quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

A fúria do mar proporciona belas imagens

As ilhas Britânicas foram afectadas nos últimos dias pela depressão Barra, uma tempestade que trouxe ventos fortes, chuvas muito intensas e neve, sobretudo na República da Irlanda, na Irlanda do Norte e na Escócia. Foram registadas rajadas de vento superiores a cem quilómetros por hora, alguns aeroportos foram encerrados, as condições das estradas tornaram-se difíceis e perigosas, houve quedas de árvores, muitas inundações e cortes de energia. Muitas destas regiões, nomeadamente a Escócia, acordaram cobertas de neve. A depressão Barra também atingiu Portugal embora com muito menor intensidade, quer no arquipélago dos Açores, quer nos distritos do norte do Continente onde, segundo revelaram algumas notícias, se verificaram 15 quedas de árvores e 15 inundações.
No caso da Irlanda do Norte, o jornal Belfast Telegraph noticiou os efeitos da tempestade Barra e da destruição que provocou, tendo escolhido para a sua capa uma excelente fotografia do mar a rebentar sobre uma avenida marginal da cidade de Belfast, a demonstrar que o mar, quando está furioso proporciona belas imagens. Além disso, esta imagem é um bom exemplo do que é o fotojornalismo, uma coisa que por cá raramente se pratica.

domingo, 5 de dezembro de 2021

Arábia Saudita: tantos aviões e corvetas

Quase em simultâneo com o anúncio da assinatura do contrato para o fornecimento de oitenta aviões Rafale à Arábia Saudita, a empresa espanhola Navantia lançou à água a quinta e última das corvetas que está a construir para a Marinha Real da Arábia Saudita nos seus estaleiros da baía de Cádis. É a construção 550 dos estaleiros de San Fernando, chama-se Unayzah, tem 104,20 metros de comprimento e 14,40 metros de boca.
Segundo anuncia hoje o jornal La Voz de Cádiz, a cerimónia foi um motivo de orgulho para o governo de Espanha e reflecte as capacidades tecnológicas do país, mas também mostra como foi possível superar diversas contrariedades devidas à crise pandémica, pois muitos trabalharam “contra ventos e marés” para que os prazos fossem cumpridos.
A notícia salienta que alguns dos principais sistemas de navegação e de combate do navio, bem como de gestão de helicópteros utilizam tecnologia espanhola.
A construção da primeira unidade arrancou oficialmente no dia 15 de Janeiro de 2019 e o contrato tem o valor de 1.813 milhões de euros, ou seja, é nove vezes menor do que aquele que foi assinado com a Dassault Aviation para o fornecimento de 80 aviões Rafale, o que significa que, segundo as minhas contas,  "cada corveta vale cerca de dois Rafale".
As cinco unidades navais serão entregues escalonadamente entre Janeiro de 2022 e Junho de 2023. Com tantas corvetas e tantos aviões é caso para perguntar à Arábia Saudita por quem se sente ameaçada ou, se pelo contrário, quem será que essa monarquia absoluta árabe está a ameaçar.

