segunda-feira, 18 de novembro de 2019

No futebol a alegria do povo é a vitória


É verdade que o futebol é cada vez mais um produto muito pouco recomendável, porque a beleza do espectáculo vem sendo substituída por uma doentia alienação das pessoas alimentada pelos mass media; é verdade que os espaços que as estações televisivas dedicam às discussões sobre o futebol são longos, desinteressantes, pouco educativos e quase obscenos, constituindo um ataque à inteligência das pessoas; é verdade que à volta do futebol vive uma panóplia de interesses com transferências, patrocínios, comissões, transmissões televisivas, direitos de imagem e outras actividades assessórias que fazem daquele espectáculo um negócio.
É verdade tudo isso mas, apesar dessas realidades, eu gosto de ver aqueles “artistas” durante os 90 minutos em que “trabalham”, com os golos e os remates fora da área, os dribles e os livres directos, as defesas espectaculares, a ansiedade no momento do penalti e a alegria vibrante dos adeptos.
Ontem a selecção portuguesa de futebol - ou como certa imprensa costuma dizer Ronaldo & Companhia – ganhou ao Luxemburgo. O jogo não entusiasmou e até foi enervante, mas a vitória bastou para que todos ficassem contentes. O povo gosta mais de vitórias do que de bons espectáculos de futebol. A derrota, mesmo que num bom espectáculo não interessa, pois não alimenta as emoções. Ganhar é que é importante e Portugal apurou-se para o Euro 2020. Foi a 11ª vez consecutiva que isso aconteceu em Mundiais e Europeus, isto é, desde o ano de 2000 que a equipa portuguesa não falha uma grande competição internacional. Ora isso é uma grande alegria para o povo e eu partilho dessa alegria. Portugal sorri e eu aplaudo!

domingo, 17 de novembro de 2019

A crise boliviana e o risco de contágio

A crise boliviana surgiu na sequência das eleições de 20 de Outubro que deram a vitória a Evo Morales, mas que a Organização dos Estados Americanos denunciou terem sido fraudulentas, daí resultando a intervenção dos chefes militares que levou à renúncia e depois ao exílio de Evo Morales.
A imagem externa da Bolívia era de um país estável e que tinha em Evo Morales um presidente um pouco extravagante mas consensual, mas os acontecimentos dos últimos dias vieram mostrar um país dividido entre aqueles que denunciam a fraude eleitoral e os que acusam os chefes militares de um golpe de estado. O facto é que há quem fale em clima de pré-guerra civil e que as duas partes já se enfrentaram de forma muito violenta, tendo daí resultado algumas vítimas, embora diferentes sectores da sociedade boliviana, incluindo a Igreja, tenham iniciado campanhas com “marchas y oraciones” a pedir a pacificação da Bolívia, como hoje salienta El Diario, el decano de la prensa boliviana.
Hoje existe uma grande probabilidade de contágio do descontentamento nos países da América do Sul, onde existem problemas comuns de insatisfação das populações, de desigualdade social e de aspirações não satisfeitas e esse risco de contágio deve ser evitado, em nome da paz naquele continente.
Porém, logo que Evo Morales renunciou, a senadora Jeanine Añez apareceu a assumir a presidência e essa sucessão foi tão rápida, mesmo sem o apoio do parlamento boliviano, que muita gente desconfiou que ali havia algo de estranho. Realmente, há uma grande semelhança entre o que se passou na Bolívia (afastamento de Evo Morales) com aquilo que insistentemente se quer fazer na Venezuela (afastamento de Nicolas Maduro) e com o que já foi feito no Brasil (afastamento de Lula da Silva e de Dilma Roussef). O mesmo objectivo, embora o modus operandi seja um pouco diferente.

