segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

O Donald e a Europa em risco de colisão?

A chegada de Donald Trump à Casa Branca está a provocar mudanças internas a que alguém já chamou uma revolução, pois algumas das suas ordens executivas são realmente demolidoras, como se pode observar na dureza com que está a ser feito o repatriamento de imigrantes ilegais para os países da América do Sul, ou na ideia de levar os palestinianos a abandonar a sua terra e de os levar para o Egipto e para a Jordânia.
Porém, os sinais em relação à Europa ainda estão pouco claros, talvez porque Donald Trump ande a tentar cumprir, mesmo com atraso, a sua promessa de acabar com a guerra na Ucrânia em 24 horas. Por isso, poucos avançam previsões quanto à forma como Donald Trump se vai relacionar com a Europa, pois nem sequer se sabe se ele vai respeitar as instituições e as tradições europeias, ou se vai assumir posturas imperiais.
Para além do que de ameaçador disse na campanha eleitoral, Trump falou em Davos na reunião anual do World Economic Forum e o que disse “gelou o sangue dos reponsáveis europeus presentes”, segundo escreveu a jornalista Teresa de Sousa. Defendendo o seu “make america great again”, Trump tratou de desafiar os empresários europeus a investir na America, sem condicionalismos ambientais e com leis laborais mais amigas do capital, afirmando que “não haverá melhor lugar na Terra para criar empregos, construir fábricas ou expandir uma empresa do que aqui nos bons e velhos Estados Unidos”. 
Na sua última edição o jornal católico francês La Croix analisa a forma como “a Europa se prepara para o choque Trump” e, destaca em primeira página, uma sugestiva ilustração que representa o “pêndulo Europa” e o “pêndulo Trump”, balançando sem sintonia e em risco de colisão. 
Úm bom exemplo a mostrar que uma imagem vale mais que mil palavras…

O mundo não pode esquecer Auschwitz

No dia 27 de Janeiro de 1945, na sua caminhada em direcção a Berlim, o exército russo forçou as portas do campo de extermínio de Auschwitz, localizado a sul do território polaco, onde muitos milhares de seres humanos encontraram a morte e libertou alguns dos condenados que ali se encontravam. Hoje celebram-se 80 anos sobre esse dia libertador e o mundo vive alarmado pela ameaça de novos auschwitzes, embora com características muito diferentes. Auschwitz, ou Auschwitz-Birkenau, foi um campo de extermínio e tornou-se um dos maiores símbolos do genocídio perpetrado pela Alemanha nazi contra seis milhões de judeus europeus, um milhão dos quais morreu naquele local entre 1940 e 1945, juntamente com mais de 100 mil não judeus. Auschwitz foi criado em 1940 por ordem de Heinrich Himmler como campo de concentração e para ali passaram a convergir comboios provenientes da Europa ocupada pelos nazis, com destino às câmaras de gás daquele campo. Não se sabe exactamente quantas pessoas morreram em Auschwitz, mas os números oscilam entre um e três milhôes, que foram executados nas câmaras de gás, mas também devido à fome, doenças infecciosas, trabalhos forçados, execuções individuais ou experiências médicas.

O dia 27 de Janeiro foi oficialmente proclamado como o Dia Internacional da Memória das Vítimas do Holocausto, para assinalar e comemorar a libertação daquele campo de concentração e extermínio. Actualmente, o campo e as câmaras de gás de Auschwitz-Birkenau são visitáveis e o “campo de concentração e extermínio nazi alemão de 1940-1945”, foi classificado em 1979 como Património da Humanidade pela Unesco. Hoje, alguns jornais como o Libération, evocaram o 80.º aniversário da libertação de Auschwitz, que foi assinalado com uma cerimónia oficial que contou com a presença de cerca de meia centena de sobreviventes e 54 delegações internacionais. O mundo não pode esquecer Auschwitz

domingo, 26 de janeiro de 2025

Pergunta-se: se puede frenar a Trump?

A tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos deveria ter sido um acto de muita solenidade na presença de todos os anteriores presidentes, mas foi uma lamentável sessão de propaganda, uma provocação e um acto de humilhação para com Joe Biden, que a tudo assistiu sem pestanejar.
Depois, ainda na linha da sua peculiar propaganda, tratou de assinar várias ordens executivas mais ou menos polémicas, muitas delas a revogar as políticas de Joe Biden, mas também a conceder o perdão a mais de 1500 presos por invasão do Capitólio, a declarar a situação de emergência na fronteira com o México, a anunciar a retirada da Organização Mundial de Saúde e a declarar a saída do Acordo de Paris de 2015, cujo objectivo é a redução das emissões de gases que causam o efeito de estufa.
Menos de uma semana após a sua tomada de posse, o novo presidente dos Estados Unidos parece decidido a levar por diante todas as suas promessas e ameaças eleitorais, sobretudo no que respeita às deportações em massa de imigrantes ilegais nos Estados Unidos, mas também em relação aos seus apetites imperialistas no Panamá e na Gronelândia.
Porém, este autoritarismo presidencial já está a suscitar reacções, tanto interna como internacionalmente. Um juiz federal bloqueou a ordem executiva de Trump que extinguia o direito à cidadania americana dos filhos dos imigrantes nascidos no país. Externamente, alguns líderes já denunciaram a arrogância de Donald Trump e, tanto quanto sabemos, “não se calaram” perante os seus discursos. O facto é que Donald Trump e as suas decisões são um dos assuntos do momento e a edição de hoje do jornal elPeriódico, que se publica em Barcelona, pergunta mesmo “se puede frenar a Trump”.
Esta é, provavelmente, a maior dúvida que o mundo actualmente tem.

sábado, 25 de janeiro de 2025

Braga, a Capital Portuguesa da Cultura

A mais recente edição do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias dedica vários textos subscritos por especialistas e que ocupam várias páginas, à cidade minhota de Braga que é, neste ano de 2025, a Capital Portuguesa da Cultura.
Braga é uma cidade moderna mas que tem uma história com mais de 2000 anos, na qual a cultura está bem presente no seu vasto e variado património arquitectónico, nas suas tradições, nas suas festas e romarias e, também, na multiplicidade de manifestações culturais que acontecem na cidade e na região.
Foi hoje que a iniciativa Braga 2025 iniciou o seu percurso como gestora, durante um ano, das iniciativas específicas da capital portuguesa da cultura. A respectiva organização, centrada na Câmara Municipal, tem promovido o evento no sentido de atrair visitantes â cidade e à região minhota, sugerindo aos bracarenses: “Abre a tua porta e deixa entrar. Deixa entrar a festa, deixa entrar os sons, os ritmos e os tons, e quem vier visitar”.
A cidade merece ser visitada pois possui um rico património arquitectónico, em que se destaca a Sé de Braga, com raízes no século XI. Porém, quando o Santuário do Bom Jesus recebeu em 2019 a classificação de Património Cultural Mundial da Unesco, a chamada “cidade dos arcebispos” passou a ter um ícone que lhe assegura um estatuto cultural ainda mais elevado. Para além da oferta de património, a Capital Portuguesa da Cultura vai incluir outras atracções como a Semana Santa, as festividades do São João, os festivais de Verão, o folclore e as romarias, os concertos eruditos e populares, as exposições, as iniciativas literárias e um programa cultural intenso, como refere o programa “Braga soa a Cultura”.
E porque mais cultura gera mais qualidade de vida, também a cidade e o seu território se tornam mais atractivos, criando mais riqueza e mais emprego, isto é, mais progresso. É pois uma boa altura para visitar Braga.