sábado, 4 de dezembro de 2021

A França produz aviões e vende, vende …

Depois do “escândalo” que foi o cancelamento do contrato de fornecimento de doze submarinos nucleares à Austrália, que constituiu um duro golpe para a indústria de defesa francesa e originou muita tensão entre americanos e franceses, surgiu hoje no Le Figaro e em outros jornais franceses, a notícia de ter sido assinado um contrato pela Dassault Aviation para o fornecimento de oitenta caças Rafale F4 e doze helicópteros de transporte militar Caracal para as Forças Aéreas e de Defesa Aérea dos Emirados Árabes Unidos. Não foi um acontecimento de rotina e, por isso, Emmanuel Macron e o sheikh Mohammed Al Nahyane, o príncipe herdeiro do Abu Dhabi, assistiram à assinatura do contrato.
Segundo foi anunciado, trata-se da maior encomenda feita até hoje deste avião, que entrou ao serviço em 2004 e que já equipa o Qatar (36 unidades) e o Egipto (24 unidades), embora este país tenha assinado no início deste ano um contrato para o fornecimento de mais 30 unidades. Depois das Forças Armadas francesas, as Forças Armadas dos Emirados serão as primeiras que irão dispor desta moderna versão do Rafale, que irão substituir os seus Mirage 2000. Este contrato de 17 mil milhões de euros é uma excelente notícia para a França e para a indústria aeronáutica francesa, bem como para o universo de quatro centenas de empresas, grandes e pequenas, que contribuem para a produção do Rafale, o que representa milhares de empregos garantidos para os franceses durante a próxima década.
A Dassault Aviation tem 12.400 colaboradores e, até hoje, fabricou e vendeu mais de dez mil aviões de diversos tipos, incluindo 2.500 Falcon para mais de noventa países. É uma grande empresa e uma grande alavanca para a economia francesa, embora se trate de recursos que bem poderiam ser utilizados para tornar a humanidade mais feliz ou para ajudar a reduzir a pobreza e a fome no mundo. Porém as coisas são o que são e não são aquilo que poderiam ser.

A Ómicron que nos trouxe insegurança

Uma nova variante do coronavírus foi identificada na África do Sul no dia 24 de Novembro e, mesmo antes de se saber a sua causa ou a sua gravidade, deu origem a uma enorme preocupação mundial e a uma generalizada restrição de viagens em todo o mundo. Porém, as apreensões não são apenas de natureza sanitária, pois também são de natureza económica por afectarem alguns sectores como o turismo.
Dois dias depois da sua detecção, a Organização Mundial de Saúde (OMS) identificou essa variante e designou-a como variante B.1.1.529 ou variante Ómicron, como passou a ser formalmente conhecida, mas também informou que pode levar semanas a saber-se a sua natureza e gravidade, mas um alto responsável da OMS já veio declarar que “é mais transmissível, mais virulento e foge das vacinas”.
Aos poucos, alguns países declararam ter detectado a doença, entre os quais o Reino Unido, a Holanda, a Alemanha e Portugal, mas esse número de países onde foi detectada variante tem vindo a aumentar. Anteontem o jornal novaiorquino Newsday informava sobre o aparecimento do primeiro caso de Ómicron nos Estados Unidos, que assim se tornaram no 24º país a confirmar a detecção dessa variante do vírus. Depois, também a Austrália e o Brasil já anunciaram o aparecimento do vírus.
Entretanto, em Portugal já se detectaram 38 casos da variante Ómicron e os internamentos em unidades de cuidados intensivos regista uma “tendência fortemente crescente”, segundo as autoridades de saúde. Tenhamos todos os cuidados e sigamos as regras que já tínhamos usado antes, mas não restam dúvidas que a insegurança sanitária regressou.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Quem muito aparece... muito aborrece

Um homem tão inteligente como ele, tão culto e tão cosmopolita, parece que ainda não percebeu que o ditado popular que diz que “quem não aparece esquece” não se lhe aplica e, que, inversamente, o que se lhe aplica é uma frase parecida que diz que “quem muito aparece, muito aborrece”. Exactamente assim. 
O homem tem uma ânsia de aparecer, de ser visto, de ser ouvido e de encher as televisões, que está a tornar-se insuportável. Convive com o sensacionalismo das televisões que se especializaram nos julgamentos públicos e comporta-se como um comentador televisivo. Vai a toda a parte para ser visto e ser filmado. Fala de tudo e tantas vezes de forma inoportuna, esquecendo-se que não lhe compete governar, nem interferir na governação. Faz-se anunciar para que os microfones dos estagiários e as câmaras televisivas, bem como o fotógrafo oficial de Belém, o possam rodear como ele tanto gosta. Fazendo uso da sua boa resistência física vai a Cabo Verde e fala. Vai a Luanda e comenta. Segue para Estrasburgo e não se cansa de falar. Tacticamente, o governo deixa-o falar. As nossas televisões agradecem-lhe, porque enchem os seus espaços noticiosos com a cara e a voz do venerando chefe do Estado, cujas imagens repetem até à exaustão, a rivalizar com o tempo gasto com os treinadores de futebol.
Quando os jovens estagiários se lhe dirigem com um “Oh presidente” não reage, como se o mais alto magistrado da Nação não devesse ter direito a outro tratamento mais adequado. Mas é disso que ele gosta e, por isso, até se deixa entrevistar por esse jornal de referência que é o Tal&Qual, que na sua edição anterior entrevistara o banqueiro João Rendeiro, enquanto se deixa fotografar com um copo de cerveja na mão, o que ele julga que o aproxima do povo. Porém, os tempos são difíceis e não é necessário exibir tanto porreirismo. 
Talvez seja necessário algum distanciamento...