sábado, 16 de novembro de 2019

Alguma Espanha está muito desconfiada


A Espanha está suspensa do pré-acordo a que chegaram o PSOE e o Podemos para formar um governo de coligação, embora ainda lhes faltem alguns apoios parlamentares vindos dos pequenos partidos, seja por via de votos favoráveis, seja por via da abstenção.
Por uma questão de filosofia política, mas também para assegurar os apoios de que carece, o futuro governo vai certamente aumentar a despesa pública e, em especial, as despesas sociais. Os partidos da oposição e muitos agentes económicos vêm anunciando preocupações pelo ritmo insustentável do crescimento da despesa pública que se adivinha, cuja contrapartida terá que vir do aumento dos impostos. Além disso, consideram que o pré-acordo que foi assinado dá excessivos poderes ao Podemos de Pablo Iglésias, que quer controlar 16.500 milhões de euros da despesa pública, segundo revela o jornal el Economista.
Nos sectores políticos da direita afirma-se que “no hay suficientes ricos en España para los disparates de Podemos”, o que até está em linha com o pensamento expresso por Pedro Sánchez quando há poucos meses disse que  no dormiría tranquilo si tuviera en el Gobierno a Pablo Iglesias”. Portanto, com estes exercícios de malabarismo político de Sánchez e de populismo de Iglésias, há quem já chame ao governo em formação “un Gobierno Frankenstein de izquierdas”, um pouco ao estilo da geringonça portuguesa. Segundo o jornal já referido, milhares de contribuintes temem por uma forte subida dos impostos e há uma avalanche de consultas para levar as suas fortunas para Portugal. No entanto, como se costuma dizer por cá, a procissão ainda vai no adro e muita água ainda vai correr por debaixo das pontes.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Bilbau uma cidade cada vez mais cultural


A cidade basca de Bilbau alberga desde 1997 o Museu Guggenheim Bilbao, um dos cinco museus espalhados pelo mundo que pertencem à Fundação Solomon R. Guggenheim, tendo sido projectado por Frank Gehry, um famoso arquitecto canadiano naturalizado americano. Com este equipamento a cidade ritalizou-se e passou a atrair visitantes de toda a parte.
Agora, em consequência dos efeitos culturais gerados pelo Museu Guggenheim, a cidade decidiu apostar em novas iniciativas e uma delas é a colocação de uma artística cúpula na Plaza de Toros de Vista Alegre, que é a terceira praça mais importante da Espanha, depois de Madrid e Sevilha, podendo receber cerca de 15 mil espectadores.
Com a colocação da cúpula, a adaptação do espaço e a modernização das instalações, a empresa proprietária da Vista Alegre pretende atrair eventos de ócio e cultura entre Outubro e Junho, isto é, fora da época taurina, esperando dessa forma rentabilizar a praça de touros que deixou de ser sustentável apenas com a festa tauromáquica. A cúpula será uma estrutura semi-fixa que terá capacidade para cerca de 4.000 pessoas e poderá abrigar eventos como concertos, espectáculos, exposições ou feiras, “algo que Bilbau não tinha”.
O jornal Deia que se publica em Bilbau, destaca hoje na sua primeira página La nueva Vista Alegre, futurista y multiusos, que vai certamente tornar-se em mais um atractivo para a vida cultural de Bilbau e para o turismo. Entretanto, o Parque Mayer em Lisboa continua à espera que se faça qualquer coisa que o possa valorizar.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Veneza é vítima das alterações climáticas


