segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Treinadores portugueses vencem no Brasil

O Botafogo de Futebol e Regatas, ou simplesmente Botafogo, triunfou no Campeonato Brasileiro de Futebol, isto é, venceu o Brasileirão 2024, disso tendo feito manchete o jornal O Globo, na sua edição de hoje, com grande destaque. A cidade do Rio de Janeiro está em festa pois o clube venceu este título nacional pela terceira vez e quebrou um jejum de 29 anos, pois anteriormente só vencera o campeonato em 1968 e em 1995.
O Botafogo não tem estado ao nível de clubes como o Palmeiras, o São Paulo, o Corinthians e o Santos (estado de São Paulo), ou o Flamengo, o Fluminense e o Vasco da Gama (estado do Rio de Janeiro), além de outros, tendo nos últimos trinta anos descido de divisão três vezes.
Por isso, o seu triunfo no Brasileirão 2024 e, nove dias antes na Taça Libertadores da América, a principal competição de futebol da América Latina, levou a euforia às torcidas organizadas do Botafogo e da população deste bairro do Rio de Janeiro.
O treinador e principal responsável por este momento único na vida do centenário clube é o português Artur Jorge que, em nove dias, conduziu o Botafogo a dois prestigiosos títulos. Depois de Jorge Jesus no Flamengo e de Abel Ferreira no Palmeiras, o sucesso de Artur Jorge veio confirmar que os portugueses de maior notoriedade no Brasil desde o tempo do imperador D. Pedro, não são Pessoa, nem Saramago, nem Amália, mas sobretudo os treinadores de futebol. Quem diria?

O incerto (e perigoso) futuro da Síria

A imprensa mundial noticia hoje a queda da cidade de Damasco e a fuga de Bashar al-Assad para a Rússia. Aparentemente, em doze dias apenas, os “rebeldes” do grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS) de Abu Mohammad al-Jolani derrubaram o regime autoritário dos Assad e terminaram a guerra civil que se travava desde 2011. Nessa longa guerra participaram o Irão e a Rússia em apoio do regime sírio e, do lado das várias forças da oposição, os Estados Unidos, a Arábia Saudita, a Turquia e os Emirados Árabes Unidos, estimando-se que tenha havido mais de 14 milhões de refugiados e mais de 600 mil mortos.
O fim do regime de Bashar el-Assad foi anunciado com regozijo nas capitais europeias onde os seus líderes manifestaram satisfação pelo fim do ditador, mas sem comentarem se também foi o fim da ditadura.
Porém, há quem tema que o radicalismo do novo poder seja pior que o secularismo do regime de Bashar al-Assad. Há, também, quem se admire com a ausência de resistência das forças armadas sírias que se desintegraram e com a apatia dos aliados de Bashar el-Assad. A rapidez com que os “rebeldes” tomaram o poder em Damasco, a indiferença das forças russas e iranianas que estão no terreno e as instruções aparentemente deixadas por Bashar el-Assad para que se fizesse uma transição pacífica do poder, parecem revelar que esta operação-relâmpago teve contornos de concertação que ainda estão por esclarecer.
O jornal francês Libération escreve que a Síria caminha para o desconhecido e a imprensa chinesa alerta para que a mudança na Síria pode perturbar o Médio Oriente. O facto é que a queda dos ditadores naquela região do mundo não contribuiram para a paz, nem para a democracia, enquanto se tem visto muita inabilidade ocidental nesta região, onde Israel e o regime de Netanyahu fazem o que lhes apetece.

