cada vez menos os antigos combatentes que participam nestas homenagens e as restrições impostas pela pandemia reforçam essas circunstâncias, embora as comemorações do D-Day continuem a ser uma grande acontecimento para o turismo da região.
O jornal também destaca nesta sua edição o caos que se verificou ontem nos aeroportos portugueses, em especial no Algarve, com milhares de turistas apressados a abandonar o país, devido às decisões britânicas de retirar Portugal da lista verde ou do corredor aéreo de viagens. Assim, a partir de amanhã, os turistas ingleses passam a ficar obrigados a quarentena quando regressam ao seu país e, por isso, uns fugiram e outros cancelaram as suas reservas. Foi um duro soco no estômago do sector turístico nacional e, segundo parece, foi apenas uma intervenção de política económica e deveu-se apenas à necessidade britânica de intervir no reequilíbrio da sua balança comercial.

sábado, 5 de junho de 2021

A defesa da língua e da cultura portuguesa

Parece que há portugueses espalhados por todo o mundo e que são respeitados e influentes nos países de acolhimento. De uma forma geral, eles mantém laços fortes com o solo pátrio ou com a terra natal, conservando muitas das suas tradições culturais através das festividades e das práticas religiosas, do convívio gastronómico, da paixão pelo futebol e do culto da saudade. Nas suas casas haverá uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, come-se bacalhau e presunto, ouve-se o fado e vivem-se intensamente as transmissões dos jogos da selecção portuguesa de futebol.
Porém, estamos cada vez mais na aldeia global. É um tempo em que há uma segunda geração de portugueses na diáspora que se insere mais intensamente nas comunidades de acolhimento e que adopta os seus comportamentos culturais. É também um tempo que a informação escrita tende a ser substituída pela informação televisiva e digital, havendo um enorme risco dessa geração perder as suas referências culturais lusitanas, sobrando-lhes pouco mais que um apelido de origem portuguesa como Silva, Santos ou Costa. Apesar disso, ou por isso, continuam a ser publicados jornais em português em países tão diversos como o Canadá e a Alemanha, a Austrália e a França, a África do Sul ou a Suiça. Um desses jornais é o Sol Português que se publica todas as sextas-feiras em Toronto e que reivindica ser o maior jornal de língua portuguesa no Canadá. A sua edição de ontem apresenta-se com uma sugestiva capa, ilustrada com uma interessante composição gráfica, em que saúda o Dia de Camões e das Comunidades Portuguesas e transcreve um extracto do poema A Alma Lusa - Saudade, Pinhal e Mar de José Ribeiro de Sousa.
Aqui se saúda o Sol Português pela sua iniciativa, pela sua actividade e pelo seu labor em prol da preservação da cultura portuguesa no Canadá.

terça-feira, 1 de junho de 2021

Sobe a tensão entre a Espanha e Marrocos

A ligação histórica entre os reinos de Espanha e de Marrocos é muito antiga e muito intensa, pois os marroquinos ocuparam o sul de Espanha durante vários séculos, enquanto os espanhóis têm uma longa tradição de presença colonial em território marroquino, de que ainda resta a sua soberania sobre as cidades de Ceuta e Melilla, o que naturalmente não agrada aos marroquinos, tal como a presença inglesa em Gibraltar não agrada aos espanhóis.
O reino de Marrocos tornou-se independente em 1956 depois de ter sido tutelado pela França e pela Espanha, tendo-se transformado num grande país, embora viva com o complexo de ter um vizinho maior, mais populoso e mais rico. O seu soberano é Mohammed VI que, com 57 anos de idade e 22 anos de poder, acumulou uma das maiores fortunas do mundo e se mostra insaciável na acumulação de riqueza, enquanto a população marroquina é muito pobre, há enormes desigualdades sociais e a estabilidade social resulta de forte repressão política e policial.
O rico soberano de Marrocos poderia ter outras aspirações para além de acumular fortuna, como por exemplo a liderança do islamismo ou a sua pacificação com o ocidente, mas de vez em quando parece querer desafiar a Espanha e a sua paciência. Antes foi a ocupação da ilha de Perejil, um rochedo desabitado que se situa a poucos metros da costa marroquina, agora foi a “invasão” de Ceuta por alguns milhares de migrantes “contratados”. Como pano de fundo, estão Ceuta e Melilla, mas também o Sara Ocidental, um território três vezes maior que Portugal e que a Espanha ocupou até 1975, mas que as Nações Unidas não reconhecem como território marroquino mas que é ocupado pelas tropas de Mohammed VI. 
Hoje, o jornal canário Diário de Avisos de Santa Cruz de Tenerife, publicou as fotografias do rei de Marrocos e de Pedro Sánchez, dizendo que Marrocos e a Espanha esticam a corda pelo Sara Ocidental. A capa do jornal bem pode valer mais do que mil palavras…

