domingo, 15 de maio de 2022

A pandemia do covid-19 ainda nos ameaça

Quando o mundo parecia começar a sentir-se livre da epidemia do covid-19 e se anunciava um tempo de alívio, têm surgido sinais que mostram que o vírus afinal ainda anda por aí, a causar muitas preocupações. Por isso, as autoridades sanitárias recomendam cautelas, sobretudo por parte das pessoas mais débeis, mas também o uso de máscara nos transportes públicos, hospitais, farmácias, centros de saúde e lares. É grande a apreensão sobre o que possa aparecer no futuro e, em alguns países, já está a ser ministrada a quarta dose da vacina.
Quando a ultrapassagem da crise sanitária estava a dar lugar a uma retoma económica quase de euforia, surgiu a guerra na Ucrânia e, agora, o há o reaparecimento do covi-19. O mundo não se consegue libertar deste tipo de tristes episódios. A Organização Mundial de Saúde, mas também as autoridades nacionais, bem procuram serenar os ânimos das populações, mas a situação é pouco animadora. Hoje, numa perspectiva de alerta à população, mas também de homenagem ao milhão de americanos que foram vítimas do covid-19, o jornal The New York Times ilustrou a sua primeira página com uma imagem da distribuição dos óbitos pelo território americano e escolheu para título “Um milhão – a dor incomensurável de uma nação”.
De acordo com os números que vão sendo divulgados, a pandemia já causou cerca de seis milhões de óbitos no mundo e, nessa lista negra, os Estados Unidos lideram com 998.301 óbitos, seguindo-se o Brasil, a Índia, a Rússia, o México, o Peru, o Reino Unido e a Itália.
Em Portugal verificaram-se, até agora, um pouco mais de quatro milhões de casos e há a lamentar 22.583 óbitos. Pelo sim e pelo não, o melhor é ter cautelas.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Luxemburgo/Portugal:relação excepcional

Os Grão-Duques do Luxemburgo estão desde ontem em visita oficial a Portugal, tendo sido cumpridas as formalidades protocolares que são devidas aos Chefes de Estado estrangeiros, incluindo honras militares, a que se seguiu um encontro no Palácio de Belém, onde o Presidente da República afirmou que Portugal e o Luxemburgo estão “totalmente de acordo” na União Europeia e na NATO, com “os mesmos pontos de vista” sobre a situação que se vive na Europa. Nessa oportunidade, fez bem em agradecer a forma como o Luxemburgo tem acolhido e integrado a comunidade portuguesa naquele país, que actualmente tem cerca de 90 mil cidadãos, que representam cerca de 15% da população do Grão-Ducado.
Marcelo Rebelo de Sousa já fizera uma visita oficial ao Luxemburgo em 2017 e os Grão-Duques já tinham visitado Portugal em 2010.
O Grão-Duque Henrique, segundo relata a edição de hoje do jornal Le Quotidien, referiu que existe uma regra luxemburguesa que interdita uma segunda visita de Estado ao mesmo país, mas que “a relação excepcional com Portugal” justifica esta sua segunda visita. Depois, ainda de acordo com o jornal luxemburguês, “de manière sincére”, o grão-Duque saudou “l’apport inouï de la population portugaise à la construction du Luxembourg”. O Presidente da República acompanhou os visitantes num passeio de carro eléctrico por alguns bairros históricos da cidade de Lisboa, que terminou no Miradouro das Portas do Sol, no bairro de Alfama, tendo à noite oferecido um jantar no Palácio Nacional da Ajuda, em honra dos visitantes luxemburgueses.
Curiosamente, a imprensa portuguesa esqueceu completamente a visita oficial dos Grão-Duques do Luxemburgo, porque nisso de visitas oficiais só lhe interessam as que faz Marcelo Rebelo de Sousa ao estrangeiro e que os leva na sua comitiva a bordo do Falcon, evidentemente à custa do pobre do contribuinte.

