quinta-feira, 18 de abril de 2024

Açoriano Oriental: 189 anos de vida cívica

Completa hoje 189 anos de idade o jornal Açoriano Oriental, um diário que se publica na ilha de São Miguel desde o dia 18 de abril de 1835, sempre com o mesmo nome e de forma contínua e regular. É uma relíquia ou um monumento nacional, pois não só é o mais antigo jornal em circulação em Portugal, como também é um dos dez jornais mais antigos do mundo.
Hoje, o jornal mantém o seu dinamismo editorial e, a provar que está vivo e de boa saúde, assinalou o seu 189º aniversário com uma edição especial dedicada ao debate do tema “Que futuro para os Açores, 50 anos após o 25 de Abril”, na qual diversos especialistas tratam a problemática das ilhas dos Açores em diferentes áreas temáticas, incluindo o desenvolvimento económico, a cultura, a política, os parques tecnológicos, o turismo, a agricultura e as pescas, engtre outros, sempre orientados para o futuro.
A propósito da efeméride que hoje se celebra, também foi organizada uma exposição na cidade de Ponta Delgada em que, através da apresentação de algumas das suas primeiras páginas, é possível apreciar a evolução gráfica do jornal e recordar o relato então feito de alguns momentos históricos da vida açoriana, como a erupção vulcânica dos Capelinhos ou a visita do Papa João Paulo II.
Enquanto leitor do Açoriano Oriental desde há muitos anos, é com muita satisfação que acompanho esta histórica efeméride e aplaudo aqueles que diariamente constroem cada edição do jornal.

Uma evocação francesa do 25 de Abril

O 25 de Abril de 1974 foi um acontecimento histórico que devolveu a Liberdade e a Democracia aos portugueses, depois de 48 anos de Ditadura, mas sua importância foi universal, como mostra a edição nº 517, de Março de 2024, da revista francesa L’Histoire, que agora surgiu à venda em Portugal e que no seu Dossier Portugal 1974, inclui uma alargada reportagem intitulada “Portugal: la Révolution des Œillets”.
Cinquenta anos depois do “jour initial, entier et pur”, segundo as palavras de Sophia de Mello Breyner, o 25 de Abril é evocado em França como uma data histórica e libertadora. São 27 páginas muito ilustradas, com fotos e infografias, que são assinadas por diferentes especialistas franceses, entre os quais Yves Léonard que, no seu extenso texto escreveu que “com o 25 de Abril se abriu uma porta para a democracia, que depois foi fonte de inspiração para a Grécia, para a Espanha e para a América Latina”. Sobre a guerra colonial que foi determinante na iniciativa libertadora e num tempo a que chamou “le printemps des capitaines”, o mesmo autor mostra possuir boa informação e escreveu que se fala mesmo de um “Vietnam português na Guiné-Bissau” em que “os três G” – os três quartéis de Guidage, Guileje e Gadamael, cercados pelas forças da guerillha independentista do PAIGC – eram, em Maio de 1973, “sinónimo de corredor da morte para as tropas portuguesas”. O texto de Yves Léonard recorda o efeito dos ideais libertadores portugueses na Europa e lembra o que cantava Georges Moustaki em 1974: “Dis-leur qu’un oeillet rouge a fleuri au Portugal”.
O Dossier Portugal 1974 inclui outros textos de muito interesse, nomeadamente “La révolution vue de France”, onde se afirma que o 25 de Abril foi também “une affaire française”, porque havia quase um milhão de emigrantes portugueses em França, muitos dos quais tinham deixado o país clandestinamente para fugir à pobreza, à guerra e à ditadura de Salazar.
Em síntese, é uma belíssima edição de homenagem ao 25 de Abril e a Portugal.

