sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

A epidemia e a difícil situação de Manaus

A incapacidade para resolver os casos crescentes de covid-19 que vão acontecendo um pouco por todo o mundo gera situações de grande dramatismo para os doentes, mas também para os profissionais de saúde, para as autoridades sanitárias e para toda a sociedade. De vez em quando, a imprensa relata situações de desespero por falta de tudo o que seria necessário para intervir, nuns casos por carência de pessoal médico e de enfermagem, noutros casos por falta de espaços hospitalares, de camas e de material e, em especial, de ventiladores. 
O Brasil regista actualmente 207.095 óbitos por covid-19, um trágico número só ultrapassado pelos Estados Unidos e tem mais de oito milhões de infectados. Nas suas edições de hoje a imprensa brasileira destaca a situação dramática que se vive na cidade de Manaus, a capital do estado do Amazonas, que se tornou o principal foco de propagação de covid-19 no Brasil e onde os hospitais têm falta de oxigénio. Dizem os jornais que em Manaus houve mais óbitos em 2021 do que nos nove meses que decorreram de Abril a Dezembro de 2020 e relatam mortes por falta de ar em alas hospitalares inteiras, onde acabaram as reservas de oxigénio. O jornal Folha de S. Paulo diz mesmo que “Manaus mergulha no caos” e, perante essa realidade, as autoridades estaduais determinaram a transferência de doentes para outros estados. 
Porém há fortes críticas ao governo federal e aos estados “seus aliados” devido à forma “bolsonarista” como tem sido tratada esta “gripezinha”, inclusive por não ter sido feita a atempada encomenda de vacinas, pois até agora nenhuma remessa chegou ao Brasil.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Único: o Donald foi impugnado duas vezes

O ambiente político americano continua muito tenso e o responsável por essa situação é Donald Trump que, contra todas as evidências e julgamentos, continua a não aceitar a sua derrota eleitoral. O incitamento que fez aos seus apoiantes para ocuparem o Capitólio no dia 6 de Janeiro foi um desafio à democracia americana e um acto insurrecional sem precedentes. Por isso, a Câmara dos Representantes votou ontem a sua destituição e o resultado final saldou-se por 232 votos a favor (222 votos democratas e dez votos republicanos) e 197 votos contra dos congressistas republicanos. Entre os dez votos republicanos que condenaram Trump estava o voto do congressista David Goncalves Valadao, um lusodescendente nascido nos Estados Unidos em 1977, mas cuja família emigrara dos Açores em 1969. 
Donald Trump tornou-se no único presidente da história dos Estados Unidos a ser condenado com dois impeachments, enquanto a actual situação fez emergir Nancy Pelosi, a presidente da Câmara dos Representantes, como a corajosa acusadora que, sem papas na língua, disse que Trump incitou esta insurreição armada contra o Estado e a Constituição, pelo que deve ser afastado do seu cargo por ser um perigo para a nação. O impeachment aprovado não implica a destituição do Donald, pois terá que ser também aprovado pelo Senado por uma maioria de dois terços, o que significa que terá que haver 17 senadores republicanos a juntar o seu voto aos cinquenta senadores democratas. Apesar de esta votação só ocorrer após a posse de Joe Biden, numa altura em que os senadores já estarão menos condicionados pelo medo e pelas ameaças dos radicais, tudo o que vai acontecer é uma incerteza. É mesmo uma incerteza. Certo, apenas, é que Donald Trump será sempre uma vergonhosa figura a manchar a história dos Estados Unidos da América.

Covid-19: de mal a pior, mas até quando?