Finalmente, aproxima-se a hora do Carlos.

A rainha Isabel II tem 96 anos de idade e os seus médicos aconselharam-na a que não estivesse presente na tradicional cerimónia da abertura do Parlamento, devido aos seus “problemas episódicos de mobilidade”. Tendo iniciado o seu reinado em 1952, depois da morte de seu pai o rei Jorge VI, a rainha já leva 70 anos no trono britânico como rainha do Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, além de mais de uma dezena de pequenos estados, como a Jamaica, Bahamas, Granada, Papua-Nova Guiné, ilhas Salomão e outros. É a monarca britânica com mais tempo no trono, superando a longevidade da rainha Victoria, que durante 63 anos foi a rainha do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, mas também Imperatriz da Índia.
A rainha Isabel II tinha-se casado em 1947 com Filipe da Grécia e Dinamarca e tem quatro filhos, oito netos e doze bisnetos. O seu sucessor será Carlos, o seu filho mais velho, que é também o Príncipe de Gales e que, tendo nascido em 1948, tem agora 73 anos.
No passado dia 10 realizou-se a tradicional cerimónia de abertura do Parlamento e pela terceira vez no seu longo reinado a rainha não esteve presente, depois de também ter estado ausente em 1959 e 1963, por então estar grávida.
Pela primeira vez, o príncipe Carlos presidiu e discursou nesta cerimónia, tendo-se sentado ao lado da cadeira da rainha, ocupada pela Coroa Imperial, que só é usada nas cerimónias da coroação do monarca do Reino Unido e da abertura do Parlamento. A Coroa Imperial é uma das joias da Monarquia Britânica e pesa 1,060 quilogramas, tendo quatro diademas e 2.868 diamantes, 273 pérolas, 17 safiras, 11 esmeraldas e 5 rubis.
Por maior que seja o respeito por Her Majesty, a sua Mãe, o príncipe Carlos deve ter pensado “finalmente “ ou “o que eu andei para aqui chegar”. Certamente que este tipo de tradições desperta algum interesse, inclusive naqueles que não sendo monárquicos, nem apreciam a figura casmurra do príncipe herdeiro do Reino Unido. Porém, pelas leis da vida, aproxima-se finalmente a hora do Carlos.

terça-feira, 10 de maio de 2022

O orgulho ferido de Vladimir Putin

Ao noticiarem as celebrações do Dia da Vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazi em 1945 que ontem decorreram em Moscovo, são vários os jornais espanhóis, franceses e italianos que, nas suas edições de hoje, utilizam a mesma fotografia de Vladimir Putin entre dois soldados russos e destacam que ele nada tinha para celebrar, porque as forças russas têm sofrido muitas derrotas em território ucraniano, que não esperavam. Segundo foi referido pelos comentadores televisivos, a imponência do desfile militar ficou aquém do que era habitual e nem houve o tradicional desfile aéreo por receio de um eventual ataque de drones. A sombra da guerra na Ucrânia pairou sobre a Praça Vermelha e embora no seu discurso não se tivesse referido à sua operação especial em curso, o Vladimir deixou claro que a sua decisão resultou da ameaça de uma invasão do território russo por forças da NATO. O discurso de Putin dirigiu-se sobretudo aos soldados e à população russa, sendo mais uma peça para a guerra da propaganda que, de certa forma, está a ser uma das surpresas deste conflito.
A fotografia de Putin que foi publicada no jornal la Reppublica vale mais do que mil palavras, pois mostra um homem cabisbaixo e vergado ao peso de uma evidente derrota pessoal, o que não significa necessariamente a derrota militar das forças russas.
Ninguém tem dúvidas de que o actual conflito na Ucrânia e as suas consequências para o mundo, continuam a estar dependentes deste homem que, por estar ferido no seu orgulho e na sua arrogância, está cada dia mais desesperado e mais perigoso. Não é necessário ser-se psicólogo ou perito em estratégia para perceber essa realidade, enquanto a História nos ensina o que sempre aconteceu quando os poderosos são feridos no seu orgulho.
Daí as sábias palavras de Emmanuel Macron que, há dois dias, defendeu em Estrasburgo que para terminar a guerra na Ucrânia, a paz terá de ser construída sem a humilhação da Rússia, que é exactamente o contrário do que disseram Lloyd Austin e os americanos.

