O escândalo remuneratório que desde há muito tempo beneficia as chamadas estrelas da RTP e os seus gestores, prossegue. Ninguém, nem na Administração nem na tutela, parece interessado em acabar com aquele desproporcionado saque, numa altura em que se pedem sacrifícios a todos os portugueses.
O principal responsável por este assalto aos dinheiros públicos é o Presidente da RTP, que está lá desde 2008 e não quis ou não foi capaz de moralizar aquela casa, apesar da Comissão de Trabalhadores da RTP ter defendido que o salário do Presidente da República deve servir de tecto máximo para os salários da empresa.
De vez em quando o Correio da Manhã recorda-nos a afronta salarial que é a RTP.
A RTP tem 2250 funcionários, dos quais 31 têm um salário igual ou superior ao que está fixado para o Presidente da República (6523 euros mensais que não recebe por ter optado pelos dez mil euros das reformas do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações). O salário mais alto na RTP é superior a 30 mil euros e há oito funcionários que ganham mais do dobro do Presidente da República.
Este ano, a RTP vai receber do Governo uma transferência recorde: 591 milhões de euros. É um milhão e 619 mil euros por dia! É o nosso dinheiro que vai directamente para os salários daquela gente, para os seus carros de serviço, para as suas viagens, para as suas dívidas. É mesmo uma pouca vergonha. Porque é que os valentões do governo são fortes com os fracos e nada fazem na RTP?
sexta-feira, 6 de abril de 2012
O saque e a festança continuam na RTP
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Um ano depois da troika
A edição de hoje do Diário Económico informa que “um ano depois de Portugal ter feito o pedido de ajuda financeira à troika, a economia portuguesa está bem pior. Todos os principais indicadores da economia nacional registaram agravamentos, com excepção das exportações – e mesmo estas estão em abrandamento”.
O jornal ilustra a sua primeira página com as fotografias do actual e do anterior Primeiro-Ministro e, dessa forma, induz os seus leitores a fazer comparações. E não podemos deixar de ficar seriamente preocupados.
Em Março de 2011 a dívida directa do Estado era de 152,48 mil milhões de euros, mas em Fevereiro de 2012 era de 180,71 – aumentou 18%! A taxa de desemprego passou de 12,7% para 14,5% - temos mais cem mil desempregados. Os juros da dívida subiram de 8,5 % para 12,0 %. O PIB contraiu-se 2,8 % nos últimos três meses de 2011. O consumo privado caiu 6,5% nos últimos três trimestres do ano passado. Em Março as vendas de automóveis caíram 49,2 % em relação ao mesmo mês do ano anterior. O principal índice da bolsa portuguesa (PSI20), que há um ano estava nos 7.816,7 pontos, está agora nos 5.544.9 pontos, perdendo 41% em menos de um ano. O crédito malparado atinge um recorde de mais de dois mil milhões de euros. As famílias devolvem 20 casas por dia aos bancos. Os jovens emigram. O pequeno comércio fecha as portas. A saúde e os transportes encareceram brutalmente. Os impostos aumentaram. Os subsídios de Natal e férias de 2012 e 2013 foram cortados para quase todos e, depois, estão em risco de extinção. Um ano depois da troika, o país está sem ânimo, sem confiança e sem fé.
O jornal ilustra a sua primeira página com as fotografias do actual e do anterior Primeiro-Ministro e, dessa forma, induz os seus leitores a fazer comparações. E não podemos deixar de ficar seriamente preocupados.
Em Março de 2011 a dívida directa do Estado era de 152,48 mil milhões de euros, mas em Fevereiro de 2012 era de 180,71 – aumentou 18%! A taxa de desemprego passou de 12,7% para 14,5% - temos mais cem mil desempregados. Os juros da dívida subiram de 8,5 % para 12,0 %. O PIB contraiu-se 2,8 % nos últimos três meses de 2011. O consumo privado caiu 6,5% nos últimos três trimestres do ano passado. Em Março as vendas de automóveis caíram 49,2 % em relação ao mesmo mês do ano anterior. O principal índice da bolsa portuguesa (PSI20), que há um ano estava nos 7.816,7 pontos, está agora nos 5.544.9 pontos, perdendo 41% em menos de um ano. O crédito malparado atinge um recorde de mais de dois mil milhões de euros. As famílias devolvem 20 casas por dia aos bancos. Os jovens emigram. O pequeno comércio fecha as portas. A saúde e os transportes encareceram brutalmente. Os impostos aumentaram. Os subsídios de Natal e férias de 2012 e 2013 foram cortados para quase todos e, depois, estão em risco de extinção. Um ano depois da troika, o país está sem ânimo, sem confiança e sem fé.
Submarinos estimulam o orgulho indiano
A imprensa indiana dá hoje grande destaque à chegada à base naval de Visakhapatnam do INS Chakra, o primeiro submarino atómico de ataque indiano, referindo com indisfarçável orgulho que a República da Índia se juntou ao restrito grupo de seis países de elite que possuem submarinos nucleares. Em primeira página, a edição de hoje do jornal The Hindu titula: “For a strong Navy”.
A Marinha indiana apenas começou a operar submarinos convencionais em 1967 e, entre 1988 e 1991, operou um submarino nuclear russo por aluguer “para ver como era”. Experimentou, gostou e encomendou.
O novo submarino foi construído nos estaleiros russos de Vostok, desloca 12 mil toneladas e aloja uma tripulação de 80 homens. A sua chegada a Visakhapatnam foi um acontecimento nacional a que assistiu o Ministro da Defesa da República da Índia.