Andebol português a brilhar como nunca

A vitória sobre a selecção espanhola por 35-29 alcançada ontem em Oslo e a passagem aos quartos-de-final do 29º Campeonato do Mundo de Andebol, ou 2025 IHF World Men’s Handball Championship, é um acontecimento notável no panorama desportivo português! O jornal A Bola esqueceu por um dia o futebol e as futebolices que vegetam agregadas a esse belo especáculo desportivo, tratando de destacar na sua primeira página as fotografias de alguns jogadores da equipa nacional de andebol e escolhendo como manchete a frase “assim se faz história”.
Primeiro decorreu o Preliminary round e a equipa portuguesa defrontou os Estados Unidos (30-21), o Brasil (30-26) e a Noruega (31-28), conseguindo três vitórias. Está em curso o Main round e os adversários foram a Suécia (37-37) e a Espanha (35-29), faltando ainda o jogo com o Chile, com a curiosidade da Suécia já ter vencido o Campeonato do Mundo quatro vezes e a Espanha duas vezes.
Nunca o andebol português tinha chegado tão longe! 
A RTP está a cumprir a sua obrigação de serviço público e tem transmitido em directo estes jogos que realmente entusiasmam e que são um motivo de satisfação e até de orgulho para os desportistas portugueses.
Está garantido, portanto, que Portugal vai terminar o 29º Campeonato do Mundo nos oito primeiros lugares da classificação final, o que é inédito e constituirá (ou já constitui) um dos mais brilhantes resultados do desporto português.  
O meu mais entusiástico aplauso a esta equipa e a estes atletas!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Macau regista forte procura turística

O ano de 2024 foi um excelente ano para o turismo em Portugal, que recebeu um número recorde de 30 milhões de turistas estrangeiros, que geraram receitas superiores a 27 mil milhões de euros. Alguém escreveu que foi “um marco impressionante” e, de facto, é impressionante ver tantos turistas em Portugal, com todos os benefícios e malefícios que essa realidade nos traz. Ocorre-nos a “Miscelânea” que Garcia de Resende escreveu em 1554, na qual em poema diz: “Vemos no reino meter tantos cativos crescer e irem-se os naturais, que se assim for serão mais eles que nós a meu ver".
Estas notas são aqui evocadas a propósito da notícia da edição de hoje do jornal macaense ponto final que nos informa que “em 2024 entraram em Macau 34,9 milhões de visitantes, o que revela um crescimento de 23,8% face a 2023”, começando a aproximar-se dos 39 milhões de visitantes registados em 2019, antes das restrições pandémicas. Esses visitantes chegaram por terra (27,7 milhões), por via marítima (4 milhões) e por via aérea (3 milhões), destacando-se o número de visitantes do interior da China que foi de cerca de 24,5 milhões, enquanto o número de visitantes internacionais foi de cerca de 2,4 milhões.
O território de Macau tem cerca de 33 km2 de superfície e uma população residente da ordem das 700 mil pessoas, pelo que é espantoso como sendo tão pequeno recebe tanta gente, o que parece mostrar que o seu modo de vida e a herança cultural portuguesa fazem a diferença naquela região e atraem visitantes de todo o mundo. Significativamente, a capa do ponto final mostra as ruinas de S. Paulo e a fachada da antiga igreja da Madre de Deus, ex-libris do território, que estão incluídas no centro histórico de Macau, que é classificado pela Unesco.

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

God save the world!

O cidadão Donald John Trump tornou-se ontem no 47º presidente dos Estados Unidos ou da mais poderosa nação do mundo e, no nosso planeta, nenhum outro ser humano tem tanto poder como ele. Por isso e naturalmente, os jornais publicados no mundo ocuparam as suas primeiras páginas com a notícia da tomada de posse de Donald Trump e com fotografias do homem que regressa à Casa Branca onde morou entre 2017 e 2021. 
As manchetes alusivas ao acontecimento, tanto nos jornais dos Estados Unidos como nos jornais estrangeiros, repetiam-se e insistiam na ideia de mudança que fora anunciada ou prometida durante a campanha eleitoral. Frases como “Trump era begins”, “Trump regains power”, “Trump back in power”, “Golden age starts now”, “America’s decline is over”, “New chapter”, “A tide of change” ou “The torch is passed”, foram, provavelmente, as mais repetidas pela imprensa, mas também houve jornais que escolheram a declaração “I was saved by God to make America great again”.
Foram muito raros os jornais que mostraram preocupação quanto ao futuro e quanto às ameaças e às promessas de Donald Trump. Porém, de todas as muitas dezenas de manchetes que tive a oportunidade de ler, a mais eloquente e criativa será, porventura, a que foi publicada hoje pelo ara, um jornal diário que se publica em Barcelona, que é inteiramente escrito em catalão, mas que escolheu para manchete uma frase em inglês: God save the world.
Esta frase reflecte uma ideia que poucos jornais assumiram neste dia e que é realmente muito ajustada à situação que o próprio presidente dos Estados Unidos anunciou e que está a alarmar muita gente.
A frase “Make America great again” é um desafio para Trump e uma ameaça para o mundo.