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Angola e a via da reconciliação nacional

Segundo destacou o Jornal de Angola, no passado dia 26 de Maio o Presidente João Lourenço surpreendeu os seus concidadãos e os amigos de Angola, ao pedir perdão em nome do Estado angolano pelas execuções sumárias levadas a cabo após o alegado golpe de 27 de Maio de 1977. Com esse gesto inédito e corajoso, o Presidente quebrou um tabu de décadas, pois o regime de José Eduardo dos Santos sempre tinha silenciado o assunto e tinha combatido aqueles que com insistência reclamavam a verdade, com base num sectarismo ideológico e numa postura ditatorial que nem sempre foi denunciada pela imprensa, nomeadamente a imprensa portuguesa, que quase sempre pactuou com o regime e se calou para evitar conflitos com as autoridades angolanas.
Agora, conforme foi salientado nas palavras presidenciais, o pedido público de desculpas e de perdão não correspondem a um conjunto de palavras vazias, mas reflectem um “sincero arrependimento” e uma vontade forte de promover a reconciliação interna de todos os angolanos. A cerimónia de homenagem às vítimas do 27 de Maio foi transmitida pela Televisão Pública de Angola e serviu para entregar certidões de óbito aos familiares de algumas vítimas, seguindo-se agora o processo de localização dos restos mortais das figuras envolvidas nessa alegada tentativa de golpe, que dividiu o povo e o Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA), no poder desde a independência proclamada em 1975.
O Presidente João Lourenço teve o grande mérito de abrir um caminho que esteve bloqueado durante cerca de 44 anos, mas ainda há um importante trabalho a fazer na busca da verdade, investigando o que se passou, identificando quem violou os Direitos Humanos e responsabilizando aqueles que deram ordem para que os chamados fraccionistas fossem executados. 

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Política e multiculturalidade no Canadá

O Canadá é um país com elevado nível de desenvolvimento, que é atribuido à paz social e aos sentimentos de cooperação e de unidade entre os canadianos mas, apesar disso, mantém um conflito sociopolítico e territorial com a sua província do Quebec que, durante muitos anos, tem mantido uma atitude nacionalista e culturalmente de matriz francesa, oscilando entre as ideias de federalismo e de independência.
Até meados do século XVIII os territórios franceses no continente americano que constituíam a Nova França eram muito extensos e superavam largamente os territórios das treze colónias inglesas do litoral. Porém, com a Guerra dos Sete Anos (1756-1763) a Grã-Bretanha tomou posse daqueles territórios, embora tivesse havido muitas tensões e protestos dos colonos franceses contra as novas autoridades. Pela Lei do Quebec, promulgada em 1774, a Grã-Bretanha aceitou oficialmente a língua francesa, a religião católica e o Direito romano, pelo que as tensões com as comunidades de origem francófona se diluíram com o tempo.
Porém, quando em 1967 o General De Gaulle visitou o Canadá a propósito da Expo 67, proferiu um histórico discurso na varanda da Prefeitura de Montreal em que se dirigiu a uma grande multidão, tendo pronunciado a frase Viva o Quebec livre!.
Desde então, os sentimentos autonomistas e as rivalidades com a cultura anglófona dominante no país têm permanecido muito activas no seio da comunidade francófona, embora dentro de um sentimento de unidade nacional apesar da enorme multiculturalidade canadiana. Porém, algumas franjas sociais parecem apostar em ideias separatistas e exigem agora uma alteração à Constituição, que reconheça o Quebec como uma nação, talvez como primeiro passo para outras reivindicações. Hoje, o jornal National Post dedicou parte da sua edição a essa ideia.