segunda-feira, 9 de maio de 2022

O Dia da Europa e os Dias da Vitória

O jornal Público destaca na sua edição de hoje o Dia da Europa ou Dia da União Europeia, uma data que foi escolhida com base numa proposta feita em 9 de Maio de 1950 pelo político francês Robert Schuman, no sentido de ser criada uma entidade supranacional europeia que assegurasse um futuro de paz na Europa. No ano seguinte surgiu a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) e em 1957 a Comunidade Económica Europeia (CEE), que evoluiu para a União Europeia e que agrega actualmente 27 estados. Apesar da enorme diversidade económica e cultural do espaço europeu e de alguns insucessos do seu projecto integrador, de que são exemplos o Brexit e o actual conflito na Ucrânia, a União Europeia tem sido um factor de progresso e de estabilidade para os povos da Europa. 
O jornal apresenta as três personalidades provavelmente mais destacadas da União Europeia, respectivamente Ursula von der Leyen, Olaf Scholz e Emmanuel Macron, os quais têm sobre os seus ombros o enorme desafio provocado pela invasão russa da Ucrânia, inclusive para manter a coesão e a unidade europeia nesta grave e dramática emergência. Muitos acreditaram que aqueles dirigentes poderiam ter mediado o conflito e evitado a invasão russa. Muitos acreditaram que era possível evitar o renascimento da Guerra Fria ou uma guerra por procuração. Agora, muitos acreditam que serão eles, mas não só eles, que podem travar a escalada do conflito e levar as duas partes a um cessar-fogo e à paz.
Nestes dias, para além do Dia da Europa, também houve o Dia da Vitória. Há 77 anos, depois da morte de Hitler, a Alemanha reconheceu a sua derrota na guerra e assinou a sua rendição, que foi aceite pelos Aliados no dia 8 de Maio de 1945, mas que a União Soviética só aceitou no dia seguinte. Desde então o Dia da Vitória é celebrado por diversas formas em duas datas diferentes e daí que ontem tivéssemos visto Macron no Arco do Triunfo, em Paris, enquanto hoje vimos Putin na Praça Vermelha, em Moscovo.
Dia da Europa e os Dias da Vitória que deveriam ser de festa, mas que são dias bem perturbadores.