domingo, 19 de janeiro de 2025

O “imperador” Trump e a era da incerteza

A tomada de posse do novo presidente dos Estados Unidos da América vai acontecer amanhã em Washington e essa notícia começa a ocupar as primeiras páginas dos jornais mundiais, que publicam crónicas e fotografias sobre Donald Trump, a sua personalidade, as suas ideias e os seus projectos.
Com 78 anos de idade, o republicano Donald Trump foi o mais velho político a ganhar uma eleição presidencial americana e deverá cumprir o seu mandato até aos 82 anos de idade, mas a sua idade, a sua truculência, as suas ideias e as suas relações pessoais com alguns líderes mundiais preocupam muita gente, dentro e fora da América.
A revista alemã Der Spiegel, que se publica em Hamburgo, escreve que Donald Trump regressa à Casa Branca “mais poderoso e determinado do que nunca” e classifica-o como “o imperador”, acrescentando que a partir de amanhã viveremos no “mundo Trump”, envolvidos “pelo imperialismo, o autoritarismo e o egoísmo de Donald Trump”, que vai ser investido como o 47º presidente dos Estados Unidos.
Donald Trump tem vontade e poder para mudar o mundo, como têm mostrado as suas declarações dos últimos meses, mas as sondagens dizem que os europeus estão muito pessimistas em relação à forma como ele quer moldar a futura ordem mundial, não só em relação ao Médio Oriente e à Ucrânia, mas também quanto às reivindicações chinesas sobre Taiwan, ou as suas ameaças sobre a Gronelândia e o canal do Panamá.
Com Donald Trump na Casa Branca os próximos tempos vão ser de grande incerteza para o mundo e é caso para dizer que “prognósticos só no fim do jogo”.

sábado, 18 de janeiro de 2025

O terrível custo de 466 dias de conflito

Depois de muitos meses de guerra conduzida pelo governo de Benjamin Netanyahu e pelas Forças de Defesa de Israel contra o Hamas, parece que o cessar-fogo vai finalmente acontecer em Gaza a partir de amanhã. Atento à importância desse facto, o jornal britânico The Independent escolheu como primeira página da sua edição de ontem o balanço do “terrível custo de 466 dias de conflito”. 
Os números apresentados são arrasadores e mostram a dimensão da tragédia que aconteceu na estreita faixa de território que é Gaza, onde os condenáveis actos terroristas que o Hamas realizou no dia 7 de Outubro de 2022, tiveram uma resposta israelita que se revelou desproporcionada, cruel e atentatória do respeito pela dignidade humana, perante a indiferença ou até a conivência dos líderes dos Estados Unidos e da União Europeia. 
A punição imposta ao Hamas foi severa e estendeu-se a todo o povo palestiniano, tendo havido muitas vozes a classificar a acção israelita como um caso de genocídio. 
O jornal The Independent anuncia que aos 1.205 mortos no ataque de 7 de Outubro, incluindo os reféns mortos em cativeiro, os israelitas responderam com 46.788 palestinianos mortos e pelo menos 110.453 feridos; que 1,9 milhões de moradores de Gaza, correspondentes a 85% da população, foram forçados a abandonar as suas casas; que 69% dos edifícios foram destruidos ou danificados; que 345.000 palestinianos enfrentam “catastrophic hunger”; que 371 trabalhadores humanitários foram mortos em Gaza durante os 466 dias de conflito. 
Foi um “terrible cost” e ninguém está seguro de que a paz regresse àquela região, que as Nações Unidas decidiram em 1948 dever ser partilhada entre dois estados: um Estado árabe e um Estado judaico.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Tempos muito difíceis para Moçambique!