terça-feira, 16 de abril de 2024

Feira de Sevilha é a casa dos sevilhanos

A Feira de Sevilha é um festival de interesse turístico internacional e decorre desde 14 de abril, prolongando-se até ao dia 20. Durante uma semana, a cidade de Sevilha está em festa, com os sevilhanos e os forasteiros a divertirem-se na feira onde se encontram mais de um milhar de stands de todo o tipo, para além da música, da dança, da gastronomia e, sobretudo, das touradas, que animam toda a gente, todos os dias e até altas horas da madrugada. Durante uma semana, diz-se que “a feira é a casa dos sevilhanos”.
Com a feira intensifica-se a temporada tauromáquica sevilhana, estando anunciadas catorze corridas de touros e a apresentação de alguns dos mais famosos toureiros do momento. De forma diversa do que acontece em Portugal onde a festa brava é cada vez mais hostilizada, em Espanha e em especial na Andaluzia e na Extremadura, o entusiasmo pelas touradas quase provoca o delírio e é uma afirmação cultural bem forte, sobretudo quando se realizam na Plaza de Toros da Real Maestranza de Sevilla. Na feira de este ano estarão presentes os espadas Morante de La Puebla em cinco corridas e os espadas Roca Rey e Daniel Luque em quatro, mas há sempre alguns matadores que não são contratados e deixam os seus apoiantes desiludidos.
Nas suas edições de hoje, tanto o Diario de Sevilla como o jornal ABC dedicaram as suas primeiras páginas à corrida de touros de ontem, destacando o matador sevilhano Juan Ortega que brilhou e que “hace la faena de la Feria”.
Naturalmente que a Feria de Sevilla não é só tourada, mas o facto é que a imprensa de referência da cidade é na tourada qure encontra o destaque da notícia.

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Prudência e contenção no Médio Oriente

Na interpretação dos conflitos internacionais, sobretudo daqueles em que as partes se provocam, se ameaçam e recorrem a soluções pela via militar, os estudiosos procuram sempre saber as causas dessas situações, mas encontram-se muitas vezes confrontados com um dilema, ou um enigma, que é o de saber quem veio primeiro ao mundo, se foi o ovo ou a galinha. Um pequeno incidente ou um pequeno conflito localizado, servem muitas vezes de pretexto para que uma das partes suba o patamar da conflitualidade e acuse e agrida, ou responda e retalie, como se tem visto na Ucrânia e no Médio Oriente. As causas profundas existem, mas os pretextos são muitas vezes fabricados e ampliados, enquanto as vítimas são, por agora, os ucranianos e os palestinianos. Se em relação ao conflito da Ucrânia com a Rússia costumamos dizer que é a altura de pararem, no que respeita ao conflito do Irão com Israel o que há a dizer é que não comecem.
A comunidade internacional e as maiores potências mundiais, têm repetido a necessidade de haver muita contenção, pois a continuação da escalada é uma séria ameaça à paz mundial, para além de ambas as partes já poderem reclamar que atingiram os seus objectivos, um porque atacou o adversário no seu próprio território e o outro porque deteve centenas de mísseis e drones iranianos. Os Estados Unidos já anunciaram que não querem ser arrastados para o conflito até porque têm eleições presidenciais, enquanto o Reino Unido e a França sabem que se arriscam a que a guerra chegue a Londres e a Paris. Por tudo isto, é preciso baixar as tensões e fazer com que a Diplomacia encontre soluções.
Essa é a orientação que a imprensa mundial parece adoptar, sugerindo prudência a ambas as partes, mas muita prudência, porque está ameaçada a paz mundial. Assim faz, também, a edição de hoje do jornal Dennik N, que se publica na cidade eslovaca de Bratislava.

