domingo, 2 de fevereiro de 2025

Trump e o interesse económico americano

Na sequência das suas ameaças pré-eleitorais, Donald Trump deu início à sua anunciada guerra comercial, impondo tarifas aduaneiras de 25% aos produtos importados do Canadá e do México e uma taxa adicional de 10% aos produtos importados da China porque, segundo afirmou, “temos de proteger os americanos”. Além das razões económicas,  Donald Trump acusa esses países de serem responsáveis pela droga que entra nos Estados Unidos e que causa a morte a muitos americanos. Os governos canadiano e mexicano já reagiram e afirmaram que iriam responder, tendo o primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau anunciado, de imediato, que iriam ser aumentadas as tarifas aduaneiras sobre os 155 mil milhões de dólares em produtos que o Canadá importa dos Estados Unidos.
Entretanto, o jornal Toronto Sun anunciava na sua edição de ontem – prepare-se para a confusão – ilustrando a guerra comercial que Donald Trump anunciou, com a imagem dos punhos de um boxeador canadiano e de um boxeador americano.
Sobre este assunto, o economista americano Paul Krugman, prémio Nobel da Economia em 2008, comentou que “Trump está a ser brando com a China e duro para com o Canadá” e pergunta se estas decisões são em nome do “interesse nacional” ou em nome do “interesse pessoal”, porque está a impor tarifas duras a um aliado que “nada fez de errado”, enquanto trata “com luvas de pelica” um rival económico e potencial inimigo militar.
Entretanto, Donald Trump também anunciou que pretende impor tarifas aduaneiras à União Europeia no futuro próximo. Está visto, portanto, que o MAGA (Make America Great Again) assenta na defesa dos interesses económicos dos Estados Unidos, incluindo naturalmente, as vendas dos sectores da defesa e do armamento, que o Mark Rutte veio tão descarada e grosseiramente impingir a Portugal, como se o nosso país não fosse um estado soberano.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

As festividades do Ano Novo Lunar

As comunidades asiáticas de todo o nundo começaram ontem a celebrar o Ano Novo Lunar que, segundo o zodíaco chinês, é o Ano da Serpente.
O calendário lunar é diferente do calendário gregoriano ou solar, que começa no dia 1 de Janeiro, enquanto o Ano Novo Lunar não tem uma data fixa e pode acontecer entre o final de Janeiro e meados de Fevereiro, dependendo das fases da Lua. Assim, enquanto o ano solar se baseia na órbita da Terra à volta do Sol e tem 365 ou 366 dias, o ano lunar, que inclui doze meses lunares, baseia-se no tempo que a Lua demora a passar as suas quatro fases e totaliza cerca de 354 ou 355 dias.
O Ano Novo Lunar, celebrado em várias culturas orientais, é uma época de renovação e de reflexão, sendo uma festividade que é caracterizada por rituais, tradições e actividades que duram vários dias, simbolizando prosperidade e reunião familiar. Além disso, o Ano Novo Lunar está ligado aos animais do zodíaco chinês e cada ano é representado por um animal identificado com os doze signos chineses. Na mitologia chinesa, mas também coreana e vietnamita, cada animal simboliza características específicas, trazendo diferentes energias à vida e, neste ano de 2025, o animal regente será a serpente, que entendem representar a intuição, a sabedoria e a astúcia.
Naturalmente, o Ano Novo Lunar é festejado em Macau como assinalava a edição de ontem do jornal macaense hojemacau, mas também é festejado em Lisboa onde se encontram as típicas decorações chinesas na via pública, nas lojas e nos restaurantes.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Carlos III rejeita nome de novo submarino