sábado, 22 de maio de 2021

Acontecimentos e cessar-fogo em Gaza

Depois de onze dias de grande intensidade bélica, funcionou a intervenção diplomática egípcia e das Nações Unidas, entre outras, tendo entrado em vigor um cessar-fogo na Faixa de Gaza e não se tendo até agora registado quaisquer violações. As duas partes festejaram e gritaram vitória e, enquanto observador desta situação, pergunto se alguém ganhou com esta guerra que provocou 232 mortos em Gaza e doze em Israel, além de muitas centenas de feridos e de enormes destruições materiais.
A Palestina vive com dois governos: um que foi eleito e governa na Cisjordânia (Autoridade Nacional Palestiniana) e outro que se impõe pelas armas na Faixa de Gaza (Hamas), enquanto Israel é governado por uma coligação de direita em torno do partido conservador Likud de Benjamim Netanyahu, que teve grande apoio de Donald Trump e tem sido frequentemente acusado de ser corrupto. Tanto o Likud como o Hamas têm grandes apoios internacionais e são os representantes máximos da rivalidade e da beligerância israelo-árabe.
Passados onze dias parece que ainda não sabemos bem o que se passou, porque nos são contadas duas histórias bem diferentes. Por um lado, vimos pela televisão a brutalidade dos ataques aéreos israelitas e a tragédia humanitária que atingiu as populações na Faixa de Gaza, mas por outro não nos foram mostrados os efeitos dos rockets lançados pelo Hamas sobre o território israelita. Ficamos a pensar que foi um confronto desproporcionado, que Israel conseguiu os seus objectivos e o que o Hamas foi massacrado. Porém, quando o jornal Tehran Times, na sua edição de hoje anuncia a vitória dos seus protegidos do Hamas e critica o apoio cego dos Estados Unidos aos israelitas, ao mesmo tempo que afirma que o cessar-fogo livrou Netanyahu de uma derrota humilhante, ficamos na dúvida sobre o que se passou. São duas narrativas opostas para os mesmos acontecimentos. Cada um conta a sua história e a imprensa não consegue ser neutra, nem informar com rigor, alinhando com quem mais lhe interessa.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Marrocos em desafio à cidade de Ceuta

Nos últimos dias e em especial na passada segunda-feira, o território de Ceuta mas também o território de Melilla, foram alvo de uma invulgar entrada de migrantes ilegais provenientes de Marrocos.
Ceuta e Melilla são duas cidades espanholas encravadas no território marroquino e são as duas únicas fronteiras terrestres da União Europeia com África. O seu historial como centros de atracção de imigração ilegal foi sempre muito importante, mas o que aconteceu agora não tem precedentes, pois cerca de oito mil pessoas, a nado ou a pé, atravessaram a fronteira, sem que a polícia marroquina as travasse como era seu dever.
Acontece que, por motivos humanitários, em finais de Abril a Espanha recebeu Brahim Gali, o líder da Frente Polisário e presidente da República Árabe Sarauí Democrática, para ser tratado pois fora infectado por covid-19Marrocos não gostou e resolveu retaliar, tendo “organizado” esta “invasão” provocatória. Donald Trump tinha reconhecido a soberania marroquina sobre o território do Sara Ocidental, contrariando a posição oficial da ONU que o define como “um território não autónomo pendente de descolonização”. Desde então, a pressão marroquina sobre a União Europeia e sobre a Espanha, intensificou-se para que sigam o exemplo norte-americano.
Segundo as autoridades espanholas, cerca de 70% dos “invasores” foram imediatamente repatriados para Marrocos sem levantar quaisquer dificuldades, o que sugere que tinham sido contratados para esta acção. Entretanto, como mostrou hoje o jornal El Pueblo de Ceuta, a população de Ceuta organizou grandes manifestações de protesto e de espanholismo, pois teme que as acções dos últimos dias sejam um ensaio para outras acções que, em último grau, visariam a expulsão espanhola daqueles enclaves.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Palestina: guerra, violência e destruição