domingo, 14 de abril de 2024

O confronto não desejado de Irão e Israel

Os espaços televisivos anunciaram ontem à noite que o Irão lançara um ataque aéreo maciço de retaliação contra Israel, que era esperado desde o ataque israelita de 1 de abril contra o complexo diplomático iraniano em Damasco, no qual morreram vários oficiais iranianos. Apesar de viverem há muitos anos em clima de ameaça e de inimizade, foi a primeira vez que o Irão atacou directamente o território israelita, enquanto Israel já antes atacara o solo iraniano. O medo da guerra no Médio Oriente acordou. Toda a região entrou em estado de alerta e o mundo aumentou muito o seu grau de ansiedade e preocupação.
A imprensa matutina ainda não dispunha de informações suficientes e independentes sobre o impacto do ataque iraniano, mas as manchetes já apareceram com o sensacionalismo de “quem quer vender jornais”, assim sucedendo com vários jornais como o nova-iorquino Daily News.
Era sabido que cerca de três centenas de mísseis e de drones tinham sobrevoado o Iraque, a Síria e a Jordânia, mas na sua grande maioria, ou cerca de 99%, terão sido neutralizados pelas forças israelitas, com a ajuda americana e inglesa. Entretanto, as autoridades iranianas declararam que a operação militar contra Israel “foi concluída”, mas que se houver resposta israelita a este ataque “a próxima operação será muito maior” e, ao mesmo tempo, avisaram os Estados Unidos que as suas bases militares na região serão um alvo iraniano, no caso de virem a cooperar em eventuais acções ofensivas israelitas.
Em Israel desvalorizam-se os efeitos do ataque e afirma-se que quase tudo foi abatido, enquanto o Irão se mostra satisfeito com a retaliação que realizou. Não sabemos a verdade, mas desejamos que haja contenção das partes e que a Diplomacia lhes possa mostrar que é melhor pararem…
O facto é que a iniciativa iraniana pode gerar uma escalada perigosíssima. Por isso, foi condenada, sobretudo pelos Estados Unidos e pelos seus amigos e aliados que, mais uma vez, têm dois pesos e duas medidas, pois condenam o Irão por esta acção, mas ainda não condenaram Israel pelos seus excessos e as suas repetidas agressões, além de lhe continuar a fornecer equipamento militar.

sábado, 13 de abril de 2024

Narendra Modi e as eleições indianas

O processo eleitoral indiano arranca no próximo dia 19 de abril e decorrerá em sete fases até ao dia 1 de Junho, com o apuramento dos resultados finais a iniciar-se três dias depois. Com cerca de 1,4 mil milhões de habitantes, a Índia já é o país mais populoso do mundo e os seus cadernos eleitorais têm cerca de 970 milhões de eleitores, que votarão em mais de um milhão de assembleias de voto.
O Bharatiya Janata Party (BJP), que é o partido do actual primeiro-ministro Narendra Modi, é o favorito à vitória e, depois de Jawaharlal Nehru, pode tornar-se no segundo primeiro-ministro indiano a conseguir três mandatos consecutivos. O seu principal adversário é Rahul Gandhi, bisneto de Nehru, que é o candidato do Indian National Congress (INC), mas as sondagens são-lhe muito desfavoráveis.
A este propósito, a revista Newsweek publicou uma entrevista exclusiva com Narendra Modi, classifica-o como unstoppable, isto é, imparável, anunciando que ele “está mudando a Índia e o mundo”. A longa entrevista de Modi é, sobretudo, uma peça de propaganda e uma reportagem muito laudatória em relação à sua liderança, tendo todas as características de uma publireportagem ou reportagem paga.
Modi quer ter um estatuto mais elevado na comunidade internacional e paga para isso, mas porque é muito popular internamente, tudo aponta para que a sua vitória seja muito expressiva. Ele tem liderado a modernização do país, desde as infraestruturas às redes digitais, bem como a luta contra a pobreza. Porém, a sua ambição está cheia de contradições e revela um radical do nacionalismo e do hinduísmo, que coloca as suas hostes do RSS, a milícia paramilitar nacionalista hindu do BJP, a destruir mesquitas e igrejas e a perseguir, por vezes de forma muito violenta, as alargadas comunidades muçulmanas e cristãs da Índia.
Diz-se que a Índia é a maior democracia do mundo, mas há quem disso tenha dúvidas. A última edição portuguesa da revista Le Monde Diplomatique pergunta mesmo se a Índia é uma democracia.