Está em construção nos estaleiros ingleses de Barrow-in-Furness o sétimo submarino nuclear da classe Astute, que se destina à Royal Navy e que se espera entrar ao serviço em finais de 2026. A ordem para a construção desta última unidade da classe Astute foi dada em 2018 e em Maio desse ano foi iniciada a sua construção, mas o seu nome já foi alterado duas vezes, pois antes chamou-se Ajax e, depois, foi baptizado como Agincourt. 
Porém, como hoje informa o jornal Daily Express, o rei Carlos III interveio recentemente para anular o nome original do submarino, cujo nome tinha recebido luz verde da Rainha Isabel em 2018, pelo que o governo britânico anunciou que o submarino seria rebaptizado como HMS Achilles, supostamente para evitar ofender ou incomodar os franceses.
Agincourt ou Azincourt foi uma batalha decisiva travada no norte da França em 1415, durante a Guerra dos Cem Anos, na qual os ingleses de Henrique V bateram o exército francês que era numericamente muito superior. Os ingleses sempre deram um grande valor simbólico a esta vitória que na época humilhou a França, que era o seu maior rival, até porque o seu rei Henrique V terá comandado pessoalmente as suas tropas e terá participado em combates corpo-a-corpo.
Agincourt antecipou em cerca de 400 anos outra importante vitória inglesa sobre os franceses de Napoleão, acontecida em 1815 nos campos de Waterloo. Apesar do rei Carlos III ter sido criticado pelos Conservadores, o governo trabalhista de Keir Starmer atendeu aos seus pedidos em nome das relações de boa vizinhança com os franceses.

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

A emoção do regresso palestiniano a Gaza

Todos os grandes jornais internacionais publicaram hoje, com grande destaque, a fotografia de milhares de palestinianos regressando à sua terra de Gaza, o que só foi possível com o acordo de cessar-fogo entre o Hamas e Israel. A fotografia fala por si própria e mostra como perante um cenário de destruição deixado pela brutalidade da guerra, os palestinianos querem regressar a casa e ao seu “chão”, para reconstruir as suas casas e começar uma nova vida. Ao mesmo tempo, as imagens televisivas mostraram a emoção e até a alegria do regresso a casa dos martirizados palestinianos.
Cerca de 46.000 palestinianos foram mortos durante os 15 meses em que as forças israelitas massacraram Gaza e os seus habitantes, numa operação de vingança, injusta e injustificada, que excedeu largamente o seu direito de se defender que tão repetidamente invocaram, mas que esteve em clara violação dos direitos humanos e da moral internacional. No entanto, este cessar-fogo que entrou em vigor há nove dias é temporário e o ditador Netanyahu, nem procurará pretextos para recomeçar a sua fúria genocida, até porque agora tem o apoio de Donald Trump, que até já anunciou que os palestinianos têm que abandonar Gaza e ir para a Jordânia e para o Egipto.
Apesar deste cessar-fogo são muito limitadas as esperanças de paz naquela região, ou da formação de dois estados como foi decidido há muitos anos pelas Nações Unidas. Os palestinianos estão sem apoios políticos, designadamente da Europa, que continua a mostrar uma evidente cumplicidade com Israel. 
Pode ser que ao verem as imagens da capa do The Washington Post e de outros grandes jornais internacionais, os europeus com voz, como por exemplo Ursula van der Leyen, António Costa, Kaja Kallas, Emmanuel Macron, Olaf Scholz ou Keir Starmer, possam condenar a crueldade israelita e defender a dignidade palestiniana.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

O Donald e a Europa em risco de colisão?