Mr. A. K. Antony destacou a cooperação naval russo-indiana e disse que até ao fim do ano serão recebidos o porta-aviões INS Vikramaditya e quinze novas lanchas de ataque rápido, anunciando ainda que, nos próximos 5 anos, a Marinha indiana receberá 5 navios por ano. O ministro terminou o seu discurso de boas vindas, afirmando:
“The nation is really proud of this latest addition to the Indian Navy. All of us look forward to operate this powerful platform. I am confident that whenever called upon, INS Chakra, would bring credit and glory to our country and the Indian Navy”.
Portugal tem uma tradição submarina desde 1913 e possui dois submarinos convencionais adquiridos recentemente. Ignorando que o BPN nos custou 8 submarinos, os nossos governantes têm escarnecido a sua aquisição e ignoram a sua utilidade. Os submarinos estimulam o orgulho indiano, mas aqui parece que envergonham e até temos um cadilhe que os quer vender. Uma tristeza nacional!
A Marinha indiana apenas começou a operar submarinos convencionais em 1967 e, entre 1988 e 1991, operou um submarino nuclear russo por aluguer “para ver como era”. Experimentou, gostou e encomendou.
O novo submarino foi construído nos estaleiros russos de Vostok, desloca 12 mil toneladas e aloja uma tripulação de 80 homens. A sua chegada a Visakhapatnam foi um acontecimento nacional a que assistiu o Ministro da Defesa da República da Índia.
Mr. A. K. Antony destacou a cooperação naval russo-indiana e disse que até ao fim do ano serão recebidos o porta-aviões INS Vikramaditya e quinze novas lanchas de ataque rápido, anunciando ainda que, nos próximos 5 anos, a Marinha indiana receberá 5 navios por ano. O ministro terminou o seu discurso de boas vindas, afirmando:
“The nation is really proud of this latest addition to the Indian Navy. All of us look forward to operate this powerful platform. I am confident that whenever called upon, INS Chakra, would bring credit and glory to our country and the Indian Navy”.
Portugal tem uma tradição submarina desde 1913 e possui dois submarinos convencionais adquiridos recentemente. Ignorando que o BPN nos custou 8 submarinos, os nossos governantes têm escarnecido a sua aquisição e ignoram a sua utilidade. Os submarinos estimulam o orgulho indiano, mas aqui parece que envergonham e até temos um cadilhe que os quer vender. Uma tristeza nacional!
terça-feira, 3 de abril de 2012
O Ocean Revival no Algarve
O Projecto Ocean Revival que vai ser desenvolvido na costa algarvia em frente de Portimão, em zona de águas limpas e pouco profundas, já está em andamento.
O projecto visa a criação de um núcleo de recifes artificiais a partir de navios afundados para o efeito, que se constituirão como um espaço museológico subaquático, vocacionado para o turismo de mergulho. O projecto está a ser coordenado pela MUSUBMAR - Associação para a Promoção e Desenvolvimento do Turismo Subaquático, uma organização não lucrativa criada para transformar esta ideia em realidade, tendo o apoio da Marinha Portuguesa, da Câmara Municipal de Portimão, do Instituto do Turismo de Portugal, do PADI – Professional Association of Diving Instructors e de outras entidades.
A Marinha disponibilizou quatro dos seus navios já abatidos ao efectivo há alguns anos para, em vez de serem desmantelados numa qualquer sucata, continuarem a prestar outros serviços ao país, agora como atracções subaquáticas: fragata Hermenegildo Capelo (F 481), corveta Oliveira e Carmo (F 489), navio-patrulha Zambeze (P 1147) e navio-hidrográfico Almeida Carvalho (A 527).
Dois desses navios já se encontram em Portimão onde irão ser submetidos aos necessários trabalhos de descontaminação, antes do seu afundamento. Estima-se que o projecto importe em três milhões de euros, mas no seu financiamento não estão previstos quaisquer fundos públicos.
O Ocean Revival será um parque inovador e será uma atracção turística para os visitantes e, em especial, para os mergulhadores do mundo inteiro.
O projecto visa a criação de um núcleo de recifes artificiais a partir de navios afundados para o efeito, que se constituirão como um espaço museológico subaquático, vocacionado para o turismo de mergulho. O projecto está a ser coordenado pela MUSUBMAR - Associação para a Promoção e Desenvolvimento do Turismo Subaquático, uma organização não lucrativa criada para transformar esta ideia em realidade, tendo o apoio da Marinha Portuguesa, da Câmara Municipal de Portimão, do Instituto do Turismo de Portugal, do PADI – Professional Association of Diving Instructors e de outras entidades.
A Marinha disponibilizou quatro dos seus navios já abatidos ao efectivo há alguns anos para, em vez de serem desmantelados numa qualquer sucata, continuarem a prestar outros serviços ao país, agora como atracções subaquáticas: fragata Hermenegildo Capelo (F 481), corveta Oliveira e Carmo (F 489), navio-patrulha Zambeze (P 1147) e navio-hidrográfico Almeida Carvalho (A 527).
Dois desses navios já se encontram em Portimão onde irão ser submetidos aos necessários trabalhos de descontaminação, antes do seu afundamento. Estima-se que o projecto importe em três milhões de euros, mas no seu financiamento não estão previstos quaisquer fundos públicos.
O Ocean Revival será um parque inovador e será uma atracção turística para os visitantes e, em especial, para os mergulhadores do mundo inteiro.
Malvinas/Falklands
Há trinta anos, entre os dias 2 de Abril e 14 de Junho de 1982, a Argentina e o Reino Unido envolveram-se numa imprevista, improvável e dura guerra de 74 dias pela disputa da soberania de umas ilhas do Atlântico Sul, respectivamente as Malvinas (a que os ingleses chamam Falklands), a Geórgia do Sul e a Sandwich do Sul.