Moçambique é um país da costa oriental africana com fortes relações históricas e emocionais com Portugal, sendo governado pela Frelimo desde que o país conquistou a sua independência em 1975, mas o que se passa em Moçambique interessa aos portugueses no plano simbólico e no campo dos afectos.
No passado dia 9 de Outubro de 2024 realizaram-se as eleições presidenciais, em simultâneo com a eleição dos 250 deputados para a Assembleia da República e com a eleição dos membros das dez assembleias provinciais. No dia 16 de Outubro os relatórios preliminares mostravam que Daniel Chapo, um professor de Direito que foi o candidato da Frelimo, liderava a contagem dos votos. No dia 24, a Comissão Nacional de Eleições anunciou que Chapo vencera as eleições com 71% dos votos, que ganhara todas as eleições provinciais e que conquistara 195 dos 250 lugares de deputados. Vivendo o país em crise económica e com o desgaste de quase meio século de poder da Frelimo, aqueles resultados foram de imediato contestados pelo Partido Optimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (Podemos) e pelo seu líder Venâncio Mondlane, que afirmaram que houve fraude eleitoral. 
Mondlane declarou-se vencedor e, poucos dias depois, eclodiram tumultos e muita violência por todo o território moçambicano, contestando os resultados eleitorais. Os confrontos entre a polícia e os manifestantes já provocaram quase três centenas de mortos e mais de cinco mil pessoas baleadas, segundo foi divulgado por diversas organizações não governamentais.
Apesar da contestação, Daniel Chapo foi investido como presidente de Moçambique no dia 15 de Janeiro, conforme noticiou o jornal O País que se publica no Maputo.
Porém, Mondlane não desiste e tem convocado manifestações em que a palavra de ordem é “matar um polícia por cada manifestante morto”, ou “dente por dente, olho por olho”, significando a vontade de continuar a contestação com violência e vingança.
Tempos muito difíceis para Moçambique!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Bravo a Charlie Dalin, o ultra marinheiro

O primeiro concorrente da 10ª da Vendée Globe 2024 chegou ontem a Les Sables-d’Olonne e, tendo partido no dia 10 de Novembro, terminou ontem a sua volta ao mundo em solitário em 64 dias, 19 horas, 22 minutos e 49 segundos. Chama-se Charlie Dalin, é um velejador francês de 40 anos de idade, natural da cidade de Le Havre, que pulverizou o record desta prova ao terminá-la com menos 9 dias que o anterior record.
Na sua edição de hoje o jornal desportivo L’Équipe chama-lhe com muita propriedade o Ultra Marin. Dos 40 concorrentes que iniciaram a prova em Les Sables-d’Olonne até agora apenas se verificaram seis abandonos, mas enquanto o vencedor já chegou ao fim, há seis concorrentes que ainda não passaram o cabo Horn, havendo 27 veleiros que navegam no Atlântico em direcção à meta. Nesta altura em que Charlie Dalin se afirma “o homem mais feliz do mundo” e festeja o seu sucesso por ter percorrido em solitário cerca de 27.667 milhas à volta do mundo no Macif Santé Prévoyance à fantástica média de 17,8 nós, o segundo classificado que é Paprec Arkéa de Yoan Richomme aproxima-se da meta. Na 8ª posição e a cerca de 2800 milhas da meta navega a velejadora suiça Justine Mettraux, que é a concorrente feminina melhor classificada.
Les Sables-d’Olonne está em festa pelo enorme sucesso desportivo e social desta prova, em que Charlie Dalin bateu o anterior record de 74 dias, 3 horas e 36 minutos. Ele é mesmo um ultra marinheiro!

domingo, 12 de janeiro de 2025

A Venezuela aguentará Maduro até 2031?