A chegada de Donald Trump à Casa Branca está a provocar mudanças internas a que alguém já chamou uma revolução, pois algumas das suas ordens executivas são realmente demolidoras, como se pode observar na dureza com que está a ser feito o repatriamento de imigrantes ilegais para os países da América do Sul, ou na ideia de levar os palestinianos a abandonar a sua terra e de os levar para o Egipto e para a Jordânia.
Porém, os sinais em relação à Europa ainda estão pouco claros, talvez porque Donald Trump ande a tentar cumprir, mesmo com atraso, a sua promessa de acabar com a guerra na Ucrânia em 24 horas. Por isso, poucos avançam previsões quanto à forma como Donald Trump se vai relacionar com a Europa, pois nem sequer se sabe se ele vai respeitar as instituições e as tradições europeias, ou se vai assumir posturas imperiais.
Para além do que de ameaçador disse na campanha eleitoral, Trump falou em Davos na reunião anual do World Economic Forum e o que disse “gelou o sangue dos reponsáveis europeus presentes”, segundo escreveu a jornalista Teresa de Sousa. Defendendo o seu “make america great again”, Trump tratou de desafiar os empresários europeus a investir na America, sem condicionalismos ambientais e com leis laborais mais amigas do capital, afirmando que “não haverá melhor lugar na Terra para criar empregos, construir fábricas ou expandir uma empresa do que aqui nos bons e velhos Estados Unidos”. 
Na sua última edição o jornal católico francês La Croix analisa a forma como “a Europa se prepara para o choque Trump” e, destaca em primeira página, uma sugestiva ilustração que representa o “pêndulo Europa” e o “pêndulo Trump”, balançando sem sintonia e em risco de colisão. 
Úm bom exemplo a mostrar que uma imagem vale mais que mil palavras…

O mundo não pode esquecer Auschwitz

No dia 27 de Janeiro de 1945, na sua caminhada em direcção a Berlim, o exército russo forçou as portas do campo de extermínio de Auschwitz, localizado a sul do território polaco, onde muitos milhares de seres humanos encontraram a morte e libertou alguns dos condenados que ali se encontravam. Hoje celebram-se 80 anos sobre esse dia libertador e o mundo vive alarmado pela ameaça de novos auschwitzes, embora com características muito diferentes. Auschwitz, ou Auschwitz-Birkenau, foi um campo de extermínio e tornou-se um dos maiores símbolos do genocídio perpetrado pela Alemanha nazi contra seis milhões de judeus europeus, um milhão dos quais morreu naquele local entre 1940 e 1945, juntamente com mais de 100 mil não judeus. Auschwitz foi criado em 1940 por ordem de Heinrich Himmler como campo de concentração e para ali passaram a convergir comboios provenientes da Europa ocupada pelos nazis, com destino às câmaras de gás daquele campo. Não se sabe exactamente quantas pessoas morreram em Auschwitz, mas os números oscilam entre um e três milhôes, que foram executados nas câmaras de gás, mas também devido à fome, doenças infecciosas, trabalhos forçados, execuções individuais ou experiências médicas.

O dia 27 de Janeiro foi oficialmente proclamado como o Dia Internacional da Memória das Vítimas do Holocausto, para assinalar e comemorar a libertação daquele campo de concentração e extermínio. Actualmente, o campo e as câmaras de gás de Auschwitz-Birkenau são visitáveis e o “campo de concentração e extermínio nazi alemão de 1940-1945”, foi classificado em 1979 como Património da Humanidade pela Unesco. Hoje, alguns jornais como o Libération, evocaram o 80.º aniversário da libertação de Auschwitz, que foi assinalado com uma cerimónia oficial que contou com a presença de cerca de meia centena de sobreviventes e 54 delegações internacionais. O mundo não pode esquecer Auschwitz

domingo, 26 de janeiro de 2025

Pergunta-se: se puede frenar a Trump?

A tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos deveria ter sido um acto de muita solenidade na presença de todos os anteriores presidentes, mas foi uma lamentável sessão de propaganda, uma provocação e um acto de humilhação para com Joe Biden, que a tudo assistiu sem pestanejar.
Depois, ainda na linha da sua peculiar propaganda, tratou de assinar várias ordens executivas mais ou menos polémicas, muitas delas a revogar as políticas de Joe Biden, mas também a conceder o perdão a mais de 1500 presos por invasão do Capitólio, a declarar a situação de emergência na fronteira com o México, a anunciar a retirada da Organização Mundial de Saúde e a declarar a saída do Acordo de Paris de 2015, cujo objectivo é a redução das emissões de gases que causam o efeito de estufa.
Menos de uma semana após a sua tomada de posse, o novo presidente dos Estados Unidos parece decidido a levar por diante todas as suas promessas e ameaças eleitorais, sobretudo no que respeita às deportações em massa de imigrantes ilegais nos Estados Unidos, mas também em relação aos seus apetites imperialistas no Panamá e na Gronelândia.
Porém, este autoritarismo presidencial já está a suscitar reacções, tanto interna como internacionalmente. Um juiz federal bloqueou a ordem executiva de Trump que extinguia o direito à cidadania americana dos filhos dos imigrantes nascidos no país. Externamente, alguns líderes já denunciaram a arrogância de Donald Trump e, tanto quanto sabemos, “não se calaram” perante os seus discursos. O facto é que Donald Trump e as suas decisões são um dos assuntos do momento e a edição de hoje do jornal elPeriódico, que se publica em Barcelona, pergunta mesmo “se puede frenar a Trump”.
Esta é, provavelmente, a maior dúvida que o mundo actualmente tem.

sábado, 25 de janeiro de 2025

Braga, a Capital Portuguesa da Cultura

A mais recente edição do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias dedica vários textos subscritos por especialistas e que ocupam várias páginas, à cidade minhota de Braga que é, neste ano de 2025, a Capital Portuguesa da Cultura.
Braga é uma cidade moderna mas que tem uma história com mais de 2000 anos, na qual a cultura está bem presente no seu vasto e variado património arquitectónico, nas suas tradições, nas suas festas e romarias e, também, na multiplicidade de manifestações culturais que acontecem na cidade e na região.
Foi hoje que a iniciativa Braga 2025 iniciou o seu percurso como gestora, durante um ano, das iniciativas específicas da capital portuguesa da cultura. A respectiva organização, centrada na Câmara Municipal, tem promovido o evento no sentido de atrair visitantes â cidade e à região minhota, sugerindo aos bracarenses: “Abre a tua porta e deixa entrar. Deixa entrar a festa, deixa entrar os sons, os ritmos e os tons, e quem vier visitar”.
A cidade merece ser visitada pois possui um rico património arquitectónico, em que se destaca a Sé de Braga, com raízes no século XI. Porém, quando o Santuário do Bom Jesus recebeu em 2019 a classificação de Património Cultural Mundial da Unesco, a chamada “cidade dos arcebispos” passou a ter um ícone que lhe assegura um estatuto cultural ainda mais elevado. Para além da oferta de património, a Capital Portuguesa da Cultura vai incluir outras atracções como a Semana Santa, as festividades do São João, os festivais de Verão, o folclore e as romarias, os concertos eruditos e populares, as exposições, as iniciativas literárias e um programa cultural intenso, como refere o programa “Braga soa a Cultura”.
E porque mais cultura gera mais qualidade de vida, também a cidade e o seu território se tornam mais atractivos, criando mais riqueza e mais emprego, isto é, mais progresso. É pois uma boa altura para visitar Braga.