terça-feira, 9 de abril de 2024

O eclipse que impressionou a América

Um eclipse solar total ocorreu ontem, quando a Lua se interpôs entre a Terra e o Sol, dando origem a um espectáculo seguido por milhões de pessoas em grande parte da América do Norte (México, Estados Unidos e Canadá), mas que também foi observado em algumas regiões ocidentais da Europa, incluindo os arquipélagos dos Açores e da Madeira.
Se antigamente os eclipses eram fenómenos venerados e temidos pelas populações, nos tempos modernos tornaram-se um acontecimento de massas, sobretudo pela divulgação prévia que deles é feita pela comunicação social, que acelera o interesse das populações por este tipo de acontecimentos que são esteticamente belos e que impressionam. Por isso, nas suas edições de hoje, a imprensa americana deu eco noticioso a este grande eclipse, publicando fotografias do fenómeno, assim acontecendo com o The Washington Post
Porém, as principais notícias que foram publicadas não foram para explicar o fenómeno, nem para salientar o enorme número de amadores de Astronomia que o acompanharam com óculos e filtros apropriados. A imprensa tratou de descrever os monumentais engarrafamentos que aconteceram nas estradas americanas quando, após a observação do eclipse, todos regressavam a casa. Escreveu-se que “a Améica parou” e, durante os quatro minutos ou menos que durou o eclipse em vários estados americanos, cessou todo o movimento nas estradas, mas depois seguiu-se uma monumental confusão.

domingo, 7 de abril de 2024

Cada vez mais se reclama o fim da guerra

Perfazem-se hoje seis meses sobre a data em que o Hamas provocou Israel, invadindo um festival de música e várias localidades israelitas próximas da fronteira com a Faixa de Gaza, massacrando 1.200 pessoas por vezes de forma cruel e sádica e fazendo 253 reféns. Israel respondeu ao ataque com uma acção militar, tendo invadido a Faixa de Gaza e prometendo acabar com o Hamas. Ninguém esperava outra coisa e Israel usou o seu direito de se defender. As operações militares visaram todos os tipos de estruturas, incluindo escolas e hospitais, com a justificação que serviam de arsenais, de esconderijos ou de escudos humanos para a gente do Hamas. Tem sido umaacção desproporcionada e contrária a todas as leis da guerra. Grande parte do território foi destruído até aos escombros, levando milhares de pessoas a fugir para o sul da Faixa de Gaza. Na cidade de Rafah, junto à fronteira egípcia, encontram-se agora mais de um milhão de refugiados, o que representa seis vezes mais do que a sua anterior população.
Segundo as autoridades palestinianas, a guerra causou até agora 33.175 mortos, incluindo 12.300 crianças e 75.000 feridos. As condições de vida em Rafah e no resto de Gaza são extremamente difíceis, pairando a ameaça de fome e de epidemias, pois faltam alimentos e os hospitais foram destruidos. Fala-se muito em genocídio do povo palestiniano e é cada vez maior a pressão internacional sobre Israel. Depois de muitos meses de indiferença pelo massacre que estava a acontecer, Joe Biden instou Benjamin Netanyahu para implementar um cessar-fogo imediato, sob pena de perder o apoio americano em Gaza, enquanto Rishi Sunak veio, finalmente, reclamar pelo fim da guerra, conforme hoje anuncia o jornal Sunday Express, que é a edição dominical do jornal The Daily Express. Que civilização é a destes homens que apelam ao fim da guerra, mas que ao mesmo tempo, são os principais responsáveis pela venda de armamento a Israel.