Estas ilhas foram ocupadas militarmente pelo Reino Unido em 1833, poucos anos depois da independência argentina, mas sempre foram reclamadas pela Argentina como parte integrante do seu território e consideradas ilegalmente ocupadas por uma potência invasora. Assim aconteceu durante muitos anos.
Há trinta anos atrás, numa precipitada atitude nacionalista, a Junta Militar que governava a Argentina decidiu invadir as Malvinas, mas o governo de Margaret Thatcher reagiu e promoveu uma operação militar que derrotou as tropas argentinas e recuperou as ilhas. Ontem, essa guerra foi evocada nos dois países que homenagearam os seus mortos – 655 argentinos, 255 ingleses e 3 habitantes locais. Porém, essa evocação serviu também para ressuscitar as reivindicações e estimular o orgulho nacional dos argentinos que há trinta anos foram humilhados pelos britânicos.
Todos os jornais argentinos destacam o assunto e a presidente Cristina Kirchner assumiu pela primeira vez a reivindicação argentina e a defesa de soluções pacíficas para o conflito, solicitando a abertura de negociações sobre a soberania das Ilhas Malvinas sob a égide das Nações Unidas.
Embora o actual governo britânico afirme que não há nada para se discutir, se não houver o prévio consentimento dos três mil kelpers ou moradores das ilhas, o facto é que o problema das Malvinas está de novo na agenda internacional.
Estas ilhas foram ocupadas militarmente pelo Reino Unido em 1833, poucos anos depois da independência argentina, mas sempre foram reclamadas pela Argentina como parte integrante do seu território e consideradas ilegalmente ocupadas por uma potência invasora. Assim aconteceu durante muitos anos.
Há trinta anos atrás, numa precipitada atitude nacionalista, a Junta Militar que governava a Argentina decidiu invadir as Malvinas, mas o governo de Margaret Thatcher reagiu e promoveu uma operação militar que derrotou as tropas argentinas e recuperou as ilhas. Ontem, essa guerra foi evocada nos dois países que homenagearam os seus mortos – 655 argentinos, 255 ingleses e 3 habitantes locais. Porém, essa evocação serviu também para ressuscitar as reivindicações e estimular o orgulho nacional dos argentinos que há trinta anos foram humilhados pelos britânicos.
Todos os jornais argentinos destacam o assunto e a presidente Cristina Kirchner assumiu pela primeira vez a reivindicação argentina e a defesa de soluções pacíficas para o conflito, solicitando a abertura de negociações sobre a soberania das Ilhas Malvinas sob a égide das Nações Unidas.
Embora o actual governo britânico afirme que não há nada para se discutir, se não houver o prévio consentimento dos três mil kelpers ou moradores das ilhas, o facto é que o problema das Malvinas está de novo na agenda internacional.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
A Semana Gastronómica do Borrego
Nesta semana da Páscoa em que as escolas estão fechadas e a meteorologia nos estimula a sair da cidade, um passeio pelo Alentejo é uma escolha muito recomendável para quem o possa fazer. Para além do seu riquíssimo património histórico e monumental, o Alentejo exibe agora as suas verdes paisagens muito floridas e, como sempre, a sua apreciada gastronomia de sabores.
É neste atraente quadro que decorre a Semana Gastronómica do Borrego, uma iniciativa promovida pelo Turismo do Alentejo.
Assim, entre os dias 2 e 9 de Abril, em mais de cem restaurantes espalhados por todo o território alentejano, o borrego vai ser o rei dos mais tradicionais ensopados e caldeiradas, mas também dos folhados e das empadas mais sofisticadas, para além dos apreciados assados e do sarapatel.
Esta é a melhor época do ano para percorrer o Alentejo, utilizando as estradas secundárias e visitando as pequenas vilas e aldeias, pelo que as ofertas gastronómicas adicionais que a Semana Gastronómica do Borrego nos oferece, tornam ainda mais recomendável esta oportunidade para visitar o Alentejo. Com a situação difícil que o país atravessa, fazer férias cá dentro ainda tem mais sentido.
É neste atraente quadro que decorre a Semana Gastronómica do Borrego, uma iniciativa promovida pelo Turismo do Alentejo.
Assim, entre os dias 2 e 9 de Abril, em mais de cem restaurantes espalhados por todo o território alentejano, o borrego vai ser o rei dos mais tradicionais ensopados e caldeiradas, mas também dos folhados e das empadas mais sofisticadas, para além dos apreciados assados e do sarapatel.
Esta é a melhor época do ano para percorrer o Alentejo, utilizando as estradas secundárias e visitando as pequenas vilas e aldeias, pelo que as ofertas gastronómicas adicionais que a Semana Gastronómica do Borrego nos oferece, tornam ainda mais recomendável esta oportunidade para visitar o Alentejo. Com a situação difícil que o país atravessa, fazer férias cá dentro ainda tem mais sentido.
domingo, 1 de abril de 2012
Sinais preocupantes
Todos sabemos como é difícil e complexa a equação económico-financeira com que nos defrontamos, pelo que os nossos governantes não se podem distrair. Infelizmente há muitos que ainda andam deslumbrados com o poder e com o pin na lapela, mas também demasiado ocupados com os seus interesses pessoais, as suas viagens, os seus amigos e as suas mordomias.