Andebol português a brilhar como nunca

A vitória sobre a selecção espanhola por 35-29 alcançada ontem em Oslo e a passagem aos quartos-de-final do 29º Campeonato do Mundo de Andebol, ou 2025 IHF World Men’s Handball Championship, é um acontecimento notável no panorama desportivo português! O jornal A Bola esqueceu por um dia o futebol e as futebolices que vegetam agregadas a esse belo especáculo desportivo, tratando de destacar na sua primeira página as fotografias de alguns jogadores da equipa nacional de andebol e escolhendo como manchete a frase “assim se faz história”.
Primeiro decorreu o Preliminary round e a equipa portuguesa defrontou os Estados Unidos (30-21), o Brasil (30-26) e a Noruega (31-28), conseguindo três vitórias. Está em curso o Main round e os adversários foram a Suécia (37-37) e a Espanha (35-29), faltando ainda o jogo com o Chile, com a curiosidade da Suécia já ter vencido o Campeonato do Mundo quatro vezes e a Espanha duas vezes.
Nunca o andebol português tinha chegado tão longe! 
A RTP está a cumprir a sua obrigação de serviço público e tem transmitido em directo estes jogos que realmente entusiasmam e que são um motivo de satisfação e até de orgulho para os desportistas portugueses.
Está garantido, portanto, que Portugal vai terminar o 29º Campeonato do Mundo nos oito primeiros lugares da classificação final, o que é inédito e constituirá (ou já constitui) um dos mais brilhantes resultados do desporto português.  
O meu mais entusiástico aplauso a esta equipa e a estes atletas!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Macau regista forte procura turística

O ano de 2024 foi um excelente ano para o turismo em Portugal, que recebeu um número recorde de 30 milhões de turistas estrangeiros, que geraram receitas superiores a 27 mil milhões de euros. Alguém escreveu que foi “um marco impressionante” e, de facto, é impressionante ver tantos turistas em Portugal, com todos os benefícios e malefícios que essa realidade nos traz. Ocorre-nos a “Miscelânea” que Garcia de Resende escreveu em 1554, na qual em poema diz: “Vemos no reino meter tantos cativos crescer e irem-se os naturais, que se assim for serão mais eles que nós a meu ver".
Estas notas são aqui evocadas a propósito da notícia da edição de hoje do jornal macaense ponto final que nos informa que “em 2024 entraram em Macau 34,9 milhões de visitantes, o que revela um crescimento de 23,8% face a 2023”, começando a aproximar-se dos 39 milhões de visitantes registados em 2019, antes das restrições pandémicas. Esses visitantes chegaram por terra (27,7 milhões), por via marítima (4 milhões) e por via aérea (3 milhões), destacando-se o número de visitantes do interior da China que foi de cerca de 24,5 milhões, enquanto o número de visitantes internacionais foi de cerca de 2,4 milhões.
O território de Macau tem cerca de 33 km2 de superfície e uma população residente da ordem das 700 mil pessoas, pelo que é espantoso como sendo tão pequeno recebe tanta gente, o que parece mostrar que o seu modo de vida e a herança cultural portuguesa fazem a diferença naquela região e atraem visitantes de todo o mundo. Significativamente, a capa do ponto final mostra as ruinas de S. Paulo e a fachada da antiga igreja da Madre de Deus, ex-libris do território, que estão incluídas no centro histórico de Macau, que é classificado pela Unesco.

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

God save the world!

O cidadão Donald John Trump tornou-se ontem no 47º presidente dos Estados Unidos ou da mais poderosa nação do mundo e, no nosso planeta, nenhum outro ser humano tem tanto poder como ele. Por isso e naturalmente, os jornais publicados no mundo ocuparam as suas primeiras páginas com a notícia da tomada de posse de Donald Trump e com fotografias do homem que regressa à Casa Branca onde morou entre 2017 e 2021. 
As manchetes alusivas ao acontecimento, tanto nos jornais dos Estados Unidos como nos jornais estrangeiros, repetiam-se e insistiam na ideia de mudança que fora anunciada ou prometida durante a campanha eleitoral. Frases como “Trump era begins”, “Trump regains power”, “Trump back in power”, “Golden age starts now”, “America’s decline is over”, “New chapter”, “A tide of change” ou “The torch is passed”, foram, provavelmente, as mais repetidas pela imprensa, mas também houve jornais que escolheram a declaração “I was saved by God to make America great again”.
Foram muito raros os jornais que mostraram preocupação quanto ao futuro e quanto às ameaças e às promessas de Donald Trump. Porém, de todas as muitas dezenas de manchetes que tive a oportunidade de ler, a mais eloquente e criativa será, porventura, a que foi publicada hoje pelo ara, um jornal diário que se publica em Barcelona, que é inteiramente escrito em catalão, mas que escolheu para manchete uma frase em inglês: God save the world.
Esta frase reflecte uma ideia que poucos jornais assumiram neste dia e que é realmente muito ajustada à situação que o próprio presidente dos Estados Unidos anunciou e que está a alarmar muita gente.
A frase “Make America great again” é um desafio para Trump e uma ameaça para o mundo.