sábado, 6 de abril de 2024

A grande festa da Copa del Rey 2024

Hoje às 21.00 horas, no Estádio Olímpico de La Cartuja em Sevilha, disputa-se a final do Campeonato de España – Copa de Su Majestad el Rey ou, simplesmente, Copa del Rey 2024. Trata-se da mais antiga competição do futebol espanhol que foi criada em 1903 e que é disputada anualmente por eliminatórias, tendo como seus maiores vencedores o Barcelona FC (31 vezes), o Athletic Bilbao (23 vezes), o Real Madrid (20 vezes), o Atletico de Madrid (10 vezes) e o Valencia CF (8 vezes).
Este ano os finalistas são o Real Club Deportivo Mallorca que venceu a prova apenas uma vez na época de 2002-2003 e o Athletic Club Bilbao, que embora já tenha ganho a prova 23 vezes, está há quarenta anos sem a vencer. Nos seus percursos, entre outros adversários, o Mallorca ultrapassou o Girona e a Real Sociedad, enquanto o Athletic bateu o Barcelona e o Atletico de Madrid.
Hoje, na final de Sevilha, vão estar em confronto não apenas duas equipas de futebol, mas duas regiões espanholas com tradições, culturas e até línguas diferentes. Tanto a imprensa do País Basco, especialmente da Biscaia, como a imprensa das Baleares, destacam nas suas edições de hoje este jogo de futebol, incentivando as equipas da sua região para que tragam a Copa del Rey para Bilbao ou para Palma de Mallorca.
Dessa imprensa destacamos a original primeira página do jornal El Correo, na qual uma ilustração representa um navio, provavelmente com rumo a Sevilha, no qual viajam os jogadores, os técnicos e os apoiantes do Athletic com as suas bandeiras e com o seu entusiasmo.

Um sismo que foi sentido em Nova Iorque

Um tremor de terra surpreendeu ontem a região de Nova Iorque e foi sentido pela população, embora não tivesse provocado qualquer alarme, nem danos humanos ou materiais. Segundo relata a imprensa, o sismo teve a magnitude de 4,8 com o seu epicentro no vizinho estado de Nova Jersey, a cerca de 80 quilómetros a oeste de Manhattan e foi sentido por cerca de 42 milhões de pessoas, incluindo as populações das cidades de Boston e Filadélfia. Os diplomatas que tomavam parte na sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas também sentiram o sismo, quando era discutida a situação no Médio Oriente. Porém, o sismo não afectou quaisquer edifícios da cidade, embora as autoridades municipais tenham alertado rapidamente as pessoas sobre o perigo de possíveis réplicas ou tremores secundários, que começaram a sentir-se no início da tarde em Nova Jersey.
O estado de Nova Iorque não era abalado por um tremor de terra desde 1884 e esse facto despertou a curiosidade da imprensa. O jornal New York Post dedicou-lhe a capa da sua edição de hoje, com referências ao maior sismo dos últimos 140 anos e utilizou uma ilustração em que a Estátua da Liberdade aparece muito assustada e com a sua coroa desalinhada.
Mesmo com coisas sérias, ou que podem vir a ser sérias, há lugar para o humor.

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Stop selling arms to Israel NOW

A edição de hoje do jornal The Independent dedica a sua primeira página à grave situação que se vive no Médio Oriente, onde a tensão tem aumentado devido às sucessivas provocações do governo israelita aos países seus vizinhos, de que se destaca o bombardeamento do consulado iraniano em Damasco. O jornal noticia que Joe Biden avisou Benjamin Netanyahu para se moderar e que reclamou um imediato cessar-fogo em Gaza, mas destaca sobretudo que o mundo assiste horrorizado à conduta imprudente de Israel que acusa de “atacar sistematicamente” os trabalhadores humanitários. Várias linhas vermelhas têm sido ultrapassadas, mas parece que ninguém, especialmente os Estados Unidos e a União Europeia, tratam de reagir, condenar e de aplicar sanções ajustadas perante o comportamento israelita. Daí que o jornal “junte a sua voz a 600 especialistas, deputados e chefes militares que exigem que se pare imediatamente de vender armas a Israel”.
Hoje, também o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas que tem 47 membros, aprovou uma resolução em que mostrou “grande preocupação” pelas atitudes das autoridades israelitas de incitamento ao genocídio, através da “prática da fome de civis como método de guerra” e exigiu a suspensão da venda e transferência de armas para Israel. A resolução foi adoptada com 28 votos a favor, seis votos contra (Estados Unidos, Alemanha, Argentina, Paraguai, Bulgária e Malawi) e 13 abstenções, entre as quais a França, a Índia, o Japão e os Países Baixos.
Actualmente os países que vendem armamento a Israel são os Estados Unidos, a Alemanha, a França, o Reino Unido e a Austrália, o que explica tanta condescendência ou tanto colaboracionismo para com Israel.