Dentro de 24 horas o nosso país vai entrar em confinamento geral e a generalidade dos portugueses vai ficar sujeita ao dever de recolhimento domiciliário e, sobretudo, vai ter que obedecer às regras do bom senso. O país vai fechar devido ao elevado risco de contágios, como hoje sugere a capa do jornal i. Assim, tal como acontece por toda a Europa, onde estão impostas muitas restrições para combater a pandemia, com confinamento geral pelo menos na Alemanha, Reino Unido, Irlanda, Holanda e Áustria, também Portugal adoptou medidas severas que, naturalmente, vão perturbar alguns sectores da economia, mas que são recomendadas pelo estado sanitário do país. 
Há cinco dias apenas, o jornal Público escreveu que, com 118 óbitos, estávamos no “princípio do pior”, mas a minha boa vontade traiu-me e eu escrevi, cheio de confiança, que era o “princípio do melhor”, na esperança de que aqueles 118 óbitos tivessem sido um pico na curva estatística e que nos dias seguintes a situação melhoraria. O Público acertou e eu errei. De facto, houve depois 111 óbitos e a seguir 102, 122, 155 e, ontem, 156. Tocaram todos os alarmes. Há actualmente mais de 116 mil pessoas infectadas, além de 4.240 pessoas internadas e 596 pessoas em unidades de cuidados intensivos. Nunca a situação epidemiológica em Portugal foi tão grave, tal como na vizinha Espanha onde a situação também é semelhante, tendo a imprensa anunciado hoje que há um "récord de contagios en España com casi 39.000 en un solo dia”. Estamos, portanto, absolutamente confinados e o que nos perturba é que continuamos sem saber até quando teremos o vírus à porta das nossas vidas.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

As vacinas, o Natal e o relaxamento social

Os países ibéricos estão a passar por um acentuado agravamento da crise pandémica nos últimos dias e alguns especialistas atribuem esta situação a algum relaxamento que se verificou durante o período de Natal, embora não haja unanimidade a esse respeito. 
Em Espanha passou-se a mesma situação e o jornal catalão La Vanguardia chama-lhe relajación de la Navidad, enquanto o Diário de Cadiz refere la resaca de Navidad. As autoridades sanitárias portuguesas atenuaram as medidas de confinamento no Natal mas os resultados foram decepcionantes, o que tem servido para que alguns comentadores e os políticos do costume tenham espaço e tema para falar, abusando do habitual argumento de que “eu tinha avisado”, mesmo quando não tinham avisado nada. O facto é que a chamada terceira vaga chegou pelo que, nos próximos dias, são de esperar algumas medidas mais severas de confinamento. 
As notícias da chegada das primeiras vacinas geraram uma natural onda de euforia e terá sido essa euforia, mais que a animação de Natal, que deram origem à relaxação portuguesa e à la resaca de Navidad espanhola. Porém, o que nos interessa é que a pandemia esteja em vias de regredir rapidamente para que possamos recuperar o nosso modo de vida, sem medo, sem máscara e sem distanciamento social.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

A Pátria honrai que a Pátria vos contempla

O jornal Ponto Final é um dos três jornais em língua portuguesa da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China (RAEM) e foi fundado em 1991 quando o território era administrado pela República Portuguesa. 
Actualmente o chefe do Executivo de Macau é Ho lat-seng e a RAEM, que vivia um período de prosperidade, está agora a sofrer as vicissitudes económicas devidas à crise pandémica. As medidas tomadas pelas autoridades sanitárias macaenses não diferem das que são tomadas em outros países, embora em grau diverso. Na sua edição de hoje o jornal destaca, entre outros assuntos, as limitações que continuam a ser impostas aos estrangeiros para pretendam entrar em Macau, até que a situação epidémica tenha um claro abrandamento. Naturalmente, esta medida é criticada, porque lá como cá, qualquer medida das autoridades sanitárias é criticada pelos que entendem que se foi longe demais e pelos que entendem que se ficou aquém do possível e necessário. Porém, o que aqui se destaca é a fotografia das Portas do Cerco que foi escolhida pelo jornal para sugerir a fronteira da RAEM com o território da RPC. 
Nessa fotografia pode continuar a ler-se a frase “A Pátria honrai que a Pátria vos contempla”, que desde 1871 encima o arco das Portas do Cerco e que desde 1836 é a divisa dos navios da Armada, como determinou o Ministro da Marinha e Ultramar José da Silva Mendes Leal. Aquela frase mostra a íntima relação que houve entre Macau e a Marinha, mas também parece mostrar que as autoridades macaenses preservam a herança cultural portuguesa.