Mais de 85% da cidade de Veneza está inundada e muitos jornais internacionais publicam hoje imagens da famosa Praça de São Marcos, coberta por uma toalha de água e sem turistas, enquanto uma estação televisiva até mostrou a insólita imagem de um homem nadando naquela praça. É a pior cheia dos últimos 50 anos, com o nível da água a atingir 1,87 metros, o que corresponde ao segundo maior nível de que há registo. Na cripta da Basílica de São Marcos a água subiu até à altura de 1,20 metros, tendo sido a sexta vez em 1200 anos que a basílica sofreu uma inundação e a quarta vez que isso aconteceu nos últimos 20 anos.
A cidade de Veneza tem uma configuração geográfica sui-generis e o seu centro histórico fica situado sobre várias ilhas de uma grande lagoa da costa do mar Adriático, estando servido por 177 canais e mais de quatrocentas pontes, sendo uma cidade absolutamente pedonal onde o transporte é assegurado por embarcações.
A lagoa de Veneza tem três ligações ao mar e está sujeita a grandes variações do seu nível de água devido às marés, sobretudo as marés vivas do Outono, conhecidas por acqua alta e que habitualmente inundam parte da cidade histórica. É o que está a acontecer agora. O jornal La Repubblica destaca a sigla SOS e as autoridades locais declararam o estado de emergência, ao mesmo tempo que exigem que o projecto Mose, constituído por uma rede de barreiras destinadas a proteger a lagoa e impedir a subida do nível da água através das suas três ligações ao mar, que foi anunciado em 2003 e que está orçamentado em 5,5 mil milhões de euros, seja terminado. 
As alterações climáticas são a causa das inundações de Veneza, mas também dos maiores incêndios florestais de sempre que estão a acontecer na Austrália, que podem durar meses e que já se aproximam de Sydney. Porém, o Donald e alguns outros Donalds, nem sequer subscrevem o Acordo de Paris sobre as alterações climáticas de 2015...

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Um abraço que põe a Espanha a respirar


Poucas horas depois de serem conhecidos os resultados das eleições espanholas e quando todos os comentadores políticos apontavam para uma situação ainda mais difícil do que aquela que lhes dera origem, aconteceu uma enorme surpresa quando o PSOE e o Podemos anunciaram um pré-acordo de coligação para governar e a fotografia de um abraço entre Pedro Sánchez e Pablo Iglesias encheu a capa dos jornais espanhóis. O acordo que não tinham conseguido em Julho, foi agora conseguido em poucas horas, porque ambos sabiam que estavam condenados a entender-se e porque a continuação do impasse levaria a novas eleições e à continuação da subida da direita espanhola. Pedro Sánchez cedeu a sua intransigência do passado Verão e trocou a sua sobrevivência política por uma coligação – a primeira da história democrática espanhola como hoje se lhe refere o La Vanguardia – em que, segundo se soube, o Podemos ocupará uma vice-presidência e três pastas no futuro governo.
O preacuerdo entre o PSOE e o Podemos consta de dez pontos que, entre outras matérias, tratam do emprego, da economia, das alterações climáticas e da cultura, mas sobretudo do problema da Catalunha. O ponto 9 do preacuerdo salienta que o governo espanhol terá como prioridade garantir a convivência na Catalunha e a normalização da sua vida política e, com esse fim, fomentará o diálogo, procurando fórmulas de entendimento e encontro, sempre dentro da Constituição.
Este acordo foi um passo importante para a estabilidade política espanhola e foi um alívio para muita gente, dentro e fora da Espanha. Porém, os deputados do PSOE (120) e os deputados do Podemos (35) não são suficientes para assegurar a maioria no Parlamento espanhol (350), pelo que Pedro Sánchez, agora com Pablo Iglesias, vai precisar de conversar e de negociar com os pequenos partidos e com os partidos independentistas, isto é, a Espanha apenas começou a respirar e a ver uma solução no horizonte. 