Há cerca de um ano, essa gente afirmou que o nosso problema não tinha relação com a crise internacional e que resultava dos erros do anterior governo e da teimosia do seu chefe, das gorduras do Estado e do excesso de institutos públicos. Ganharam eleições. Ocuparam a EDP e a CGD. Empregaram boys e mini-boys. Porém, hoje vê-se que aquele era um discurso de propaganda e, antes que seja desmascarado pelas evidências, foi montada uma cortina de fumo de protecção e foi retomado o ataque ao anterior governo, o que vem fragilizar a base social de apoio que tem apoiado o actual governo e complicar ainda mais o nosso futuro.
Entretanto, a falta de dinheiro está a levar muitas famílias a não pagar os empréstimos que contraíu e a devolver milhares de imóveis aos bancos. Só no ano passado foram devolvidas quase sete mil casas e o mercado imobiliário está inundado. Agora, chega a notícia de que em Janeiro, mais de 100 mil trabalhadores tinham o seu salário penhorado, dos quais cerca de metade são funcionários públicos, havendo mais de nove mil pessoas que já declararam insolvência. A situação já é dramática para muitas famílias que serão devoradas pela banca, pelo fisco, pela fome, pela pobreza. Os nossos governantes não se podem distrair com estes preocupantes sinais que podem prenunciar o caminho da desagregação social.
Há cerca de um ano, essa gente afirmou que o nosso problema não tinha relação com a crise internacional e que resultava dos erros do anterior governo e da teimosia do seu chefe, das gorduras do Estado e do excesso de institutos públicos. Ganharam eleições. Ocuparam a EDP e a CGD. Empregaram boys e mini-boys. Porém, hoje vê-se que aquele era um discurso de propaganda e, antes que seja desmascarado pelas evidências, foi montada uma cortina de fumo de protecção e foi retomado o ataque ao anterior governo, o que vem fragilizar a base social de apoio que tem apoiado o actual governo e complicar ainda mais o nosso futuro.
Entretanto, a falta de dinheiro está a levar muitas famílias a não pagar os empréstimos que contraíu e a devolver milhares de imóveis aos bancos. Só no ano passado foram devolvidas quase sete mil casas e o mercado imobiliário está inundado. Agora, chega a notícia de que em Janeiro, mais de 100 mil trabalhadores tinham o seu salário penhorado, dos quais cerca de metade são funcionários públicos, havendo mais de nove mil pessoas que já declararam insolvência. A situação já é dramática para muitas famílias que serão devoradas pela banca, pelo fisco, pela fome, pela pobreza. Os nossos governantes não se podem distrair com estes preocupantes sinais que podem prenunciar o caminho da desagregação social.
sábado, 31 de março de 2012
Um caminho doloroso
Embora tivéssemos vivido em abundância, tivéssemos perdido a cabeça e tivéssemos chegado a uma grave situação financeira por culpa própria, mas também dos políticos e banqueiros que nos empurraram para o limiar do consumo, as soluções que nos foram impostas há cerca de 12 meses pela troika estão a revelar-se cada dia mais chocantes.
O garrote financeiro que nos foi imposto está a atrofiar a economia e a sociedade, a gerar desemprego e pobreza, a criar instabilidade e insegurança. Estamos reféns da troika e dos mercados. Os nossos principais partidos estão manietados pelos compromissos que assumiram. Na sua ânsia de cumprir escrupulosamente a agenda liberalizante que nos foi imposta, o Estado deixou de pensar nos cidadãos e olha para as pessoas como meros contribuintes e, sempre, sob suspeita. A desorientação começa a bater à porta das famílias, que não vêem rumo para o país, nem futuro para os jovens. Bem nos podem dizer que “estamos a chegar a meio da ponte”, que o défice se está a reduzir, que a dívida está controlada e que não há outro caminho, mas talvez não seja assim. Há cada vez mais vozes a dizer que as coisas não estão a correr bem.
Assim há que encontrar outro caminho e há que encontrar imaginação para ultrapassar a nossa crise, que está entregue a contabilistas e a muitos yes men, convencidos e acomodados em lugares bem remunerados.
Porém, neste quadro de desorientação, é particularmente doloroso ver alguns dos símbolos da nossa economia a serem vendidos um pouco ao desbarato, como sucede com a EDP e a Petrogal Brasil a serem tomadas pelos chineses, o BPN a ser comprado em saldo pelos angolanos e, agora, a Cimpor a ser atacada pelos brasileiros.
É realmente um caminho doloroso!
O garrote financeiro que nos foi imposto está a atrofiar a economia e a sociedade, a gerar desemprego e pobreza, a criar instabilidade e insegurança. Estamos reféns da troika e dos mercados. Os nossos principais partidos estão manietados pelos compromissos que assumiram. Na sua ânsia de cumprir escrupulosamente a agenda liberalizante que nos foi imposta, o Estado deixou de pensar nos cidadãos e olha para as pessoas como meros contribuintes e, sempre, sob suspeita. A desorientação começa a bater à porta das famílias, que não vêem rumo para o país, nem futuro para os jovens. Bem nos podem dizer que “estamos a chegar a meio da ponte”, que o défice se está a reduzir, que a dívida está controlada e que não há outro caminho, mas talvez não seja assim. Há cada vez mais vozes a dizer que as coisas não estão a correr bem.
Assim há que encontrar outro caminho e há que encontrar imaginação para ultrapassar a nossa crise, que está entregue a contabilistas e a muitos yes men, convencidos e acomodados em lugares bem remunerados.
Porém, neste quadro de desorientação, é particularmente doloroso ver alguns dos símbolos da nossa economia a serem vendidos um pouco ao desbarato, como sucede com a EDP e a Petrogal Brasil a serem tomadas pelos chineses, o BPN a ser comprado em saldo pelos angolanos e, agora, a Cimpor a ser atacada pelos brasileiros.
