terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Eficiência na busca e salvamento marítimo

O Açoriano Oriental, um jornal fundado em 1835 na cidade de Ponta Delgada e que é o mais antigo jornal português, destaca na sua edição de hoje que a “Marinha salvou 163 vidas no mar dos Açores em 2022”. A mesma notícia revela que os Maritime Rescue Coordination Centre (MRCC) ou Centros de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo geridos pela Marinha Portuguesa, no ano de 2022 intervieram em 458 acções de busca e salvamento marítimo e que foram salvas 516 vidas.
A análise regional destes resultados mostra que o MRCC Lisboa interveio em 291 ocorrências e salvou 332 pessoas, que o MRCC Delgada actuou em 144 incidentes e salvou 163 pessoas e que o MRCC Funchal interveio em 23 acções e salvou 21 pessoas.
No caso do MRCC Delgada nunca tinham sido salvas tantas vidas, tendo sido superados os 142 salvamentos registados em 2018. A área de intervenção do MRCC Delgada estende-se muito para além do arquipélago dos Açores, uma vez que dos 5,8 milhões de km2 de busca e salvamento nacional (63 vezes maior que o território nacional), a área de responsabilidade açoriana tem 5,2 milhões de km2, sendo a maior região de busca e salvamento da Europa e a segunda maior do Atlântico Norte.
Os MRCC são operados por militares da Marinha num regime de trabalho de 24 horas por dia e 7 dias por semana, que assim garantem a coordenação de todas as acções de busca e salvamento nas respectivas áreas de responsabilidade. Segundo revela a notícia, a taxa de sucesso deste serviço situa-se, em média, acima de 90%, distinguindo-se como um valor de referência a nível mundial.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Brasil: novo Presidente e nova esperança

Depois da sua vitória nas eleições presidenciais de 30 de outubro de 2022 e de muita contestação promovida pelo candidato derrotado, Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse ontem em Brasília como o 39º Presidente da República Federativa do Brasil. Uma onda de esperança e de alegria percorre um país que o ex-presidente Jair Bolsonaro instrumentalizou e radicalizou na linha do que fizera Donald Trump nos Estados Unidos. Porém, ninguém ignora que o Brasil é um país muito dividido e que o novo presidente está perante o desafio de unir a sociedade brasileira, de vencer a pobreza e a desigualdade e de restituir o prestígio internacional ao país. “Não existem dois Brasis. Somos apenas um país e uma grande nação”, disse.
O cerimonial da posse do novo presidente teve diversos actos protocolares e dois discursos, um deles de cunho institucional no Congresso perante as autoridades nacionais e, um outro no Parlatório do Palácio da Alvorada, que foi dirigido à multidão, ambos muito críticos quanto ao passado recente do Brasil, mas ambos muito emocionais, muito pragmáticos e cheios de esperança.
Segundo a tradição brasileira, a faixa presidencial que simboliza o poder deveria ter sido entregue a Lula da Silva por Jair Bolsonaro, mas este recusou-se a cumprir o ritual democrático da transmissão do poder no alto da rampa de acesso ao Palácio do Planalto e ausentou-se para a Florida, onde se instalou num resort pertencente a Donald Trump. Ficou no ar a incerteza sobre quem entregaria a faixa presidencial a Lula da Silva, mas a atitude de Bolsonaro acabou por originar uma das mais extraordinárias cerimónias da história republicana brasileira, pois Lula da Silva recebeu a faixa presidencial “directamente” do povo brasileiro, através de oito pessoas representando a sua diversidade: um cacique indígena de 90 anos de idade, um metalúrgico, uma cozinheira, um professor, uma criança negra, um artesão, um influenciador digital com paralisia cerebral e uma mulher catadora de materiais recicláveis do lixo urbano para serem reciclados. Foi esta mulher chamada Aline Sousa, negra, com 33 anos de idade e mãe de sete filhos que colocou a faixa presidencial a Lula da Silva.
O jornal O Estado de S.Paulo ilustra a tomada de posse de Lula da Silva com uma fotografia alusiva à entrega da faixa presidencial. Agora, aqui desejamos que o Brasil seja próspero, pacífico e feliz.