domingo, 8 de maio de 2022

Quem não quer a paz que Guterres deseja

António Guterres, o secretário-geral das Nações Unidas, esteve em Ancara no passado dia 25 de Abril para falar com Recep Erdogan, esteve em Moscovo no dia 26 para falar com Vladimir Putin e esteve em Kiev no dia 28 para falar com Volodymyr Zelensky. Na altura foi muito criticado, inclusive por alguma comunicação social portuguesa, porque a sua iniciativa foi demasiado tardia. Porém, os resultados foram positivos e foi possível retirar idosos, mulheres e crianças do Azovstal, o complexo industrial da cidade de Mariupol, tendo António Guterres declarado depois que, mesmo em tempo de hipercomunicação, a diplomacia silenciosa produziu e pode produzir mais resultados. Durante esses dias, ele recusou dar detalhes sobre as operações em curso “para evitar minar possíveis sucessos”.
Ao contrário de Guterres, muitos têm sido os líderes que têm ido a Kiev para mostrar solidariedade ou levar um cheque mas, sobretudo, apenas para se mostrarem e fazerem a sua propaganda pessoal.
A imprensa mundial a que temos acesso, que tanto tem feito para formatar as opiniões públicas através da repetição exaustiva das mesmas histórias, dos mesmos relatos e dos mesmos comentários, simplificando o que é uma história complexa e reduzindo-a frequentemente a uma confrontação entre o bem e o mal, não deu relevo aos esforços de António Guterres e, pelo contrário, todos os dias anuncia o envio de mais javelins e mais stingers, mais carros de combate destruídos ou mais aviões abatidos.
Nestas circunstâncias, tem um enorme significado a declaração unânime do Conselho de Segurança das Nações Unidas de “forte apoio” aos esforços do secretário-geral para encontrar uma solução pacífica para o conflito, pois foi a primeira vez que produziu uma declaração conjunta sobre a Ucrânia, desde que a guerra começou no dia 24 de Fevereiro. Reagindo a essa declaração, António Guterres afirmou, em comunicado: "Hoje, pela primeira vez, o Conselho de Segurança falou a uma só voz pela paz na Ucrânia. Como tenho dito muitas vezes, o mundo deve unir-se para silenciar as armas e defender os valores da Carta das Nações Unidas". É exactamente isso, que aqui temos defendido mas, objectivamente, tanto a imprensa nacional como a internacional parecem não se interessar por estes esforços de António Guterres.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Ucrânia face a um perigoso braço de ferro

No dia 24 de Fevereiro as tropas russas iniciaram a invasão da Ucrânia e, nesse dia, escrevemos aqui que era “Um dia muito negro na História da Europa”. No dia 27 registamos a nossa surpresa escrevendo sobre “A resistência e a coragem de Zelensky” e, no dia 28, porque houvera um primeiro encontro entre negociadores russos e ucranianos e se estudava o cessar-fogo, escrevemos a respeito de “Um breve encontro, um passo necessário”.
Desde então passaram mais de dois meses e tudo se tornou bem diferente do que parecia. Em vez de terminar, a guerra intensificou-se e muitas cidades ucranianas foram destruídas, morreu muita gente e há milhões de refugiados. Não há sinais de cessar-fogo nem de negociações para a paz, embora a aposta de António Guterres na diplomacia silenciosa tenha dado alguns resultados positivos. Há notícias de combates e da entrada maciça de material de guerra nos teatros de operações. Os países da NATO anunciam sanções à Rússia e muitos milhares de milhões de euros de apoio militar e de ajuda humanitária à Ucrânia. A indústria do armamento e as petrolíferas rejubilam. Cada vez parece ser mais claro que a Ucrânia é um pretexto para uma guerra por procuração (proxy war), isto é, uma guerra em que dois ou mais países se utilizam de terceiros (os proxies), como intermediários ou substitutos, de forma a não lutarem directamente entre si.
Agora, percebem-se melhor as declarações de Mevlut Çavusoglu, o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, quando afirmou que “há alguns países no seio da NATO que querem que a guerra na Ucrânia continue. Eles pensam que, se a guerra continuar, a Rússia ficará enfraquecida. A situação na Ucrânia pouco importa para eles”. Quatro dias depois em Kiev, foi Lloyd Austin, o secretário da Defesa americano, a confirmar o que Çavusoglu tinha dito. Portanto, há quem queira a guerra.
Porém, se tivessem sido ponderadas as palavras de Henry Kissinger, no texto publicado no The Washington Post do dia 6 de Março de 2014 em que, entre outras coisas, defendia que a Ucrânia não devia aderir à NATO, posição que também tinham Angela Merkel e Emmanuel Macron, talvez não tivesse começado uma tão dolorosa guerra.
Na sua última edição, o Courrier International mostra Biden e Putin face a face, referindo o braço de ferro que estão a fazer e perguntando se os Estados Unidos e a Rússia não estarão à beira de um confronto directo.

