domingo, 12 de maio de 2013

WTC: on top of the world

Diversos jornais americanos, incluindo uma edição especial do Daily News, destacaram hoje que o One World Trade Center (1WTC) – também chamado Freedom Tower – o arranha-céus que está a ser construído em Nova York no local onde antes existiram as Torres Gémeas destruídas pelo ataque de 11 de Setembro de 2011, recebeu na passada sexta-feira a sua estrutura superior ou pináculo, tendo atingido a projectada altura de 1776 pés (541,3 metros).
Tinham passado 4259 dias desde a data da tragédia de 2011 e cerca de sete anos sobre a data da colocação da primeira pedra da nova torre, quando o pináculo de 408 pés de altura (124 metros) e 758 toneladas, que servirá como antena de radiodifusão, foi colocado no topo do edifício, numa operação transmitida em directo por algumas estações televisivas.
Este acontecimento constituiu um momento simbólico para os americanos, significando a sua capacidade de resistência e a vontade de ultrapassar o trauma daquela tragédia, mas também exprime a forma concreta e determinada como enfrentam colectivamente os desafios das suas catástrofes naturais ou outras. A altura total da torre do 1WTC apenas é superada por dois outros arranha-céus no mundo: o Burj Khalifa nos Emirados Árabes Unidos com 829 metros de altura e o Mecca Royal Clock Tower Hotel na Arábia Saudita com 601 metros de altura.

sábado, 11 de maio de 2013

Relançamento da economia e do emprego



À medida que a crise europeia se propaga a mais países e que a terapêutica da austeridade se tem revelado incapaz de outra coisa que não seja o aprofundamento da própria crise, criando mais recessão e mais desemprego, fragilizando a coesão social e lançando milhões de pessoas no desespero, surgem vozes de novos quadrantes a condenar os rumos da austeridade que têm sido adoptados na Europa. Ao discurso do controlo do défice e da redução da dívida, está a suceder o discurso do crescimento económico e do emprego, ao mesmo tempo que se vai formando uma frente anti-austeridade que está a unir a França, a Itália e a Espanha. 
Numa entrevista hoje publicada no Jornal de Notícias, o presidente do BES afirma nunca ter visto uma crise tão destruidora de emprego e de riqueza, o que é natural porque, com a grave situação económica e social por que passamos, o negócio da banca também já não é o que era. Nessa entrevista, aquele banqueiro aponta algumas orientações para o relançamento da economia portuguesa, afirmando que “estas medidas violentíssimas no IRS e no IVA têm que regredir” e que “poderia ter sido evitada a cavalgada do IVA para as empresas de restauração que absorviam muito emprego”, mas referindo também “o desânimo dos empresários” e a necessidade de um “nível fiscal atraente para o capital estrangeiro”. É curiosa esta opinião de um banqueiro, a mostrar que há outros caminhos para o nosso país que vão para além do servilismo dos nossos governantes aos funcionários da troika e aos seus mandantes.

Impostos: eles não sabem o que querem

Este governo já mexeu 65 vezes nos impostos, é o sugestivo título da edição de hoje do Diário de Notícias, a denunciar como o governo navega à vista. A notícia refere que este governo tem agravado a carga fiscal às empresas e às famílias, sobretudo através do IRS, do IRC, do IVA e do IMI, com a justificação de que essas mudanças resultam dos compromissos do memorando da troika e da necessidade de corrigir a evolução da receita.
A estratégia de equilíbrio orçamental passava por fazer dois terços do ajustamento do lado da despesa, mas tem sido feito exactamente o contrário, daí resultando uma brutal quebra de rendimento das pessoas e das empresas e uma instabilidade fiscal inaceitável. Quando há dois anos eles ganharam as eleições, o discurso eleitoral negava a existência de uma crise internacional desde meados de 2007 e dizia que a redução do défice assentava no “corte das gorduras do Estado” e que “o aumento de impostos era um disparate”. Afinal, eles não tinham estudado, enganaram os eleitores e depois foram buscar uns fundamentalistas estrangeirados e ignorantes para tomarem conta das contas.
Diz o Diário de Notícias que neste período foram feitas cerca de duas centenas e meia de alterações fiscais, nas quais se incluem pelo menos 65 que visaram um agravamento de impostos pela subida de taxas, redução das deduções e benefícios, diminuição dos limites de isenção e aumento de coimas. A coisa começou com a sobretaxa extraordinária de IRS, passou pelo corte e subsídios e não parou mais. Com dois anos desta política cega, começam agora a ouvir-se vozes afectas aos círculos governamentais que falam em direitos sociais, em limites à austeridade e a sugerir que o gaspar e o seu grupo de estagiários se ponham a milhas.