Israel e a Palestina, ou judeus e muçulmanos, estão uma vez mais em guerra pelo que muitas vidas são perdidas, há uma brutal onda de destruição e fica mais distante uma paz duradoura na região.
Conhecemos as razões históricas que alimentam o conflito entre Israel e a Palestina e as razões que dificultam a coexistência das duas comunidades. Conhecemos a Resolução 181 de 29 de Novembro de 1947, em que a Assembleia Geral das Nações Unidas estabeleceu a divisão daquele território em dois Estados, um árabe e um judeu. Conhecemos as guerras em que se envolveram em 1948, em 1967 e em 1973, bem como os apoios internacionais que cada uma das partes recebeu. Conhecemos as frequentes provocações que cada um destes Estados tem feito ao outro. Conhecemos a obsessão israelita em conquistar espaço territorial aos seus vizinhos. Conhecemos os riscos que este conflito pode trazer à estabilidade e à paz mundial. Conhecemos tudo isso e, pela televisão, assistimos à brutalidade da intervenção israelita que o jornal argelino El Watan classifica como barbárie.
Os bombardeamentos israelitas têm exibido um enorme nível de destruição, arrasando edifícios e outras infraestruturas na martirizada faixa de Gaza, um pequeno território de 365 km2 onde vivem dois milhões de seres humanos.
Pela primeira vez desde o início da actual crise e sob fortes pressões internas, Joe Biden veio anunciar que apoia um cessar-fogo entre as duas partes, mas Benjamin Netanyahu continua a ordenar que a faixa de Gaza seja intensamente bombardeada. Não há sinais de acalmia, a diplomacia não está a ter os resultados que se desejavam e no terreno continua “la barbarie israélienne”.

sábado, 15 de maio de 2021

A ilha do Pico a despertar para o turismo

Na sua edição de hoje o jornal Público decidiu homenagear a ilha do Pico e, naturalmente, para quem como nós costuma estar e actualmente está na ilha, esta divulgação feita num órgão de comunicação nacional de referência é mesmo um grande acontecimento. Porém, é preciso muita ponderação para analisar esse acontecimento, porque numa altura em que há importantes ocorrências em Portugal e no mundo, pode questionar-se por que razão terá um tão prestigiado jornal escolhido uma fotografia da ilha do Pico para ilustrar toda a largura da sua primeira página. Essa fotografia, em que os elementos dominantes são o mar e a montanha mais alta de Portugal, aparece apenas como uma chamada de atenção para os textos incluídos no seu suplemento Fugas, o que é jornalisticamente um exagero.
Nesse suplemento encontram-se textos muito bem escritos e bem ilustrados, destacando-se a referência a Paulo Afonso, um grande campeão de caça submarina que o país não conhece. Porém, embora qualquer reportagem jornalística tenha que fazer opções temáticas, verificamos que a generalidade dos temas foram “cirurgicamente” escolhidos, mostrando as facetas turísticas picoenses que a ATA – Associação de Turismo dos Açores escolheu ou sugeriu que fossem tratados.
Portanto, embora me agradasse ter visto a ilha do Pico referida na primeira página de um jornal de referência, o facto é que o suplemento Fugas acolheu uma verdadeira publireportagem, que uma qualquer agência de viagens ou de comunicação poderia fazer para promover um destino turístico. Podia fazê-lo? Sem dúvida. Porém, a fotografia de primeira página de que tanto gostei, é uma enorme gaffe jornalística.
Portanto, o Público errou. 