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Língua portuguesa: um oceano de culturas

Hoje, dia 5 de Maio, é o Dia Mundial da Língua Portuguesa, conforme proclamação da 40ª sessão da Conferência Geral da Unesco, realizada em Paris entre os dias 12 e 27 de Novembro de 2019. 
A data já tinha sido estabelecida em 2009 para celebrar a língua portuguesa e as culturas lusófonas por decisão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), uma organização que desde 1996 agrega os países que têm a língua portuguesa como língua oficial, como língua de comunicação e como veículo de cultura.
Esta terceira edição será hoje assinalada através de 139 atividades em 52 países, com Angola e o Brasil a assumirem os principais destaques entre um conjunto de eventos espalhados por quatro continentes. A imprensa portuguesa de Macau também assinala esta celebração e o jornal ponto final destaca-a com uma fotografia de capa em que uma jovem macaense exibe Os Maias de Eça de Queiroz. Lamentavelmente, a imprensa portuguesa ignora ou não destaca este Dia Mundial da Língua Portuguesa. Que mau serviço que prestam à língua portuguesa!
A língua portuguesa é uma das mais difundidas no mundo pois estima-se que seja falada por 265 milhões de pessoas espalhadas por todos os continentes, sendo também a língua mais falada no hemisfério sul. Os diversos institutos internacionais que se dedicam ao estudo da distribuição das línguas mais faladas no mundo, colocam a língua portuguesa numa posição entre o 5º e o 9º lugar no ranking das línguas mais faladas no mundo, conforme os critérios utilizados.
Alguns cultores da língua portuguesa comentaram a sua importância: Fernando Pessoa escreveu que a “minha Pátria é a língua portuguesa” e, sobre a sua diversidade, também José Saramago escreveu que “quase me apetece dizer que não há uma língua portuguesa, há línguas em português". Outros dirão, muito a propósito, que a língua portuguesa é um oceano de culturas. 

segunda-feira, 2 de maio de 2022

A migração dos pinguins-de-magalhães

O jornal argentino Hoy en la Noticia é publicado na cidade de La Plata, na província de Buenos Aires, anunciando na sua edição de hoje que “comenzó la migración de los pingüinos de Magallanes”.
A notícia é interessante pois relata um acontecimento invulgar e pouco conhecido na Europa, que é a viagem de mais de três mil quilómetros empreendida por esta espécie patagónica até às costas do Uruguai e do sul do Brasil, sobretudo em busca de alimento que, com a aproximação do inverno austral, começa a faltar. A espécie tem o nome científico de spheniscus magellanicus, foi avistada pela primeira vez em 1520 pela frota de Fernão de Magalhães e foi mencionada no relato que Antonio Pigafetta fez dessa viagem. O seu habitat é, essencialmente, o estreito de Magalhães e a Patagónia, as ilhas Malvinas e as costas argentinas e chilenas, embora se desloquem até ao Brasil e ao Peru para procurar alimento durante o inverno austral.
O pinguim-de-magalhães é uma ave não voadora, ovípara, com uma estatura média de 70 centímetros e cujo peso varia entre quatro a seis quilogramas. É uma das dezoito espécies de pinguins, das quais pelo menos metade estão ameaçadas de extinção, devido à crescente escassez alimentar provocada pelas alterações climáticas.
Para promover a conservação de todas as espécies de pinguins e a preservação das costas e dos oceanos onde habitam, foi criada a Global Penguin Society (GPS), uma entidade reconhecida internacionalmente, que tem a sua sede na cidade argentina de Puerto Madryn, na província de Chubut. O destaque da notícia do diário Hoy en la Noticia mostra como a Global Penguin Society é dinâmica e prestigiada na comunicação social argentina, mas também mostra que magalhães é nome de muita coisa, incluindo pessoas, galáxias, territórios, computadores e até pinguins.