domingo, 19 de janeiro de 2025

O “imperador” Trump e a era da incerteza

A tomada de posse do novo presidente dos Estados Unidos da América vai acontecer amanhã em Washington e essa notícia começa a ocupar as primeiras páginas dos jornais mundiais, que publicam crónicas e fotografias sobre Donald Trump, a sua personalidade, as suas ideias e os seus projectos.
Com 78 anos de idade, o republicano Donald Trump foi o mais velho político a ganhar uma eleição presidencial americana e deverá cumprir o seu mandato até aos 82 anos de idade, mas a sua idade, a sua truculência, as suas ideias e as suas relações pessoais com alguns líderes mundiais preocupam muita gente, dentro e fora da América.
A revista alemã Der Spiegel, que se publica em Hamburgo, escreve que Donald Trump regressa à Casa Branca “mais poderoso e determinado do que nunca” e classifica-o como “o imperador”, acrescentando que a partir de amanhã viveremos no “mundo Trump”, envolvidos “pelo imperialismo, o autoritarismo e o egoísmo de Donald Trump”, que vai ser investido como o 47º presidente dos Estados Unidos.
Donald Trump tem vontade e poder para mudar o mundo, como têm mostrado as suas declarações dos últimos meses, mas as sondagens dizem que os europeus estão muito pessimistas em relação à forma como ele quer moldar a futura ordem mundial, não só em relação ao Médio Oriente e à Ucrânia, mas também quanto às reivindicações chinesas sobre Taiwan, ou as suas ameaças sobre a Gronelândia e o canal do Panamá.
Com Donald Trump na Casa Branca os próximos tempos vão ser de grande incerteza para o mundo e é caso para dizer que “prognósticos só no fim do jogo”.

sábado, 18 de janeiro de 2025

O terrível custo de 466 dias de conflito

Depois de muitos meses de guerra conduzida pelo governo de Benjamin Netanyahu e pelas Forças de Defesa de Israel contra o Hamas, parece que o cessar-fogo vai finalmente acontecer em Gaza a partir de amanhã. Atento à importância desse facto, o jornal britânico The Independent escolheu como primeira página da sua edição de ontem o balanço do “terrível custo de 466 dias de conflito”. 
Os números apresentados são arrasadores e mostram a dimensão da tragédia que aconteceu na estreita faixa de território que é Gaza, onde os condenáveis actos terroristas que o Hamas realizou no dia 7 de Outubro de 2022, tiveram uma resposta israelita que se revelou desproporcionada, cruel e atentatória do respeito pela dignidade humana, perante a indiferença ou até a conivência dos líderes dos Estados Unidos e da União Europeia. 
A punição imposta ao Hamas foi severa e estendeu-se a todo o povo palestiniano, tendo havido muitas vozes a classificar a acção israelita como um caso de genocídio. 
O jornal The Independent anuncia que aos 1.205 mortos no ataque de 7 de Outubro, incluindo os reféns mortos em cativeiro, os israelitas responderam com 46.788 palestinianos mortos e pelo menos 110.453 feridos; que 1,9 milhões de moradores de Gaza, correspondentes a 85% da população, foram forçados a abandonar as suas casas; que 69% dos edifícios foram destruidos ou danificados; que 345.000 palestinianos enfrentam “catastrophic hunger”; que 371 trabalhadores humanitários foram mortos em Gaza durante os 466 dias de conflito. 
Foi um “terrible cost” e ninguém está seguro de que a paz regresse àquela região, que as Nações Unidas decidiram em 1948 dever ser partilhada entre dois estados: um Estado árabe e um Estado judaico.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Tempos muito difíceis para Moçambique!