domingo, 10 de janeiro de 2021

A neve e o frio que tanto nos afectam

No início da semana o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou num comunicado que se aproximava a depressão Filomena centrada a sul do arquipélago dos Açores e que os seus efeitos se iriam sentir no arquipélago da Madeira e no sul do continente, isto é, previam-se dias de chuva, vento forte, agitação marítima e muito frio. 
Assim aconteceu e a ilha da Madeira esteve sob temporal, enquanto o continente está a ser varrido por uma onda de frio, com as temperaturas nocturnas a descerem abaixo de zero em quase todo o país e com queda de neve em muitas regiões, incluindo no Alentejo. Não estamos habituados a este frio. Não há aquecimento que lhe resista. A depressão Filomena está a ser demasiado dura. 
Porém, a Filomena entrou pela vizinha Espanha e não foi mais moderada para com os espanhóis. Antes pelo contrário, pois levou o frio a todo o território e cobriu de branco quase todo o país. A região de Madrid foi coberta pelo maior nevão registado nas últimas décadas, que cortou várias estradas e bloqueou centenas de automobilistas, levou ao encerramento do aeroporto e provocou cortes no abastecimento de electricidade. A capital espanhola está paralisada e o frio é intenso, enquanto nos Picos da Europa, no reino das Astúrias, a estação de Veja de Liordes registou a temperatura mínima de -35.6 graus, que é um recorde absoluto desde que há registos. Será mais uma manifestação das alterações climáticas em curso? 
O jornal El País dedica a sua primeira página à nevada que cobriu Madrid, deixando apenas um pequeno espaço sobre o triste final do mandato de Donald Trump.

sábado, 9 de janeiro de 2021

É o princípio do pior ou do melhor?

Depois de uma certa euforia que se verificou com a chegada das primeiras vacinas contra o covid-19, as últimas notícias têm sido devastadoras e preocupantes. Ontem foi anunciado que nas últimas 24 horas houve 10.176 de novos casos de pessoas infectadas e 118 óbitos. Nunca os números tinham sido tão elevados em Portugal e o jornal Público escreve na sua edição de hoje que é “o princípio do pior”. 
Porém, como o espaço público está cheio de pseudo-especialistas que nos vão enchendo a cabeça com as mais desencontradas das suas verdades, fica-nos a dúvida sobre se é realmente o princípio do pior como hoje titula aquele jornal ou se estamos apenas a pagar a factura dos descuidos e de alguma extravagância que a época natalícia propiciou. Por outras palavras, fica-nos a dúvida sobre se é o princípio do pior ou se é o princípio do melhor. O facto é que o assunto é muito sério e que, para além das normais medidas preventivas de defesa pessoal para evitar contágios, há cada vez menos lugar para facilitismos e para exposições desnecessárias. 
Tão grave como o covid-19 é que nos descuidemos e que baixemos os nossos níveis de actividade física e intelectual ou que nos rendamos à quebra das nossas rotinas. Por isso, para além dos cuidados que a situação pandémica a todos obriga, há que manter muita serenidade e muita confiança, porque há que pensar que os dias melhores estão para vir. Significa, portanto, que há que ter todos os cuidados, mas que também é preciso pensamento positivo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Ainda o Donald e o assalto ao Capitólio

A imagem de alguns fanáticos a assaltar o Capitólio, publicada pelo The New York Times e por muitos outros jornais, vai ficar gravada na história dos Estados Unidos, tal como as fotografias do ataque às Torres Gémeas acontecido no dia 11 de Setembro de 2001. O que aconteceu no dia 6 de Janeiro de 2021 e que todo o mundo viu em directo pela televisão, foi uma quase insurreição armada contra as instituições democráticas americanas tentada por algumas centenas de indivíduos, que se deslocaram de diferentes regiões dos Estados Unidos para apoiar o presidente cessante e para evitar que a vitória eleitoral de Joe Biden fosse certificada. 
O que vimos foi impensável, com o próprio Presidente dos Estados Unidos a incitar um bando de fanáticos para usarem a violência e assaltarem o Capitólio, o que veio a ser considerado pelo vice-presidente Mike Pence como “um dia sombrio na história da capital dos Estados Unidos”. As reacções internas e internacionais foram de unânime condenação e acentuam a vergonha e a desonra que constituiu o comportamento de Donald Trump, havendo uma forte corrente interna que pede o seu imediato afastamento por demência, por abuso de poder ou por traição ao seu juramento constitucional. 
Faltam duas semanas para que o novo presidente tome posse e até lá ainda vai correr muita água debaixo das pontes, pelo que nenhuma das declarações de Trump merece credibilidade. Naturalmente, esta triste comédia vai ser estudada para saber se houve ou não houve um plano de Trump para se manter no poder que falhou, mas também para elogiar o comportamento sensato de Mike Pence, que muito contribuiu para que o plano de Trump falhasse.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