domingo, 1 de janeiro de 2023

2023: os desafios que o mundo nos reserva

Na noite passada entramos no novo ano de 2023 e, apesar de haver alguns grandes acontecimentos a justificar as manchetes da imprensa internacional, vários jornais destacaram hoje a entrada do novo ano como tema de primeira página. Um desses jornais é o diário La Croix, um jornal francês politicamente independente mas que reflecte as posições da Igreja Católica.
Na sua edição de hoje, em vez de fazer o habitual balanço do ano que findou, o jornal decidiu interrogar diversos especialistas e fazer uma análise prospectiva sobre “o que o mundo nos reserva em 2023” nos domínios da economia, da defesa, da energia, da saúde ou do ambiente. Das análises recolhidas pelo jornal resultou a selecção de algumas das grandes questões mundiais que preocupam toda a gente, que o jornal refere na sua primeira página, designadamente a guerra na Ucrânia, a ultrapassagem da China pela India, a crise energética global, a persistente onda inflacionária e a preservação da floresta amazónica. Curiosamente, nas questões seleccionadas não estão referidas pelos especialistas, nem a tensão no estreito de Taiwan, nem as rivalidades Israel-Irão-Arábia Saudita, nem as alterações climáticas e os seus efeitos, nem a pobreza extrema que afecta áreas importantes do mundo.
O novo ano de 2023 surge num quadro de muitos desafios internos e internacionais, cheios de incerteza e de alguma tensão. Naturalmente que aqui se deseja o fim da guerra na Ucrânia e a paz no mundo, o sucesso no combate à inflação e â crise energética e, numa outra perspectiva, que o mundo se preocupe com a pobreza, a fome e a desigualdade, isto é, que todos procuremos um mundo melhor.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

R.I.P. Edson Arantes do Nascimento (Pelé)

Edson Arantes do Nascimento, o cidadão brasileiro que todo o mundo conheceu como Pelé, faleceu ontem em S. Paulo, com 82 anos de idade. O governo brasileiro decretou três dias de luto nacional, mas a tristeza de todo o Brasil vai permanecer por muito mais tempo, porque Pelé era o seu maior ídolo, embora também fosse idolatrado no exterior pela generalidade dos adeptos do futebol. Ele era um verdadeiro ícone e um símbolo do futebol-desporto e do futebol-arte, tendo sido considerado como um dos maiores atletas de todos os tempos e sido eleito como o “Jogador do Século” por diversas organizações internacionais. Foi Campeão do Mundo por três vezes – em 1958, 1962 e 1970 – um palmarés que nenhum outro futebolista conseguiu alcançar até agora, o que lhe confere um estatuto único na história do futebol.
Com o seu talento e a sua arte, mas também com a sua humildade, inteligência e personalidade, o futebolista Pelé tornou-se um exemplo e um orgulho para milhões de brasileiros, um verdadeiro embaixador do Brasil e um ídolo de milhões de adeptos do futebol por todo o mundo, mas também o símbolo da transformação do futebol num fenómeno universal.
Hoje, muitas centenas de jornais de todo o mundo, designadamente a Folha de S.Paulo, homenageiam Pelé e dedicam-lhe todo o espaço das suas primeiras páginas e classificam-no como o rei, o imortal, o eterno. A morte de Pelé está a inundar de tristeza a sociedade brasileira e nem o afastamento de Bolsonaro ou a posse de Lula da Silva conseguem atenuar a dor de um país que chora a morte do homem que, como nenhum outro, tornou o Brasil conhecido e admirado no mundo.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