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Israel ignora todas as linhas vermelhas

Nos conflitos que actualmente estão a devastar a Ucrânia e a Faixa de Gaza têm acontecido alguns excessos que violam as leis da guerra e constituem violações dos direitos humanos, o que é de lamentar mas que é normal acontecer em todas as guerras. Daí que surjam as frequentes acusações de crimes de guerra, fundamentadas ou não fundamentadas, embora muitas delas se enquadrem nas políticas de propaganda para atacar o adversário. Porém, no caso do conflito da Ucrânia e apesar de até haver ameaças nucleares, parece haver alguma contenção, ou um quase acordo de cavalheiros, parecendo estar assumidas algumas linhas vermelhas pelos contendores. Em relação ao conflito na Faixa de Gaza a situação é bem diferente, com os israelitas a ser condenados universalmente pela violência com que estão a punir o povo palestiniano, com quotidianos massacres, com a destruição das suas cidades e com a política de genocídio que estão a conduzir.
Os israelitas nunca respeitaram as resoluções condenatórias das Nações Unidas e, nesta altura em que são governados por Benjamin Netanyahu e pelos seus aliados da extrema-direita radical, decidiram atacar o consulado do Irão em Damasco, a capital da Síria. Antes, já a aviação israelita voava sobre o Líbano e a Síria, atacando o grupo armado libanês Hezbollah e os Guardas da Revolução Iraniana, ambos aliados do presidente sírio Bashar al-Assad, o que nada prenunciava de bom.
O ataque israelita a uma instalação diplomática iraniana, tal como o ataque a trabalhadores humanitários em Gaza, foram demasiado graves e significam uma escalada na conflitualidade no Médio Oriente, pelo que o Irão tratou de anunciar que este ataque “não ficará sem resposta”. O caso é muito sério e poucos jornais o analisaram. O jornal londrino The Times foi uma excepção.

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Chuva na Andaluzia e regressa a alegria

Desde meados da década passada que a escassez de chuva na região espanhola da Andaluzia se tornou um problema, que se agravou seriamente a partir de 2022, provocando um dos mais críticos períodos de seca desde que há registos. É uma consequência das alterações climáticas que condiciona fortemente o abastecimento público, pelo que a hipótese de trazer barcos-cisterna de outras regiões para minorar o problema da escassez de água era cada vez mais considerado, sobretudo para abastecer os meios urbanos. A falta de água já tinha levado o famoso Parque Natural de Doñana a uma situação-limite, provocando a morte de muitos animais e a seca de muitas árvores.
Porém, a passagem da depressão Nelson e as chuvas caídas durante a Semana Santa “han dado un pequeño respiro a este espacio protegido” e, como ontem anunciou o jornal Diario de Sevilla, “las lluvias dejan agua para un año más”.
O efeito das últimas chuvas também se sentiu noutras áreas andaluzas e o jornal el Día de Córdoba, também noticiava ontem em primeira página que “Córdoba tiene garantizada el agua de consumo para seis años tras la borrasca Nelson”.
Segundo as autoridades, os benefícios trazidos pelas chuvas da Semana Santa – que prejudicaram as celebrações religiosas e o turismo que lhe está associado – “no es suficiente y aún deberia llover mucho más en los próximos meses para resolver el problema de la sequía”.
Porém, depois de alguns anos de desespero por falta de água, a Andaluzia parece renascer com as chuvas e viver um ambiente de renovada alegria.

sexta-feira, 29 de março de 2024

Há ou não há um risco de guerra global?