domingo, 1 de maio de 2022

Já se festeja a Feria de Abril de Sevilla

Ontem à meia-noite começou a Feira de Sevilha, oficialmente designada por Feria de Abril de Sevilla, que é a “más esperada” de todas as feiras da Andaluzia e que vai durar até ao dia 7 de Maio.
A festa ocorre duas semanas depois da Semana Santa e as festividades começam sempre à meia-noite de sábado, quando são acesas as luzes da monumental porta de entrada no recinto da feira – a portada – que a edição de hoje do Diario de Sevilla nos mostra. Nessa altura, milhares de pessoas juntam-se em frente da portada para assistir ao alumbrão, ou à iluminação simultânea de milhares de lâmpadas coloridas do recinto da feira e da porta principal, que tem quase cinquenta metros de altura, que é diferente em cada ano e que este ano se inspira no hotel Alfonso XIII, segundo foi anunciado. Durante uma semana a cidade de Sevilha vive apenas para a festa e, em especial, para a música, a gastronomia e a dança, o que leva os sevilhanos a passar a maior parte do seu tempo no recinto da feira instalada na margem direita do rio Guadalquivir e, sobretudo, no seu enorme parque de diversões e nas muitas centenas de stands ou pavilhões preparados por grupos de amigos, por associações, por empresas e até por partidos políticos. A partir do fim da tarde, nas ruas e nesses pavilhões, há multidões que festejam e dançam, que bebem xerez, manzanilla e, mais recentemente cerveza, além de comerem as apreciadas tapas andaluzas. Todos os dias a festa começa com o desfile de carruagens e cavaleiros que se dirigem para La Real Maestranza, a monumental praça de touros de Sevilha, onde todas as tardes se realizam touradas.
Durante as festividades as pessoas vestem trajes típicos da Andaluzia, em especial as mulheres, que usam trajes flamencos ou ciganos, que são muito apreciados pelos curiosos da fotografia. 
Após uma semana de diversão e de folia, a feira termina com o sempre impressionante espectáculo de fogo-de-artifício.

sábado, 30 de abril de 2022

Remendar a França e ter a paz na Ucrânia

O jornal La Croix publica-se em Paris e é um dos grandes jornais franceses de circulação nacional, afirmando-se com uma linha editorial que se diz imparcial nas questões políticas e sociais, mas que tem posições próximas da Igreja Católica.
Na sua edição de hoje, o jornal apresenta um mapa de França rasgado e com os sinais de estar a ser cosido, tendo por legenda “remendar a França”. Depois da recente disputa para as eleições presidenciais, em que Emmanuel Macron venceu com os votos daqueles que “o escolheram entre o menor dos males”, ele mesmo reconheceu as dificuldades que terá que ultrapassar, quer na frente interna com os problemas nas escolas, na segurança pública, na precariedade laboral e na integração das minorias, quer na frente externa com o agravamento da crise no leste europeu. Daí a ideia de remendar a França e de ultrapassar as divisões políticas, sociais e regionais que afectam o país, ameaçado ainda pelo movimento dos coletes amarelos (Mouvement des gilets jaunes), que nasceu em 2018 de forma espontânea para protestar contra “a ordem estabelecida” ou contra “a ordem centrista de Macron”, que quase paralisou a França e que ameaça agora regressar às ruas francesas.
Este quadro acontece quando no Leste da Europa se verifica um agravamento da confrontação entre os protagonistas da Guerra Fria, a mostrar que a Ucrânia é, sobretudo, um pretexto ou um palco para o domínio do mundo. Não se imaginava que tal pudesse acontecer, mas nessas circunstâncias a estabilidade da França é importantíssima para a União Europeia, mas também é importante para Portugal. As tensões entre a Rússia e a Ucrânia não deveriam ter atravessado o Atlântico e deveriam ter sido mediadas e arbitradas por Emmanuel Macron, ou por Olaf Scholz, ou por Recep Erdoğan, ou por António Guterres. No entanto, é sempre desejável que Macron “remende a França” e ajude à conversa entre Putin e Zelensky, para que aconteça o cessar-fogo e haja paz na Ucrânia.