O fim do Donald e a invasão do Capitólio

As cenas que ontem nos foram mostradas em directo pelas televisões pareciam vir de uma república das bananas ou ser cenas de um qualquer filme histórico sobre a tomada da Bastilha em Paris no ano de 1789 ou o assalto ao Palácio de Inverno em Petrogrado no ano de 1917. Aquilo não poderia passar-se nos Estados Unidos, mas de facto tratava-se da invasão do Capitólio, o simbólico edifício que na cidade de Washington aloja o Congresso, isto é, as duas câmaras constitucionais - o Senado e a Câmara dos Representantes. É, portanto, a sede da Democracia americana. 
Ontem decorria a sessão presidida pelo vice-presidente Mike Pence, para confirmar os resultados eleitorais de 3 de Novembro passado, quando algumas centenas de desordeiros encorajados por Donald Trump invadiram o Capitólio, supostamente para impedir os trabalhos do Congresso. As cenas que vimos em directo mostravam um clima insurrecional que envergonha a América e faz rir o mundo. Houve quatro mortos e 52 pessoas foram detidas. Só depois o Congresso recomeçou os seus trabalhos, tendo formalmente declarado a vitória de Joe Biden e de Kamala Harris. 
Donald Trump perdeu mais uma tentativa para reverter a sua derrota eleitoral e continua a mostrar evidentes sintomas de demência ao não querer deixar a Casa Branca. O Partido Republicano e o seu vice-presidente abandonaram-no. As redes sociais suspenderam-lhe as contas. Muitas personalidades como Obama e George W. Bush condenaram-no e nem uma só voz respeitável apareceu a defendê-lo. Não se sabe se chegou a perguntar se Washington já estava a arder, mas o que se passou coloca Donald Trump numa galeria de gente que não merece o respeito de ninguém, tanto na América como no mundo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

R.I.P. Carlos do Carmo

Carlos do Carmo faleceu aos 81 anos de idade e a comunicação social foi unânime no elogio a um homem que era a voz e uma referência obrigatória na história do fado, mas que também era um homem de cultura e um defensor de causas. 
A sua carreira artística passou por inúmeros palcos internacionais e começou em 1980 no Olympia de Paris, mas também por muitos outros palcos em todos os continentes, tendo recebido vários prémios internacionais como o Prémio Goya em Espanha, o Grammy Latino de Carreira em Hollywood e a Grand Médaille de Vermeil da cidade de Paris, a mais alta distinção cultural da capital francesa e, segundo as palavras do Presidente da República “foi a voz de Portugal cá dentro e lá fora, prestigiando não apenas o fado como toda a nossa cultura”. A sua voz foi sempre estimulante, tanto nos tempos da Ditadura, como nos tempos da Democracia. No seu repertório incorporou textos de grandes poetas, em particular do seu amigo Ary dos Santos que com ele assinou o famoso álbum Um Homem na Cidade, editado em 1997. Foi um dos principais embaixadores da Candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade e a sua carreira foi distinguida com várias condecorações.
Carlos do Carmo falava fluentemente francês, inglês, alemão e espanhol e foi um defensor da língua e da cultura portuguesa, como reconhece na sua edição de hoje o jornal macaense Ponto Final que destaca que a sua voz também aproximou Macau de Portugal. Era um lutador por causas políticas e sociais e afirmava-se um homem de esquerda e um defensor dos ideais do 25 de Abril. 
As cerimónias fúnebres de Carlos do Carmo realizam-se hoje.