A escalada bélica em terras da Palestina

O conflito entre Israel e a Palestina é muito antigo e, de vez em quando, agudiza-se. 
Na sequência de mútuas provocações, assim está a acontecer mais uma vez, agora com um impressionante nível de brutalidade e de destruição, que nos é mostrado nas imagens exibidas diariamente pelas cadeias de televisão de todo o mundo. Da mesma forma, também a imprensa internacional dá notícia da gravidade dos acontecimentos que estão a passar-se naquela região, sendo o jornal Libération um dos que lhe dedicou mais atenção. 
As duas partes têm anunciado a sua irredutibilidade para cessar as suas agressões, procurando assegurar o apoio das suas populações, mas não têm evitado condenáveis excessos. Porém, no caso das forças israelitas não se trata apenas de atacar alvos de interesse militar, mas de provocar destruições em larga escala como acontece com torres habitacionais que são arrasadas, sem outro objectivo que não seja a desmoralização palestiniana e a sua humilhação. 
É enorme a desproporção das forças em presença e o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu tem afirmado que continuará a ordenar ataques contra as milícias palestinianas em Gaza, bem como a eliminação selectiva da liderança militar do Hamas, além de admitir que vai invadir os territórios controlados pela Autoridade Nacional Palestiniana. É a guerra total. É preciso travá-la de imediato. Exige-se um esforço diplomático para travar esta escalada antes que outras forças se solidarizem com as partes em guerra e que este conflito alastre a todo martirizado Médio Oriente. 

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Já mexe a corrida presidencial no Brasil

O jornal Folha de S. Paulo publicou na sua edição de hoje a primeira sondagem relativa às eleições presidenciais brasileiras que se realizarão em 2022, quando são decorridos cerca de dois meses desde que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuperou os seus direitos políticos e pode candidatar-se à Presidência da República Federativa do Brasil. O resultado é surpreendente e revela o estado de cansaço político e de angústia social a que chegaram os brasileiros. Assim, segundo a sondagem, na corrida eleitoral para a presidência em 2022, o ex-presidente Lula da Silva recolhe 41% das intenções de voto, enquanto o actual presidente Jair Bolsonaro se fica por 23%, isto é, há 18 pontos percentuais de diferença entre eles. Outros possíveis candidatos como os ex-ministros Sérgio Moro e Ciro Gomes recolhem 7% e 6% das intenções de voto. A sondagem também avaliou as intenções de voto numa segunda volta e verificou que Lula da Silva derrota todos os outros candidatos, vencendo Bolsonaro por 55% a 32%.
A mesma sondagem mostra que Bolsonaro tem o mais baixo nível de apoio desde que assumiu a presidência em 2019 e, actualmente, apenas 24% dos brasileiros acha que o seu governo é bom ou óptimo. “Há quase 30 meses no posto, ele tem menos apoio do que Dilma Rousseff, Lula, Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco em momento similar”, salienta a Folha de S. Paulo.
Ainda falta muito tempo e por agora estamos apenas com sondagens, mas parece que estão abertas boas perspectivas para que o Brasil possa escolher um novo presidente que prestigie o país junto da comunidade internacional e promova políticas que melhorem a vida dos brasileiros.  A sondagem foi feita pela prestigiada Datafolha, um instituto de pesquisas privado que realiza estudos estatísticos, de opinião e de mercado, bem como sondagens eleitorais, pelo que a sondagem agora conhecida tem toda a credibilidade. 

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Ganhou o melhor. Viva o Sporting!