O preço que a Europa paga pela guerra

O jornal espanhol ABC publica na sua edição de hoje uma fotografia de Irpin, uma cidade-satélite situada a ocidente de Kiev, onde se pode observar a enorme destruição provocada pela ocupação russa durante cerca de um mês. A imagem sugere que é preciso acabar com a guerra e procurar o cessar-fogo e a paz, que deveriam ser um objectivo para a comunidade internacional, tal como o seu apoio aos esforços do secretário-geral das Nações Unidas e de outros mediadores.
O mesmo jornal, inclui na primeira página um título que nos ajuda a compreender o que se está a passar na Ucrânia e que diz que “Europa financia la guerra de Putin com 22.000 millones de euros al mes”. Se aquele montante mensal for verdadeiro, representa um valor anual que excede o PIB português que é de cerca de 220 mil milhões de euros. Porém, se olharmos para os 2.451 milhões de euros que estão inscritos para o ano de 2022 no Orçamento do Estado português para a Defesa Nacional, ficamos com uma noção mais exacta do preço que a Europa está a pagar pelo seguidismo com que tem acompanhado os Estados Unidos, ao promover a continuação da guerra e a catástrofe humanitária que a acompanha, em vez de procurar a paz.
A forma desinteressada como foi olhada a visita de António Guterres a Moscovo e a Kiev, parece confirmar que para o lado ocidental é mais importante punir a Rússia, do que encontrar a paz e poupar o sacrifício do povo ucraniano. Antes da invasão ordenada por Putin, houve vários líderes europeus que procuraram mediar o conflito e evitar a guerra, mas as indústrias do armamento e os seus falcões parecem estar a conseguir o seu já declarado objectivo de enfraquecer a Rússia, embora essa tarefa esteja a ser feita à custa do sofrimento dos ucranianos e da destruição das suas cidades e, em menor escala, da regressão da economia, do modelo social e da coesão europeia.
Não são nada animadores os tempos que aí vêm.

sexta-feira, 29 de abril de 2022

A mais dura e humilhante derrota de Putin

O jornal Morgenavisen Jyllands-Posten é o jornal de maior tiragem na Dinamarca, publica-se na cidade de Aarhus e circula desde 1871. Na sua edição de hoje o jornal dá um grande destaque ao cruzador Moskva, o navio-almirante da frota russa do mar Negro que era um símbolo do poder naval da Rússia e que foi afundado há duas semanas. A ilustração que o jornal hoje publica é acompanhada pela legenda “Flagskibet der endte pá bunden af Sortehavet” que, com a ajuda do Google, traduzimos como “o navio-chefe que acabou no fundo do mar Negro”. No meio de tantas notícias que mostram o agravamento da guerra, ao tratar este assunto duas semanas depois de ter ocorrido, o jornal destaca aquela que poderá ter sido a derrota militar mais humilhante que o regime de Putin sofreu até agora.
Entretanto, a situação parece agravar-se no terreno, como mostra o pedido que Joe Biden fez ao Congresso para autorizar uma ajuda suplementar à Ucrânia de 33 mil milhões de dólares, ou o crescente envolvimento da NATO com o fornecimento de material de guerra ou, ainda, o destacamento de soldados para as fronteiras do leste da Europa.
Por outro lado, as diligências feitas pelo secretário-geral das Nações Unidas em Moscovo e Kiev para se caminhar para a paz, parecem ter muito pouco apoio, como se verifica na residual cobertura mediática que a sua deslocação teve, designadamente nos Estados Unidos e no Reino Unido. Parece, assim, que tinha razão o ministro turco dos Negócios Estrangeiros quando afirmou que alguns países-membros da NATO pretendem que a guerra na Ucrânia perdure, de modo causar a erosão das capacidades e o enfraquecimento da Rússia, pois a situação na Ucrânia pouco lhes importa. Isto, diz a Turquia, que é membro da NATO e que tanto se tem esforçado para conseguir a paz.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