terça-feira, 12 de novembro de 2019

A Bolívia também entrou na onda da crise


Nos últimos dias a agenda da imprensa sul-americana tem sido ocupada, não pela Venezuela ou pelo Chile, mas pela Bolívia, onde Evo Morales exercia a presidência desde 2006 e, aparentemente, com grande apoio popular.
Acontece que se realizaram eleições gerais no passado dia 20 de Outubro, tendo sido anunciada a vitória de Evo Morales para mais um mandato presidencial. A oposição boliviana denunciou de imediato que houve grossa fraude eleitoral e contestou aquele resultado, pedindo uma nova votação que fosse fiscalizada pela comunidade internacional, ao mesmo tempo que veio protestar para as ruas. As contestações do nosso tempo começam sempre por um pretexto mais ou menos justo, mas a seguir vem a reivindicação por uma vida melhor e por menos desigualdade social, por vezes de forma violenta. Antigamente, este tipo de contestação só acontecia nos regimes totalitários, mas agora também está a acontecer nas democracias. 
Na Bolívia, um enorme país mas apenas com 10 milhões de habitantes, a contestação subiu de tom e, como tem sido habitual um pouco por todo o mundo, os grupos radicais depressa passaram a tomar conta dos protestos que se tornaram violentos. O governo boliviano até avisou que estava a caminho um golpe de estado, sobretudo depois de alguns quartéis da Polícia, incluindo na cidade de La Paz, terem decidido não reprimir as manifestações. Entretanto, a Organização dos Estados Americanos declarou que as eleições foram fraudulentas e, no mesmo dia, Evo Morales convocou novas eleições. Já era tarde. Os chefes militares pediram a Evo Morales que abandonasse o seu cargo para que a paz voltasse ao país e ele renunciou pouco depois. O primeiro presidente de origem indígena da Bolívia aceitou a oferta do México e seguiu para o exílio.
Só os próximos dias nos ajudarão a compreender o que se passou, mas a realidade é que, por motivos aparentemente bem diferentes, sopram ventos muito frescos na Bolívia, no Chile e na Venezuela.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

O enorme impasse político da Espanha

As eleições legislativas que ontem se realizaram em Espanha deixaram os espanhóis muito nervosos e preocupados. Na verdade, depois do impasse ou do bloqueio político resultante das eleições do passado dia 28 de Abril, o acto eleitoral de ontem visava ultrapassar essa situação através do aparecimento de maiorias ou coligações, mas a Espanha surgiu ainda mais dividida e com os discursos dos líderes políticos mais radicalizado. É certo que os socialistas do PSOE voltaram a ganhar, agora com 28% dos votos mas sem maioria absoluta, tendo visto reduzir-se a sua margem negocial para eventuais alianças à esquerda num quadro parlamentar muito complexo. O PP aumentou a sua votação e tornou-se a alternativa ao PSOE, enquanto o Vox se tornou a terceira força política espanhola devido ao seu firme discurso pela unidade nacional que conquistou o eleitorado, enquanto o Ciudadanos sofreu uma brutal derrota o que levou à imediata demissão do seu líder. No parlamento espanhol estão agora representados 16 partidos ou movimentos políticos, incluindo os partidos independentistas da Catalunha com 23 deputados e alguns pequenos partidos nacionalistas do País Basco, da Galiza, da Cantábria e de Aragão.
O futuro político da Espanha está, portanto, muito sombrio. Ao ouvirem-se os líderes partidários e os comentadores políticos não se vislumbra saída para esta situação, pois o radicalismo parece ter tomado conta de todos eles, ao mesmo tempo que continua alguma violência nas ruas da Catalunha que, de facto, é o ponto-chave do futuro político da Espanha.
Aqui ao lado, também se vive com preocupação pelas consequências económicas e outras que a crise espanhola nos pode trazer, mas é caso para nos congratularmos pela paz social que se tem vivido e pelo diálogo que vai havendo, esperando-se que não haja qualquer tipo de contágio espanhol.

Angola festeja 44 anos de independência

Foi no dia 11 de Dezembro de 1975 que Angola se tornou independente, quando a bandeira portuguesa foi arriada no Palácio do Governo em Luanda e foi hasteada a bandeira angolana. Nesse dia, o presidente Agostinho Neto proferiu um discurso em que declarou que “em nome do Povo angolano, o Comité Central do Movimento Popular de Libertação de Angola, proclama solenemente perante a África e o Mundo a Independência de Angola” e, também, que “a República Popular de Angola tratará com especial atenção as relações com Portugal e, porque deseja que elas sejam duradoiras, estabelecê-Ias-á numa base nova despida de qualquer vestígio colonial”.
Era então um tempo complexo e difícil, porque o território nacional estava ocupado por forças militares dos três movimentos nacionalistas (MPLA, FNLA e UNITA) e por forças estrangeiras (Cula, África do Sul e outras), pelo que além da proclamação da independência nacional feita em Luanda por Agostinho Neto, também Holden Roberto no Ambriz e Jonas Savimbi no Huambo, fizeram proclamações da independência.
A guerra de libertação nacional tinha durado de 1961 a 1974, mas seguiu-se uma dolorosa e longa guerra civil angolana com larga participação de forças estrangeiras, que se estendeu de 1975 a 2002.
A República Popular de Angola vive em paz há 17 anos e a sua caminhada para o progresso, depois de cerca de 40 anos consecutivos de guerra, continua a ser feita de forma gradual, mas democrática e sustentada. Hoje os angolanos podem festejar os 44 anos da sua independência em paz, em harmonia e em unidade nacional, superando todos os traumas do passado e as naturais diversidades das suas regiões e dos seus povos. Ninguém tem dúvidas que Angola é um país de futuro e de esperança para os quase 30 milhões de angolanos.