domingo, 8 de dezembro de 2024

A Síria e a queda de Bashar al-Assad

A imprensa internacional escolheu hoje como tema dominante das suas manchetes a reabertura da catedral de Notre-Dame e o encontro entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky no qual, segundo algumas notícias, o presidente eleito americano terá “empurrado” Zelensky para uma negociação com Putin. Foram raros os jornais que trouxeram a crise síria para a primeira página das suas edições de hoje e um deles foi o jornal La Vanguardia que se publica em Barcelona, que escreveu com destaque que “los islamistas sírios alcanzan los suburbios de Damasco”. A notícia era surpreendente, porque não era imaginável que, em cerca de dez dias, os “rebeldes” tivessem ocupado as cidades de Aleppo e Homs e estivessem às portas de Damasco, aparentemente sem resistência das forças leais a Bashar al-Assad, nem a oposição dos seus aliados russos e iranianos.
Hoje de manhã, a notícia televisiva chegou inesperada pela sua rapidez: os “rebeldes” tinham entrado em Damasco e Bashar al-Assad tinha abandonado a capital e deixara o país num avião com a família, sem combates, nem oposição e com forte apoio popular. E foi tudo tão rápido que só amanhã a imprensa poderá noticiar a queda do regime sírio…
O fim do regime ditatorial sírio, que era dominado pela família Assad, foi saudado em muitos países mesmo sem se saber quem são e o que querem fazer os "rebeldes", mas também já se levantam vozes a referir a incerteza e os riscos que envolvem a transição, num quadro interno com o poder a ser repartido por vários grupos étnicos e religiosos e num quadro regional muito complexo.
Aí está mais um desafio para a estabilidade mundial e se nos lembrarmos do que aconteceu no Iraque, depois de Saddam Hussein, e na Líbia, depois de Muammar Kaddafi, talvez não tenhamos razões para entrar em euforia com a queda de Bashar al-Assad.

sábado, 7 de dezembro de 2024

Reabertura da nova Notre-Dame de Paris

No dia 15 de Abril de 2019 um violento incêndio destruiu a histórica catedral Notre-Dame de Paris, um símbolo da cidade e do cristianismo, que é classificada como Património Mundial pela Unesco e que, então, recebia 12 milhões de visitantes por ano.
A derrocada da catedral que começou a ser construida no século XII na île de la Cité, rodeada pelas águas do rio Sena, foi um enorme choque emocional para os franceses, mas também para o mundo, com a visão em directo das imagens televisivas da catástrofe. Foi imediatamente decidida a reconstrução da catedral e cerca de 340.000 doadores asseguraram a coleta de fundos suficiente para custear os trabalhos de reconstrução e restauro, que se prolongaram por cinco anos e custaram 700 milhões de euros.
Hoje, vai realizar-se a festa da reabertura da Notre-Dame, a que assistirão cerca de cinco dezenas de chefes de Estado e de governo, com a imprensa francesa, designadamente o jornal Le Parisien, mas também alguma imprensa internacional, a dedicarem largos espaços a este acontecimento cultural de importância mundial. É a festa da catedral de Notre-Dame, a festa do Património Mundial e a festa da França.
Porém, nem tudo são rosas nesta festa francesa, em que o presidente Macron quer ser o rei, pois o governo de Barnier está demitido e andam todos muito nervosos. Além da crise política, também a economia francesa está em perda, havendo grandes preocupações quanto ao futuro e teme-se que a característica agitação social dos franceses se revele, sobretudo através do Mouvement des gilets jaunes.
No entanto, é bem possível que os franceses se fiquem apenas com um sentimento de orgulho pela reconstrução da Notre-Dame e que esqueçam os protestos, por agora...