É realmente um caminho doloroso!
A sabedoria de Kofi Annan
O problema sírio abandonou a primeira páginas dos jornais ocidentais e a notícia do Gulf News é uma excepção: Bashar Al-Assad e o seu governo aceitaram esta semana o plano de seis pontos de Kofi Annan, o antigo secretário-geral da ONU e actual emissário da ONU e da Liga Árabe, para pôr fim à violência no país. Esse plano procura que, sob a supervisão da ONU, cessem os confrontos entre as forças governamentais e os seus opositores, sejam libertados os oposicionistas detidos nos protestos contra o governo e seja autorizada a entrada no país de ajuda humanitária.
A chamada Primavera Árabe teve início na Tunísia e chegou à Síria, onde há um ano a oposição ao regime de Bashar Al-Assad saiu à rua para protestar. Aos protestos sucederam-se os confrontos e depois os combates entre as forças governamentais e as forças da oposição. A cidade de Homs tornou-se o símbolo da revolta. A situação humanitária tornou-se crítica. Terão morrido mais de dez mil pessoas e há denúncias de atrocidades praticadas por ambas as partes. Até agora, o governo sírio tinha tido o apoio da Rússia e da China para recusar qualquer plano de paz, pelo que esta decisão pode ser uma etapa importante para acabar com a violência no país.
Contrariamente ao que se passou no Iraque e na Líbia onde se verificaram intervenções militares externas de alguns falcões e dos seus amigos, agora procura-se uma solução mais equilibrada. Será porque a Síria tem pouco petróleo? Será porque a Síria tem os apoios internacionais que tem? Assim, muito acertadamente, são a ONU e a Liga Árabe que, com a ajuda da sabedoria de Kofi Annan, estão a dar passos para encontrar a paz.
Na realidade, a solução Annan parece ser bem melhor que as receitas de George W. Bush e de Nicolas Sarkozy.
A chamada Primavera Árabe teve início na Tunísia e chegou à Síria, onde há um ano a oposição ao regime de Bashar Al-Assad saiu à rua para protestar. Aos protestos sucederam-se os confrontos e depois os combates entre as forças governamentais e as forças da oposição. A cidade de Homs tornou-se o símbolo da revolta. A situação humanitária tornou-se crítica. Terão morrido mais de dez mil pessoas e há denúncias de atrocidades praticadas por ambas as partes. Até agora, o governo sírio tinha tido o apoio da Rússia e da China para recusar qualquer plano de paz, pelo que esta decisão pode ser uma etapa importante para acabar com a violência no país.
Contrariamente ao que se passou no Iraque e na Líbia onde se verificaram intervenções militares externas de alguns falcões e dos seus amigos, agora procura-se uma solução mais equilibrada. Será porque a Síria tem pouco petróleo? Será porque a Síria tem os apoios internacionais que tem? Assim, muito acertadamente, são a ONU e a Liga Árabe que, com a ajuda da sabedoria de Kofi Annan, estão a dar passos para encontrar a paz.
Na realidade, a solução Annan parece ser bem melhor que as receitas de George W. Bush e de Nicolas Sarkozy.
quinta-feira, 29 de março de 2012
As Segundas de Aguiar
Todas as segundas-feiras, sem falta, depois de almoçar no Books, o ministro da Defesa entra no nº 110 da rua Falcão, no Porto, no escritório da sociedade de advogados José Pedro Aguiar-Branco & Associados. Demora-se algumas horas e, ao fim da tarde, um Mercedes com motorista vai buscá-lo de regresso a Lisboa.
Isto escreveu Miguel Ganhão, Subchefe de Redacção do jornal Correio da Manhã na edição de 28 de Janeiro de 2012, com o título “Segundas de Aguiar”.
A ética democrática e republicana foi ignorada. Que promiscuidade. Que tristeza. Vale tudo.
Porém, um mês depois, Aguiar quebrou esta rotina, pois na segunda-feira dia 27 de Fevereiro, não compareceu na JPAB – Sociedade de Advogados para tratar da sua vida. Nesse dia, Aguiar esteve em Washington em conversações com o seu homólogo Leon Panneta, para tratar da “parceria estratégica entre Portugal e os Estados Unidos no âmbito da defesa”, segundo também informou o "Correio da Manhã".
Para o empresário foi um prejuízo pessoal, mas para o ministro foi um dia de glória!
Se a moda pega, qualquer dia teremos a Ministra Cristas a passar o dia na Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva e Associados, a Ministra da Cruz na F. Castelo Branco & Associados e o Ministro Macedo na Miguel Macedo e Albertina Gonçalves, Sociedade de Advogados, RL, todos eles com os respectivos motoristas à espera.
São estes os exemplos que nos dá esta geração de políticos!
Isto escreveu Miguel Ganhão, Subchefe de Redacção do jornal Correio da Manhã na edição de 28 de Janeiro de 2012, com o título “Segundas de Aguiar”.
A ética democrática e republicana foi ignorada. Que promiscuidade. Que tristeza. Vale tudo.
Porém, um mês depois, Aguiar quebrou esta rotina, pois na segunda-feira dia 27 de Fevereiro, não compareceu na JPAB – Sociedade de Advogados para tratar da sua vida. Nesse dia, Aguiar esteve em Washington em conversações com o seu homólogo Leon Panneta, para tratar da “parceria estratégica entre Portugal e os Estados Unidos no âmbito da defesa”, segundo também informou o "Correio da Manhã".
Para o empresário foi um prejuízo pessoal, mas para o ministro foi um dia de glória!