As estátuas para lembrar os futebolistas

A edição de hoje do centenário diário asturiano El Comércio que se publica em Gijon, destaca na sua primeira página uma fotografia do ex-futebolista David Villa junto da sua própria estátua, que foi erigida na sua cidade natal pelo Ayuntamiento de Langreo. 
David Villa foi um jogador de talento que, entre outras equipas, representou o FC Barcelona entre 2010 e 2013 e fez parte da selecção espanhola campeã do mundo em 2010, sendo o seu maior marcador de golos de todos os tempos. Certamente a comunidade de Langreo tem David Villa como um ídolo e um exemplo que justifica esta estátua.
Antigamente as estátuas representavam o reconhecimento das comunidades ao valor demonstrado por guerreiros, navegadores, cientistas, artistas, políticos ou filantropos que se distinguiam ao serviço dessas mesmas comunidades, mas nos últimos anos passaram a enaltecer os futebolistas, acima de tudo, o que mostra como as comunidades e as populações alteraram a sua visão do mundo e os seus valores. As estátuas dedicadas a jogadores de futebol tornaram-se comuns nos últimos tempos, sobretudo no Reino Unido e no Brasil, havendo registos de mais de uma centena de estátuas em honra de futebolistas. Daí que Pelé, Stanley Matthews, Bobby Robson, Maradona, David Beckham ou Lionel Messi não tenham apenas uma, mas várias estátuas em diferentes cidades e países.
A moda também chegou a Portugal e alguns futebolistas como Eusébio (Lisboa, 1992), Cristiano Ronaldo (Funchal, 2014) e Rui Patrício (Leiria, 2017) também já estão representados em bronze no espaço público. Não faltará muito tempo para que cada uma das nossas autarquias descubra um futebolista famoso lá na terra e faça o que fez o Ayuntamiento de Langreo…

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

A América do Norte sob tempestade polar

Muitas das perturbações meteorológicas que vêm afectando o nosso planeta, são atribuídas a um fenómeno conhecido como as alterações climáticas, assim acontecendo com a seca e com as inundações, mas também com outros episódios meteorológicos.
Nesta quadra de Natal, os Estados Unidos e o Canadá estão a passar pela mais rigorosa tempestade de inverno verificada nos últimos anos, com temperaturas que chegam aos 50ºC negativos. A situação já foi classificada como um ciclone-bomba e tem sido marcada por abundantes nevões e intenso frio polar, que já provocaram algumas dezenas de mortes, muitos cortes de energia, bloqueio de estradas, encerramento de aeroportos e o cancelamento de milhares de voos. A governadora do estado de Nova Iorque classificou o fenómeno como “uma tempestade épica que acontece uma vez na vida”, acrescentando que, provavelmente, vai ficar conhecida como “a tempestade de neve de 22”.
Na sua edição de hoje o jornal USA Today destaca que o “número de mortos na histórica tempestade de inverno atinge os 50” e, referindo-se a Buffalo, a segunda mais populosa cidade do estado de Nova Iorque onde a neve já “soterrou” muitas casas e atingiu 2,40 metros de altura em alguns locais, avisa os seus habitantes para se prepararem para mais neve, naquele que é “o pior nevão desde há quatro décadas”. O frio extremo provocou temperaturas negativas em 48 dos 50 estados americanos!
O Canadá também foi afectado pela tempestade e todas as suas províncias emitiram alertas meteorológicos, havendo milhares de pessoas sem energia e estando os principais aeroportos fechados ao tráfego. A vaga de frio que está a atravessar a América do Norte estendeu-se para sul e chegou ao México, onde nevou, nomeadamente nas zonas mais altas da capital.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