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

As crises políticas que afectam a Europa

O Parlamento francês votou uma moção de censura contra o governo de Michel Barnier, que se demitiu e deixou a França sob uma grave crise política, a que se junta uma crise económica traduzida por um défice público de 6,2% do PIB, que é o maior desequilibrio orçamental da Zona Euro, bem como uma dívida pública de 112% do PIB. O jornal Le Télégramme destaca hoje em manchete que “Barnier censuré, Macron isolé”, enquanto um outro jornal escreve que “Macron plus fragilisé que jamais”.
Marcelo Rebelo de Sousa, uma vez mais vestido de comentador, veio afirmar de imediato que a queda do governo francês é um “sinal de como a Europa está cheia de problemas”. Afirmar agora que a Europa está cheia de problemas é uma evidência, ou mesmo uma la palissada, porque a incapacidade dos actuais líderes europeus já vem de longe, até porque se entregaram a Ursula van der Leyen, que tem um protagonismo excessivo e pouco imaginativo, mas que ainda não teve tempo para condenar Israel pelo genocídio a que está a sujeitar o povo palestiniano.
A França vive uma situação muito complexa e há quem exija a demissão de Emmanuel Macron, mas a Alemanha também passa por grandes dificuldades, com a economia em recessão e com o pior desempenho económico da União Europeia, mas também com a coligação governamental chefiada por Olaf Scholz a desfazer-se, pelo que haverá eleiçóes antecipadas em Fevereiro.
Estamos a caminho de um vazio político em França e na Alemanha, as duas maiores e mais influentes potências económicas da União Europeia e essa circunstância é altamente preocupante e desprestigiante para a Europa. Podem vir aí dias sombrios…

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

A próspera Europa tem muita pobreza…

A imprensa portuguesa divulgou hoje que, segundo os dados do INE, ”um quinto dos portugueses acima dos 65 anos é pobre”.
Numa época de prosperidade como aquela em que vivemos, em que as pessoas viajam e compram automóveis, a existência de tantos pobres na nossa sociedade tem que ser interpretada como uma aberração e uma violação dos direitos humanos.
A definição de pobreza e de pobre envolve, sobretudo, a falta de recursos e de rendimentos que assegurem a subsistência, mas também se manifestam através da fome, do limitado acesso à educação e da exclusão social, mas o conceito não é consensual. O INE afirma que em 2023, cerca de um milhão e 760 mil portugueses viviam com menos de 632 euros por mês, embora realçando que a taxa de pobreza em Portugal tivera uma ligeira diminuição em 2023.
No conjunto da União Europeia e de acordo com o Eurostat, em 2023 o risco de pobreza ou exclusão social era de 21,4%, correspondente a 94,6 milhões de europeus, sendo mais grave nos territórios ultramarinos franceses, no sul da Itália e nas regiões rurais da Roménia, parecendo que o problema em Portugal terá menos gravidade.
A edição de hoje do jornal La Provence que se publica em Marselha, destaca em manchete que 17.4% da população da Provença – uma região do sueste da França na orla do Mediterrâneo, onde se localiza a famosa Côte d’Azur – é pobre. Com tanta pobreza, era importante que os líderes europeus atacassem o drama da pobreza e não desperdissassem recursos nos conflitos em curso, que bem poderiam ser resolvidos pela via da diplomacia e da negociação.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Carlos Tavares e o abandono da Stellantis

Desde que se consolidou o regime democrático em Portugal e o nosso país deixou de estar isolado e “orgulhosamente só”, os portugueses deixaram de ter o estigma do emigrante pobre que procurava no estrangeiro aquilo que a sua terra não lhe proporcionava e passaram a “competir” internacionalmente em várias actividades, atingindo níveis nunca dantes alcançados. Os portugueses passaram a mostrar que eram tão capazes como os outros e a ser reconhecidos. Podem citar-se José Saramago e Cristiano Ronaldo, Paula Rego e Álvaro Siza Vieira e, sobretudo, aqueles que ocupam posições de grande notoriedade mundial como António Guterres e António Costa, embora outros nomes pudessem ser mencionados.
Hoje, vários jornais franceses e italianos, entre os quais o Vosges matin, um diário regional que se publica na cidade de Épinal, situada no nordeste da França, destacam o gestor português Carlos Tavares por se ter demitido do cargo de administrador executivo da Stellantis, um gigantesco grupo multinacional do sector automóvel que, entre outras, possui as marcas Abarth, Alfa Romeo, Chrysler, Citroën, Dodge, Fiat, Jeep, Lancia, Maserati, Opel. Peugeot e Vauxhall. É uma grande nau e por isso susceptível de grande tormenta.
Acontece que o sector automóvel europeu está em crise considerada grave. Essa crise chegou à Stellantis que baixou as suas vendas em 8,6%, o que se revelou catastrófico num grupo que oferece 12,9 milhões de postos de trabalho e é responsável por mais de 7% do produto interno bruto da União Europeia. Carlos Tavares não resistiu e demitiu-se. Era, provavelmente, o mais importante gestor português, muito reconhecido no sector automóvel europeu. 
Pode ser que agora regresse a este jardim à beira-mar plantado e que nos ajude a sair da cepa torta.