Se a moda pega, qualquer dia teremos a Ministra Cristas a passar o dia na Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva e Associados, a Ministra da Cruz na F. Castelo Branco & Associados e o Ministro Macedo na Miguel Macedo e Albertina Gonçalves, Sociedade de Advogados, RL, todos eles com os respectivos motoristas à espera.
São estes os exemplos que nos dá esta geração de políticos!
terça-feira, 27 de março de 2012
As colecções do CAMB
O Centro de Arte Manuel de Brito (CAMB) que está instalado no Palácio Anjos, em Algés, tem actualmente duas exposições patentes ao público, que apresentam parte da sua colecção de mais de duas mil obras.
A exposição temporária mostra até ao dia 3 de Junho a exposição “Artistas brasileiros na Colecção Manuel de Brito”, na qual o CAMB mostra os artistas brasileiros da sua colecção. Essa circunstância está naturalmente relacionada com o facto do galerista Manuel de Brito (1928-2005) ter nascido no Rio de Janeiro e sempre ter mantido fortes ligações a artistas e instituições brasileiras. Entre outras, a colecção integra obras de Thomaz Ianelli, Sérgio de Camargo, Arthur Luiz Piza, Alex Flemming, Leda Catunda e Márcia Xavier.
Porém, o que mais atrai no Palácio Anjos é a sua exposição permanente pois apresenta um conjunto pouco comum dos mais cotados artistas portugueses e testemunha a importância da colecção do CAMB no contexto das colecções de arte portuguesa contemporânea. Assim, lá estão representados Amadeo de Souza-Cardoso, Vieira da Silva, Carlos Botelho, Júlio Resende, Eduardo Viana, Menez, Paula Rego, José de Guimarães, Júlio Pomar, Marcelino Vespeira, Mário Eloy, Nikias Skapinakis, Eduardo Luiz, António Dacosta, Luís Noronha da Costa, António Costa Pinheiro e alguns outros.
Só para apreciar esta diversidade da pintura portuguesa contemporânea vale a pena visitar o CAMB.
A exposição temporária mostra até ao dia 3 de Junho a exposição “Artistas brasileiros na Colecção Manuel de Brito”, na qual o CAMB mostra os artistas brasileiros da sua colecção. Essa circunstância está naturalmente relacionada com o facto do galerista Manuel de Brito (1928-2005) ter nascido no Rio de Janeiro e sempre ter mantido fortes ligações a artistas e instituições brasileiras. Entre outras, a colecção integra obras de Thomaz Ianelli, Sérgio de Camargo, Arthur Luiz Piza, Alex Flemming, Leda Catunda e Márcia Xavier.
Porém, o que mais atrai no Palácio Anjos é a sua exposição permanente pois apresenta um conjunto pouco comum dos mais cotados artistas portugueses e testemunha a importância da colecção do CAMB no contexto das colecções de arte portuguesa contemporânea. Assim, lá estão representados Amadeo de Souza-Cardoso, Vieira da Silva, Carlos Botelho, Júlio Resende, Eduardo Viana, Menez, Paula Rego, José de Guimarães, Júlio Pomar, Marcelino Vespeira, Mário Eloy, Nikias Skapinakis, Eduardo Luiz, António Dacosta, Luís Noronha da Costa, António Costa Pinheiro e alguns outros.
Só para apreciar esta diversidade da pintura portuguesa contemporânea vale a pena visitar o CAMB.
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segunda-feira, 26 de março de 2012
Economia Portuguesa e Lusofonia
No recente Congresso Mundial de Empresários das Comunidades e Lusofonia, organizado pelo jornal Mundo Português a propósito do seu 42º aniversário, a Espírito Santo Research apresentou um estudo intitulado “Economia Portuguesa e Lusofonia”, de que o jornal divulgou um resumo.
De acordo com os dados de 2010, a expressão económica mundial da Língua Portuguesa (países em que o português é a língua oficial e comunidades portuguesas residentes noutros países) traduz-se num PIB de 1.979 mil milhões de euros (4,6 % do PIB mundial) e 442 mil milhões de euros movimentados no comércio internacional (2 % do comércio mundial), que são gerados por cerca de 254 milhões de pessoas (3,6 % da população mundial).
Estes números mostram que, embora cerca de 80 % das exportações portuguesas se destinem aos países da União Europeia e apenas cerca de 8% se destinem ao espaço económico da Lusofonia, o potencial de exportação para este grupo de países tem um significado interessante.
Numa altura em que o crescimento do Produto Nacional terá que assentar sobretudo nas exportações, o estudo revela que, entre 2006 e 2011, as nossas exportações cresceram a uma taxa de 3,5 % para o mundo e de 14,8 % para o mundo lusófono, verificando-se um significativo crescimento médio das nossas exportações para Angola (14,1 %), Brasil (18,1 %), Cabo Verde (6,1 %), Moçambique (24,2 %), Guiné-Bissau (18,9 %), S. Tomé e Príncipe (10,6 %), Macau (2,3 %) e Timor-Leste (14,9 %).
Afinal a ideia de aumentar as exportações para o espaço lusófono não foi inventada agora e já vem sendo concretizada desde há vários anos.
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De acordo com os dados de 2010, a expressão económica mundial da Língua Portuguesa (países em que o português é a língua oficial e comunidades portuguesas residentes noutros países) traduz-se num PIB de 1.979 mil milhões de euros (4,6 % do PIB mundial) e 442 mil milhões de euros movimentados no comércio internacional (2 % do comércio mundial), que são gerados por cerca de 254 milhões de pessoas (3,6 % da população mundial).
Estes números mostram que, embora cerca de 80 % das exportações portuguesas se destinem aos países da União Europeia e apenas cerca de 8% se destinem ao espaço económico da Lusofonia, o potencial de exportação para este grupo de países tem um significado interessante.