A mensagem do Papa e a paz na Ucrânia

O Papa Francisco leu ontem a sua mensagem de Natal e deu a sua tradicional benção urbi et orbi de uma varanda da Basílica de São Pedro, em Roma, destacando a guerra na Ucrânia como um dos temas que decidiu abordar.
Depois de se referir aos “irmãos e irmãs ucranianos que vivem este Natal na escuridão, ao frio ou longe das suas casas, devido à destruição causada por dez meses de guerra”, o Papa Francisco pediu a Deus “que ilumine as mentes de quantos têm o poder de fazer calar as armas e pôr termo imediato a esta guerra insensata”, acrescentando que “infelizmente, prefere-se ouvir outras razões, ditadas pelas lógicas do mundo”. Estranhamente, numa busca pelos principais jornais ocidentais, constata-se que a mensagem do Papa não mereceu qualquer destaque e que só o jornal Gulf News, publicado a partir do Dubai, nos Emirados árabes Unidos, destaca o apelo do Papa para acabar com o conflito, com uma notícia de primeira página a quatro colunas. Chega a parecer que a voz e a vontade do Papa não suscitam o apoio da imprensa internacional nem dos interesses que a comandam, ou que prevalece a lógica de derrotar militarmente o adversário. Porém, quem sofre é o povo ucraniano e é nesse enorme sofrimento que as duas partes em confronto deviam pensar, mas a informação dominante que recebemos é sobre mísseis, drones, artilharia e outras coisas letais.
A ansiedade pelo fim da guerra está a aumentar. Hoje, também o Le Journal du Dimanche pergunta “jusqu’où doit-on soutenir l’Ukraine” e divulga uma sondagem recente do Ifop (Institut Français d’Opinion Publique) que revela que 70% dos franceses defendem que se chegue a uma solução negociada entre a Ucrânia e a Rússia. Porém esta sondagem não foi publicada pela imprensa de referência francesa.

domingo, 25 de dezembro de 2022

Os desafios do crescimento demográfico

A Organização das Nações Unidas, através do seu Departamento de Assuntos Económicos e Sociais publicou no passado verão o World Population Prospects 2022, no qual se estima que a população mundial ascenderia a um total de 8.000 milhões de pessoas no dia 15 de Novembro de 2022. A informação era apresentada como um motivo de celebração mas, ao mesmo tempo, continha uma chamada de atenção para a Humanidade, no sentido de encontrar novas soluções para os novos desafios que enfrenta.
A população mundial demorou 125 anos para passar de mil milhões para dois mil milhões de habitantes e, em 1952, era de 2.500 milhões de pessoas. Desde então, tem-se multiplicado cada vez de forma mais acelerada e, em apenas onze anos, passou de 7 mil para 8 mil milhões de pessoas. Cerca de 80% desse crescimento demográfico aconteceu nos países em vias de desenvolvimento, sobretudo em países que não têm políticas de planeamento familiar.
O problema é que muita gente vive na pobreza, sem trabalho e sem segurança alimentar, isto é, não tem as necessidades básicas satisfeitas. A contínua pressão demográfica vai exigir o aumento da produção alimentar, o que também vai exigir mais pressão sobre os recursos e um enorme impacto sobre o meio ambiente. Daí resultarão mais conflitos, mais migrações e maior instabilidade e incerteza.
O diário catalão el Periódico escolheu esse assunto como tema principal na sua edição de hoje e selecionou duas frases, que reproduz em primeira página, que sintetizam as conclusões do seu estudo: “El mundo afronta el reto de optimizar el reparto de recursos y responsabilidades. El problema no es cuantas personas habitan la Tierra, sino cómo se organizan”.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Uma brevíssima mensagem de Natal

Estamos em vésperas de Natal e sucedem-se as mensagens de amizade e de fraternidade, os votos de saúde e os desejos de paz. Embora este dia 25 de dezembro seja celebrado pelos cristãos para comemorar o nascimento de Jesus de Nazaré, também é celebrado por muitas outras comunidades que professam outras religiões, não só pelos seus símbolos e tradições, mas também pelo seu impacto económico. 
O mundo adoptou os símbolos natalícios como a árvore de Natal, as decorações, algumas iguarias específicas, as músicas, as luzes e o ritual das trocas de presentes e, num âmbito mais religioso, não dispensa o presépio nem o culto de muitas tradições ancestrais de cunho popular, sobretudo nos meios rurais.
No século XIX foi inventado o Pai Natal, um homem de barba branca que veste um casaco vermelho e que se desloca num trenó desde a nevada Lapónia, trazendo sacos de presentes para as crianças, isto é, os brinquedos deixaram de vir pela chaminé para serem colocadas no sapatinho e passaram a chegar num trenó. A figura lendária do Pai Natal ganhou ainda mais notoriedade mundial através das campanhas publicitárias da Coca-Cola, que americanizou o Natal e substituiu o símbolo natalício do presépio cristão por esse trenó puxado por renas. Para isso, também muito contribuiu o espírito consumista das sociedades contemporâneas que passou a concentrar nesta época o apelo ao mais desenfreado consumo e à troca de presentes, muitas vezes caros e inúteis. Porém, apesar de todas as mudanças que se verificam no mundo, o Natal continua a ser um tempo de fraternidade, de paz e de solidariedade.
Hoje a edição da prestigiada revista The Economist evoca o Natal. Aqui se aproveita a ilustração da respectiva capa para desejar um bom Natal a quem nos lê.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Viagem de Zelensky: mais guerra ou a paz?