A violência e a guerra de regresso à Síria

Na passada sexta-feira, dia 29 de Novembro, um numeroso grupo de oposicionistas sírios, congregados em torno da facção Hay’et Tahrir al-Sham (antiga Frente al-Nusra), lançou uma operação-relâmpago contra a cidade de Aleppo, que era controlada pelo Exército Árabe Sírio, isto é, pelas forças militares comandadas pelo presidente Bashar al-Assad. 
De acordo com as notícias divulgadas, os rebeldes sírios tomaram o controlo de Aleppo, sendo a primeira vez, desde 2016, que a cidade é palco de uma batalha de grandes proporções. Este inesperado ataque é o mais intenso que acontece no noroeste da Síria desde 2020, o ano em que a Rússia e a Turquia chegaram a um acordo para acalmar o conflito, depois que as forças governamentais sírias tomaram áreas anteriormente controladas por combatentes de diversos grupos oposicionistas. Entretanto a Rússia já informou que a sua força aérea foi em socorro do exército sírio e é natural que o Irão também avance para apoiar as forças sírias agora derrotadas em Aleppo. 
O jornal francês L’Humanité anuncia hoje que a queda de Aleppo é o regresso da guerra e que os jihadistas tiveram o apoio activo da Turquia. 
Pensava-se que a guerra na Síria, iniciada em 2011, já tinha acabado, sobretudo devido ao enorme apoio da Rússia e do Irão ao regime de Bashar al-Assad, mas esta ofensiva do grupo Hay’et Tahrir al-Sham, que é considerado um grupo terrorista pelos Estados Unidos, Rússia, Turquia e alguns outros estados, veio mostrar como o mundo se agita cada vez mais no Médio Oriente, mas também noutras regiões. 
O reaparecimento do conflito sírio só vem complicar o já preocupante panorama internacional.

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

O novo presidente do Conselho Europeu

António Costa iniciou hoje o seu mandato como presidente do Conselho Europeu, sucedendo ao belga Charles Michel, o que constitui um acontecimento relevante para a auto-estima dos portugueses. Já havia António Guterres a dirigir as Nações Unidas e agora há um outro português a dirigir politicamente a União Europeia, o que mostra como as elites nacionais estão preparadas para exercerem altos cargos internacionais.
António Costa tem actualmente 63 anos de idade e foi o Primeiro-Ministro de Portugal desde 2015 a 2024, tendo pedido a demissão do seu cargo na sequência de qualquer coisa ainda não esclarecida, mas que tem todo o ar de “emboscada” preparada por adversários políticos.
O desafio que vai enfrentar a partir de Bruxelas é complexo e ele terá que usar a inteligência, a sabedoria e a serenidade para se relacionar com os 27 estados-membros, ou as 27 pátrias europeias, ou ainda, as 27 vaidades nacionais, onde cohabitam línguas e culturas muito diversas, estados-gigantes e estados-pigmeus, esquerdas e direitas, nórdicos e latinos, eslavos e saxónicos. Nesse relacionamento, assumem grande importância a guerra da Ucrânia e as relações com a América de Trump e com a Rússia de Putin, mas também a coesão e a solidariedade internas, o alargamento, a problemática das minorias étnicas, as alterações climáticas, entre muitas outras questões que vão determinar o futuro próximo da Europa.
Na sua actividade, António Costa corre o risco de colidir com a Comissão Europeia e com a sua presidente Ursula von der Leyen que, no seu anterior mandato, interveio muitas vezes como se presidisse também ao Conselho Europeu, designadamente com o apoio que tem dado à crueldade do regime israelita. Além disso, esperam-se grandes mudanças na Europa e no mundo pelo que, usando uma figura meteorológica, podemos dizer que António Costa vai estar no “olho do furacão”.
Hoje, o jornal Público publicou uma extensa entrevista com o novo Presidente do Conselho Europeu, a quem certamente todos os portugueses desejam uma feliz comissão e um contributo positivo para a paz e para o progresso da União Europeia.