Moçambique é um país da costa oriental africana com fortes relações históricas e emocionais com Portugal, sendo governado pela Frelimo desde que o país conquistou a sua independência em 1975, mas o que se passa em Moçambique interessa aos portugueses no plano simbólico e no campo dos afectos.
No passado dia 9 de Outubro de 2024 realizaram-se as eleições presidenciais, em simultâneo com a eleição dos 250 deputados para a Assembleia da República e com a eleição dos membros das dez assembleias provinciais. No dia 16 de Outubro os relatórios preliminares mostravam que Daniel Chapo, um professor de Direito que foi o candidato da Frelimo, liderava a contagem dos votos. No dia 24, a Comissão Nacional de Eleições anunciou que Chapo vencera as eleições com 71% dos votos, que ganhara todas as eleições provinciais e que conquistara 195 dos 250 lugares de deputados. Vivendo o país em crise económica e com o desgaste de quase meio século de poder da Frelimo, aqueles resultados foram de imediato contestados pelo Partido Optimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (Podemos) e pelo seu líder Venâncio Mondlane, que afirmaram que houve fraude eleitoral. 
Mondlane declarou-se vencedor e, poucos dias depois, eclodiram tumultos e muita violência por todo o território moçambicano, contestando os resultados eleitorais. Os confrontos entre a polícia e os manifestantes já provocaram quase três centenas de mortos e mais de cinco mil pessoas baleadas, segundo foi divulgado por diversas organizações não governamentais.
Apesar da contestação, Daniel Chapo foi investido como presidente de Moçambique no dia 15 de Janeiro, conforme noticiou o jornal O País que se publica no Maputo.
Porém, Mondlane não desiste e tem convocado manifestações em que a palavra de ordem é “matar um polícia por cada manifestante morto”, ou “dente por dente, olho por olho”, significando a vontade de continuar a contestação com violência e vingança.
Tempos muito difíceis para Moçambique!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Bravo a Charlie Dalin, o ultra marinheiro

O primeiro concorrente da 10ª da Vendée Globe 2024 chegou ontem a Les Sables-d’Olonne e, tendo partido no dia 10 de Novembro, terminou ontem a sua volta ao mundo em solitário em 64 dias, 19 horas, 22 minutos e 49 segundos. Chama-se Charlie Dalin, é um velejador francês de 40 anos de idade, natural da cidade de Le Havre, que pulverizou o record desta prova ao terminá-la com menos 9 dias que o anterior record.
Na sua edição de hoje o jornal desportivo L’Équipe chama-lhe com muita propriedade o Ultra Marin. Dos 40 concorrentes que iniciaram a prova em Les Sables-d’Olonne até agora apenas se verificaram seis abandonos, mas enquanto o vencedor já chegou ao fim, há seis concorrentes que ainda não passaram o cabo Horn, havendo 27 veleiros que navegam no Atlântico em direcção à meta. Nesta altura em que Charlie Dalin se afirma “o homem mais feliz do mundo” e festeja o seu sucesso por ter percorrido em solitário cerca de 27.667 milhas à volta do mundo no Macif Santé Prévoyance à fantástica média de 17,8 nós, o segundo classificado que é Paprec Arkéa de Yoan Richomme aproxima-se da meta. Na 8ª posição e a cerca de 2800 milhas da meta navega a velejadora suiça Justine Mettraux, que é a concorrente feminina melhor classificada.
Les Sables-d’Olonne está em festa pelo enorme sucesso desportivo e social desta prova, em que Charlie Dalin bateu o anterior record de 74 dias, 3 horas e 36 minutos. Ele é mesmo um ultra marinheiro!