Volodymyr Zelensky deslocou-se ontem aos Estados Unidos numa rápida viagem e, segundo declarou, o objectivo da sua visita foi “fortalecer a Ucrânia no próximo ano”, “regressar a casa com boas notícias” e levar a “confirmação do apoio dos Estados Unidos”. Terá conseguido tudo isso, pois o presidente Joe Biden declarou que “os Estados Unidos apoiarão a Ucrânia o tempo que for preciso”. Os jornais de todo o mundo ocidental publicaram a fotografia do abraço entre Joe Biden e Zelensky, enquanto as notícias e os comentários insistiram que o encontro entre ambos se destinou a reforçar os apoios americanos à Ucrânia. Porém, num tempo de tantas facilidades de comunicação, em que os Estados Unidos “estão presentes” na Ucrânia para onde já enviaram cerca de 21,9 mil milhões de dólares de apoio militar e humanitário e depois de já ter sido prometida a entrega de mísseis Patriot, os objectivos enunciados não justificariam uma viagem desta natureza.
Zelensky terá ido encontrar-se com Joe Biden por outros motivos, até porque afirmou que “a Ucrânia está viva e recomenda-se”. Porém, Biden salientou a importância de ambos “falarem pessoalmente” e “olharem-se nos olhos”, o que significa que para além das declarações e da encenação de circunstância, ambos falaram de outras coisas, nomeadamente do fim da guerra e da paz, pois Joe Biden até disse que Zelensky está disposto a uma “paz justa”. À mesma hora, a Rússia excluía qualquer hipótese de negociações de paz e declarava que a entrega dos novos sistemas de defesa irá conduzir a um “agravamento do conflito” e que isso “não é um bom presságio para a Ucrânia”.
Antes de qualquer negociação, as partes costumam “fazer-se fortes” e, apesar dos discursos de agravamento da situação produzidos pelas duas partes, talvez a viagem de Zelensky tenha mais a ver com a paz do que com a guerra. Até a confirmação da diplomata Lynne M. Tracy como a nova embaixadora dos Estados Unidos na Rússia, parece mostrar que a paz pode ser o novo tema de discussão, porque da guerra já todos estão fartos.

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Os erros de Trump e o futuro da política

Após dezoito meses de trabalho, a comissão designada pelo Congresso dos Estados Unidos para investigar o assalto ao Capitólio realizado no dia 6 de Janeiro de 2021 pelos apoiantes de Donald Trump, apresentou as suas conclusões. Os sete democratas e dois republicanos que integraram aquela comissão, ou House Select Committee, procederam “às mais exaustivas investigações da história norte-americana” e votaram por unanimidade que Donald Trump tentou subverter a transferência da presidência dos Estados Unidos para Joe Biden, através da insurreição. Ontem, a comissão recomendou que o Departamento de Justiça processe criminalmente o ex-presidente por ter tentado reverter ilegalmente a sua derrota nas eleições presidenciais de 2020 e por ter promovido a violência para se manter no poder. Porém, as conclusões da comissão não são vinculativas, nem têm força legal, pelo que terá que ser a instância judicial a acusar, ou não acusar, o ex-presidente Donald Trump. Porém, todos os grandes jornais americanos destacam nas suas edições de hoje a recomendação da comissão do Congresso para que Donald Trump seja processado.
Este caso mostra que, independentemente dos diferentes regimes, os poderes políticos estão cada vez mais limitados pelas ordens jurídicas internas e internacionais.
Não se sabe como vai evoluir o caso Trump, mas é curioso verificar o que aconteceu no corrente ano de 2022, em que foram emitidos mandados de detenção ou foram detidos, o ex-primeiro-ministro tunisino Ali Laarayedh, o ex-primeiro-ministro da Bulgária Boyko Borissov, o ex-primeiro-ministro paquistanês Imran Khan, o ex-primeiro-ministro da Guiné-Bissau Aristides Gomes, o ex-primeiro-ministro das Ilhas Virgens Britânicas Andrew Fahie e o ex-presidente peruano Pedro Castillo. Parece, portanto, que há cada vez menos governantes a actuar à margem da lei ou com impunidade e, sendo assim, o Donald não se safa. A política já não é o que era...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Ainda sobre a festa argentina no Qatar