 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

El Pueblo de Ceuta



De vez em quando os jornais de Ceuta ilustram as suas primeiras páginas com fotografias em que se destaca o escudo português, que é o brasão ou símbolo heráldico daquela cidade. Já reproduzimos aqui algumas vezes essas páginas a título de curiosidade, designadamente a edição do jornal Faro de Ceuta do dia 2 de Dezembro de 2012, enquanto agora apresentamos a edição de hoje do jornal El Pueblo de Ceuta.
Ceuta é uma cidade autónoma de Espanha com cerca de 18 Km2 de superfície e cerca de 80 mil habitantes, situada na margem africana do estreito de Gibraltar em frente das cidades de Algeciras e Gibraltar, mas também é um enclave espanhol em território marroquino, o que significa que existe um potencial de conflito entre os dois países.
A bandeira e o escudo de Ceuta têm a sua origem no tempo em que, em Agosto de 1415, a cidade foi conquistada pelos portugueses que governaram a cidade até 1640. Depois da restauração da independência, a cidade recusou aclamar o Rei D. João IV e decidiu integrar-se na Coroa Espanhola, mas manteve os mesmos símbolos: o desenho da bandeira é exactamente igual ao da bandeira da cidade de Lisboa e o brasão da cidade corresponde exactamente às armas portuguesas, como se usavam naquela época. É uma curiosidade, pois a expansão marítima portuguesa começou exactamente em Ceuta.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Audis e Mercedes no Terreiro do Paço

O Terreiro do Paço é um dos mais simbólicos locais da cidade de Lisboa, pela sua riquíssima história, mas também pela sua arquitectura, pela sua estética e pela sua ligação ao Tejo e à memória marítima portuguesa.
Durante muitos anos a enorme praça serviu de parque de automóveis e, ocasionalmente, de palco de cerimónias militares, de concertos musicais e de manifestações populares ou, ainda, de sala de recepção a visitantes ilustres, enquanto nos edifícios circundantes se arrumavam ministérios e repartições públicas.
Porém, ano após ano, o Terreiro do Paço tem vindo a transformar-se num grande pólo de animação cultural e, cada vez mais, simboliza a relação da cidade com o rio, atraindo visitantes que frequentam as suas esplanadas, restaurantes, lojas turísticas e espaços culturais e que, no Cais das Colunas ou na Ribeira das Naus, podem desfrutar da habitual serenidade do rio Tejo e observar o tráfego fluvial e a “outra banda”. No entanto, nesta praça que é um ex-libris da cidade de Lisboa, continua a ser habitual a permanência prolongada de viaturas oficiais, quase sempre Audis e Mercedes, com os seus engravatados motoristas em espera. Podiam esperar noutro local e ser chamados quando necessário. Mas não. Plantam-se ali com os seus carros topo de gama em verdadeira pose de novos ricos e, objectivamente, a poluir a paisagem cultural do Terreiro do Paço. Desafiam todas as regras, incluindo as do bom senso. É um caso de mau gosto e de exibicionismo que ofende os contribuintes. Os turistas que por ali passam, percebem a situação e hão-de admirar-se perante esta objectiva exibição de sub-desenvolvimento lusitano.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Gente sem vergonha nenhuma

