domingo, 27 de setembro de 2026

Leão XIV em França a falar para o mundo

O Papa Leão XIV está em França numa viagem apostólica oficial de quatro dias, cujo itinerário inclui Paris e Lourdes, terminando no nordeste do país na cidade de Metz. Depois da visita do Papa Bento XVI realizada em 2008, não acontecera outra visita papal e, por isso, a República Francesa, a Igreja Católica e os franceses estão a viver dias de euforia, como mostra toda a imprensa francesa, incluindo o jornal La Dépêche du Midi, que se publica na cidade de Toulouse, a pouco mais de cem quilómetros do santuário de Lourdes.
Numa época em que todos os dias se fala de guerra, de mísseis e de drones, em que uma grave crise económica e social ameaça muitos países, em que parece não haver preocupações com as alterações climáticas nem com a IA e em que a Europa se mostra cega e surda perante o que o escândalo humanitário que acontece na Palestina, a visita papal é um alerta para os franceses, mas também para os europeus, avisando-os que não estão apenas em declínio, mas também a caminhar para o abismo.
Emmanuel Macron recebeu Leão XIV mas deve ter-se sentido pequenino perante a grandeza do Papa. O centro de Paris foi “uma igreja a céu aberto” e cerca de 800 mil pessoas, católicas e não católicas, vitoriaram o Papa que pediu a defesa da vida e criticou a eutanásia, alertou para o terrível “paraíso das máquinas” como já fizera na sua encíclica Magnifica Humanitas, condenou o armamentismo e exortou os políticos a usarem a diplomacia e o diálogo e, várias vezes, apelou à paz e condenou a guerra que disse ser “a mais terrível das obras humanas”. Curiosamente, talvez a pensar no seu país de origem, criticou os governantes que instrumentalizam a Justiça de acordo com os seus próprios interesses.
É caso para dizer: Viva o Papa!

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