O futebol é, certamente, o mais importante fenómeno social do nosso tempo. As suas características, simultaneamente de espectáculo artístico e de jogo, geram um entusiasmo único e universal, mesmo nos países e regiões onde ainda não conquistou a unanimidade do gosto popular. Por isso, a vitória da Argentina no Qatar 2022 ocupa as primeiras páginas dos jornais de todo o mundo, incluindo alguns países onde o futebol ainda não foi adoptado pelas elites e não conquistou as multidões, como acontece nos Estados Unidos, na China, na Índia ou na Indonésia.
Todos os grandes jornais mundiais de referência destacam hoje a vitória argentina e desfazem-se em elogios a Lionel Messi que, na realidade, tem um talento futebolístico único. Habituados a ver que as notícias argentinas que nos chegam se costumam referir a crises económicas, a bancarrotas, a hiperinflações ou a situações de instabilidade política, quem imaginaria que o The Washington Post ou o The Wall Street Journal, bem como o The Times of India ou o China Daily, viessem hoje destacar nas suas edições o futebol e a Argentina, mas também a figura de Lionel Messi? São sinais dos tempos, que podem inspirar novas soluções, para novas situações. Assim, bom seria que o conflito que está a destruir a Ucrânia e a levar a dor à população ucraniana, pudesse ser resolvido de forma semelhante a um jogo de futebol, com ou sem prolongamento, com ou sem penaltis.
Não é tolerável que no território da Ucrânia haja tanta teimosia, tanto sofrimento e tanta destruição, ao contrário do que aconteceu no Qatar, onde houve tanta arte, tanta alegria e tanta festa.

domingo, 18 de dezembro de 2022

Qatar: aconteceu a vitória da Argentina

Os jornais desportivos de todo o mundo destacaram nas suas edições de hoje a realização da final do Campeonato do Mundo de Futebol que iria ser disputada no estádio Lusail, no Qatar, entre as equipas da Argentina e da França. Cada uma daquelas equipas tinha dois títulos mundiais e, portanto, quem vencesse a final de hoje iria acrescentar mais um troféu ao seu palmarés e posicionar-se no ranking mundial depois do Brasil (cinco títulos) e da Alemanha e da Itália (ambas com quatro títulos). Porém, a expectativa parecia estar menos concentrada nas equipas finalistas e mais nas duas estrelas que se iam defrontar, que por acaso jogam na mesma equipa do Paris Saint-Germain: o argentino Lionel Messi de 35 anos de idade e o francês Kylian Mbappé de 23 anos de idade.
Ao fim do tempo regulamentar as duas equipas estavam empatadas por 2-2. Depois do prolongamento o empate persistiu e o marcador assinalava 3-3. Depois de duas horas de jogo muito disputado e emotivo, a solução foi encontrada nos pontapés de grande penalidade. A Argentina foi mais feliz, tornando-se a nova campeã mundial. Messi foi eleito o melhor jogador do torneio e Mbappé foi o melhor marcador com oito golos.
Emmanuel Macron foi ao Qatar apoiar a equipa francesa e a França perdeu. Os nossos dignitários institucionais foram ao Qatar e Portugal já tinha perdido. Ganhou a Argentina cujo presidente Alberto Fernández não se deslocou ao Qatar. Afinal, parece que ganham aqueles que não se distraem com a presença dos seus presidentes e que perdem aqueles que são atropelados pelos seus próprios presidentes que foram ao Qatar apenas para atrapalhar.
Portanto, parabéns à Argentina, a terra de Carlos Gardel, Juan Manuel Fangio, Ernesto Che Guevara, Jorge Luis Borges, Diego Armando Maradona e Jorge Mario Bergoglio.