sábado, 2 de janeiro de 2021

2021: nova esperança e novos desafios

O novo ano já corre há mais de 24 horas e sucedem-se os balanços sobre o que foi o ano de 2020, enquanto se fazem previsões sobre o que vai acontecer em 2021. 
Temos vivido num quadro de incerteza que nos foi trazido pela crise pandémica e o aparecimento de vacinas que asseguram protecção para o covid-19, que aconteceu nas últimas semanas do ano, foi um facto que deu uma renovada esperança ao mundo. Portanto, o ano de 2021 é um ano de esperança, como destaca o Correio Braziliense na sua primeira edição do ano. 
Porém, depois dos fogos de artifício e dos tradicionais festejos que assinalaram a entrada no novo ano, a realidade apresenta-se com muitos desafios para ultrapassar os gravosos efeitos sociais e económicos da pandemia, que alteraram o nosso modo de vida e o nosso sistema de valores, o modo de produção da nossa sociedade, os padrões de consumo e as características do trabalho, do emprego e do lazer. Nada vai ser como antes e, por isso, confrontamo-nos com os desafios de um tempo diferente que está a chegar, num quadro mais impessoal de convivência e da chamada transição digital que nos obriga a ficar cada vez mais dependentes de um computador. 
Nessas circunstâncias, a geração dos mais velhos que é a minha, vai ter maior dificuldade de adaptação ao mundo que se está a desenhar e, por isso, vai ser cada vez mais necessário resistir ao ghetto que nos pode cercar, lutar contra a crescente desumanização do quotidiano e reforçar a solidariedade e o convívio com os amigos para que não fiquemos submersos pelo que aí vem.
Naturalmente, para todos aqui ficam os desejos de um Bom Ano.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

O ano de 2020 termina. Mejor año nuevo!

Hoje é o último dia do ano de 2020 e, por todo o mundo, muitos jornais despedem-se de um ano que querem esquecer e transmitem mensagens de esperança no ano de 2021, que se inicia dentro de poucas horas. De entre essas mensagens de esperança para o novo ano, destacamos a mensagem bem simples que aparece hoje na capa dos principais jornais de Madrid e de Barcelona. Diz apenas Mejor año nuevo e vem assinada com um pequeno M, quase escondido, mas que a generalidade dos leitores identifica espontaneamente com a Movistar, a marca comercial de grande notoriedade da operadora de telefonia móvel do grupo Telefónica, que opera em Espanha e em vários países latino-americanos como a Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Peru, Uruguai, Venezuela e Brasil, neste caso através da operadora Vivo. É uma presença publicitária de grande criatividade que reforça a imagem de marca da Movistar e que aumenta os níveis de confiança da sua clientela. 
Em situações de crise económica e social como aquela que o mundo atravessa, este tipo de mensagens publicitárias não se destina a aumentar as vendas ou a angariar clientes, mas apenas a reforçar o prestígio das marcas e a gerar uma confiança acrescentada no público. Com esta mensagem a desejar mejor año nuevo, a Movistar reforça a sua presença junto do público e deixa no subconsciente dos seus clientes actuais ou potenciais, a ideia de que é melhor e mais confiável do que as outras operadoras de telefonia móvel que operam em Espanha - a Orange, a Vodafone e a Yoigo.
E nós, tal como a Movistar, também desejamos mejor año nuevo aos nossos leitores.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Cristiano Ronaldo e Globe Soccer Awards

No passado dia 27 de Dezembro realizou-se no emirado do Dubai a gala dos Globe Soccer Awards 2020, uns prémios que têm uma relevância mínima no mundo do futebol, mas que permitem que os árabes endinheirados que gostam de futebol possam conviver com algumas estrelas do futebol mundial. 
O Dubai é conhecido por ser um luxuoso shopping center, pela sua arquitectura moderna, pela sua animada vida nocturna e pelo dinheiro que movimenta. Por isso, um evento como os Globe Soccer Awards assenta muito bem naquele cenário de modernidade. 
Este ano realizou-se a 12ª edição daquele evento e havia três portugueses candidatos a disputar os títulos de melhor jogador do século, melhor treinador do século e melhor empresário do século, tendo a gala sido realizada no majestoso arranha-céus Burj Khalifa, uma torre com 830 metros de altura, que se destaca num mar de arranha-céus. Jorge Mendes e Cristiano Ronaldo têm assinatura nestes prémios e foram escolhidos como empresário do século e jogador do século, enquanto José Mourinho ficou sem prémio desta vez. Quando ainda faltam oitenta anos para acabar o século é demasiado ridículo que já estejam a ser escolhidos o empresário e o jogador do século e, por isso, a imprensa desportiva tratou este assunto de forma muito discreta, porque o evento não merecia mais. Curiosamente, a maior referência que encontramos a este evento encontra-se no diário La Opinión, um jornal americano de língua espanhola que se publica em Los Angeles desde 1926, que ilustra a primeira página da sua edição de ontem com uma foto de Cristiano Ronaldo a três colunas e com a legenda Monstruo! Não se imaginaria tanta popularidade do Cristiano Ronaldo na Califórnia e não há dúvida que ele é, provavelmente, o maior embaixador que alguma vez tivemos.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Um conselho ao Donald: stop the insanity