Cuba continua presa a Fidel e ao passado

Perfazem-se hoje 65 anos sobre o dia em que um grupo de oitenta e dois exilados cubanos, onde se incluíam quatro estrangeiros, desembarcou próximo da praia de los Colorados, na costa oriental da ilha de Cuba, sob o comando de um jovem advogado de trinta anos de idade chamado Fidel Castro Ruz.
Hoje o jornal Granma, o órgão oficial do comité central do Partido Comunista de Cuba, evoca esse histórico desembarque e recorda Fidel, escrevendo que está “invicto en el cariño de su pueblo”, o que bem sabemos que não será assim.
O seu grupo viajara desde o pequeno porto mexicano de Tuxpan a bordo do pequeno iate Granma e, após uma viagem de sete dias, “aqueles 82 aprendizes de guerrilheiros”, muitos deles enjoados, desembarcaram em condições muito precárias e progrediram por pântanos e mangais, vendo-se obrigados a abandonar muito do seu material, o que levou a que se dissesse que não foi um desembarque, mas um naufrágio. Dois dias depois o grupo foi cercado pelo exército cubano em Alegria del Pio e a catástrofe aconteceu, pois o grupo teve 25 mortos, 22 capturados e 19 desaparecidos. Os dezasseis sobreviventes, onde se incluíam Fidel, o seu irmão Raúl e o médico argentino Ernesto “Che” Guevara dispersaram e só voltaram a reencontrar-se no dia 18 de Dezembro de 1956 em Purial de Vicana, já na sierra Maestra.
Seguiram-se dois anos de guerrilha que levaram o ditador Fulgencio Batista ao exílio e à entrada vitoriosa do exército rebelde em Havana no dia 1 de Janeiro de 1959.
A campanha vitoriosa dirigida por Fidel Castro inspirou outras guerrilhas e movimentos de libertação pelo mundo, enquanto Ernesto “Che” Guevara se tornou um ícone para a geração que depois da 2ª Guerra Mundial procurava a revolução e um mundo melhor.
Porém, tudo isso aconteceu no século XX e hoje Cuba desespera pela entrada no século XXI.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Ómicron: o desassossego e a inquietação

Foi em finais de 2019 que pela primeira vez foi detectada na cidade chinesa de Wuhan a síndrome respiratória aguda grave (SARS), classificada como SARS-CoV-2 ou, de forma mais simples, como covid-19. O mundo assustou-se com a elevada taxa de mortalidade da doença que se transformou numa pandemia global e a Ciência entrou numa corrida acelerada para produzir uma vacina. Um ano depois surgiram os primeiros resultados e milhões de pessoas começaram a ser receber uma vacina.
A doença começou a regredir, apesar de se manifestar por ondas, mas o mundo começou a ficar aliviado, com a sociedade e a economia a recuperarem um pouco por toda a parte. Porém, a doença persistiu e foi-se adaptando através de variantes.
No fim do Verão, quando a vacinação já atingira níveis muito satisfatórios, sobretudo na Europa e nas Américas, surgiu mais uma onda, para uns a quarta e para outros a quinta onda. Porém, o mundo acreditava que a crise pandémica estava em vias de ser ultrapassada e o retomava a normalidade. Até que há poucos dias as dúvidas reinstalaram-se quando foi identificada na África do Sul a variante Ómicron do novo coronavírus, que rapidamente se espalhou pelo mundo. Embora pouco se saiba a respeito desta variante, pensa-se que é mais transmissível dos que as anteriores e o seu aparecimento já foi confirmado em mais de uma dezena de países, entre os quais Portugal. 
O jornal francês La Dépêche destaca na sua edição de hoje a inquietação mundial que a Ómicron já está a provocar, embora as autoridades procurem sossegar as populações, ao mesmo tempo que aceleram o processo de reforço da vacinação com uma terceira dose. A ver vamos.