Numa altura em que o crescimento do Produto Nacional terá que assentar sobretudo nas exportações, o estudo revela que, entre 2006 e 2011, as nossas exportações cresceram a uma taxa de 3,5 % para o mundo e de 14,8 % para o mundo lusófono, verificando-se um significativo crescimento médio das nossas exportações para Angola (14,1 %), Brasil (18,1 %), Cabo Verde (6,1 %), Moçambique (24,2 %), Guiné-Bissau (18,9 %), S. Tomé e Príncipe (10,6 %), Macau (2,3 %) e Timor-Leste (14,9 %).
Afinal a ideia de aumentar as exportações para o espaço lusófono não foi inventada agora e já vem sendo concretizada desde há vários anos.
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domingo, 25 de março de 2012
Os motoristas milionários
Na sua edição de ontem o Correio da Manhã titulou que há “motoristas milionários no Governo”, acrescentando que há “salários de 4 mil euros por mês”.
Os motoristas são muito importantes na vida política. Conduzem bons carros, que por acaso foram pagos com os meus impostos. Transportam os nossos dirigentes. Conhecem-lhes os segredos. Adivinham-lhes as fraquezas. Ouvem-lhes os desabafos. Fazem-lhes pequenos favores. São reverentes e influentes e, ao contrário do cidadão comum, não têm limites de velocidade e podem estacionar em toda a parte. Estão sempre "em serviço" e é tudo "a bem da Nação".
São eles que dão polimento e vida às numerosas frotas de automóveis do Estado. Nos gabinetes ministeriais ou nos cafés que lhes ficam em frente, mas também em muitos outros organismos públicos, os motoristas esperam ordens, com elevado grau de prontidão. São verdadeiros operacionais engravatados.
Nenhuma entidade prescinde dos seus serviços para conduzir a viatura, abrir a porta, pegar na pasta, esperar, esperar… Isso alimenta as vaidades e o exibicionismo dessas entidades. Por vezes, os motoristas fazem alguns serviços adicionais e levam as crianças à escola e à natação ou as senhoras às compras. Quando a coisa acaba, a entidade dá-lhes um louvor por bons serviços.
Tudo isso custa dinheiro, porque para além do seu salário-base, os motoristas do Estado ainda recebem ou podem receber horas extraordinárias, ajudas de custo, facturas da alimentação, subsídio de risco, subsídio de lavagem da viatura, subsídio de vestuário e, talvez, outros subsídios que eu não conheço. E há as folgas para ir à terra! Tudo lhes é autorizado e daí resultam os exageros remuneratórios a que a notícia alude. É realmente um rico emprego, mas a culpa não é deles!
Os motoristas são muito importantes na vida política. Conduzem bons carros, que por acaso foram pagos com os meus impostos. Transportam os nossos dirigentes. Conhecem-lhes os segredos. Adivinham-lhes as fraquezas. Ouvem-lhes os desabafos. Fazem-lhes pequenos favores. São reverentes e influentes e, ao contrário do cidadão comum, não têm limites de velocidade e podem estacionar em toda a parte. Estão sempre "em serviço" e é tudo "a bem da Nação".
São eles que dão polimento e vida às numerosas frotas de automóveis do Estado. Nos gabinetes ministeriais ou nos cafés que lhes ficam em frente, mas também em muitos outros organismos públicos, os motoristas esperam ordens, com elevado grau de prontidão. São verdadeiros operacionais engravatados.
Nenhuma entidade prescinde dos seus serviços para conduzir a viatura, abrir a porta, pegar na pasta, esperar, esperar… Isso alimenta as vaidades e o exibicionismo dessas entidades. Por vezes, os motoristas fazem alguns serviços adicionais e levam as crianças à escola e à natação ou as senhoras às compras. Quando a coisa acaba, a entidade dá-lhes um louvor por bons serviços.
Tudo isso custa dinheiro, porque para além do seu salário-base, os motoristas do Estado ainda recebem ou podem receber horas extraordinárias, ajudas de custo, facturas da alimentação, subsídio de risco, subsídio de lavagem da viatura, subsídio de vestuário e, talvez, outros subsídios que eu não conheço. E há as folgas para ir à terra! Tudo lhes é autorizado e daí resultam os exageros remuneratórios a que a notícia alude. É realmente um rico emprego, mas a culpa não é deles!
quarta-feira, 21 de março de 2012
Um tempo para revisitar Óbidos
Embora estejamos a atravessar um longo período primaveril sob o ponto de vista meteorológico, só hoje realmente começa a Primavera boreal, quando ocorrer o equinócio do sol e, para nós, os dias passarem a ser maiores do que as noites.
Com a chegada da Primavera os espíritos reanimam-se e surge um renovado apelo pelas paisagens rurais, pelos campos verdejantes e floridos, pelas estradas secundárias, pelas praias desertas e pelos lugares com património, história e gastronomia, que as multidões de turistas hão-de invadir quando chegar o Verão.
Sair da cidade torna-se um imperativo e revisitar Óbidos é uma boa escolha. O seu traçado urbano medieval, as janelas e varandas das casas, as muralhas e as igrejas, os recantos e os jardins, o empedrado das suas calçadas e a limpeza das ruas são, nesta época do ano, um estímulo cultural e um verdadeiro incentivo para o visitante. Pelas paredes da antiquíssima vila, envelhecidas mas pintadas, já rebentam as trepadeiras e as buganvílias, nos vasos e nos canteiros já florescem as roseiras, as glicínias, as sardinheiras e muitas outras plantas ornamentais, que aos poucos irão transformar a vila num sugestivo jardim florido.