Na última cimeira europeia o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez pediu para “rebajar el tono bélico” utilizado por alguns estados-membros, mas a resposta veio do primeiro-ministro polaco Donald Tusk numa entrevista hoje publicada pelo diário espanhol El País. Donald Tusk afirmou que “estamos en una época de preguerra”, acrescentando que “no exagero” e que “nuestro deber no es discutir, sino prepararnos para defendernos”, alertando que “el conflicto en Ucrania puede alargarse”.
Hoje, também a edição do jornal francês La Dépêche du Midi destaca em manchete o título “Economie de guerre: la France se prépare”, na sequência de uma afirmação do seu Ministro do Armamento em que não excluia o recurso de impor à industria francesa a satisfação prioritária das necessidades militares, porque “les stocks de l’armée française étaient adaptés au temps de paix et nous en avons donné une grande partie aux Ukrainieens”.
Há dias foi Lloyd Austin, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, que numa reunião com os seus homónimos de quase cinquenta países declarou que “no nos engañemos, Putin no se detendrá en Ucrania”, enquanto Scholz, Macron e Tusk decidiram reforçar o seu apoio militar à Ucrânia através da aquisição imediata de mais armamento, perante a ameaça de uma nova ofensiva russa.
Não há dúvida que Pedro Sánchez tem razão ao pedir para “rebajar el tono bélico”. Há um discurso de guerra que persiste e preocupa, como se a guerra fosse a solução para a conflitualidade entre países. Não é preciso recorrer às lições da História para saber que as guerras modernas não têm vencedores e que todos saem derrotados. Basta ver as imagens televisivas da morte, do sofrimento e da destruição para condenarmos o “tono bélico” que anda no ar.

quarta-feira, 27 de março de 2024

Invulgar acidente marítimo em Baltimore

Quando na madrugada de ontem largava do porto de Baltimore com destino ao Sri Lanka, o navio porta-contentores Dali que tem 300 metros de comprimento e hasteava a bandeira de Singapura, perdeu capacidade de manobra e colidiu com um pilar da ponte Francis Scott Key. A colisão provocou a imediata queda do seu principal tabuleiro e, numa reacção em cadeia, originou o colapso de outros tabuleiros da mesma ponte, que tem um comprimento de 2,6 quilómetros. Muitos jornais do mundo inteiro, incluindo o The New York Times, publicaram impressionantes fotografias do Dali, carregado com milhares de contentores - 4700 segundo foi depois divulgado - e com uma parte do pavimento da ponte sobre o seu convés.
O navio tinha largado do cais do porto de Baltimore menos de trinta minutos antes com 22 tripulantes e tinha a bordo dois experientes pilotos locais, mas foram detectadas anomalias eléctricas e foi verificado que os seus movimentos estavam descontrolados, pelo que a tripulação emitiu um pedido de socorro que permitiu que as autoridades portuárias ainda tivessem travado o tráfego de veículos na ponte. Além disso, o navio ainda adoptou procedimentos de emergência ao largar âncoras para travar o seu deslocamento descontrolado, mas essa medida que era adequada não produziu qualquer efeito.
O porto de Baltimore é um dos maiores dos Estados Unidos e o colapso da ponte vai afectar a vida económica do estado de Maryland, porque vai obrigar à paralização do tráfego portuário, tanto de carga como de passageiros, mas também afectará toda a Costa Leste dos Estados Unidos. Por isso e porque este ano há eleições nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden considerou que se tratou de um “terrível acidente” e determinou que se inicie a imediata reconstrução da ponte Francis Scott Key.