domingo, 28 de novembro de 2021

Um português venceu a Libertadores 2021

Jogou-se ontem em Montevideu a final da Taça dos Libertadores da América, um torneio organizado desde 1960 pela Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), cujo nome homenageia os líderes das independências sul-americanas e no qual participam as principais equipas de futebol dos países da América do Sul.
Nas 62 edições que já foram realizadas, o domínio tem sido de argentinos e brasileiros, que já venceram a competição 25 e 21 vezes, respectivamente, enquanto as equipas uruguaias venceram oito vezes, as colombianas e paraguaias três vezes e as equipas chilenas e equatorianas apenas uma vez, sendo as equipas com mais triunfos nesta competição os argentinos do Independiente (sete vezes) e do Boca Juniors (seis vezes).
Ontem jogaram o Palmeiras de São Paulo e o Flamengo do Rio de Janeiro e a equipa paulista venceu por 2-1, após prolongamento, num estádio cheio com milhares de entusiastas brasileiros que se deslocaram a Montevideu.
A equipa do Palmeiras venceu a competição pela terceira vez e a curiosidade está no facto do treinador português Abel Ferreira ter repetido o triunfo de 2020, tornando-se no primeiro treinador estrangeiro a ganhar duas vezes a Taça dos Libertadores da América, a mais importante competição futebolística da América do Sul.
Toda a imprensa brasileira destaca nas suas primeiras páginas a fotografia dos exuberantes campeões da Libertadores. Uma alegria para os brasileiros ou, pelo menos, para uma parte deles... 
Há uns dias, também o treinador Leonardo Jardim, vencera a Liga dos Campeões da Ásia, o que mostra como são qualificados esses profissionais do nosso futebol.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

A luta contra a pirataria no golfo da Guiné

Um incidente ocorrido nas águas do golfo da Guiné em que esteve envolvida a fragata dinamarquesa HDMS Esbern Snare (F342), teve honras de primeira página no Jyllands-Posten, o jornal de maior tiragem da Dinamarca, que tem a sua sede na cidade de Aarhus.
Desde o passado mês de Outubro que aquele navio se encontra em missão no golfo da Guiné, a área que vai desde o Senegal até Angola e que é a região do mundo onde a pirataria marítima actualmente está mais activa, pois no ano passado ali ocorreram 22 incidentes em que foram raptados 130 tripulantes. Daí tem resultado um esforço internacional para combater esse tipo de criminalidade marítima que tem sido liderado pela União Europeia e na qual têm estado envolvidos meios navais de diversos países, incluindo Portugal.
A fragata dinamarquesa HDMS Esbern Snare detectara uma embarcação suspeita e lançou o seu helicóptero em direcção ao local, tendo verificado que era uma lancha com oito homens e com vários utensílios associados à pirataria, incluindo escadas de abordagem, que se aproximava de navios mercantes. Quando anoiteceu a fragata lançou os seus botes insufláveis rápidos (Rigid-Hulled Inflatable Boat ou RHIB) com pessoal dos fuzileiros dinamarqueses para interceptar a embarcação suspeita, mas esta decidiu não obedecer ao pedido para que parassem para serem vistoriados e respondeu aos tiros de aviso, com tiros feitos directamente às RHIB dinamarquesas. Do confronto que se seguiu, resultaram quatro piratas mortos, enquanto os outros quatro foram capturados, sem que qualquer fuzileiro dinamarquês tivesse sido ferido.
Segundo refere o jornal, foi o baptismo de fogo dinamarquês no golfo da Guiné e foi um caso que foi destacado no maior jornal do país, a mostrar como as actividades navais são acompanhadas pela imprensa dinamarquesa, porque interessam aos leitores e porque são estimulantes para quem anda envolvido em missões de risco.