sábado, 17 de dezembro de 2022

Indústria aeronáutica e a nova Air India

O diário La Dépêche du Midi que se publica em Toulouse, a capital da região administrativa da Occitânia que se situa no sueste da França, noticiou ontem com grande destaque que “a aeronáutica volta a descolar na Occitânia”. De facto, a actividade do gigante aeronáutico Airbus acelerou nos últimos meses e, depois da crise sanitária de 2019-2021, já passou de uma produção mensal de quarenta para sessenta unidades do seu modelo A320. O sector emprega 80.000 trabalhadores, incluindo a área aeroespacial, mas há uma enorme quantidade de fornecedores e de subcontratações da Airbus que animam a economia da região. Para a criação deste ambiente de euforia que está a envolver a Occitânia e o grupo Airbus, está a provável encomenda de 500 aeronaves pela Air India, que está em vias de se concretizar e que será a maior encomenda alguma vez feita por uma só companhia. 
A Air India foi privatizada no início do ano de 2022 e foi adquirida pelo grupo Tata que prometeu torná-la numa empresa de classe mundial, pelo que está em vias de concretizar uma das maiores encomendas da história da aviação que, a preços de catálogo, custará cerca de 100 mil milhões de euros, um valor que é aproximadamente equivalente ao orçamento do Estado Português. Segundo revela o jornal, a encomenda consta de 400 aviões de médio curso e 100 aeronaves de longo curso, mas o grupo Tata ainda está a ponderar a divisão da sua encomenda entre a Airbus e a Boeing. 
Certamente que os aspectos políticos e as contrapartidas a oferecer por cada um dos construtores estão a ser ponderadas, bem como os custos subterrâneos que estas operações sempre envolvem. Porém, o que não há dúvidas é que a Air India se vai posicionar em breve no topo mundial da aviação comercial.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Huelva escolhe arquitecturas inovadoras

Como em nenhuma outra região do mundo, a província andaluza de Huelva, que é vizinha do nosso Algarve, guarda a memória de Cristovão Colombo em Palos de la Frontera, no mosteiro de La Rabida e em diversos monumentos da cidade de Huelva. Estando situada a cerca de cinquenta quilómetros da fronteira portuguesa, a cidade de Huelva e as memórias de Colombo são uma visita quase obrigatória para os portugueses que apreciam a expansão marítima ibérica, com as suas grandezas e as suas misérias.
Pois foi nesta cidade que ontem foi inaugurado um novo terminal portuário, um acontecimento que mereceu destacada notícia no diário Huelva Información, um dos periódicos pertencentes ao grupo Joly, que é o mais importante grupo editorial da Andaluzia.
O novo terminal de passageiros, serviços portuários e controlos policiais e alfandegários do porto de Huelva está localizado no Muelle Sur do porto e representou um investimento de cinco milhões de euros. Segundo as autoridades portuárias, o novo terminal vai permitir o incremento do tráfego de passageiros e mercadorias entre Huelva e as ilhas Canárias (cerca de 380 milhas), que este ano se cifrou em 65.000 passageiros/turistas e que, actualmente, dispõe de cinco ligações semanais.
Uma fotografia na primeira página do Huelva Información, ilustra a notícia da inauguração do novo terminal que “se caracteriza por su diseño singular e innovador”, o que lhe permite ser classificado como uma obra de arquitectura. Não é uma obra grandiosa na volumetria mas, à sua dimensão, é uma pequena obra de arte que enriquece o porto de Huelva.