No sentido de aumentar a atractividade da vila, de impulsionar a sua base económica e de atrair o turismo, a autarquia tem desenvolvido um diversificado programa cultural, em que se destaca o Festival Internacional de Chocolate que já criou raízes, mas também muitas exposições, concertos e outras actividades culturais. Não sei se essas iniciativas tornam Óbidos mais atraente, porque o que de facto mais motiva o visitante, para além do seu castelo que foi escolhido como uma das sete maravilhas de Portugal, é a sua história centenária, a riqueza da sua arquitectura e a forte identidade cultural que evidencia, mais perceptíveis quando não há excursões com centenas de turistas que entopem as estreitas ruas da vila.
Agora que veio a Primavera é que é o tempo para revisitar Óbidos.
Com a chegada da Primavera os espíritos reanimam-se e surge um renovado apelo pelas paisagens rurais, pelos campos verdejantes e floridos, pelas estradas secundárias, pelas praias desertas e pelos lugares com património, história e gastronomia, que as multidões de turistas hão-de invadir quando chegar o Verão.
Sair da cidade torna-se um imperativo e revisitar Óbidos é uma boa escolha. O seu traçado urbano medieval, as janelas e varandas das casas, as muralhas e as igrejas, os recantos e os jardins, o empedrado das suas calçadas e a limpeza das ruas são, nesta época do ano, um estímulo cultural e um verdadeiro incentivo para o visitante. Pelas paredes da antiquíssima vila, envelhecidas mas pintadas, já rebentam as trepadeiras e as buganvílias, nos vasos e nos canteiros já florescem as roseiras, as glicínias, as sardinheiras e muitas outras plantas ornamentais, que aos poucos irão transformar a vila num sugestivo jardim florido.
No sentido de aumentar a atractividade da vila, de impulsionar a sua base económica e de atrair o turismo, a autarquia tem desenvolvido um diversificado programa cultural, em que se destaca o Festival Internacional de Chocolate que já criou raízes, mas também muitas exposições, concertos e outras actividades culturais. Não sei se essas iniciativas tornam Óbidos mais atraente, porque o que de facto mais motiva o visitante, para além do seu castelo que foi escolhido como uma das sete maravilhas de Portugal, é a sua história centenária, a riqueza da sua arquitectura e a forte identidade cultural que evidencia, mais perceptíveis quando não há excursões com centenas de turistas que entopem as estreitas ruas da vila.
Agora que veio a Primavera é que é o tempo para revisitar Óbidos.
terça-feira, 20 de março de 2012
Memória da Guerra Colonial
A SPA - Sociedade Portuguesa de Autores inaugurou uma exposição de grande interesse histórico e pedagógico, alusiva à passagem dos 50 anos do início da guerra colonial.
A exposição consta de vários painéis com expressivos textos, fotos, mapas e outros documentos, mostrando o que foram os 13 anos de guerra nas frentes de Angola, Guiné e Moçambique, que custaram a vida a mais de dez mil portugueses e ainda causaram dezenas de milhares de feridos e de estropiados.
Porém, a guerra colonial que resultou da intransigência salazarista, também representou o doloroso fenómeno do exílio, com muitos milhares de jovens a radicarem-se noutros países por discordarem da guerra.
A exposição também recorda a prisão do Tarrafal e a queda da Índia Portuguesa, destacando os momentos e as figuras mais marcantes da vida política portuguesa nesse período que decorreu de 1961 a 1974, bem como os grandes protagonistas do lado português e do lado da resistência anticolonial. Alguns painéis são dedicados ao modo como a guerra se reflectiu na vida cultural e artística portuguesa, ao papel da censura e da repressão, às tentativas armadas de mudança do regime salazarista e, ainda, às consequências que o conflito e o exílio tiveram na vida intelectual e científica do país.
A exposição pretende contrariar algum esquecimento da nossa história que se tem vindo a verificar nas últimas décadas e, de forma mais acentuada, nos últimos anos, constituindo um excelente exercício de memória sobre o nosso passado recente.
A exposição ficará patente nas instalações da SPA (Rua Gonçalves Crespo, 62, em Lisboa) até finais de Abril e, naturalmente, é muito recomendável.
A exposição consta de vários painéis com expressivos textos, fotos, mapas e outros documentos, mostrando o que foram os 13 anos de guerra nas frentes de Angola, Guiné e Moçambique, que custaram a vida a mais de dez mil portugueses e ainda causaram dezenas de milhares de feridos e de estropiados.
Porém, a guerra colonial que resultou da intransigência salazarista, também representou o doloroso fenómeno do exílio, com muitos milhares de jovens a radicarem-se noutros países por discordarem da guerra.
A exposição também recorda a prisão do Tarrafal e a queda da Índia Portuguesa, destacando os momentos e as figuras mais marcantes da vida política portuguesa nesse período que decorreu de 1961 a 1974, bem como os grandes protagonistas do lado português e do lado da resistência anticolonial. Alguns painéis são dedicados ao modo como a guerra se reflectiu na vida cultural e artística portuguesa, ao papel da censura e da repressão, às tentativas armadas de mudança do regime salazarista e, ainda, às consequências que o conflito e o exílio tiveram na vida intelectual e científica do país.
A exposição pretende contrariar algum esquecimento da nossa história que se tem vindo a verificar nas últimas décadas e, de forma mais acentuada, nos últimos anos, constituindo um excelente exercício de memória sobre o nosso passado recente.
A exposição ficará patente nas instalações da SPA (Rua Gonçalves Crespo, 62, em Lisboa) até finais de Abril e, naturalmente, é muito recomendável.
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