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Mário Soares evocado no seu centenário

Na sua edição de hoje, o JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias destaca a figura de Mário Soares e associa-lhe duas palavras que são mágicas: Liberdade e Cultura.
Mário Soares nasceu em Lisboa no dia 7 de dezembro de 1924 e, se fosse vivo, faria 100 anos de idade dentro de alguns dias, pelo que aquele semanário lhe dedicou parte da sua edição de hoje, acentuando as suas facetas de líder político e de homem de cultura.
Com as suas virtudes e os seus defeitos, Mário Soares foi um activo combatente contra a Ditadura, uma das mais importantes figuras da construção do nosso regime democrático e, muitas vezes, foi o rosto externo do novo Portugal de Abril.
Depois de muitos anos de perseguições e prisões, em Abril de 1974 encontrava-se exilado em Paris quando nasceu “o dia inicial, inteiro e limpo”. Regressou imediatamente a Portugal e, primeiro pelo seu exemplo de corajoso lutador pela liberdade e, depois, pela legitimidade do voto popular, tornou-se uma figura central da vida política portuguesa, integrando governos provisórios, presidindo ao primeiro Governo Constitucional (1976-1978) e sendo eleito Presidente da República (1986-1996).
Mário Soares despertou o entusiasmo de multidões e teve muitos apoiantes, mas também teve muitos críticos, mas os portugueses reconhecem e não esquecem que se conduziu com coragem e coerência em defesa da Liberdade e da Democracia.
Ao destacar a efeméride que se aproxima, que é o centenário natalício de Mário Soares, o JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias toma a dianteira evocativa num país em que há demasiadas celebrações históricas, que nem sempre são justas e consensuais como se viu recentemente, pois as celebrações nacionais só fazem sentido se servirem para unir e não para dividir.
As comemorações que recordarão Mário Soares vão realizar-se a partir do dia 7 de Dezembro de 2024 e estendem-se até ao final de 2025, serão organizadas e dinamizadas por uma Comissão de Coordenação das Comemorações do Centenário, concretizando-se através de um programa muito diversificado, descentralizado e pedagógico. 

sábado, 23 de novembro de 2024

Obra de arte? Os deuses estão loucos!

Alguma imprensa internacional, designadamente o diário alemão Die Welt cuja sede se localiza em Berlim, noticiaram que na passada quarta-feira na Sotheby’s de Nova Iorque, foi leiloada uma instalação classificada como obra de arte, que consiste numa banana colada à parede com fita adesiva. Aquela instalação foi criada pelo artista italiano Maurizio Cattelan que lhe deu o título de Comediante e que foi arrematada por 6,2 milhões de dólares por Justin Sun, um empreendedor na área da criptomoeda nascido na China, que fez a sua licitação via telemóvel a partir de Hong Kong.
O título do filme “Os deuses devem estar loucos” bem pode aplicar-se a estas coisas a que alguns chamam obra de arte, a estes provocadores a que chamam artistas e a esta espécie de investidores em arte, pois tudo isto parece realmente uma coisa de loucos.
A licitação durou apenas sete minutos e a estimativa inicial, que previa que a venda encaixasse no intervalo compreendido entre um milhão e 1,5 milhões de dólares, veio a ser largamente ultrapassada.  Justin Sun bateu outros seis investidores e também adquiriu um certificado de autenticidade, que lhe dá “autoridade para colar uma banana a uma parede e chamá-la Comediante”, bem como as instruções de Maurizio Cattelan para instalar a obra correctamente, de modo a que o comprador possa, caso queira, substituir a peça de fruta sempre que esta apodreça. Inacreditável!
Maurizio Cattelan apresentou Comediante pela primeira vez em 2019 na Art Basel de Miami, uma feira de arte contemporânea onde a galeria Perrotin, que exibiu a peça, vendeu três edições da mesma por valores entre os 120 mil e os 150 mil dólares, cada uma. Agora a banana colada à parede com fita adesiva foi arrematada por 6,2 milhões de dólares.
Os deuses estão realmente loucos!