A Venezuela é um país onde vive uma significativa comunidade portuguesa e luso-descendente, estimando-se que existam entre 400.000 e 1,3 milhões de pessoas de ascendência portuguesa. Com cerca de 30 milhões de habitantes, o seu território possui as maiores reservas de petróleo do mundo, correspondentes a cerca de 18% do total de reservas provadas.
A história recente do país foi marcada por Hugo Chávez, um militar que organizou uma tentativa falhada de golpe em 1992, mas que veio a ser eleito presidente em 1998 e ocupou a presidência entre 1999 e 2013. Com s sua morte, sucedeu-lhe o seu delfim Nicolás Maduro, que desde 2013 tem ocupado a presidência do país e governado sob o signo do chavismo, com poder absoluto e com repressão por vezes violenta da oposição.
No passado dia 28 de Julho realizou-se a eleição presidencial e Nicolás Maduro concorreu para um terceiro mandato, contra o diplomata Edmundo González Urrutia que se apresentou ao sufrágio porque Maria Corina Machado, a líder da oposição, foi proibida pelo governo de participar. O governo anunciou a vitória de Nicolás Maduro, mas tudo parece indicar que González venceu com ampla vantagem. A apreciação das actas das assembleias de voto poderia esclarecer quanto aos resultados, mas o govermo nunca as mostrou, apesar da pressão internacional para que o fizesse. 
Tanto Maduro como González se declararam vencedores, mas os Estados Unidos, a União Europeia a e generalidade dos países sul-americanos recusa-se a aceitar a vitória de Maduro, que tomou posse no dia 10 de Janeiro e, como refere o jornal El País, “se autoproclama presidente sin mostrar las actas”.
As fronteiras com o Brasil e com a Colômbia estão fechadas, aumentam as sanções económicas contra o regime chavista e a oposição não se desmobiliza no combate à ditadura de Maduro, que tem um mandato até 2031. Porém, não é provável que o consiga cumprir devido ao crescente descontentamento popular, à hostilidade internacional e à convicção generalizada que houve grossa fraude nas eleições de 28 de Julho.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Marcelo foi despedir-se de Jimmy Carter

Jimmy Carter, que foi o 39º presidente dos Estados Unidos entre 1977 e 1981, faleceu no dia 29 de Dezembro de 2024 na sua casa em Plains, no estado da Geórgia. Tinha 100 anos de idade e um enorme prestígio nacional e internacional, porque lhe foram sempre reconhecidos os esforços para aliviar tensões em pontos críticos do mundo, designadamente nas Coreias e no Médio Oriente, bem como na procura da paz na Bósnia e no Sudão. Quando em 1980 perdeu a sua reeleição para o seu adversário Ronald Reagan, afirmou que não iria usar o seu passado político para enriquecer. Assim, em 1982 fundou o Carter Center, uma organização não-governamental e sem fins lucrativos, com o objectivo de aprofundar os direitos himanos e aliviar o sofrimento humano em mais de oitenta países. Em 2002 foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz em reconhecimento pelas suas décadas de esforços para encontrar soluções pacíficas para os conflitos internacionais. 
O presidente Joe Biden decretou um funeral de estado, que se realizou ontem na Catedral Nacional de Washington e que teve a presença de todos os cinco ex-presidentes vivos dos Estados Unidos — Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama, Donald Trump e Joe Biden — mas também de algumas (poucas) personalidades internacionais: Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá; Yoshihide Suga, ex-primeiro-ministro do Japão; Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de Portugal; Prince Edward, Duque de Edimburgo, representando o rei Carlos III; Gordon Brown, ex-primeiro-ministro do Reino Unido; António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas.
Significa que Marcelo Rebelo de Sousa foi o único presidente do mundo a despedir-se de Jimmy Carter. Marcelo não se ficou por funerais em Odemira, não resistiu e foi a Washington. Então não há por lá um embaixador de Portugal que nos possa representar?
A edição de hoje do jornal Toronto Star escreveu que “chefes de estado e ex-líderes se reúnem para prestar homenagem a Jimmy Carter”. Não é verdade, pois só lá esteve um presidente não americano. Foi Marcelo Rebelo de Sousa, que continua a gastar-nos o dinheiro com estes exageros de representação e que se vê na fotografia publicada no jornal, a olhar embevecido para Donald Trump.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