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Alemães entendem-se e formam governo

A Alemanha é, em termos económicos e demográficos, o grande motor da União Europeia e, por isso, tudo o que por lá acontece interessa aos europeus e ao mundo.
Durante os últimos dezasseis anos foi Angela Merkel que chefiou o governo e se tornou a figura dominante da política alemã. O seu último governo foi chamado “a grande coligação” pois juntou os dois maiores partidos alemães, isto é, a CDU (União Democrata Cristã) e o SPD (Partido Social-Democrata), mas depois de tantos anos Merkel entendeu que já era tempo de descansar e, no início do ano, anunciou a sua decisão de não se voltar a candidatar. Muita gente, na Alemanha e no estrangeiro, lamentou a saída de Merkel da “liderança” da Europa.
Os alemães depararam-se então com um quadro novo. As eleições gerais que se realizaram no passado dia 26 de Setembro foram ganhas pelo social-democrata Olaf Scholz, que por acaso era o vice-chanceler e ministro das Finanças no anterior governo de Merkel. Scholz obteve apenas 25,7% dos votos e, portanto, necessitou de negociar para construir uma maioria. Em vez de optar pela CDU que obteve 24,1% dos votos, optou por negociar com o Partido Verde de Annalena Baerbock que obtivera 14,8% e com o Partido Liberal de Christian Lindner que tivera 11,5% dos votos. Após quase dois meses de negociações foi anunciado o acordo de coligação governamental que parece ter satisfeito a imprensa e a opinião pública, pois logo foi baptizado como a “aliança semáforo”, por juntar o verde, o amarelo e vermelho, que são as cores dos respectivos partidos.
O Süddeutsche Zeitung, que é o maior jornal alemão, tratou de publicar a fotografia dos negociadores e, em nome da estabilidade, destaca a sua satisfação por terem chegado a um acordo, o que me faz lembrar o que aqui se passou recentemente em que não foi possível chegar a um acordo sobre o orçamento do Estado porque, há que dizê-lo, há muita gente na política para se servir e não para servir o interesse nacional.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

A Síria, a guerra e a esperança no futuro

A guerra civil na Síria teve início em Janeiro de 2011 com protestos contra o governo sírio que surgiram na chamada Primavera árabe, mas que em Março evoluíram para uma revolta armada de grande violência. De um lado encontrava-se o governo de Bashar al-Assad e, do outro, a oposição síria, mas esta luta pelo poder fragmentou-se internamente com a divisão da oposição, com o aparecimento de grupos de natureza sectária e religiosa e com um crescente envolvimento de forças externas. Durante cerca de dez anos “meio mundo” envolveu-se na Síria, destacando-se o Irão, a Rússia e o Hezbollah libanês ao lado do governo sírio, enquanto do lado das várias oposições apareceram a Arábia Saudita e o Qatar, mas também os Estados Unidos, a França, o Reino Unido, a Turquia, Marrocos, a Líbia e outros mais. Muitas vezes se ignorou quem combatia quem e chegou-se ao paradoxo de haver forças que combatiam outras forças que, noutra área, eram suas aliadas. Não há memória de uma situação destas. O melhor exemplo deste paradoxo é o Curdistão, mas tem havido outros, sobretudo nas fronteiras sírio-turcas. No que respeita aos países ocidentais, verifica-se que não aprenderam com as suas intervenções no Iraque, na Líbia e no Afeganistão, deixaram de ser respeitadas e foram obrigadas a retirar-se.
Até agora o resultado do conflito traduziu-se em mais de 500.000 mortos, sete milhões de deslocados internos e cinco milhões de refugiados nos países limítrofes. Segundo muitos observadores, a guerra civil da Síria tem sido uma guerra mundial e foi preparada antecipadamente com o apoio dos mass-media internacionais, para servir interesses estrangeiros, tal como aconteceu para destruir alguns líderes árabes, como Sadam Hussein e Muammar Kadaffi.
Porém, no passado mês de Maio houve eleições e os sírios tiveram uma taxa de participação de 78% e reelegeram Bashar al-Assad, contra dois candidatos da oposição. Certamente terá sido uma farsa, mas foi um sinal e um princípio a caminho da paz e da normalidade democrática, embora adaptada à cultura política daquelas regiões político-religiosas.
Sabemos muito pouco do que se passa actualmente na Síria, mas a guerra ainda não acabou. Por isso, a notícia hoje publicada pelo Tehran Times em que se anuncia que o Irão e a Síria reforçaram os seus laços como nunca tinham feito antes, é mesmo intrigante ou mesmo uma grande incógnita, embora também possa significar mais esperança no futuro. Sabe-se lá...