Quando ainda faltam duas jornadas para acabar a edição de 2020-2021 da Primeira Liga ou Liga NOS, organizada pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional, a equipa do Sporting Clube de Portugal assegurou a vitória na competição. Depois de 19 anos em os campeões foram o FC Porto (11 vezes) e o SL Benfica (7 vezes), o Sporting foi o campeão. Os sportinguistas esperaram muitos anos por esta vitória e, porque marcaram mais ou sofreram menos golos, foram uns justos vencedores. Os adeptos festejaram e quando se vê tanta gente contente, todos temos que nos regozijar.
Porém, para quem gosta do espectáculo futebolístico e da prestação artística dos jogadores, que o mesmo é dizer, para quem gosta de futebol, a tradicional condição de adepto vai desaparecendo. O adepto é uma coisa do antigamente, do tempo do “amor à camisola” e dos jogadores que eram símbolos dos clubes, bem como do tempo em que as transferências de jogadores eram raras e quase não havia estrangeiros. Modernamente, o futebol tornou-se um negócio de muitos milhões onde convergem demasiados interesses, enquanto o objectivo do espectáculo deixou de ser jogar bem, para passar a ser a procura da vitória a qualquer preço, enganando os árbitros e simulando lesões. As cores das camisolas deixaram de ser um sinal de identidade do grupo e os jogadores tornaram-se mercadorias a quem se pagam fortunas. Os dirigentes vivem em quase concubinato com os políticos, em busca de projecção social, de poder, de dinheiro e de votos. Os antigos adeptos degeneraram e deram lugar às claques, uma tribo de eufóricos ou indisciplinados, que exterioriza tensões de todo o tipo, nem sempre pacíficas. O futebol está assim. São sinais dos tempos. Não demorará que, à semelhança do que já acontece com o ciclismo e até com o basquetebol, acabem os clubes de futebol como os temos conhecido.
Por isso, admiro-me pela forma desproporcionada como toda a imprensa portuguesa destacou este acontecimento futebolístico, apesar de me regozijar pela alegria dos muitos milhares de portugueses que esperaram 19 anos por este sucesso.

Mais de 70 anos de tensão na Palestina

A fotografia que ilustra a primeira página da edição de hoje do The Washington Post é a mesma que foi escolhida por outros grandes jornais internacionais como o The New York Times, o Le Monde, o El País e o The Daily Telegraph, entre outros, mostrando espessas colunas de fumo resultantes de um ataque aéreo israelita sobre a área urbana da faixa de Gaza. Essa fotografia é a imagem de marca da tensão entre israelitas e palestinianos que, nos últimos dias, recrudesceu com uma intensidade que não acontecia há muitos anos. 
O conflito israelo-palestiniano é muito antigo, mas acentuou-se a partir de 1948 com a decisão das Nações Unidas de dividir o território da Palestina em dois estados, um para os judeus e outro para os árabes. Porém, houve logo uma guerra em que os israelitas derrotaram egípcios, jordanos e sírios, daí resultando a declaração de independência do estado de Israel. As fronteiras então reconhecidas internacionalmente não satisfizeram as duas partes e têm provocado sempre grandes tensões, por vezes muito violentas. De um lado estão os judeus ávidos de espaço e que têm ocupado alguns territórios palestinianos para estabelecerem colonatos e zonas de segurança, enquanto os palestinianos acusam os israelitas de usarem a força e violarem os seus direitos históricos e sociais. Para além deste conflito territorial à uma brutal rivalidade religiosa. 
De vez em quando a tensão agudiza-se a partir do binómio agitação/violência e assim acontece desde há várias semanas. Nunca se sabe exactamente como é que as coisas começam mas o Hamas, que controla a faixa de Gaza, anunciou que “vamos cumprir a nossa promessa de lançar um ataque massivo de foguetes contra Tel Aviv e arrabaldes, como resposta ao ataque inimigo contra torres residenciais”. As duas partes já anunciaram centenas de disparos – o Hamas já terá disparado 400 foguetes contra Israel, enquanto a aviação israelita anunciou ter atingido 150 alvos em Gaza. A violência já causou dezenas de mortos e as Nações Unidas, os Estados Unidos e a União Europeia já instaram as duas partes a interromper esta escalada.