domingo, 10 de novembro de 2019

Lula regressa para lutar pelo Brasil

Depois de 580 dias na prisão e na sequência de uma decisão do Supremo Tribunal Federal brasileiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi libertado da prisão de Curitiba, conforme relata a Folha de S.Paulo.
Embora não conheça os detalhes jurídicos da acusação, do julgamento e da condenação de Lula da Silva, nem as razões que agora ditaram a sua libertação, o caso Lula sempre me despertou interesse, sobretudo porque se trata de um homem cuja presidência, exercida entre 2003 e 2011, prestigiou internacionalmente o Brasil. O seu percurso político e a sua experiência operária e sindical levaram-no à presidência do quinto maior país do mundo (96 vezes maior do que Portugal), desenvolvendo o famoso programa “Fome Zero”, que foi reconhecido pelas Nações Unidas como o mais eficente programa mundial de redução da pobreza, com cerca de 40 milhões de brasileiros a ascenderem a uma nova classe média e com o número de pessoas que passam fome a ser reduzido em 50%. Evidentemente que esta mensagem de sucesso que vingou no exterior, não terá tido o mesmo reconhecimento interno, mas o facto é que os brasileiros se preparavam para levar Lula da Silva de novo à presidência. Porém, as acusações veiculadas e ampliadas pela imprensa, a par dos agentes da Justiça brasileira, travaram a hipótese de Lula da Silva disputar as eleições presidenciais de 2018 e daí resultou a vitória de Jair Bolsonaro, um presidente que não prestigia o seu país.    
À saída da prisão, Lula era esperado por muitos dos seus correligionários e atacou “o lado podre do Estado, da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal”, prometendo que ia lutar pelo Brasil. Os seus adversários não lhe vão dar tréguas para o devolver à prisão, mas a oposição ao actual regime brasileiro ganhou uma maior coesão e uma poderosa bandeira chamada Luiz Inácio Lula da Silva.

sábado, 9 de novembro de 2019

Celebrando a queda do muro de Berlim

Está hoje a comemorar-se, na Alemanha e em outros países, o 30º aniversário da queda do muro de Berlim, um acontecimento que, de forma simbólica, acelerou a reunificação alemã, bem como o fim do sovietismo e da guerra fria.
Depois da 2ª Guerra Mundial a Alemanha e a cidade de Berlim ficaram divididas em quatro sectores de ocupação - soviético, americano, francês e britânico – mas as relações entre as autoridades ocupantes, sobretudo soviéticas e ocidentais, foram geralmente tensas e daí resultaram duas moedas em circulação, dois ideais políticos e, por fim, duas Alemanhas. Em 1949, os três sectores ocidentais (americano, francês e britânico) passaram a constituir a República Federal Alemã (RFA) e o sector oriental (soviético) tornou-se na República Democrática Alemã (RDA). O ambiente político e o desenvolvimento económico das duas Alemanhas eram bem diferentes e, até 1961, calcula-se que quase 3 milhões de pessoas tivessem deixado a RDA em direcção à florescente RFA. Para contrariar esta realidade, em Agosto de 1961 as autoridades de Berlim Oriental decidiram iniciar a construção de um muro de cerca de 4 metros de altura que separava as duas partes da cidade de Berlim e, ao longo dele, uma avenida também conhecida por “faixa da morte”, dotada de sistemas de alarme e pela qual circulavam constantemente veículos policiais. O muro de Berlim tornou-se o ícone da das tensões Leste-Oeste e o símbolo da chamada Guerra Fria.
No dia 9 de Novembro de 1989, sob forte pressão popular, o governo da RDA afirmou que era permitida a passagem para o lado oeste da cidade e milhares de pessoas atravessaram para Berlim Ocidental. A destruição do muro começou então por iniciativa popular. Tinha durado 28 anos e, entre 1961 e 1989, mais de cinco mil pessoas tentaram atravessá-lo. Cerca de uma centena delas morreu quando procurava a liberdade.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Donald Trump e a América em julgamento