A calamidade está a abalar Los Angeles

O estado norte-americano da Califórnia está a ser afectado por uma enorme calamidade de natureza meteorológica, que parece ser mais uma consequência das alterações climáticas, um dos problemas mundiais a que, curiosamente, as administrações americanas não têm dado importância. As imagens que as televisões nos mostram dos incêndios florestais que estão a afectar os arredores da cidade de Los Angeles são terríveis e catastróficas. Anunciam-se cinco mortes e mais de 200 mil pessoas já foram retiradas das suas casas devido às chamas que ameaçaram ou invadiram algumas zonas residenciais dos arredores da cidade, algumas delas bem conhecidas como Beverly Hills, Hollywood, Palisades, Malibu, Pasadena e outras. 
O jornal Chicago Tribune escolheu como título “Inferno em L.A.” e o The Sacramento Bee optou pela manchete “Winds Fuel South State Infernos”, enquanto o Los Angeles Times escolheu “Like a Thousand Fires”, isto é, anuncia que parecem mil incêndios.
Mais de 400 mil pessoas no estado da Califórnia estão em casa sem electricidade por causa dos incêndios e algumas áreas, como a Sunset Boulevard, uma das avenidas mais populares do país, está em ruínas, como se tivesse sido duramente bombardeada, mas muitos outros bairros já foram devorados pelas chamas, que já devastaram mais de 27 mil hectares. As condições meteorológicas são extremas, com rajadas de vento de direcção variável, que ontem atingiram 160 quilómetros por hora, a transportar materiais incandescentes a longas distâncias e a multiplicar os focos de incêndio.
A calamidade que está afectar o Condado de Los Angeles é realmente brutal e não tem precedentes na história da Califórnia. Toda a imprensa americana noticia o enorme drama que está assolar o estado californiano e tem acentuado que arderam as multimilionárias mansões de várias celebridades dos meios cinematográficos.
A cidade que recebeu os Jogos Olímpicos de 1984, prepara-se para receber os próximos Jogos Olímpicos de 2028.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

O Donald "avança" com a Donroe Doctrine

Numa mensagem ao Congresso dos Estados Unidos proferida em 1823, o presidente James Monroe definiu os pontos essenciais da política americana contra a interferência europeia no continente americano. Esses princípios ficaram consagrados na história como a Doutrina Monroe e estabeleciam que os países do continente americano “não podem ser susceptíveis de colonização por nenhuma potência europeia”, ou mais simplesmente, anunciavam a "América para os americanos". 
Nos finais do século XIX, os Estados Unidos tornaram a Doutrina Monroe num instrumento do seu imperialismo e passaram a intervir militar, política e economicamente um pouco por todo o continente e, sobretudo, na região das Caraíbas. Assim nasceu o conceito de “quintal dos Estados Unidos”, significando a sua área de influência e de interesse estratégico na América Latina. Depois da 2ª Guerra Mundial este conceito evoluiu e os interesses dos Estados Unidos tornaram-se globais.
Agora, ainda antes de assumir a presidência dos Estados Unidos, veio o Donald Trump mostrar apetência pela compra da Gronelândia (our land), pela anexação do Canadá (51st state), pela ocupação do canal do Panamá (Panamaga) e pela mudança de nome do Golfo do México (Gulf of America).
A edição de hoje do jornal New York Post chama Donroe Doctrine a estes apetites, ou a esta Trump’s vision for the hemisphere, isto é, a esta mistura da Doutrina Monroe com as ideias do Donald.
Assim vão as coisas, ainda antes que Donald Trump tome posse e ocupe a Casa Branca.