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

O Brasil e a China em reforçada aliança

Devido às pioneiras relações históricas entre os portugueses e os chineses estabelecidas no século XVI, durante muitos anos vingou em Portugal uma narrativa que profetizava que, após o retorno de Macau à soberania chinesa que aconteceu em 1999, a nova Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) da República Popular da China seria uma ponte comercial e cultural entre os dois países.
Uma ponte tem dois sentidos, mas passados cerca de 25 anos, parece que Portugal vai desaproveitando essa ponte e que, inversamente, tem sido a China que a tem usado para chegar mais rapidamente a Portugal e aos países de língua oficial portuguesa, não só em África, mas também no Brasil. A China tem relações privilegiadas com Moçambique desde os tempos coloniais e vem intensificando a sua estratégia de penetração nos outros países africanos de língua oficial portuguesa, mas a sua aposta no Brasil parece estar cada vez mais no centro da sua política internacional.
O jornal hojemacau que se publica na cidade de Macau, apresenta-nos na sua última edição uma fotografia dos presidentes do Brasil e da China, que além de estarem juntos nos BRICS, se encontraram na reunião do G20 realizada no Rio de Janeiro. Essa fotografia, como refere o título do jornal, é uma eloquente mensagem. Após a reunião do G20, o presidente Lula da Silva recebeu Xi Jinping na capital brasileira com honras de Estado e, enquanto ambos reiteraram a necessidade de acabar com a guerra na Ucrânia, de reconhecer um estado palestiniano e de acabar com as atrocidades israelitas no Médio Oriente, trataram de intensificar as suas relações económicas, aprofundando a cooperação em muitos outros domínios.
O Brasil é grande e Portugal é pequeno, mas o facto é que parece que andamos muito distraidos…

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

O adeus do grande tenista Rafael Nadal

Rafael Nadal é, provavelmente, o maior atleta espanhol de todos os tempos e é considerado um dos maiores tenistas mundiais, juntamente com Rod Laver, Pete Sampras, Roger Federer e Novak Djokovic, sendo consideradas históricas as rivalidades que manteve durante muitos anos com o suiço Federer e com o sérvio Djokovic.
Na passada terça-feira jogou em Málaga a sua última partida de ténis profissional, no âmbito da Taça Davis, mas os seus 38 anos de idade não lhe perdoaram, pois perdeu com o holandês Botic van de Zandschulp e, como estava previsto, anunciou a sua retirada. Foi um momento de tristeza para Nadal, para os dez mil espectadores que assistiram à partida e para toda a Espanha. Os jornais espanhóis, tanto desportivos como generalistas, dedicaram-lhe as suas primeiras páginas e alguns deles escolheram para manchete a frase “Gracias Rafa”, mas o Mundo Deportivo escolheu a palavra “Eterno” para o classificar.
Durante cerca de duas dezenas de anos, o tenista Rafa Nadal foi um motivo de orgulho para os espanhóis, tendo conquistado 103 títulos ATP e sido o primeiro tenista mundial que venceu 22 Grand Slam, dos quais catorze aconteceram em Roland-Garros. Porém, também ganhou na Austrália (2 vezes), em Wimbledon (2 vezes) e no Open dos Estados Unidos (4 vezes) e, além disso, como se ainda fosse pouco, Nadal conquistou duas medalhas de ouro olímpicas, a primeira em singulares em Pequim (2008) e a segunda em pares no Rio de Janeiro (2016).
Rafael Nadal é, de facto (e não provavelmente), o maior atleta espanhol de todos os tempos.