As audições relativas ao processo de impeachment que está em curso contra Donald Trump terão início no próximo dia 13 de Novembro e, como hoje refere a revista Time, a América já está concentrada no que se vai passar, porque o que está em causa é algo mais que um qualquer Donald Trump, mas é sobretudo a forma como tem sido governada a própria América.
Num dos artigos publicados pela revista é referida uma obra de referência publicada em 1888 pelo historiador inglês James Bryce intitulada The American Commonwealth, é afirmado que “um presidente ousado que saiba que tem o apoio popular, pode ser tentado a anular a lei e a impor a sua própria lei”, ou que pode acontecer “haver um tirano na presidência, não contra as massas, mas com as massas”. Mais de cem anos depois, segundo o autor do artigo, a profecia cumpre-se.
Os factos contra o Donald parecem acumular-se, não só no que respeita às pressões sobre a Ucrânia para que anunciasse publicamente uma investigação contra Joe Biden, o seu rival na corrida presidencial de 2020, mas também sobre outros assuntos da governação americana. A envolver tudo isto está uma espécie de núvem dos tempos modernos em que alguma comunicação social asfixia as pessoas com demagogia e mentira, com propaganda e notícias falsas, mas também a crescente governação-espectáculo, com os “julgamentos de tabacaria” e a invasão da vida privada dos actores políticos. Portanto, o processo de impeachment contra Donald Trump é, também e sobretudo, um julgamento que põe em causa a própria América e o reality show em que a sua vida política se transformou.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

O nervosismo que perturba a Catalunha

Na última semana do passado mês de Setembro um juiz espanhol determinou a prisão de sete independentistas catalães porque, supostamente, planeavam acções violentas que iriam coincidir com o anúncio da sentença do procés. A detenção foi concretizada através da Operación Judas e os detidos pertenceriam às Equipos de Respuesta Táctica (ERT), uma nova organização derivada dos Comités de Defensa de la República (CDR), que activamente lutam pela independência da Catalunha por via violenta. A decisão do juiz baseou-se na acusação de que aqueles indivíduos pertenciam a uma organização terrorista, que possuiam ou preparavam a fabricação de explosivos e que preparavam diversas acções violentas contra esquadras da polícia e até a ocupação do Parlamento.
Passou-se mais de um mês e ontem, a poucos dias das eleições legislativas espanholas, foram divulgados alguns vídeos em que alguns dos detidos confessaram ligações com dirigentes políticos e outros actores do processo independentista, incluindo o presidente Quim Torra e o seu antecessor Carles Puigdemont, insinuando que eles apoiavam a sua mais sonhada acção que era a ocupação do Parlamento catalão durante uma semana. Embora Quim Torra se tivesse apressado a negar aquela acusação e a afirmar que os detidos falaram sob pressão policial, a sua simpatia pelos CDR é do domínio público, até porque neles milita activamente a sua filha. Os jornais espanhóis de referência tratam hoje desse episódio, sobretudo o conservador ABC que lhe dá um destaque de primeira página. Porém, a questão fundamental, para além de uma evidente preocupação pelo aparecimento na Catalunha de qualquer coisa semelhante à ETA, é saber a razão porque esta notícia aparece antes das eleições e que efeito terá no eleitorado. Até parece o nosso “caso Tancos” que, enquanto fake new, tanto perturbou as nosssas eleições legislativas.