António Guterres, um missionário da paz

António Guterres, o secretário-geral das Nações Unidas, esteve ontem em Moscovo e amanhã vai estar em Kiev. Numa altura em que quase só se fala de guerra e em que há quem deseje a sua continuação, havendo mesmo quem considere que já estamos numa terceira guerra mundial, o sofrimento e a dor do povo ucraniano parecem esquecidos e não se vêm diligências suficientes para conseguir um cessar-fogo que permita negociar a paz. Tem-se verificado, inclusive, um agravamento das ameaças e dos discursos provocatórios, numa escalada belicista irresponsável em que a Europa se deixou envolver, como subalterna de uma outra disputa. Por isso, o esforço de António Guterres “para salvar vidas” ou para abrir caminhos para a paz, deve ser saudado, tal como os repetidos apelos à paz lançados pelo Papa Francisco.
Todos os principais jornais portugueses publicaram a fotografia de Putin e Guterres no Kremlin à volta da grande mesa oval e separados por seis metros, mas apenas porque o secretário-geral é português. Na imprensa estrangeira, essa fotografia não foi publicada, o que significa que a missão de paz de António Guterres está a ter menos importância do que as deslocações de Antony Blinken e de Lloyd Austin, que foram a Kiev anunciar mais apoio financeiro para, segundo disse Austin, “enfraquecer a Rússia ao ponto de já não ser capaz de invadir a Ucrânia”. Do outro lado, a réplica de Putin também é ameaçadora ao dizer que responderá com um ataque “relâmpago” a qualquer ingerência estrangeira na Ucrânia. Entre todas estas e outras preocupantes e até assustadoras declarações, há que saudar a missão de António Guterres e desejar-lhe que consiga progressos nos caminhos da paz.

Uma estátua para o turismo e o emprego

Na pequena cidade brasileira de Encantado, situada no estado do Rio Grande do Sul, foi anunciada a conclusão de uma estátua do Cristo Protetor que, com os seus 43,5 metros de altura, fica a constituir o maior monumento brasileiro desse tipo, superando os 38 metros do Cristo Redentor do morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, que foi informalmente escolhido como uma das sete maravilhas do mundo moderno e que desde 2012 foi incluído na lista do património mundial da Unesco. O Cristo de Encantado foi construído em betão e aço, pesa 1,7 toneladas e tem 39 metros de envergadura, isto é, de distância entre a ponta de um braço e a outra ponta.
Encantado é um município que se localiza no Vale do Taquari, a cerca de 140 quilómetros de Porto Alegre, a capital do estado, a 820 quilómetros de São Paulo e a cerca de 400 quilómetros da cidade de Rivera, na fronteira com o Uruguai. A ideia da construção desta estátua teve em vista a criação de um polo de atracção de turismo religioso na cidade de Encantado, tendo sido custeada por empresários da região e por doações de particulares, visando “transmitir a fé do povo e alavancar o turismo na região”. Assim se gera a criação de emprego e se anima a economia da região. De resto, está constituída a Associação Amigos de Cristo do Encantado que é a entidade responsável pela execução desta obra e que vem preparando as estruturas comerciais que apoiarão os futuros visitantes.
O Cristo do Encantado começou a ser construído em 2019 e foi concebido pelos escultores cearenses Genésio Moura e seu filho Markus Moura. Um dos destaques da obra é o coração da estátua, que será envidraçado e terá funções de miradouro, havendo um elevador que levará os visitantes até lá, de onde será possível ter uma vista panorâmica da cidade e do vale onde está implantada.
O jornal Estado de S. Paulo noticiou a conclusão da obra e publicou uma fotografia do Cristo do Encantado com destaque de primeira página. A ideia bem merece esse destaque.