O Diário de Notícias revela hoje com grande destaque que, dez dias depois de ter tomado posse, o Secretário de Estado do Desporto decidiu conceder benefícios fiscais a quem ajudasse o ‘seu’ Vitória de Guimarães.
A lei estabelece que as associações que tenham como objectivo o fomento e a prática de actividades desportivas, com excepção das secções participantes em competições desportivas de natureza profissional, podem receber os tais benefícios desde que não tenham dívidas fiscais. Porém, é sabido que há alguma confusão, ou mesmo promiscuidade, entre os clubes desportivos e as sociedades anónimas desportivas (SAD), sendo que os seus dinheiros se destinam essencialmente ao pagamento dos jogadores e aos técnicos das equipas profissionais de futebol e só, marginalmente, ao fomento da actividade desportiva. Todos sabemos que é assim.
Em tempos de "assalto fiscal" aos contribuintes, esta bênção aos doadores é intolerável. É realmente chocante que, directa ou indirectamente, o dinheiro destinado ao futebol profissional tenha isenções fiscais para beneficiar os "benfeitores". Até pode ser uma forma de fuga ao fisco ou uma forma de branqueamento, mas é sempre uma forma de pagar menos impostos. O que eles pagam a menos, pagaremos nós a mais. Há que mudar essa lei porque é injusta. No caso do Vitória de Guimarães, o psicólogo Guerreiro que foi graduado em Secretário de Estado não terá violado a injusta lei, mas actuou sem vergonha nenhuma pois que lhe bastaram apenas dez dias para beneficiar os amigos e “ficar bem visto lá na terra”. Até parece um nepotismo fiscal ou uma forma encapotada de caciquismo.
 

 

O centenário de Álvaro Cunhal

Álvaro Cunhal morreu a 13 de Junho de 2005 com 92 anos de idade e, este ano, completaria 100 anos. Por isso, o seu partido decidiu evocar a figura do homem que entre 1961 e 1992 foi seu secretário-geral, tendo criado uma Comissão das Comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal que, entre outras iniciativas, promoveu a realização de uma grande exposição sobre a sua vida e pensamento.
Álvaro Cunhal foi um intelectual, um artista e um dirigente político, sendo um dos mais importantes símbolos de resistência à ditadura salazarista. Esteve preso em 1937, 1940 e no período 1949-1960, perfazendo cerca de 15 anos de prisão, oitos dos quais em completo isolamento. Fugiu da prisão de Peniche em 1960 e, a partir de então e até 1974, viveu no exílio. Foi uma figura incontestada e admirada no seu partido, mas os seus adversários políticos nunca deixaram de lhe reconhecer uma exemplar atitude de resistência e de coerência.
A exposição trata com muita profundidade a vida de Álvaro Cunhal, registando a sua actividade política na clandestinidade e a sua acção de resistência ao salazarismo, mas também o período que se seguiu ao 25 de Abril. Os ambientes relacionados com a sua vida e os acontecimentos que a marcaram foram recriados com muita imaginação e há um assinalável número de documentos que são apresentados, entre os quais se incluem os originais de pintura e desenho, assim como as obras de ficção e de ensaio.
A exposição foi inaugurada em Lisboa no dia 27 de Abril e decorrerá até ao dia 2 de Junho na Sala do Risco - Pátio da Galé, com entrada pela rua do Arsenal, sendo mais tarde exibida no Porto. É uma grande exposição que está exemplarmente apresentada e que constitui uma revisitação dos últimos cem anos da nossa sociedade.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A maré anti-austeridade está a crescer

Nos últimos tempos tem sido criada uma narrativa europeia que, no essencial, confere aos países do norte as virtudes da organização, do trabalho e da eficiência, atribuindo aos países do sul o estatuto de desorganizados, gastadores e pouco trabalhadores. A Alemanha de Merkel e Schauble é, seguramente, a inspiradora dessas narrativas e das políticas de austeridade que são aplicadas pelos seus serventuários instalados em Frankfurt e Bruxelas, ou que estão destacados nas capitais do sul.
Porém, os tempos parece estarem a mudar. Há poucos dias um dirigente grego que visitou Lisboa disse que o sul da Europa unido é mais forte que Merkel e que juntos podemos promover “uma primavera mediterrânica”. Agora é o regresso da Itália à cena política, depois de muitos meses de quase paralisia pré e pós eleitoral, trazendo para o debate a necessidade de uma estratégia para sair da crise e para a criação de uma frente a favor do crescimento e do emprego, que inclua a França, Itália e Espanha, para contrapor às políticas de austeridade impostas pela Alemanha e pela Comissão Europeia, que tanto têm agravado a crise e levaram o desemprego para níveis insuportáveis. Hoje mesmo, segundo revela El Periodico de Barcelona, o novo primeiro ministro italiano Enrico Letta vai reunir com o presidente do governo espanhol Mariano Rajoy para, com urgência, procurarem encontrar uma estratégia europeia para o crescimento e o emprego, “antes que o eleitorado se revolte” quando perceber que a Europa “actua como uma má madrasta”.
Aquí, lamentavelmente, o pequeno grupo de fundamentalistas que domina o poder auto-exclui-se deste movimento dos países do sul que tanto têm sido humilhados e continua cego e surdo a afundar-nos e a encaminhar-nos para uma tragédia social. Estão quase "orgulhosamente sós".