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

O galego é uma língua lusófona e está vivo

É sabido que a península Ibérica tem uma acentuada diversidade linguística e que para além do português e do castelhano (espanhol), ainda tem o catalão, o basco (euscara), o leonês e o galego. O galego é, juntamente com o castelhano, a língua oficial da Comunidade Autónoma da Galiza, tendo raízes comuns com a língua portuguesa, da qual só divergiu a partir do século XIV. As semelhanças entre as duas línguas são evidentes, como de resto também é o contexto sócio-cultural da Galiza e do Alto-Minho, daí resultando que, por vezes, o galego e o português são classificados no contexto galaico-português, havendo quem considere o galego como “o português da Galiza”.
Na sua edição de hoje o jornal La Voz de Galicia destaca que “o galego mantense como a língua maioritaria no 80% dos concellos”e apresenta várias conclusões a partir de um estudo do Instituto Galego de Estatística, que é a entidade que avalia o galego no quadro línguístico espanhol e da própria região autónoma.
Sabe-se que o galego é falado entre os mais velhos, mas o estudo agora divulgado concluiu que cerca de três quartos da população galega fala o galego e que mais de 90% dos residentes em 44 municípios galegos falam sempre em galego e não em castelhano. Na totalidade, cerca de 30% da população fala sempre o galego, o que é uma percentagem idêntica ao que sucede com o catalão na Catalunha, enquanto em Navarra e no País Basco só cerca de 20% da população usa regularmente a língua basca, o euscara. Se bem que o galego seja a língua maioritária para mais de metade da população, vive uma situação de estabilidade ou mesmo de algum retrocesso mas, apesar disso, o galego não é apenas a língua franca e coloquial da Galiza, pois parece estar na moda e é a língua preferida dos artistas, dos criadores e dos grupos musicais.

domingo, 21 de novembro de 2021

Lula a caminho do Palácio do Planalto

Luiz Inácio Lula da Silva atravessou o Atlântico e veio à Europa, tendo passado por Bruxelas, Paris e Madrid. Apesar de ter declarado que só anunciará em Fevereiro ou Março se avança com a sua candidatura porque, como referiu, essa decisão vai depender não só da sua vontade, mas também das escolhas das forças políticas que o possam apoiar e de um programa comum. Porém, esta visita de Lula à Europa é realmente o início da sua campanha eleitoral e o facto é que as sondagens continuam a ser divulgadas e a anunciar que Lula está com 37% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro tem 24%, Sérgio Moro tem 11% e Ciro Gomes tem 8%.
Na sua passagem por Madrid, Lula deu uma grande entrevista ao jornal El País e o homem que entre 2003 e 2010 foi o 35º presidente do Brasil e está com 76 anos de idade, quer voltar a ocupar o Palácio do Planalto “para recuperar o prestígio do Brasil e para que as pessoas possam comer três vezes por dia”.
De facto, há dez anos o Brasil atravessava um período de grande prestígio internacional e de crescimento económico, ao mesmo tempo que o programa Fome Zero tinha retirado milhões de brasileiros da pobreza e da fome. Hoje, todas as sondagens e estudos de opinião mostram que os governos de Lula são considerados como os melhores que o Brasil alguma vez teve, com mais inclusão social, menos desigualdade, aumento do emprego e do salário, democratização do acesso à universidade e a conquista da cidadania por parte de milhões de excluídos. Lula escandaliza-se e disse que “caminhamos para trás”, porque sendo o Brasil o terceiro maior produtor de alimentos do mundo, tem milhões de brasileiros que voltaram a ter fome, mas também porque o Brasil que já era a sexta economia do mundo, está agora no décimo terceiro posto do ranking mundial da economia.
O Brasil escolherá, mas espera-se que vença a covid, a bolsonarite e o retrocesso.