Tínhamos imaginado que a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais americanas que sucessivos tribunais confirmaram, tinha acabado de vez com a nefasta presidência de Donald Trump que tanto prejudicou o prestígio internacional dos Estados Unidos. Além disso, a declaração dos especialistas de que se tratou da ”mais segura eleição da história dos Estados Unidos”, parecia acabar de vez com as teorias conspirativas do Donald. O assunto parecia ter ficado arrumado, mas as coisas não parecem ser exactamente assim. 
Numa altura em que a crise pandémica está muito intensa nos Estados Unidos, com mais de 200 mil contágios e três mil óbitos diários, com os hospitais à beira do colapso mas com as esperanças concentradas na nova vacina, o Donald continua amuado com o país, nada diz sobre a crise pandémica e repete a sua costumada gritaria em que insiste que que ganhou as eleições. Deste seu comportamento irresponsável tem resultado a perda de aliados e um isolamento cada vez maior, até porque não pára de fazer asneiras, não só através do boicote ao Congresso que lhe tirou o tapete mas, sobretudo, pela forma leviana e desonesta como vem distribuindo indultos a algumas dezenas de amigos e apoiantes, alguns deles já condenados. 
Na sua edição de hoje o jornal New York Post não o poupa e diz-lhe mesmo para parar com a sua insanidade. Stop the insanity é um invulgar apelo feito ao Donald para acabar com a louca cruzada em que se tem envolvido, mas a América e o mundo ainda terão de esperar 23 dias para o ver fora da Casa Branca.

domingo, 27 de dezembro de 2020

Bispo de Pemba e guerra em Cabo Delgado

A província moçambicana de Cabo Delgado tem vivido em estado de guerra desde 2017 e como resultado da acção armada de grupos insurgentes estão contabilizados dois mil mortos e 600 mil deslocados. As raízes do conflito são complexas mas parecem assentar em sérias divergências com um governo que se encontra a 2.500 quilómetros de distância e que tem revelado incapacidade para discutir a situação e para ajudar os que precisam, optando por uma abordagem essencialmente militar e parecendo esquecer a componente religiosa do conflito. No litoral de Cabo Delgado o islamismo está implantado há muitos séculos e do actual descontentamento tem resultado a progressiva radicalização no terreno, com ideologias e práticas jihadistas inspiradas pelas suas ligações à umma regional e global. Por outro lado, a riqueza local em gás natural e outros recursos é também uma variável importante neste conflito e o Estado Islâmico, que inicialmente não se terá envolvido na insurgência, parece que desde há alguns meses passou a dominar a actuação dos grupos armados insurgentes. 
As Nações Unidas e o Papa têm referido as suas preocupações, sobretudo em relação aos deslocados, calculando-se que na cidade de Pemba se encontrem cerca de 150 mil pessoas deslocadas e em deficientes condições humanitárias. É nesse contexto que D. Luiz Fernando Lisboa, o missionário brasileiro que é Bispo de Pemba, se tem erguido com uma das vozes mais críticas do governo moçambicano pela sua inoperância na abordagem deste conflito, na denúncia do radicalismo e das violações de direitos humanos que ocorrem no terreno e pelo seu trabalho na ajuda e protecção dos deslocados que fugiram do mato. 
Há uma semana o Bispo de Pemba foi recebido em prolongada audiência pelo Papa Francisco e agora o semanário independente Savana, que se publica em Maputo, escolheu-o como “a nossa figura do ano”, por ser “a voz da tragédia de Cabo Delgado”. Daqui de muito longe, recordamos a antiga cidade de Porto Amélia, achamos que o semanário escolheu bem e daí o nosso aplauso.