A pirâmide invertida nas Forças Armadas

A notícia da edição de hoje do Jornal de Notícias é alarmante mas confirma as suspeitas que existem, desde há alguns anos, de que há cada vez menos praças nas Forças Armadas, designadamente no Exército e na Força Aérea.
Segundo refere a notícia, os efectivos das Forças Armadas são actualmente de 25.845 elementos, tendo havido uma redução de cerca de 25% nos últimos oito anos. No que respeita à classe de praças, no mesmo período, a redução foi superior a 40%. Actualmente o Exército tem 6265 praças, 3881 sargentos e 2976 oficiais, a Força Aérea tem 1930 praças, 2620 sargentos e 1944 oficiais, enquanto a Marinha tem 3714 praças, 2237 sargentos e 1985 oficiais. Esta "situação insustentável", segundo o CEMGFA, resulta sobretudo das opções políticas e dos constrangimentos orçamentais, mas também de uma atitude cultural do poder político.
Destes números pode concluir-se que a organização militar portuguesa tem uma pirâmide hierárquica invertida, certamente por corresponder a uma maior qualificação técnica dos seus elementos para os habilitar a dar resposta à sofisticação dos modernos equipamentos militares, mas também mostra um crescente desinteresse do poder político pelas suas Forças Armadas, provavelmente porque é grande o fosso existente entre os valores sociais dominantes e a cultura militar. A clássica opção apresentada há muitos anos por Paul Samuelson relativamente à utilização de recursos escassos na escolha entre canhões e manteiga, tem plena aplicação no caso português, porque a classe política que ocupa, ou quer ocupar o poder, se sustenta através do voto dos eleitores e estes estão mais interessados em manteiga do que em canhões.   
Porém, o problema da dimensão das Forças Armadas, do recrutamento de pessoal e da retenção dos militares qualificados não é apenas uma questão cultural porque é, sobretudo, uma questão de constrangimentos orçamentais que até é comum à maioria dos países europeus, como tantas vezes tem salientado o Donald. O facto é que o assunto é complexo e não pode deixar de ser estudado por quem saiba, porque assim as coisas não estão bem e, enquanto pilar do Estado democrático, as Forças Armadas têm que ser prestigiadas e dotadas dos meios adequados para cumprir as suas missões.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

África do Sul é a nova campeã do mundo


No passado domingo disputou-se na cidade japonesa de Yokohama a final do Rugby World Cup 2019, no qual triunfou a selecção da República da África do Sul e, naturalmente, a festa foi grande em todo o território nacional e a vitória constituíu um enorme contributo para a coesão nacional de um país marcadamente multiétnico, tal como a sua equipa de râguebi. Toda a imprensa sul-africana, como por exemplo o jornal Beeld que se publica em Johannesburg, deu grande destaque a esta vitória e aos seus “heróicos jogadores”.
Esta prova realiza-se de quatro em quatro anos desde 1987 e, até agora, foi vencida pelos All Blacks da Nova Zelândia (4 vezes), pelos Springboks da África do Sul (3 vezes), pelos Wallabies da Austrália e pela Inglaterra (uma vez cada).
A fase final do IX Campeonato do Mundo de Râguebi, ou de Rugby Union, iniciou-se no dia 19 de Outubro e nela participaram vinte selecções nacionais. Depois da fase preliminar chegaram às meias-finais quatro selecções, respectivamente da África do Sul e da Inglaterra que disputaram a final, juntamente com a Nova Zelândia e o País de Gales que jogaram para o terceiro e quarto lugares.
O próximo campeonato realiza-se no ano de 2023 em França e, então, poderá ser que o país anfitrião consiga pela primeira vez uma vitória, como “vingança” pelas três derrotas que averbou nas três vezes que a sua equipa chegou à final.          
O que não há dúvida é que, em popularidade, o râguebi está a ir na esteira do futebol.