domingo, 5 de maio de 2013

Um inviabilizador de consensos


Alguns jornais espanhóis apareceram hoje nas bancas a exibir como principal notícia os esforços desenvolvidos pelo Rei para que seja conseguido um consenso político em Espanha, que permita lutar eficazmente contra o desemprego que afecta mais de 6 milhões de espanhóis. O diário catalão La Vanguardia é um desses jornais e destaca em título de primeira página que “el Rey anima al consenso politico para frenar el paro” e acrescenta que “Don Juan Carlos sugiere acuerdos a Rajoy y Rubalcaba para poder crear empleo”.
A questão do consenso político tem surgido nos últimos tempos nos países do sul da Europa, associada à necessidade de se dispor de uma base social de apoio às reformas estruturais que urge fazer. Porém, enquanto o Rei de Espanha anima o consenso e sugere acordos entre Rajoy e Rubalcaba, aqui passa-se exactamente o contrário e, ainda há poucos dias, o constitucionalista Jorge Miranda considerou que o Presidente “é largamente responsável por não haver consenso”. E é!
Quando há dois anos tomou posse do cargo para que foi reeleito, afirmou que “há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos”. Mudou o governo e parece que deixou de haver limites aos sacrifícios, pelo apoio objectivo que vem dando a uma governação que não respeita as promessas eleitorais, que nos aplica sucessivos pacotes de austeridade e nos afunda com falências e desemprego. A sua função de mediação institucional está esquecida e, mesmo quando fala em consensos político-partidários, está de facto a ampliar antagonismos e a inviabilizar consensos. Ao menos que aprenda com o Rei de Espanha.

Emprego a recuperar nos Estados Unidos

A edição de ontem do The Washington Post destaca na sua primeira página que a taxa de desemprego nos Estados Unidos baixou e que esse facto é um sinal de recuperação da economia americana, acrescentando que os 7.5% de desemprego “é o mais baixo valor desde 2008” e que, só no mês de Abril, foram criados 165 mil empregos. E o jornal acrescenta: “quase quatro anos depois de uma recessão devastadora, a economia e o mercado do trabalho dos Estados Unidos ainda estão longe de uma completa recuperação, mas têm feito um progresso constante”.
O desemprego nos Estados Unidos teve um pico de 10% em Outubro de 2009, mas a situação começa agora a mudar com a economia a crescer 2,5% no 1º trimestre, quando crescera 2,4% em 2010, 1,8% em 2011 e 2,2% em 2012. Este ano tem sido criada uma média mensal de 196 mil empregos, o que supera os 179 mil criados mensalmente em 2011 e 2012. Porém, a economia americana ainda tem de recuperar 2,6 milhões de postos de trabalho para atingir o nível de emprego que tinha em Dezembro de 2007, "quando começou a grande recessão". No entanto, perante a evolução do crescimento demográfico americano, alguns analistas consideram que serão necessários 8,6 milhões de novos postos de trabalho para recuperar a taxa de emprego que existia em finais de 2007.
Esta é uma boa notícia para os Estados Unidos, mas também para a economia global e, em especial, para a economia europeia. Se do outro lado do Atlântico por vezes chegam problemas como foi a falência do Lehman Brothers, bom seria agora que de lá viesse um vento de contágio que ajudasse a Europa a atenuar o drama de mais de 26 milhões de desempregados, sobretudo na Grécia (27,2%), na Espanha (26,7%) e em Portugal (17.5%).