terça-feira, 19 de novembro de 2024

A COP 29, a Cimeira do G20 e as guerras

Na presente semana realizaram-se ou estão a acontecer duas importantes cimeiras mundiais: a 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 29) que está a decorrer em Baku, no Azerbeijão, e a Cimeira do Grupo dos Vinte (G20), que decorre no Rio de Janeiro.
Significa que, para além do seu contacto permanente no quadro das Nações Unidas e dos seus canais diplomáticos bilaterais, os países e os líderes mais poderosos do nosso planeta vão estar em contacto próximo para encontrar soluções para os problemas da humanidade e, de entre eles, o gravíssimo problema das alterações climáticas, que a edição do jornal londrino The Guardian ilustrava na sua edição de ontem com uma expressiva fotomontagem, em que tendo por fundo a silhueta da cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, se reconhecem seis cabeças prestes a afundar-se - Joe Biden, Xi Jinping, Ursula von der Leyen, Narendra Modi, Vladimir Putin e Shigeru Ishiba.
A COP 29 tem como objectivo assegurar o financiamento necessário para que os países em desenvolvimento enfrentem os impactos climáticos e a transição energética, com redução da sua dependência dos combustíveis fósseis e a utilização mais intensa das energias renováveis; a Cimeira do G20 tem como principais pontos de discussão o combate às injustiças sociais, à fome e à pobreza, bem como as questões da transição energética e do desenvolvimento sustentável.
Porém, como é evidente, serão as questões da guerra na Ucrânia e o seu desenvolvimento mais recente, mas também as outras guerras que se vão travando, que irão ocupar todas aquelas delegações, tanto em Baku como no Rio de Janeiro… e bom seria que encontrassem caminhos para a paz e para o progresso a que aspiram os seres humanos de todas as longitudes.

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Angola celebrou 49 anos de independência

No dia 11 de Novembro de 2024 a República Popular de Angola celebrou o 49º aniversário da sua independência e o Jornal de Angola deu o devido destaque a essa efeméride, numa altura em que o país vive um período de grande estabilidade política, dinamismo económico e afirmação internacional.
A luta armada pela independência de Angola teve início em 1961 com o assalto às cadeias de Luanda (4 de Fevereiro) e o ataque às fazendas do norte, onde foram mortas centenas de pessoas (15 de Março). Depois de alguma hesitação, no dia 13 de Abril, surgiu a famosa declaração de Salazar: 
“Para Angola, rapidamente e em força”. 
Começava a guerra entre as Forças Armadas Portuguesas e as forças nacionalistas da UPA, do MPLA e, mais tarde, da UNITA, que alastrou do Norte para o Leste do território angolano e se prolongou até 1974. Não há unanimidade quanto à avaliação do estado da guerra em Angola em 1974, pois há quem defenda que Portugal controlava militarmente a situação e que os movimentos de libertação estavam a perder em todas as frentes, numa altura em que Angola vivia um tempo de progresso e prosperidade, mas também há quem sustente que o isolamento internacional de Portugal estava a levá-lo à derrota militar. 
Com o 25 de Abril, iniciou-se um complexo processo de descolonização, fortemente condicionado pela existência de três movimentos de libertação com ideários e apoios internacionais diferentes. A independència veio a ser proclamada pela voz de Agostinho Neto ao princípio da noite de 11 de Novembro de 1975. Foi há 49 anos. Seguiram-se tempos muito difíceis, mas o povo angolano ultrapassou todas as adversidades e tem vindo a construir um grande país que os portugueses admiram.