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Plataforma gigante a caminho do Rovuma

O Instituto Nacional de Petróleo de Moçambique anunciou e o jornal O País divulgou a notícia: o casco da plataforma FLNG (Floating Liquefied Natural Gas) destinado ao Coral Sul, o campo de gás que vai ser explorado na Área 4 da bacia do rio Rovuma, no norte de Moçambique, já largou da Coreia do Sul e vai a caminho do seu fundeadouro.
A infraestrutura flutuante tem 432 metros de comprimento por 66 metros de largura e pesa cerca de 140.000 toneladas, estando já instalado o módulo de habitação de oito andares, que poderão acomodar até 350 pessoas.
Será a primeira plataforma flutuante construída especificamente para a África a instalar em águas profundas e o início da produção de gás está previsto para 2022, a partir de seis poços submarinos perfurados a profundidades da ordem dos três mil metros, que alimentarão as unidades de liquefação insdtaladas na plataforma FLNG.
As concessionárias da área 4 da bacia do Rovuma incluem a Mozambique Rovuma Venture (MRV), uma joint-venture entre a italiana Eni, a americana ExxonMobil e a chinesa CNODC que detém 70% do capital do projecto, estando os restantes 30% distribuídos pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique EP, pela Kogas Moçambique, Lda. e pela Galp Energia Rovuma BV. São capitais multinacionais de várias origens e ao vermos a lusitana Galp Energia envolvida neste projecto procuramos recolher mais informação, verificando que a Galp Energia Rovuma BV tem a sua sede na Holanda, isto é, "multinacionalizou-se", sabe-se lá porquê...
Para quem muito navegou naquelas águas da bacia do Rovuma, causa uma natural impressão imaginar uma tão grande estrutura num local onde o mar era livre e aquelas plataformas ainda não perturbavam a paisagem marítima, como vai acontecer em breve.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Balde de água fria ou o adeus ao Qatar?

Faltava apenas um empate para que a selecção portuguesa assegurasse a sua presença na fase final do Campeonato do Mundo de Futebol, que será realizado no Qatar no próximo ano. Faltava apenas defrontar a Sérvia e era em Lisboa, com o estádio da Luz a abarrotar de adeptos e de bandeiras. Faltava apenas ultrapassar os noventa minutos de jogo e a confiança era geral. O apuramento estava quase garantido. Eram favas contadas e até um golo no minuto inicial parecia abrir o caminho para a vitória. Os jogadores deixaram-se embalar, deixaram de correr, deixaram de lutar. Ao nonagésimo minuto surgiu um golo sérvio e toda a arrogância palavrosa do nosso treinador, que nos tinha garantido que estaríamos no Qatar, se desfez.
Uma derrota destas não é tragédia nenhuma, embora seja difícil de engolir porque a equipa jogou mal, muito mal, sem esforço, sem luta, sem alegria. Eles queriam ganhar, mas ninguém lhes disse que tinham de correr e de lutar. Não basta que a equipa seja constituída por artistas talentosos e muito endeusados pelos media, pois é preciso incutir-lhes um espírito ganhador, o que implica humildade, disponibilidade, coesão e muita disciplina da parte dos artistas, o que não foi o que se viu ontem. Foi o “eclipse total” como bem salientou o jornal O Jogo, embora se refira que os outros jornais que vivem do futebol e que dão pelos nomes de A Bola e Record, tenham escolhido títulos excessivos como as palavras “Miserável” e “Vergonha mundial”, esquecendo que com a sua laudatória habitual têm muita responsabilidade no “eclipse” que aconteceu. Passam cada edição a tratar os jogadores como bestiais, mas bastaram-lhes noventa minutos para que os tratassem como bestas
Em Março disputam-se os play-off e pode ser que a selecção portuguesa ainda se qualifique para o Qatar…