sábado, 4 de maio de 2013

O 'passosgasparismo' é uma novela trágica

As intervenções que nos últimos dias foram feitas pelos responsáveis pela Economia e pelas Finanças foram contraditórias, a revelar que o governo anda absolutamente desgovernado e à deriva, pelo que o naufrágio pode estar eminente: uns querem o fomento da indústria e a baixa do IRC, enquanto outros querem mais impostos e mais austeridade. Ambos falam em consensos, mas na realidade ambos estão seriamente atrapalhados.
Porém, ontem o problema clarificou-se, quando o nosso primeiro falou ao país e veio dizer de que lado estava, ao revelar-se um encarregado obediente e subserviente da troika que, sem olhar para o povo que o escolheu, prossegue uma política de destruição do Estado e da economia portuguesa. Não há dúvidas a esse respeito, como tantas respeitadas figuras do seu partido têm salientado. Na realidade, o que ontem foi anunciado é um brutal ataque aos funcionários públicos e aos pensionistas, mas também só vem criar mais desemprego, mais recessão, mais emigração e mais pobreza. As medidas avulsas antes anunciadas pelo álvaro para estimular o crescimento, o emprego e o tecido industrial duraram poucos dias.
Não se aguenta mais esta falta de rumo e esta desorientação, nem esta mentira continuada de que não há alternativas, nem “mais aumento de impostos” e que as coisas estão a correr bem. Tenham vergonha! Parem com esta tragédia! Deixem-nos!
Não houve uma palavra de esperança, nem foi deixada uma ideia sobre crescimento económico ou sobre o combate ao desemprego, nem uma sugestão para o relançamento da economia, nem uma mensagem de esperança, nem uma palavra de conforto para aqueles que estas políticas têm conduzido para a pobreza. O que ontem foi anunciado é uma vergonhosa submissão à troika, um brutal acréscimo de sacrifícios e uma vingança ao chumbo do Tribunal Constitucional.
O passosgasparismo afunda-nos e revela-se trágico, enquanto Belém assobia para o lado.

 

 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Aníbal, o Avisador



A tradição histórica portuguesa atribuiu a todos os Reis de Portugal um cognome que, em relação a cada um, define uma qualquer característica dominante da sua acção, da sua personalidade ou do seu aspecto físico, que o distinguiu dos seus antecessores e dos seus sucessores. Assim, desde 1139 tivemos, por exemplo, O Conquistador, O Povoador, O Agricultor, O Justiceiro, O Africano, O Príncipe Perfeito e O Desejado. Depois, tivemos O Magnânimo, A Piedosa, O Clemente, A Educadora e esta sucessão acabou com D. Manuel II em 1910 com O Patriota.
Com a implantação do regime republicano essa tradição dos cognomes perdeu-se e Manuel de Arriaga, António José de Almeida, Américo Thomaz, Mário Soares ou Jorge Sampaio não ficaram na nossa história com qualquer cognome. Porém, parece que as coisas estão a mudar e que agora temos Aníbal, o Avisador. Quando se esperava uma acção mobilizadora e o exercício de um poder moderador da Presidência da República e se desejava um exemplo de austeridade e de poupança nas despesas presidenciais com assessores, conselheiros, viagens e viaturas, verificamos que em cada discurso ou em cada declaração domina o aviso, sendo muitas vezes referido “que não foi por falta de aviso” ou “eu já tinha avisado”. No recente e controverso discurso do 25 de Abril voltou à mesma ideia e disse: "Não me venham dizer depois que eu não avisei em devido tempo". Não há paciência para ouvir isto. Fazer avisos é a matéria em que se especializou e, presidencialmente, isso é muito pouco na actual situação por que passamos. Não é assim que se fica na história.





terça-feira, 30 de abril de 2013

Até ele anda à procura do consenso



A política anda muito agitada porque as coisas não têm corrido bem, não só porque os tempos estão muito difíceis por esta Europa que cada dia se encaminha para a fragmentação, mas também porque há demasiada arrogância e pouca humildade naqueles que nos governam e que estão a dar uma imagem de incompetência, falta de imaginação e ausência de coragem. 
Os tempos em que diziam não precisar de mais tempo nem de mais dinheiro já passaram e os conselheiros do tipo catroga, borges, nogeira e moedas, que tantas ilusões venderam, estão ausentes. Agora, no meio da tempestade em que se meteram, descobriram que era necessário o consenso e não falam noutra coisa. Até o contabilista-mor, ou representante da troika no governo, insiste no consenso para apoiar as suas ideias lunáticas e aberrantes de aplicar medidas de austeridade cada vez mais severas para satisfazer os especuladores internacionais, mesmo que essas políticas conduzam ao desemprego e ao empobrecimento dos portugueses. Ao fim de dois anos de governo, o homem ainda não percebeu que a austeridade mata a economia e comporta-se como um pequeno lacaio do ministro Wolfgang Schauble, o homem que disse, a partir de Berlim, que as críticas à Alemanha resultam da inveja. Já aqui tínhamos referido em Janeiro que “há um cavalo de Tróia no nosso governo” e, depois, em Fevereiro, chamamos a atenção para “o agente favorito da troika”. Hoje ninguém tem dúvidas disso e não é para admirar esse comportamento de um funcionário que foi director-geral do Banco Central Europeu e conselheiro na Comissão Europeia, isto é, estudou muito e andou sempre por bons lugares, mas que percebe muito pouco de economia e não compreende que a dignidade nacional é um valor.
Mas afinal, para quem é que ele governa? Para os especuladores ou para os portugueses? O jornal i destaca hoje que ele está isolado no governo. Deve estar. Então que se vá embora para vermos se ainda é possível seguir outro caminho.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

A "jangada ibérica" está em perigo



Os jornais espanhóis destacam hoje com enorme apreensão que, no final do primeiro trimestre de 2013, o desemprego atingiu 27,16% e, pela primeira vez, ultrapassou os seis milhões de desempregados, com a Andaluzia e a Extremadura a atingirem 36,8 e 35,5% de desempregados, respectivamente. A notícia caiu como uma bomba numa sociedade em crise política, económica e social. Com base nessa notícia, o jornal i associou as realidades espanhola e portuguesa, tendo-se inspirado em “A Jangada de Pedra”, um romance de José Saramago que conta a história ficcional da separação geográfica da Península Ibérica do continente europeu, ficando os dois países ibéricos a navegar à deriva no oceano, sem se identificarem cultural, social ou economicamente com o espaço europeu. E o jornal i titula:  
  Jangada de Pedra afunda-se.  
  Portugal e Espanha com mais de 7 milhões de desempregados.  
Na realidade a catástrofe social está a atingir fortemente a Península Ibérica, com Portugal e Espanha a baterem sucessivamente recordes no desemprego e sendo cada vez mais consensual que estão a ser vítimas das políticas de austeridade impostas pelos seus credores internacionais. No conjunto, há 7 125 900 pessoas sem trabalho, mas a realidade é bem mais negra nos dois países se forem contabilizados os que já deixaram de procurar emprego e ficaram de fora das estatísticas oficiais. Este panorama não se vai alterar a curto prazo, pois as previsões das duas economias para 2013 são perfeitamente desastrosas: em Portugal o PIB deve cair 2,3%, enquanto em Espanha as últimas previsões apontam para uma queda do PIB de 1,3%, para além de haver dificuldades adicionais devidas à recessão europeia. Com este cenário tão negro, os governantes ibéricos têm que reagir rapidamente em Bruxelas e Frankfurt para travar esta catástrofe social e fazer respeitar a dignidade dos seus povos, colocando a criação de emprego acima de quaisquer outros objectivos. A "jangada ibérica" está realmente em perigo de se afundar.

Joana Vasconcelos: de Paris para Lisboa



Depois de no ano  passado ter mostrado as suas principais obras no Palácio de Versalhes, em Paris, numa exposição que recebeu 1,6 milhões de visitantes, a artista plástica Joana Vasconcelos apresenta-se agora em Lisboa no Palácio Nacional da Ajuda. Inaugurada no dia 23 de Março, ao fim do seu primeiro mês a exposição já foi visitada por 43 mil pessoas, quase tantas como as 50 mil que visitaram o palácio no ano passado. A exposição apresenta 38 obras criadas na última década e a par das peças inspiradas no bestiário de Rafael Bordalo Pinheiro revestidas de crochet açoriano, estão também patentes algumas das obras mais recentes, nunca antes exibidas em Portugal, mas também algumas das mais emblemáticas obras do percurso criativo da artista, como o par de sapatos gigantes femininos Marylin criados a partir de tampas e panelas portuguesas, o Coração Independente Vermelho criado com talheres de plástico ou o Lilicoptère, um velho helicóptero "Bell 47" decorado exuberantemente como se estivesse para ser utilizado pela rainha Maria Antonieta. 
A exposição de Joana Vasconcelos é também uma oportunidade para visitar o Palácio Nacional da Ajuda, que foi a residência oficial da monarquia portuguesa até à proclamação da República e que está aberto ao público desde 1968. A exposição ficará patente até 25 de Agosto e há expectativas de que o número de visitantes venha a superar os 167 mil que, em dois meses e meio, visitaram a anterior exposição de Joana Vasconcelos apresentada em 2010 no Museu Colecção Berardo, em Lisboa. É um acontecimento a não perder!